Never Gonna Be Alone
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Never Gonna Be Alone
Time, is going by, so much faster than I,
And I'm starting to regret not spending
all of it with you.
Difícil ver um cara como Trafalgar Law irritado.
Uma das coisas que irritava o médico era marcar um compromisso com alguém e não poder comparecer, ou quando as coisas não corriam como o planejado e acabava se atrasando. E era o que estava acontecendo naquele momento, mas diferente das outras inúmeras vezes aquele dia era especial, ele não podia se atrasar.
Apertou o passo, o coração bombeava violento no peito. Dobrou a primeira direita, entrando num extenso corredor, poucas pessoas caminhavam por ali, despiu-se de seu jaleco e entregou para a primeira enfermeira que cruzou seu caminho. Não deu espaço para a mulher questionar o motivo de ter jogado o jaleco todo ensanguentado em seus braços.
“Por favor, deixe no meu consultório, amanhã nos falamos boa noite.”.
E continuou seguindo seu caminho, esperava não encontrar nenhum empecilho durante sua pequena jornada. Quando chegou em frente ao elevador apertou o botão chamando pelo mesmo. Impaciente olhou para o relógio no pulso, estava atrasado há mais de uma hora. Rapidamente uma duvida surgiu e com desespero vasculhou os bolsos de sua calça a procura de algo, apanhando em seguida uma pequena caixa de veludo azul marinho. Suspirou aliviado encarando o objeto.
Não tardou e, enfim, o elevador chegou.
(x)
Último andar. térreo.
Um rápido boa noite na recepção, sem ao menos esperar ou prestar atenção na resposta. Agora uma nova corrida até o estacionamento.
Até poderia entrar no carro se não fosse pelo simples fato de ter esquecido a chave em seu consultório.
E agora?
Teria que voltar, esperar novamente pelo elevador, esperar ele passar pacientemente por todos os andares até o oitavo, encontrar a enfermeira novamente e o por último estar sujeito a passar por outra longa cirurgia de última hora.
Voltar ou não voltar?
Ele suspirou, bufou, chutou a traseira do carro, machucou o pé durante o ato e percebeu que estava perdendo tempo com seu súbito descontrole.
Por fim ele decidiu pegar um táxi.
Péssima ideia. Perdeu mais tempo só indo até o ponto, não havia táxis lá, o último tinha acabado de sair para uma corrida.
O Dr. Law correu de volta ao estacionamento, entrou novamente no hospital, passou pela recepção e seguiu até o elevador para uma nova e demorada espera.
Para tentar passar o tempo, procurou uma maneira de se distrair com alguma boa lembrança.
(****)
Now I'm, wondering why,
I've kept this bottled inside,
So I'm starting to regret not telling
all of it to you.
So if I haven't yet, I've gotta let you know...
(****)
“Ei, que porra é essa?” perguntou um homem ruivo, com uma enorme veia pulsando na testa.
“Um cachorro, não tá vendo?”
“Tá de palhaçada com a minha cara?” perguntou num tom alterado. “eu sei que é a porra de um cachorro, o que eu quero saber é o que infernos esse animal está fazendo na minha cama?”.
“Nossa cama”. Corrigiu com um sorriso sereno.
“Pro inferno, Trafalgar responde logo”.
“A partir de hoje ele vai morar conosco”.
“O que? Nem pensar! Tira agora esse pulguento da minha cama. Ei, tá ouvindo? Ei Trafalgar, onde pensa que vai, não me dê as costas quando estiver falando caralho... Trafalgar, Trafalgar!! ”
(****)
Never gonna be alone!
From this moment on,
If you ever feel like letting go,
I won't let you fall...
Never gonna be alone!
I'll hold you 'til the hurt is gone.
(****)
Riu baixo lembrando daquilo. Bons tempos, quando era apenas um estudante de medicina, apesar da agenda ser bem apertada naquela época tinha tempo vago para cuidar de sua vida pessoal.
“Lembre-se, imbecil não vou tolerar atrasos, essa vai ser a última vez.”.
Mas essa nova lembrança o deixou quase sem esperanças e então voltou para a realidade. Aquela era a última chance, mas parecia que o destino estava contra ele.
Será mesmo?
Law não duvidava mais, depois de tudo, depois tantas promessas não cumpridas, depois de tantos atrasos, depois de tantas desavenças, separações... Se o destino estivesse mesmo contra si não poderia culpá-lo por isso.
Porém ele não desistiria e faria o impossível se tornar possível.
Finalmente o elevador chegou.
(x)
Estava cansado.
Devia saber que ele não viria.
Típico dele.
Estava se sentindo um verdadeiro babaca por ainda estar ali, por ainda alimentar esperança de que algo ia mudar.
Estava irritado.
Prometera a si mesmo que iria arrebentar a cara dele na próxima vez que ousasse bater na sua porta pedindo outra chance, se não aproveitasse aquela.
Pois, aquela era última.
Definitivamente tinha acabado.
Olhou para a tela do celular disposto a tentar só mais uma vez... Uma última vez. Discou o número que sabia de cabeça.
Primeira chamada.
Segunda chamada.
Terceira chamada.
Caixa.
Certo, Eustass esperaria só mais trinta minutos.
Pediu mais um drink, observando da janela o trovejar no céu, seguindo de alguns pequenos pingos que logo se tornaram insistentes.
Ótimo começara a chover. Mas nada se comparava com a frustração que estava sentindo de estar sendo deixado de lado novamente.
(****)
And now, as long as I can,
I'm holding on with both hands,
Cuz forever I believe that there's
Nothing I could need but you,
So if I haven't yet, I've gotta let you know...
(****)
“Hoje não vai dar, estou de plantão. Espero que compreenda, vá sem mim, prometo que dá próxima irei sem falta”.
“Que, mas que porra é essa?“
“Eustass, conversamos mais tarde agora não posso falar, vou ter que desligar.”
“Tou cansando dessa putaria, ouviu?”
“Sério, depois conversamos. Tchau”.
Era sempre sim, sempre na próxima e nunca havia uma próxima, pois todas as próximas eram adiadas.
Trafalgar Law era um mentiroso de fato. E Eustass Kid era um idiota por acreditar em suas mentiras.
(****)
You never gonna be alone!
From this moment on,
If you ever feel like letting go,
I won't let you fall.
When all hope is gone,
I know that you can carry on.
We're gonna see the world out,
I'll hold you 'til the hurt is gone.
Ooooh!
(****)
Legal. Conseguiu pegar as chaves, já estava a caminho, o problema agora era o engarrafamento. Por causa da tempestade, um poste caiu no meio do trânsito. Ainda bem que ninguém se feriu. Mas estava tudo trancado.
Law praguejou até não querer mais.
Chorou.
Berrou.
Chutou coisas.
Buscou pelo telefone, mas lembrou dele em cima da mesa no consultório.
(x)
Trinta minutos e nada, Eustass se ergueu vencido pelo cansaço, buscou pela carteira no bolso de sua calça, pagou pelos copos de bebidas consumidos. Apanhou seu casaco encostado na cadeira e antes de sair olhou mais uma vez em volta, sentindo-se patético.
(****)
You've gotta live every single day,
Like it's the only one, what if tomorrow never comes?
Don't let it slip away,
Could be our only one,
You know it's only just begun.
Every single day,
Maybe our only one, what if tomorrow never comes?
Tomorrow never comes...
(****)
O bar estava praticamente vazio, havia poucos clientes ali, quase todos estavam acompanhados, alguns já estavam de saída. Jogou o casaco de couro no ombro e antes de dar o primeiro passo até a saída um homem encapuzado entrou atraindo a atenção de todos.
O homem estava encharcado e ofegava sem parar.
Eustass ergueu uma sobrancelha para o estranho, reconhecendo imediatamente aquelas roupas.
O homem retirou o capuz revelando sua identidade.
(****)
Time, is going by, so much faster than I,
And I'm starting to regret not spending
all of it with you.
(****)
“Eu...” Ele tentou dizer, mas a falta de folego atrapalhava impedindo de concluir sua frase. Eustass não quis ficar ali para saber seja lá o que aquele homem queria dizer, também não disse nada, apenas rumou a saída. Passou reto pelo estranho que ficou estático com sua reação, ainda ofegante.
O ruído da chuva incomodava mais que a água da própria que banhava seu corpo. Ele procurou pelo carro estacionado do outro lado da rua e correu até o automóvel, vasculhou os bolsos a procura das chaves, deixando cair sua carteira no meio da rua.
Eustass praguejou e se inclinou apanhando o objeto, quando ergueu seu dorso foi surpreendido por um forte agarre no braço. Seu instinto defensivo falou primeiro e ele se esquivou com um olhar hostil para o homem.
“Solta meu braço!”
“Eustass, precisamos conversar.”.
“Não, não precisamos porra nenhuma.”.
“Ao menos deixe eu explicar o que aconteceu...”.
“Não estou a fim de ouvir suas desculpas esfarrapadas, Trafalgar. Pra mim chega dessa palhaçada”.
“Então é isso que significa pra você, uma palhaçada?”.
Agora Eustass adotou uma postura firme e ofendida, a raiva reprimida aflorou e seu tom de voz se elevou.
“Não vem querer passar moral para cima de mim.”.
“Não estou-“.
“O único que tem a porra do direito de passar moral aqui sou eu, tá legal?”.
“Tive uma cirurgia de última hora, não pude me negar, todos os médicos-“.
“HÁ-há! Cansei da mesma conversa de sempre. Conta outra!!”
Law respirou fundo e não se deixou abater por aquela provocação, afinal ele compreendia aquela raiva toda, entendia e até dava razão a Eustass por senti-la.
“Tinha acabado o turno dos médicos e os poucos que tinham estava ocupados com outras cirurgias ou não eram preparados para uma cirurgia de risc-”.
“Me deixa adivinhar o resto: você se ofereceu para ajudar?”.
“Não! Me convocaram, tentei me negar, mas tinha familiares e todos estavam muito desesperados. Eu não podia simplesmente dar as costas e deixar um paciente morrer, quando poderia operá-lo e salvar sua vida.”.
Falou num fôlego só.
A expressão raivosa sumiu da face de Eustass dando lugar a uma de compreensão, porém com um pequeno rastro de duvida e desconfiança.
Ele não queria ceder, ainda estava irritado queria socar a cara daquele cretino. Eustass não entendia como Law se sentia, pois ele não era médico e muito menos alguém que se importava com a vida alheia. Também não entendia os sentimentos dos familiares do paciente, pois era órfão e nunca teve entes familiares, portanto nunca perdeu ninguém.
Havia nascido sem ninguém, sem mãe e nem pai.
Vendo a duvida estampada na face de Kid, Law não esperou mais nem um minuto a mais, estavam parados no meio da rua, havia carros passando e gritando impaciente para eles, pedindo que saíssem do caminho. Sendo assim ele arrancou as chaves da mão do ruivo, puxou seu pulso e o arrastou até o carro.
Law abriu a porta do passageiro e entrou no carro com ele junto. Os dois sentaram nos bancos de trás. Law fechou a porta e o silêncio tomou conta do automóvel.
“Sinto muito.” Murmurou Law um tempo depois.
“Claro que sente, você sempre sente muito, mas nunca faz porra nenhuma para parar de sentir muito e começar a comprimir as merdas das suas promessas!!”
E Kid começou a gesticular e falar sem parar, Law apanhou a pequena caixinha no bolso de calça, perigosamente pegou na mão direita que imediatamente se esquivou.
“O que tá fazendo, quer morrer?”.
Law não respondeu, apenas suspirou, fechou a caixinha ocultando sua existência do ruivo. Se endireitou no banco, ficando cada vez mais próximo dele.
“Vamos tentar mais uma vez?” não houve resposta imediata, apenas uma risada que feriu profundamente o coração do médico.
“Pra que? Nada vai mudar, tudo vai continuar a mesma porcaria.”.
“Eu prometo que-“.
“Não prometa mais nada, e muito menos coisas que você não pode cumprir”.
“Prometo que dessa vez vai ser diferente.”.
“Além de mentiroso é surdo, qual a part-.” O beijo desesperado do médico calou sua voz.
(****)
Never gonna be alone!
From this moment on,
If you ever feel like letting go,
I won't let you fall.
When all hope is gone,
I know that you can carry on.
We're gonna see the world out,
I'll hold you 'til the hurt is gone
(****)
O corpo dele cobriu o seu inteiro. Kid rejeitou aquela aproximação a principio, mas sem forças para lutar contra o desejo e a paixão que sentia. De repente ele se viu preso naqueles braços como em todas suas antigas reconciliações, onde nem a mágoa, nem a raiva do momento conseguiram impedi-lo de se entregar e corresponder de maneira irremediavelmente apaixonada.
Mas o peito ainda doía com a raiva que lhe corroía. Suspirou resignadamente quando o moreno deslizou os dedos para dentro de sua roupa, alisando sua cintura nua, seguindo caminhos até o peitoral.
Kid tentou impedir, mas sem êxito. Infelizmente seu corpo e coração falavam mais que sua mente, era uma guerra perdida.
Um tempo depois os corpos se encontravam semi-nus, as mãos avidas apalpavam com urgência, os beijos se tornaram mais fartos e molhados.
A sofreguidão e o tesão estavam muito bem acompanhados pela paixão e pelo amor que nutriam.
Gemidos e movimentos firmes.
O vidro embaçado.
Chuva.
Tudo era tão perfeito que Law mal podia acreditar naquilo tudo. Parecia um sonho. Ele se sentia o ser humano mais sortudo do mundo por ter a chance de ter pessoa que amava em seus braços novamente, não podia querer mais nada.
(x)
“Que porra é essa?!”
“Um anel de noivado, não tá vendo?”
“Pra que essa viadagem agora?!”
Law suspirou encarando o rosto contorcido numa careta de desgosto, enquanto mirava a pequena caixinha de veludo.
“Estou te pedindo em casamento não tá vendo?”
Law daria tudo para ver a vermelhidão no rosto de Kid naquele momento, mas infelizmente não havia claridade suficiente.
Que pena.
“Paguei uma nota nessas alianças, por favor, aceite?”. O silêncio foi a resposta.
Law viu uma oportunidade única de colocar o objeto dourado nos dedos de seu amado, quando o mesmo se distraiu em seus próprios pensamentos, sem se conter depositou o delicado anel na mão direita de Eustass.
O ruivo não teve tempo de reagir, pois o anel já estava lá em seu dedo.
“Não vou te deixar nunca mais.” Declarou o moreno num sussurro.
“Ás vezes eu te odeio de verdade, sabia?”. O ruivo disse um tempo depois de um longo período de silêncio.
“Sim. Mas fico feliz de saber que é só ás vezes”.
(****)
I'm gonna be there all of the way,
I won't be missing a one more day,
I'm gonna be there all of the way,
I won't be missing a one more day.
(****)
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