Never Cared
1 Capítulo único
Notas iniciais
Mais um dia.
Acompanhado das várias lágrimas que insistem em cair dos meus olhos.
Manchando minha camiseta.
Assim como suas palavras cortaram meu coração, manchando minha alma com seu sangue e tristeza.
E agora eu sei como é desejar morrer.
E eu daria tudo para que tudo voltasse a ser como era antes.
E eu daria tudo por cinco minutos de paz, ou mais um gole de vodka.
Daria tudo e mais um pouco para que aquele ultimo suspiro de vida chegasse mais rápido.
Onde estão aquelas pílulas as quais ele era tão viciado?
“E não esta dando certo assim, Iero.”
Ele disse ao que adentrou minha casa, rejeitando um abraço que lhe daria de tão bom grado.
“Eu vou viajar, vou para Paris, realizar um sonho, e não vai dar certo, Frank.”
Suas palavras saindo daquela boca tão perfeita para mim, com tanta frieza.
“Eu não te amo mais Frank, entenda!”
Suas palavras me cortando como adagas, destroçando tudo o que se opusesse em seu caminho, que no caso, era meu coração.
E eu sempre fui isso para ele.
Uma barreira, um impedimento, um fardo.
E eu queria morrer cinco minutos antes de sua chegada a minha casa a duas semanas atrás.
Eu teria morrido tão feliz, esperando-o ansioso em minha casa, planejando que assistiríamos mais uma vez aquele filme antigo...
E eu lhe faria cócegas, e sussurraria seu nome com todo o amor que lhe pertencia.
Eu teria acariciado seus fios negros, e dormiríamos abraçados mais uma vez.
Eu teria acariciado seus fios negros, e dormiríamos abraçados mais uma vez.
Mas agora a única coisa negra que vejo, é esse buraco feito em mim.
É esse caminho que se opõe em minha frente, ao qual eu realmente tenho medo de ver o que possui.
Em quantas armadilhas eu teria que cair?
E quantas lágrimas seriam rejeitadas, derramadas no chão, como se não valessem nada?
Elas realmente valem algo, afinal?
“E não adianta chorar, Frank, me desculpe, eu realmente não queria que as coisas fossem assim, mas elas são, e eu não posso fazer nada.”
Talvez elas realmente não valham nada.
Tão inútil é meu choro, e eu sei disso...
Mas assim como ele não podia ‘fazer nada’, eu tampouco posso.
Tão vazio eu me sinto, sozinho, deixado para trás pela única pessoa a qual eu posso dizer que amei.
E como eu queria que fosse recíproco.
Como eu queria seu coração perto do meu, batendo junto ao meu, em uma sintonia que nunca existiu, afinal.
Como eu queria sentir o cheiro de suas roupas limpas, e de seu cabelo ao me abraçar.
Como eu sinto falta do calor que apenas o corpo dele emanava.
Como eu sinto falta de sentir meu coração batendo, e sentir que eu tenho um motivo para despertar no dia seguinte.
Um motivo que me fizesse realmente viver.
Assim como eu vivia para ver aqueles olhos verdes-oliva me olhando tão ternos.
E tudo foi uma mentira.
Ou talvez apenas fosse temporário, um produto qualquer em um supermercado, com um prazo de validade tão limitado...
E isso não importa, afinal.
Nada mais importa.
Nada mais importa.
Eu nunca importei, sinceramente.
Nesse exato momento, Gerard deve estar em sua tão desejada faculdade de artes, enquanto eu não quero mais nada além de sentir aquele líquido entorpecente adentrando meu corpo através de uma seringa.
E é assim que eu mais desejo me sentir, entorpecido, incapaz de sentir a dor no meu peito, que me tortura tão vagarosamente.
E eu posso jurar sentir meu coração sangrando.
Sangrando aquele sangue ao qual eu dediquei completamente a ele.
Pego meu celular, e disco mais uma vez aquele número que tenho gravado tão facilmente em minha memória.
Como números cravados em uma pedra.
“Você ligou para Gerard Way, e eu não estou no momento, se quiser insistir, e me ligar mais uma vez, tudo bem. Se não, deixe um recado após o bip.”
Era a voz dele, que sussurrara tantas vezes palavras carinhosas em meus ouvidos.
E eu sinto aquela dor avassaladora acertando em cheio o meu peito mais uma vez, ao que deixo mais uma lágrima cair pelo meu rosto.
Nada daquilo mais era meu.
E eu nunca mais ouviria aquela voz me dizendo palavras de carinho aos meus ouvidos.
Nunca mais sentiria seu cheiro, e nem seus lábios colados aos meus, de uma forma terna.
Nunca mais.
E eu queria mais do que nunca morrer agora.
“Onde você esta agora, Gerard? Agora que eu realmente preciso de você para me dizer que tudo vai ficar bem?”
Eu sussurrei, fechando meus olhos.
“Onde merda você está, Gerard?”
Eu gritei, minha voz saindo embargada, e audível aos vizinhos que moravam no mesmo prédio que eu.
Ele nunca vai te ouvir, Frank.
Ele não se importa, e nunca vai voltar.
Nunca.
Ele nunca vai te ouvir, Frank.
Ele não se importa, e nunca vai voltar.
Nunca.
E uma enxurrada de lágrimas começaram a nascer de meus olhos, já vermelhos e inchados.
Tão decadente, tão miserável.
Sentado no chão do meu quarto, eu vejo aquelas várias garrafas caídas ao meu lado.
E em um segundo de consciência, consigo me lembrar de algo que certamente me salvaria.
Levanto-me com dificuldade, me desequilibrando.
Consigo alcançar uma cômoda, e um livro com uma capa vermelha, dura.
Que Gerard me dera.
Depois de tê-lo em mãos, voltei para minha posição inicial, no chão ao lado das garrafas vazias de vodka, e o abro.
Um livro oco, ao qual poderia guardar o que quisesse ali dentro.
“Para quando você quiser guardar uma coisa que não queira dividir, ou não queira que ninguém saiba, meu amor.”
Ele disse no meu aniversário, me entregando o livro em mãos, com aquele sorriso que tanto me encantava.
E eu poderia passar minha vida olhando aquele sorriso.
E agora eu morria por aquele sorriso.
No seu interior, vidrinhos com aquele líquido tão precioso, e algumas seringas.
E eu pude sentir meus olhos brilhando com a visão de uma dose daquilo que no momento eu mais desejava.
Ou quase.
Meus olhos não brilhavam, eram apenas mais lágrimas surgindo, e caindo.
Nascendo e morrendo.
E era tão previsível.
Tudo aquilo, como tudo seguia aquela ordem.
Nascer, e morrer.
E você passa anos da sua vida, apenas esperando que o grande momento chegue.
Pra que assim, você possa se livrar de toda a dor e angústia que te cercam.
E esse momento estava tão próximo de mim, e era tão tentador.
E eu não tinha absolutamente nada a perder.
E você passa anos da sua vida, apenas esperando que o grande momento chegue.
Pra que assim, você possa se livrar de toda a dor e angústia que te cercam.
E esse momento estava tão próximo de mim, e era tão tentador.
E eu não tinha absolutamente nada a perder.
Tirei os vidrinhos e a seringa, colocando o livro vazio gentilmente ao meu lado.
Era assim que eu me sentia. Vazio.
Segurei com determinação a seringa, despejando ali o líquido que me faria tão feliz.
E por tão pouco tempo.
O líquido estava todo ali, em uma dose que certamente, meu corpo não suportaria.
Não, nenhum organismo suportaria tamanha dose.
Então peguei mais uma seringa, e coloquei um pouco mais da droga ali.
Dose dupla, e assim, meu fim chegaria mais rápido.
E eu queria tanto aquilo...
Dose dupla, e assim, meu fim chegaria mais rápido.
E eu queria tanto aquilo...
Deixei ambas à minha frente, segurando firme em uma delas, levando até meu braço, que há muito não era perfurado por aquelas seringas.
“Prometa-me que nunca mais vai fazer isso, Frankie.”
Ele dizia ao meu lado, naquela cama de hospital logo depois que me recuperei de uma overdose.
Seus olhos tão suplicantes, e meu coração tão apertado ao acreditar na dor que ele falsamente sentia.
“Eu prometo.”
Eu respondi, renegando um de meus maiores prazeres por amor ao dono dos olhos esverdeados.
Besteira.
Pressionei a seringa em meu braço, sentindo a agulha fina entrar, e seu liquido invadir minhas veias, entorpecendo-me, e deixando meu braço dormente por segundos.
Ofeguei ao retirar a agulha dali, a seringa jazia vazia ao meu lado.
Então peguei mais uma.
Sentindo o liquido antes entorpecente, me cortando.
Eu sentia que eu explodiria por dentro, a qualquer momento.
O liquido me adentrava como ferro, como uma agulha correndo junto ao meu sangue.
E eu sorri ao me lembrar do seu medo de agulhas.
E o quão seu objeto temido me matava agora.
E eu sorri ao me lembrar do seu medo de agulhas.
E o quão seu objeto temido me matava agora.
E imaginei o seu sorriso e alma leve, voltando de alguma aula estúpida, com seus novos amigos.
E eu morria.
Peguei uma caneta, que estava por perto, e abri novamente aquele livro, escrevendo com minha letra extremamente tremida agora.
Eu tremia por completo, enquanto minha cabeça rodava e rodava.
Imagens apenas de Gerard invadindo minha mente.
E eu sorria por meu entorpecimento.
E por saber que em poucos minutos, eu estaria livre de tudo aquilo, de toda a dor, e daqueles olhos que me prenderam de uma maneira absurda.
Como eu gostaria de ver aqueles olhos mais uma vez.
“E eu escondi uma arma, dentro daquele livro que você me deu. E não é fantástico o quanto suas palavras servem para você mesmo?
Agora eu vejo todo aquele mundo que criamos para nós mesmos, se quebrando e morrendo.
Como o seu amor por mim.
Como eu estou agora.
Mas eu não quero te culpar pelas promessas quebradas, tampouco por me deixar em alguma espécie de decadência.
Eu estou bem, estou tão bem agora...
Eu gostaria de lhe dizer adeus, de tocar seus lábios com a ponta de meus dedos uma ultima vez...
Sentir sua pele na minha, seu calor.
Ver seu sorriso, e sentir seu cheiro.
Mais uma vez, mais uma única e miserável vez.
Mas é tarde de mais agora, e você nunca atendeu meus telefonemas.
Eu só queria ouvir sua voz uma vez, nem que fosse para me dizer aquelas palavras que me cortariam em mais mil pedaços.
Mas não importaria, nunca realmente importou.
E agora menos ainda.
Eu não estou dizendo adeus para o seu amor, Gerard.
Eu não estou te esquecendo.
Eu não estou te desejando boa viagem.
Eu estou partindo.
E partindo para sempre.
Penso que, devido a minhas atitudes tomadas agora, meu lugar de destino não seja tão agradável quanto Paris, não é?
Mas não importa, não de verdade.
Eu vou me livrar de tudo isso, de seu sorriso e de seus olhos...
E se esse foi o preço alto a se pagar por minha liberdade, adeus.
Eu estou partindo.
E eu pago esse preço sem uma gota de arrependimento.
Mas uma coisa eu quero que você entenda, de uma vez por todas.
Eu te amo, e não te esqueceria jamais.
Perdoe-me por não ser forte o suficiente para segurar minhas lágrimas.
Mas eu me cansei de me sentir sujo, e tão pesado.
É uma cruz pesada de mais para mim.
Perdoe-me por não ser forte o suficiente para segurar minhas lágrimas.
Mas eu me cansei de me sentir sujo, e tão pesado.
É uma cruz pesada de mais para mim.
Perdoe-me por não ser igual a você, e por não chegar ao seu nível.
Você certamente merece algo melhor.
Mas isso não faz diferença. Não mais.
Eu estou indo, e eu me sinto tão feliz Gerard...
Eu sinto algo me dominando agora, e eu poderia passar minha vida toda assim.
Bem, não mais.
Perdoe-me por quebrar aquela promessa.
Senti-me no direito de fazê-lo.
Você quebrou todas as outras.
Seja feliz Gerard, fique em Paris, com sua tão sonhada arte...
Afinal, foi isso, e apenas isso que você sempre amou.
Sua arte.
Perdoe-me por não ser uma obra de arte.
Eu era apenas uma tela em branco, e eu lamento tanto por você não querer fazer algo magnífico com isso.
Perdoe-me por ser igual a todas as outras telas em branco.
Mas isso acabou.
Por que agora, Gerard, você finalmente teve o que queria.
Eu finalmente me transformei em uma pintura.
Vermelho, vermelho sangue, manchado em preto, uma linda obra, representando todo o caos em que meu coração se encontra.
Representando o contraste entre o liquido em minhas veias e o sangue, as garrafas de vodka vazias e o carpete antes tão limpo de madeira.
E eu sinto que posso voar enquanto sinto a morte correndo em minhas veias.
E me sinto tão leve...
Minhas mãos já não têm a força suficiente para escrever, e olhe, que engraçado, minha letra já não passa de um garrancho...
Minha cabeça esta tão leve, ao mesmo tempo em que minha vista se põe cada vez mais escura, e tenho a sensação que bateram em minha nuca.
E eu estou rindo, afinal, de que importa meu estado para você?
Desde quando você se importa com quão ferido meu coração esta, e em quanta tristeza me cerca neste momento?
Tão ridículo... Desculpe-me por isso também.
Acima de tudo, me desculpe por ter tomado seu tempo, e por querer do fundo dos pedaços esparramados do meu coração que você perca mais tempo lendo isso tudo...
Desculpe-me por acreditar que um dia, você deixaria de ser insensível, e por acreditar que no fundo, você realmente tinha um coração...
Você me avisou que não se apaixonava.
Desculpe-me por achar que um dia você me amou.
Mas agora sorria, Gee.
Eu estou tirando esse fardo da sua vida, eu estou te aliviando.
Eu estou te dando paz, estou indo embora.
Estou partindo...
Tão perto, Gerard...
Eu sinto que esta tão perto de mim, ao que sinto minha consciência se esvaindo.
Agora sei o porquê do seu fascínio pela morte...
É tão libertador, é tão magnífico...
E isso é tudo.
É tudo tão limitado, e alguns mls de um liquido qualquer em minhas veias me faz morrer agora.
E isso é tão realizador...
Obrigado Gerard.
Com amor, Frank.”
A única coisa a qual vejo agora é meu braço caindo, minha mão já sem força, largando a caneta.
Eu com esforço consigo fechar meu livro, e depois disso já não sinto mais nada.
A escuridão me toma aos poucos, por completo.
E eu não vejo mais nada.
E em um ultimo segundo de consciência, eu consigo dizer as palavras que eu queria tanto dizer.
“Pra sempre, Gerard. Eu te amaria para sempre.”
E naquele ultimo instante, eu percebi.
Eu não morria pelas drogas que injetei. Eu morria pela tristeza de perdê-lo.
Mas isso não importava mais.
Nunca mais importaria.
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