O som da voz de minha mãe ecoou pelo quarto, deixando-me atordoada, ela me chamou algumas vezes e se retirou do quarto. Pus os pés para fora da cama com dificuldade, afinal ontem havia dormido tarde, o que provavelmente me impediria de prestar atenção nas aulas. Peguei o uniforme da escola, uma calça cinza de tecido grosso, uma blusa de mangas longas branca com o nome da escola impresso na lateral, pequeno. Havia um casaco cinza da mesma cor da calça que refletia o calor do corpo, mas ele era opcional. Os sapatos, e acessórios também eram, o que me fez pegar minhas botas beges com o interior de lã.

Fui direto para o banheiro tomei uma ducha quente e pensei no DVD de meu irmão que havia assistido ontem. Minha parte preferida era quando ele começava a falar na entrevista sobre os parceiros de equipe dele, e o jeito como ele riu da piada contada por um deles. Saí do banho e vesti-me rapidamente. Como hoje não estava com fome decidi não tomar café da manhã. Voltei ao quarto, peguei meu casaco e desci as escadas. Parei na porta e enquanto eu ajeitava meu gorro minha mãe apareceu.

“Não vai tomar café?” Ela perguntou me observando com um copo na mão.

“Não estou com fome hoje.”

“Pelo menos tome um suco.”

“Tudo bem.”

Fui até ela tomei o suco de laranja, e em instantes devolvi o copo, peguei minha mochila e saí porta afora. Caroline como sempre estava me esperando do lado de fora. Ela morava na mesma rua que eu algumas casas antes, e para ir para o colégio tinha que passar na frente de minha casa.

“Ainda bem, eu quase congelei aqui.” Ela disse sorrindo.

“Isso por que todos os dias quem te espera? Você só deve estar ai há um minuto.”

“Dois. E você sempre espera o mesmo tempo, então estamos quites.” Nós duas rimos.

“Como foi seu final de semana?”

“Foi bom, sábado eu fui com Kate ao mercado e domingo eu fui a algumas lojas na avenida. E o seu? Não vai me responder que foi como sempre viu?”

“Calma, eu não ia responder isso, mas a culpa não é minha se o final de semana é sempre o mesmo.”

“É sim Jules, por que quando a gente te chama para sair você nunca quer ir!”

“Você sabe que compras e mercado não são comigo, não sabe Carol?”

“Eu sei.” Nós duas rimos. “Mas e o que fez?”

“Sábado eu estudei para a prova, e domingo eu dei uma volta por ai.”

“Só isso?”

“Sim, por quê?”

“Jules, você precisa mesmo aprender a viver.” Eu ri.

“Carol, nós estamos em Oak, esqueceu?”

“Mas isso não precisa te impedir.” Dei um sorriso leve com esse comentário.

Continuamos indo e rapidamente chegamos à escola, me dirigi para o meu armário e enquanto pegava meu livro de ciências e guardava os outros Kate apareceu magicamente ao meu lado.

“Bom dia Kate.”

“Bom dia Julia.”

“Sabe o que aconteceu no fim de semana?”

“Sei, você foi ao mercado com a Carol. Nossa que excitante!” Disse debochando dela, enquanto recebi uma careta, que eu acho que era para me intimidar.

“Além disso.”

“Não Kate, não sei o que aconteceu. Não sou nenhuma vidente.” Ela olhou para mim com outra careta e eu ri mais ainda.

“Só vou te contar por que não tenho mais ninguém para dizer isso.”

Pensei em dizer que ela tinha mais três amigas para dizer isso, mas decidi não estragar sua felicidade, e vamos dizer que minha curiosidade falava um pouco mais alto essa manhã.

“Então...?”

“Então, quando eu estava saindo do mercado eu encontrei o Ethan do primeiro ano!”

“E quem seria o Ethan do primeiro ano?”

E ao invés de responder ela parou em minha frente e ficou me encarando.

“O que foi?”

“Como assim você não sabe quem é o Ethan, Julia?” Ela disse apontando o dedo para mim, quase enfiando ele no meu nariz.

“Não sabendo, Kate” – Dei um sorriso sarcástico e toquei o laço de sua cabeça, que hoje era rosa escuro. “Adorei seu laço Kate.”

Ela abaixou o dedo e deu um sorriso.

“Agora, sai da frente, a aula já vai começar.” Ela rapidamente se colocou do meu lado e continuamos a andar pelo corredor.

“Como você faz isso?”

“Faço o que?”

“Consegue se livrar das coisas num piscar de olhos?” Ela disse com um sorriso no rosto enquanto eu ria.

“Minha cara Kate, isso é um dom.” Eu disse enquanto entravámos na sala. Sentei-me na última carteira bem ao fundo, Kate ao meu lado.

“Enfim, eu encontrei ele quando estava indo para casa.”

“Isso eu já entendi Kate.”

“Tá, mas, olha isso aqui!” Ela me entregou um papel com um horário e um endereço, na parte leste da cidade. Olhei para Kate que estava com um sorriso gigante. Aquela menina tinha problemas.

“O que é isso?” Devolvi o papel.

“Julia, presta mais atenção!” Ela tirou o sorriso do rosto, me olhou com outra careta e esfregou o papel na minha cara.

“Calma menina bipolar!” Ela tirou o papel e começou a rir do nada. É eu tinha razão.

“Esse é o endereço de onde vamos nos encontrar!” Ela gritou no meu ouvido, enquanto trazia o sorriso de volta para o rosto.

“Ei, podia falar mais baixo né?” Ela ficou toda vermelha quando descobriu que a sala toda nos olhava. “Ele é bonito?”

“Ah Julia... Ele é perfeito.”

“Pelo menos uma de nós tem um namorado.”

“E a Jane?”

“A Jane e o Michael estão mais para enrolados do que para namorando, você sabe.” Eu disse e ela riu.

O professor de matemática entrou na sala e o dia se passou meio devagar. Hoje tive aulas com todas as meninas, menos com Carol, mas veria ela na volta para casa. Hoje tivemos seis aulas devido à colheita que será na quarta. Por causa dela perderemos duas aulas, e a escola North Shore é bem rígida em termos de presença nas aulas. Vamos dizer que há um limite de faltas, e digamos três ou quatro dias. Se você ultrapassá-lo, não passa de ano, ou seja, mais uma chance de ser jogado para morrer. Tudo aqui é planejado nos mínimos detalhes.

“Tchau Ally, até amanhã.”

“Vai fazer alguma coisa hoje, Julia?”

“Não, por quê?”

“Vamos estudar para a prova juntas. Por Favor! Você sabe que eu sou horrível em química!” Ela disse fazendo uma carinha de cachorro molhado.

“OK Ally. Eu vou à sua casa as três, tudo bem?”

“Até lá então.”

Voltei para casa com Carol, não conversamos muito, na verdade eu não conversei muito, afinal, ela estava falando sobre o encontro de Kate, e eu não prestei muita atenção para falar a verdade, mas sua companhia era melhor do que nada. Despedi-me dela e entrei em casa, almocei com meus pais em silêncio, fiz algumas das lições e fui à casa de Ally.

Nem sei por que não a pedia para vir até minha casa, sou eu quem sempre vai às casas dos outros, às vezes, ou melhor, todas as vezes que eu saio de casa, os mesmo olhos pesados ficam dispostos sob as persianas brancas, meio acinzentadas das janelas das casas.

O dia foi no geral tranquilo, mais um dia na velha e cinzenta Oak.

Notas finais
Desculpem a demora, já na segunda semana de aula tive provas e ficou meio difícil eu entrar noi comutador :(
Espero que tenham gostado.
Kisses
xxJuhxx