Never Coming Back
1 Capítulo Único
Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=b1rGYHqFUlM&index=90&list=LLuNptm6Kmu5fEnXGqc_A2-g
Espero que gostem.
Kiss, bea
-Lydia está na hora de levantares-te.
Tapei a minha cabeça com os lençóis desejando desaparecer naquele momento.
Não queria levantar-me!
-Lydia, por favor. Levanta-te! Já se passou duas semanas.
Como é que ela era capaz de dizer aquilo? Eu ainda estava viva, eu sabia quantas semanas se tinha passado desde daquilo que acontecera, desde da…
Engulo em seco tentando controlar as lágrimas que senti chegarem aos meus olhos, eu não podia chorar mais.
Ouço a minha mãe suspirar antes de escutar os seus passos arrastarem-se para fora do meu quarto, pelos vistos ela desistira da ideia de me fazer sair da cama.
Eu só desejava apodrecer naquele quarto sozinha!
Fechei os meus olhos e rendi-me ao mundo dos sonhos onde sabia que eu o encontraria.
“-Stiles. — grito com indignação enquanto lhe dou uma tapa inofensiva no braço fazendo-o soltar aquela risada que me fazia vibrar todo o corpo.
Era a coisa que eu mais amava ouvir sair daquela boca, daqueles lábios rosados…
-Que foi? Até parece que não sabes o que eles andam a fazer. — afirma Stiles puxando-me para o seu colo enquanto os olhos de Scott e de Allison nos avaliavam com curiosidade.
-Eu sei, mas podias ser um pouco mais discreto. Eles não precisam de saber que nós sabemos. — falo pegando na mão de Stiles e entrelaçando na minha como normalmente fazíamos.
-Nós perdemos alguma coisa? — questiona Scott de repente apontando para mim e para Stiles confuso, como se algo estivesse debaixo dos seus olhos e ele não conseguisse perceber o que era.
-Não? — respondo sabendo que aquilo sairá mais como uma pergunta e não como uma resposta segura de si, mas a verdade é que agora era eu que estava confusa com aquela pergunta repentina.
-Porquê é que estás a perguntar isso agora? — pergunta em resposta Stiles sentando-se melhor na cadeira e levando-me comigo, as nossas mãos continuavam entrelaçadas e por mim ficariam assim.
Sentia-me bem daquela maneira.
-As vossas atitudes estão diferentes. Sempre de mãos dadas, quando há oportunidade tu puxas a Lydia para o teu colo ou Lydia abraça a tua cintura. Nós já apanhámos-vos a sussurrar ao ouvido um do outro e a rirem-se sozinhos como se fosse alguma piada interna…
-E é uma piada interna. — tento explicar começando a perceber aquilo que Scott estava a dizer.
-Oh por favor, Lydia. A sério? Vocês agem como namorados e nem se quer reparam nisso, vocês já são praticamente um casal e ainda não se aperceberam disso. Será assim tão difícil para ti Stiles declaras-te finalmente a Lydia? — questiona Allison perdendo a paciência como eu nunca tinha visto acontecer.
Não consegui evitar olhar para Stiles tentando procurar uma resposta no seu olhar. Declarar? Ele gostava de mim?
-Lydia… — tenta falar Stiles deixando o pânico dominar a sua expressão, era incrível como eu conseguia ler com tanta facilidade as suas expressões.
Antes do mesmo conseguir pensar em continuar, eu encurtei a nossa distancia e colei os meus lábios aos seus deixando-me levar pelo o desejo que tinha estado a sentir desde da primeira vez em que ele me pegara na mão.”
-Lydia! Saí da cama, agora! — a voz de Allison domina o meu quarto assustando-me.
Quem é que lhe dera permissão para entrar no meu quarto daquela maneira.
-Vai-te embora. — deixo a minha voz rouca escapar pela primeira vez desde daquelas duas semanas, era a primeira vez que falava desde que me trancara no quarto depois do seu funeral.
-Não! — afirma Allison com aquela voz determinada que usava com Scott quando o mesmo queria fazer uma coisa diferente da dela, resultava sempre mas desta vez isso não iria acontecer.
Apertei os lençóis contra o meu corpo escondendo ainda mais a minha cabeça dentro deles, eu desejava mais que tudo desaparecer daquele quarto, daquele mundo.
Daquele universo em que ele já não existia para me consolar como sempre fizera.
Allison suspirou antes de eu sentir a minha cama afundar com o peso do seu corpo, rapidamente percebi que ela se tinha sentido na beira da cama e rapidamente percebi que tipo de conversa viria a seguir.
-Lydia, ele não queria que estivesses assim! Ele não queria que parasses de viver. -declara Allison tocando na minha perna escondida por baixo de todos aqueles lençóis e cobertores.
Aquilo até que era uma boa ideia.
Parar de viver!
Soava bem na minha cabeça e eu não precisava de ter muito trabalho a fazer isso, afinal eu já tinha parado de viver agora só tinha que deixar de viver.
-Por favor Lydia, volta para nós. — implora Allison com a sua voz baixa e chorosa.
Fechei novamente os olhos tentando controlar as lágrimas, eu estava cansada de chorar.
***
Baixei os óculos de sol tentando ocultar as olheiras por baixo dos meus olhos, respirei fundo ajeitei a minha mochila e subi os degraus da escola de Beacon Hills.
Abri as portas no momento em que a campainha tocava chamando atenção de todos os alunos para cima de mim.
Ótimo, Lydia! Belo regresso as aulas.
Treinei o meu sorriso amigável enquanto prosseguia para a minha sala de química sem parar em nenhum momento no corredor, pois sabia que assim que o fizesse eu perceberia a falta dele ali e eu não poderia fazer aquilo.
Ainda não!
O professor Haris olhou para mim no momento em que eu atravessei a porta da sala, mas não me dirigiu qualquer palavra.
Talvez fosse melhor assim.
Atravessei a sala e sentei-me na última bancada onde sentava-me em todas as aulas, a bancada que eu partilhava com ele.
Não consegui evitar olhar para a cadeira vazia ao lado dele passando logo de seguida a mão pela parte da mesa que lhe pertencia percebendo que a inscrição mantinha-se ali.
“-O que é que estás a fazer? — questiono tentando espreitar por cima do seu braço, mas rapidamente Stiles bloqueou novamente a minha visão.
Odiava quando ele mantinha-se cheio de segredinhos.
-Já vês. Vai ser romântico!
-Stiles… — falo tentando convence-lo com o meu tom de voz infantil, ele sempre caía no mesmo.
-Desta vez não vai resultar, Martin. — declara Stiles abrindo-me um sorriso malicioso antes de voltar atenção para aquilo que fazia.
Cruzei os braços em cima da bancada olhando para o professor Haris sem tentar esconder a carranca que eu sabia que tinha, não gostava quando ele me fazia aquilo.
Passei o resto da aula a olhar concentrada para o quadro preto com formulas químicas que eu me esforçava para tentar perceber, mas quando eu estava concentrada o bastante para conseguir entender a explicação do professor o som de algo a raspar na mesa despertava-me novamente atenção e eu tinha que voltar a esforçar-me para ficar concentrada enquanto o som se arrastava por algum tempo.
-Pronto! — anuncia Stiles no momento em que a campainha tocava.
Já não era sem tempo!
-Diz-me que não fazes-te nenhuma parte intima masculina aí na bancada? É porque isso não é nada romântico. — falo lembrando-me da última vez que ele fizera aquele desenho numa mesa da sala de aula, quase que fomos apanhados.
Stiles começou a rir-se antes de pegar-me a mão e levar para o desenho que ele estivera a fazer.
Ao principio a inscrição era confusa, só com o sentido do tato eu não entendia o que aquilo poderia ser, mas quando Stiles finalmente baixou o braço e deixou-me com a visão total eu não consegui evitar deixar soltar a respiração que eu nem tinha percebido que estava a prender.
Um coração perfeito estava desenhado na mesa com as nossas inicias lá dentro.
-O nosso amor é para sempre assim como esta inscrição. — afirma Stiles olhando para mim com um sorriso tímido nos lábios.”
-Martin, poderia responder a minha pergunta? — a voz do professor Haris traz-me para a realidade juntamente com atenção dos olhares dos alunos em cima de mim.
-Desculpe professor, eu não ouvi. Podia repetir? — peço enquanto a imagem dos olhos castanhos me dominava a cabeça.
-Que formula terá que ser usada para resolver este problema?-questiona o professor Haris apontando para o quadro atrás de si onde números misturavam-se com letras.
A resposta saiu-me dos meus lábios automaticamente, era fácil aquela resposta. Quem é que não poderia saber a resposta?
Rapidamente o rosto de Stiles invadiu a minha cabeça enquanto os seus lábios pronunciavam as palavras que eu estava habituada a ouvir durante as nossas sessões de estudo.
“Eu não consigo perceber, Lyds.”
-Posso ir ao banheiro? — questiono colocando o dedo no ar, mas não conseguindo aguardar pela autorização do professor para poder falar.
Eu sentia a sala cada vez mais pequena, o ar estava a sufocar-me como eu nunca pensei que pudesse acontecer.
Corri pelo corredor assim que a resposta do professor foi positiva, tranquei-me no último cubículo e deixei as lágrimas dominarem-me.
Eu não conseguia aguentar muito mais. Eu precisava dele e ele não estava ali para me ajudar.
Ele abandonou-me quando prometera que nunca faria isso.
A visão de um prego caído no banheiro deu-me a ideia dos meus pulsos a escorrer sangue enquanto uma poça era formada aos meus pés. Não seria a morte que eu desejava, mas ao menos seria a morte que eu precisava para ter ele de volta.
Peguei no prego estudando o mesmo como se fosse algum sapo pronto a ser dissecado. Arregacei a manga da minha blusa para cima e pousei o bico do prego contra o meu pulso, fechei os olhos enquanto deixava a frieza do prego dominar o meu corpo.
Tinha que ser rápida, não podia correr o risco do professor reparar que eu ainda não voltara e mandar algum aluno atrás de mim.
Eles não podiam impedir aquilo que eu estava pronta a fazer, aquilo que eu já decidira fazer à muito tempo.
O toque do meu celular interrompeu a minha ação, abri os olhos vendo um fio de sangue a escapar pela ferida aberta.
Ainda não era profundo o suficiente!
Voltei a fechar os olhos pronta para afundar ainda mais o bico do prego no meu corpo, quando o som do meu celular voltou a distrair-me.
Obriguei-me afastar o prego do meu braço e deixei cair o mesmo pingando o chão de sangue, não era a poça que eu queria mas em breve seria.
Tirei o celular do bolso traseiro das minhas calças e vi duas mensagens na minha caixa de correio, estava pronta a ignora-las quando o meu celular vibrou nas minhas mãos.
Uma nova mensagem!
A pessoa era insistente, talvez fosse importante.
Abri a primeira mensagem que estava em branco e a segundo apenas tinha um coração.
A terceira mensagem foi a que mais me assustou-me.
“Não faças isso, Lyds!”
Obriguei o meu corpo a levantar-se abri a porta tendo o cuidado de esconder o meu braço ferido, olhei em volta do banheiro a procura de algum sinal que estivesse ali alguém, mas todos as portas dos cubículos estavam abertos e os lavatórios estavam vazios.
Não estava mais ninguém a não ser eu, então como é que…
Peguei novamente no celular lembrando-me que não tinha visto quem tinha enviado a mensagem, com cuidado procurei as mensagens mas não encontrei nenhuma delas.
Como é que aquilo era possível? Eu sabia que não as tinha apagado então como é que elas tinha desaparecido como que por magia?
O toque da campainha interrompeu as minhas perguntas, guardei o celular aproveitando para o colocar no silencio para assim não ser mais interrompida e peguei novamente no prego. Estava prestes aprofundar a ferida quando ouço a porta do banheiro a ser aberta e vozes femininas a invadirem a mesma.
Suspirei enquanto baixava as mangas da blusa ocultando assim a ferida no meu pulso, respirei fundo abrindo a porta do cubículo e saindo do mesmo sem dar qualquer atenção as raparigas que se pintavam no lavatório.
Elas tinham vindo em má hora!
***
-Lydia, querida, vais demorar muito aí? — a voz da minha mãe chegou a mim um pouco abafada por culpa do som da água a cair em cima da mim juntamente com a porta do banheiro fechada.
-Estou quase a terminar. — afirmo enquanto enxugo o meu cabelo, a fragância a morango era a minha favorita.
-O seu pai quer falar consigo depois. — informa a minha mãe antes de eu ouvir os saltos dos seus sapatos a descerem os degraus.
Suspirei sabendo que tipo de conversa é que o meu pai queria ter comigo, fechei os olhos esfregando o meu couro cabeludo enquanto desejava que Stiles estivesse por ali.
Só ele conseguia acalmar-me após uma discussão com o meu pai.
“-Que merda! Ele sabe qual é a minha resposta, mas mesmo assim insiste no assunto. -fala dando um pontapé no pneu do Jeep de Stiles enquanto a risada do moreno chega aos meus ouvidos. -Estou a diverti-lo, Stilinski?
-Eu já alguma vez disse o quão linda zangada tu ficas? — questiona Stiles abraçando-me pela cintura, senti o seu queixo encostado em cima da minha cabeça enquanto sentia com a minha mão o seu coração acelerado.
-Não tem graça Stiles. O meu pai quer mudar-se de Beacon Hills e quer que eu vá com ele. — afirmo sentindo a minha cabeça girar enquanto me lembrava dos gritos entre mim e o meu pai.
-Ele só quer que vás com ele porque não quer deixar de te ver, tu és importante para ele Lydia. — declara Stiles com aquela voz calma enquanto acariciava o meu cabelo.
Deixei as pálpebras caírem sobre os meus olhos enquanto apreciava aquelas caricias.
-Se eu sou tão importante porque é que ele não fica por cá. Eu não vou sair daqui!
Eu tinha a minha vida toda aqui, a minha mãe estava aqui, os meus amigos. Stiles!
Deus, eu não sei como é que eu viveria longe de Stiles.
Não! Eu não vou sair daqui, eu já tinha decidido e nada iria fazer mudar de ideias.
-Diz que vais pensar no assunto para lhe dares alguma esperança, mais tarde tentas explicar o melhor possível o porquê de não quereres ir. — fala Stiles sussurrando ao meu ouvido aquelas palavras como se fosse algum tipo de segredo.
-Eu não quero ficar longe de ti. — afirmo dizendo a voz alta o principal motivo para não querer sair daqui.
-E não vais ficar. Tu estás aqui e eu estou aqui, estamos perto um do outro. Somos um, Lydia, e nada irá mudar isso.
-Eu amo-te. — sussurro encostando a minha cabeça no seu peito escutando assim com mais facilidade o batimento do seu coração, apertei mais o seu corpo contra o meu enquanto sentia que aquela distancia ainda era grande.
-E eu a ti.”
Enrolei-me na toalha fitando de seguida o meu reflexo no espelho embaciado, via as olheiras por baixo dos meus olhos agora vermelhos por culpa das lágrimas que tinha soltado durante o banho. O meu rosto estava mais pálido que o habitual, mas a verdade é que eu já não me importava com isso.
Eu sabia também que tinha perdido peso durante aquelas duas semanas.
Peguei no frasco de comprimidos que o psiquiatra me tinha receitado, estava pronta para tomar a minha dose diária quando a imagem de eu deitada no chão do banheiro desmaiada pela dose forte de comprimidos dominou a minha cabeça.
Seria uma morte melhor que aquela que eu tentara ter no banheiro da escola, seria mais digna e mais privada com menos hipóteses de ser apanhada.
Apertei o frasco de comprimidos contra a minha mãe sentando-me na tampa do vaso sanitário, fechei os olhos e respirei fundo.
Aquele poderia ser o momento em que eu voltaria para os braços dele, o momento em que escutaria os batimentos do seu coração por baixo de mim tal e qual como eu desejava.
Abri o frasco e coloquei dois comprimidos na palma da minha mão, ambos de cores diferentes e que eu precisava de tomar todos os dias com a desculpa para eu não enlouquecer. Coloquei mais dois comprimidos de cada e fechei a mão fazendo as contas pela cabeça.
Não! Aquilo ainda não chegava.
Olhei para dentro do frasco reparando que o mesmo já ia a meio, talvez a ideia fosse eu tomar todos aqueles comprimidos. Será que assim resultaria?
Peguei na garrafa de água que tinha levado sem querer para o banheiro e quando estava pronta para tomar os quatro comprimidos que tinha na mão seguidos por todos aqueles que estavam dentro do frasco quando o fraco escapar das minhas mãos caindo no chão e espalhando os comprimidos pelo chão.
Baixei-me e comecei apanhar os comprimidos o mais rápido possível.
Precisava de acabar com aquilo antes que a minha mãe se lembrasse em voltar ao banheiro.
-Lydia, o teu pai chegou. — informa a minha mãe abrindo a porta do banheiro sem qualquer aviso prévio. -Aconteceu alguma coisa querida?
-Deixei cair o frasco dos comprimidos. — respondo sentindo os olhos da minha mãe analisarem-me como se esperassem encontrar alguma coisa.
Passado alguns segundos ela sorriu-me o sorriso que eu não via nos seus lábios algum tempo, xinguei-me mentalmente por em pouco tempo ir provocar a maior dor da sua vida, mas eu nada podia fazer nada para mudar isso.
Eu precisava dele! Eu vivia ele e ele agora estava morto então era como eu já estivesse morta.
***
-Lydia, o que é que isso no teu braço? — questiona de repente Allison impedindo que eu levasse aquela saborosa sobremesa a boca, os olhos de Scott rapidamente alcançaram-me.
Apressei-me a baixar a manga da blusa ocultando aqueles cortes e respondi mantendo os meus olhos em baixo e tentando manter uma voz calma:
-Cortei-me sem querer.
-Posso ver? — pergunta desta vez Scott esticando uma mão na minha direção.
-Porque é que queres ver? — pergunto em resposta enquanto por dentro eu gritava que não.
Ele não podia ver aquilo, pois eu sabia que assim que os olhos dele avaliassem melhor aqueles cortes ele perceberia que aquilo não foi um acidente.
-Só quero saber se estão a sarar como deve ser. — afirma Scott encolhendo os ombros como se não fosse nada de especial e não era.
Se fosse numa altura diferente eu deixaria ver sem pensar duas vezes, mas as coisas mudaram e agora era aquela a realidade.
Eu não podia mostrar o meu braço.
-Por favor, Lydia. — pede Scott olhando para mim preocupado, eu sentia os olhos de Allison avaliar-me como normalmente fazia quando estava a “ler” a mente das pessoas.
-Ela não vai mostrar-te o braço. — afirma finalmente Allison antes mesmo de eu conseguir dizer alguma coisa.
Scott olhou desorientado para Allison que antes mesmo de eu conseguir impedir já falava aquilo que tinha descoberto só por olhar para mim.
-Ela não vai mostrar-te o braço porque foi ela que provocou aquelas cortes. — Allison falava como se eu não estivesse naquela mesa, direcionou o seu olhar para mim e perguntou como se eu fosse alguma criança de cinco anos. -Pensavas que eu não ia descobrir?
-Allison, por favor… — imploro sabendo que ela ia fazer uma cena.
-Nem vale a pena. Tu melhor que ninguém sabe o quanto isso está errado e mesmo assim estás a fazer isso. O que é que achas que o Stiles pensaria se estivesse agora aqui?
-Mas ele não está. — afirmo baixo, mas sabendo que os dois tinham ouvido na perfeição.
-Ele não queria que fizesses isso a ti mesma. — fala desta vez Scott olhando para mim cheio de preocupação e com um pouco de pena.
Odiava que as pessoas me olhassem com pena!
-Ele morreu! Ele não pode querer uma coisa se está morto. — falo levantando-me da cadeira e pegando nas minhas coisas saindo rapidamente da cantina ignorando a atenção que eu tinha despertado nos outros alunos.
Segui para o banheiro mais próximo confirmando que o mesmo estava vazio antes d entrar. Respirei fundo e olhei o meu reflexo no espelho, a minha aparência estava horrível nestes últimos dias mas eu não faria nada para mudar isso.
O riso dele invadiu a minha cabeça como acontecia todos os dias seguido pelos seus olhos doces avaliarem-me como se eu fosse alguma obra prima.
Eu amava a maneira como ele olhava para mim.
“-Gostas-te mesmo? — questiona Stiles pegando no meu pulso e avaliando a pulseira que ali estava.
-Eu amei. — declaro sorrindo para ele.
-Vai haver mais surpresas durante o dia. Tenho mais coisas preparadas para a pessoas mais importante da minha vida. — declara Stiles puxando-me para perto de si.
Sorri contra o seu peito escutando o seu coração por baixo de mim, eu amava estar nos seus braços.
-Sinto-me mal por só te ter dado esse porta-chaves. — afirmo escondendo o meu rosto no seu peito sentindo logo de seguida as suas mãos a tocarem na minha barriga provocando-me cocegas.
-Estás a gozar? Eu amei! Eu sempre desejei ter um porta-chaves em forma de coração. — comenta Stiles provocando-me risos.
-Tu ainda não abriste o coração. — anuncio apontando para o coração que agora decorava as suas chaves de casa.
Olhou para mim com um olhar confuso disfarçado por um de divertimento antes de pegar nas suas chaves e com facilidade abrir o coração.
-Para quando estiveres longe de mim perceberes que eu estarei sempre contigo. -declaro enquanto vejo os olhos de Stiles a tomarem aquele brilho que eu sempre amava.
-Eu amei, Lydia. Obrigado. — fala Stiles puxando-me para um abraço ainda mais apertado.
-Então que pistas me podes dar sobre essas tais surpresas? — pergunto depois de algum tempo em silencio, odiava surpresas porque todas elas traziam o pior lado de mim e Stiles sabia disso melhor que ninguém mas mesmo assim fazia aquilo.
-Pistas? Certo, a surpresa final está comigo. — responde Stiles abrindo um sorriso trocista.
Bati-lhe no braço não conseguindo esconder o sorriso ao perceber o que ele estava a fazer.
-Isso não ajuda em nada. — anuncio enquanto Stiles solta aquela gargalhada que me aquece sempre o coração.
-Eu sei. — afirma Stiles dando-me um selinho, mas afastando-se rapidamente antes de me dar tempo de tentar aprofundar o beijo. -Eu agora tenho que ir. Vou estar no restaurante, serei aquele com um smoking e um ramo de flores.
Sorri para ele antes de falar de um modo provocativo.
-E eu serei aquela sem calcinhas.”
-Ei, tu estás bem? — pergunta uma voz feminina atrás de mim.
Acordo das minhas recordações olhando para o espelho e vendo uma rapariga loira a encarar-me preocupada, antes mesmo de medir o que ia dizer já as palavras me tinham escapado.
-Ele morreu.
Aquele tinha sido o último momento que eu tivera com ele. Ele nunca chegara ao restaurante.
***
O rádio mantinha-se em silencio, a viagem que eu fazia obrigava a que a música estivesse desligada.
Ainda decidia para que lugar eu devia ir, qual é que eu queria que fosse a minha última paisagem antes de eu mergulhar na escuridão total.
Batuquei os dedos no volante enquanto virava a direita antes de conferir que o meu celular mantinha-se silencioso sem qualquer tipo de mensagens ou chamadas recebidas.
Nada me iria impedir desta vez.
O rádio ligou de repente sem eu ao menos ter carregado em algum botão, desliguei o mesmo no momento para logo de seguida o rádio voltar a produzir música. Sabendo que se o voltasse a desligar o rádio voltaria a ligar sem qualquer ordem da minha parte deixei o mesmo ligando preenchendo o silencio dominante no carro por uma melodia dos The Fray.
Enquanto eu seguia para o único lugar que eu sabia que me traria paz eu deixei que a minha cabeça fosse para a última lembrança que eu tentava afastar da minha cabeça todos os dias, mas que agora para mim chegava.
Já estava sem forças!
“-Como é que ele está? — questiono invadindo a sala de espera fazendo com que o xerife Stilinski levanta-se num salto voltando a sentar-se quando percebeu que era apenas eu.
-Ainda não há noticias. — afirma o xerife escondendo o seu rosto com as mãos.
Sentei-me rendida numa das cadeiras próximas da entrada e deixei-me ficar num silencio confortável.
Tinham-me ligado quando eu estava a chegar ao restaurante, atendi com um sorriso nos lábios porque pensei que fosse o Stiles a ligar-me a perguntar o porquê do meu atraso já que eu estava atrasada cinco minutos qual não foi a minha surpresa quando escutei a voz do xerife no outro lado a informar-me que o Stiles tinha sofrido um acidente.
Alisei o meu vestido tentando afastar as mãos do meu rosto, pois sabia que assim que as pousa-se ali os meus olhos seriam dominados pelas lágrimas que eu tentava esconder.
-Familiares de Stiles Stilinski? — questiona uma voz masculina na entrada da sala despertando-me dos meus pensamentos e do meu esforço para controlar as lágrimas que por algum motivo desconhecido ainda não se tinham libertado.
O xerife Stilinski foi o primeiro a levantar-se alcançando o médico antes de eu.
-Quando é que o podemos ver? — questiono antes mesmo do xerife, eu estava ansiosa precisava de conferir que ele estava ali que ele estava inteiro.
Os olhos azuis do médico caíram em mim antes de baixarem para o chão sem qualquer coragem para me voltar a encarar.
Isso só podia significar uma coisa.
-Não. — sussurro olhando para o médico tentando perceber se Stiles tinha pedido ao mesmo para fazer aquela partida de mau gosto.
Era a cara dele fazer tal coisa.
-Eu sinto muito, mas os ferimentos eram mais graves daquilo que pensávamos. Tentamos reanima-lo, mas o seu coração não aguento. Lamento muito. — afirma o médico olhando para o xerife enquanto eu sentia o chão a escapar dos meus pés.
Não! Ele prometeu nunca me abandonar.
-Eu sei que esta não é a melhor altura, mas ele tinha isto no bolso do seu casaco. Acredito que seja para si, menina. — declara o médico interrompendo o silencio que existia e olhando novamente para mim.
Estendia-me uma caixa pequena de veludo azul, peguei como se a mesma fosse de vidro tendo medo que ela desaparecesse ao mínimo toque.
Abri-a com todo o cuidado revelando um lindo anel, era simples com apenas algumas pedras que eu sabia que não era preciosas mas que mesmo assim eram lindas.
-Era da sua mãe. Ele pediu-me está manhã, disse que tu eras a miúda certa para ele e eu sabia que isso era a verdade. Ele ia fazer o pedido hoje. — revela o xerife olhando para mim com o seu rosto banhado em lágrimas.
Era a primeira vez que o via naquele estado.
Fechei os olhos apertando a caixa contra o meu peito sabendo que aquela era última coisa que me sobrava dele. Respirei fundo enquanto sentia as lágrimas a serem libertadas dos meus olhos.
O meu peito doía, mas eu não queria que ele doesse. Eu queria que aquilo parasse e que eu acordasse daquele pesadelo.”
Parei o carro a sombra de um carvalho, sabia que o carro aqui ficaria escondido a ponto de que se alguém me viesse procurar aqui ninguém seria capaz de me encontrar dando assim tempo necessário para fazer aquilo que eu queria.
Saí do carro e enquanto caminhava para a beira do penhasco olhei uma última vez para o carro, tinha sido um presente dos meus pais quando eu tinha feito 16 anos. Lembro-me que a primeira viagem que fiz nele tinha sido com o Stiles para irmos para a casa de praia que a família do meu pai tinha, foi a melhor viagem da minha vida.
Respirei fundo encarando o céu e perceber que as nuvens estavam cada vez mais cinzentas dando sinal de tempestade juntamente com agressividade do mar.
Aquela era a minha melhor oportunidade.
Descalcei-me tendo o cuidado de por as minhas meias dentro dos sapatos, não percebia o porquê de estar a fazer aquilo mas mesmo assim fi-lo.
Coloquei-me a beira do penhasco olhando para o mar abaixo de mim enquanto via as ondas a embaterem nas rochas lá em baixo como se as mesmas fosse um nada.
Fechei os olhos e respirei fundo enquanto sentia o vento a embater-me no rosto, saboreei durante alguns segundos aquela sensação enquanto o rosto de Stiles invadia a minha cabeça.
-Eu estou a ir, Stiles. Eu amo-te.
Antes que a culpa me invadisse ou qualquer coisa acontecesse impedindo-me de fazer aquilo, eu abri os olhos e dei um salto para a frente sentindo logo de seguida a gravidade a puxar-me para baixo.
Não demorou muito tempo até a água alcançar-me, deixei-me ir ao fundo sem tentar debater-me e fechei os olhos tentando lembrar-me de todas as memorias que eu tinha com ele.
Agora só tinha que esperar que o escuro me dominasse e que ele me viesse buscar como sempre prometera.
Notas finais
Espero as vossas sinceras opiniões
Se vocês tiveram tempo de ler até aqui têm tempo de comentar.
Kiss, bea
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