Never Grow Up
2 Middle
Notas iniciais
Ele é dividido em duas partes. A primeira se passa em 1763 e o Alfred está com a aparência de uns 13, 14 anos mais ou menos. Alguém pode acabar se perguntando por que 1763. Bom, o negócio é que segundo o Wikipédia, a Revolução Americana teve suas raízes na assinatura do Tratado de Paris que acabou com a Guerra dos Cem Anos. Tal acontecimento se deu em 1763. Pois é, quem disse que fanfic não é cultura?
Já a segunda parte é aquela lembrança que nós todos conhecemos e amamos (ou não) dos dois debaixo da chuva em campo de batalha. Tive que assistir aquele episódio umas 10 vezes pra conseguir escrever, e mesmo assim não sei se ficou muito bom.
Espero que gostem.
1763
Enquanto corria em direção à colina, Alfred pensava no quanto aquele mês passara rápido. Entre brincadeiras, passeios e refeições com gosto, para dizer no mínimo duvidoso, os dias pareceram voar. O que não era uma novidade, para falar a verdade. Todos os dias com Arthur eram tão perfeitos que passavam mais rápido do que ele gostaria.
Com a respiração ofegante olhou para cima e viu o cabelo loiro despenteado da nação Britânica que estava de costas para ele. Correu mais rápido e com um enorme sorriso no rosto, pretendendo dar um susto na maior, quando viu o que Inglaterra observava. O sorriso murchou na mesma hora.
As velas estavam recolhidas, mas ele sabia que elas eram enormes e totalmente brancas. O casco era todo esculpido em madeira nobre e a bandeira do Reino Unido dançava ao sabor do vento no ponto mais alto do navio. América sabia o que era e o que ele significava.
Era um navio da Marinha Britânica, e ele estava ali para levar Arthur embora.
- Você já vai? – Inglaterra ouviu a voz não mais tão infantil perguntar atrás dele.
- Eu tenho que ir.
- Mas você ficou tão pouco. E você prometeu que ia me ensinar a cozinhar. – Mesmo que a comida de Arthur não fosse a melhor do mundo — para não dizer que era não-comestível – aquele era um tempo que ele passaria ao lado do mais velho.
- Eu sei Alfred, mas eu tenho coisas a resolver no meu país também. – Arthur abaixou-se, ficando da mesma estatura do menino. – Eu gosto muito de ficar com você, mas isso não quer dizer que eu possa ignorar minhas responsabilidades.
- Se você gosta tanto de ficar comigo, então me leva junto. – pediu com esperança transbordando dos olhos azuis. Inglaterra primeiro ficou chocado, encarando o adolescente, para logo depois se levantar bruscamente.
-Isso é... Incabível, para dizer o mínimo.
-Por quê? Eu prometo que me comporto.
-Não, Alfred! Eu vou ficar ocupado o tempo todo, não vou poder dar atenção a você.
-Eu não me importo. Posso ficar sentado no cantinho. Não vou atrapalhar ninguém, prometo.
-Não dá Alfred.
-Mas... Arthur.
-Não! –Gritou, mas logo se arrependeu. Não de ter negado o pedido, mas de ter gritado. Ele nunca gritava com Alfred. E quando viu as lágrimas surgindo nos olhos do seu garoto, um nó subiu pela sua garganta. — Alfred... Desculpe-me, querido. Eu não queria...
-Eu odeio você. –Falou com a cabeça baixa.
-O-o que?
-Eu odeio você, Arthur! Tomara que o seu navio afunde e você morra! –Gritou e saiu correndo de volta para a casa grande e solitária.
-Alfred, espera! –Mas Alfred não escutou. Já estava longe demais. E ele não poderia ir atrás dele agora. Mesmo que isso fizesse doer seu peito.
Inglaterra começou a descer a colina em direção ao cais, com um peso no coração pelas palavras do menino.
-0-0-0-
-Inglês idiota. Eu o odeio. Ele é um completo imbecil. –Alfred andava chutando uma pedra, em direção à sua casa, que estaria vazia, com exceção dos empregados. Essa era a parte que ele mais detestava, e ao mesmo tempo tinha medo.
Parou de frente para a mansão, olhando a construção tipicamente inglesa em solo americano. Ela parecia tão diferente agora que Arthur tinha ido embora.
-Te odeio por me deixar aqui sozinho.
Revolução Americana
-Ei, Inglaterra. No final... Eu escolho a liberdade. – como ele foi parar ali? Como a situação chegou a tal ponto? Ele não queria que terminasse assim. – Eu não sou mais uma criança, nem seu irmãozinho. – Isso era certo. Ele não queria ser da família de Inglaterra. Não desse jeito. – Agora, eu estou me separando de você.
Apesar da voz firme, Alfred estava tremendo pro dentro. A partir daquele momento, ele estava deixando para trás tudo o que ele conhecia. Ele iria se jogar num mundo completamente novo sem ter o apoio daquele que sempre esteve ao seu lado. E isso era... Assustador.
Depois de alguns míseros segundos, Inglaterra pareceu finalmente reagir às palavras do garoto, correndo em direção a ele, empurrando a sua arma.
-Eu não vou permitir...! – Bem na hora, Alfred segurou a própria arma a modo de bloqueio, parando o golpe, mas perdeu-a pela força aplicada pela nação mais velha.
Arthur se perguntava o porquê daquilo tudo. Ele fora um mau tutor? Um mau irmão? Ele não sabia o que tinha feito de errado para seu garoto estar agindo assim.
Com o mosquete apontado para o rosto do menino que ele viu crescer, Inglaterra disse:
- Você é muito ingênuo, seu idiota. – Ao longe, ouviu uma ordem para atirarem, mas ele sabia que ela não seria obedecida. Eles não poderiam correr o risco de ferir Alfred também.
A arma estava na posição certa. Era só ele atirar e tudo estaria resolvido. Posicionou o dedo sobre o gatilho, e estava pronto para acionar a alavanca, quando olhou no fundo dos olhos do menino.
O que ele viu foi medo. Mas era um medo diferente do que ele estava acostumado. Geralmente, Alfred tinha medo do escuro, de fantasmas ou de que Inglaterra fosse embora e nunca mais voltasse. O medo que ele via agora, no entanto, era pelo seu povo. Medo de não ser o suficiente. Medo de não ser bom o suficiente para governar aquelas terras, mas mesmo assim... Ele estava disposto a tentar.
Foi ali que Arthur percebeu. Seu menino, aquele que pedia para segurar a sua mão, havia crescido. Ele não era mais só Alfred. Agora, ele era America também.
- Não tem como eu atirar... Idiota... – Inglaterra largou a arma e caiu de joelhos. Porque, apesar de se sentir abandonado por aquele que sempre foi sua família mais do que seus próprios irmão, ele se sentia orgulhoso também. – Maldição... Por quê?...Droga... – Ele enterrou o rosto nas mãos, chorando e tremendo. Podia ter sido de outro jeito. Podia ter sido melhor... Não podia?
- Inglaterra... – America ficou encarando aquele que por muito tempo foi seu único apoio. Ele parecia tão frágil agora. O lembrou de quando Inglaterra e França brigaram por ele na floresta, naqueles primeiros dias. Ele parecia tão sozinho naquela hora, que Alfred não hesitou em escolhê-lo. O resultado final teria sido diferente, se ele tivesse escolhido Francis?
Seria. Porque ai já não seria Arthur. Por mais que as coisas estivessem difíceis agora, ele não se arrependia de suas escolhas. Porque elas fizeram com que ele tivesse ótimas recordações. E se o tempo estava fechado agora, ele sabia que o sol sorriria mais tarde. Ele consertaria a situação com Inglaterra, algum dia... Era uma promessa de herói.
- You used to be... So big.
Notas finais
Mas tudo melhora no próximo cap, que aliás é o último. Ele deve demorar mais ou menos umas duas semanas, já que eu ainda estou escrevendo ele. Talvez menos tempo se a inspiração me der um tapa. Vamos torcer.
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