Nevasca
19 Boneca!
Havia um tímido sol naquela manhã, ninguém havia me acordado cedo e logo descobri que era um delicioso sábado.
Planejei que faria coisas aquele dia, e torcia que desse certo. Levantei da cama, escovei os dentes, babi já estava acordada.— Olá minha querida. – Fui abraçada por uma coelha saltitante. – O que fará hoje?— Olá Ali... Mãe. – Eu tinha que me acostumar. — Preciso ir no mercadinho conversar com o meu “ex-chefe”, que obviamente já me despediu. – ri. Assisti Jacob entrar com Reneesme nos braços, e aquilo estava começando a me intrigar, era estranho demais alguém passar tanto tempo com a filha de alguém. — Vou com você. – Babi se indicou.— Eu também quero. – Reneesme falou. No final de tudo, acabou saindo não só Babi e a pequena garota, mas os pais dela e o amigo. Andando calada, notei que meu bolso estava um pouco pesado, e havia uma quantidade de dinheiro, achei um tanto estranho, quando chegasse em casa devolveria.— Cara, é tão estranho isso, esse garoto com essa criança, eu não consigo engolir. – Pensava, esquecendo do perigo novamente.— Você quer realmente saber? – Edward falava com sorriso debochado, sabia que era um horror responder coisas que estavam em minha mente.— Quero! – Enfrentei, nervosa.— Jacob, ela quer saber o porquê de você ser tão próximo da Reneesme. Eu olhei mais feio ainda para ele, ele tava tirando sarro.— Bom, eu tive um Imprinting por ela. – Ele suspirou. – Pois ela é a pessoa perfeita para mim, e tenho a certeza disto. Olhei horrorizada para ele.— Ela é uma criança cara. – Fechei a mão. — Calma. – Ele riu. – Ela é filha de uma humana com um vampiro, então é especial, ela envelhece muito mais rápido do que um ser humano de verdade. – Ele a olhava com carinho.— Agora entendo. – Suspirei. – Posso parar de odiar você por pedofilia.— Nunca faria mal a ela. – Ele sorriu de canto. – Mudando de assunto, conversei muito com o Max essa madrugada. – Eu estava o ignorando. – Não foi só eu que teve um imprinting.- Suspirei forte, quase roncando. – ele está totalmente apaixonado por você – Escutei Murmúrios e barulhos dos que estavam a volta.— Então acho melhor ele se desapaixonar. – Falei fria. – Ele não vai ter a mim, ninguém vai. – Finalizei, com a mesma frieza, sem ninguém entender.— Acho que você não entende ainda, a importância do Imprinting, o quão forte é para nossa espécie. – Cortei.— E qual espécie vocês são?- Olhei batendo o pé. – Quer dizer que o que quer que seja você, ele também é?— Não só a mim, mas muitos de nós lá na reserva. — Jacob estava ficando desconsertado.— Ok vou parar de fazer perguntas. Comecei olhar as lojinhas da cidade.. E vi uma pequena venda de garagem, cheguei perto para olhar, e entrei correndo dentro de uma. — Quanto? — Eu perguntava, apontando para uma boneca com olhos grandes.— 5 dólares. – A senhora respondeu. Apoiei a mão na cabeça, me perguntando de onde eu tiraria 5 dólares, e olhei para meu bolso, por mais engraçado que seja, aquele monte de dinheiro era só em notas de 5, Alice já sabia o que aconteceria e já havia me equipado. A comprei, cabelos longos rosas, olhos que mudavam de cor puxando uma corda, uma boneca que já conhecia a tempos. Eu sai da loja abraçando ela, não conseguia me conter de felicidade.— Que coisa assombrosa é essa? – Perguntou Edward, rindo da minha atitude infantil perante a boneca.— Eu tinha muita destas no Brasil. – Suspirei — eu adorava aquela coleção. – Sorri. – Agora tenho novamente uma blythe. Andamos em direção ao mercadinho, enquanto eu alisava os cabelos da boneca, então a guardei.— Olá senhor O’ malley. – Ele estava limpando o caixa.— Olá, você sumiu. – Ele me abraçou, simpaticamente. – O que aconteceu?— Resumidamente. – Olhei seus olhos através dos óculos redondos dele. – Eu era órfã e fui adotada, e comecei a estudar – Passei as mãos por meus cabelos. – Foi um turbilhão de coisas, peço desculpa por ter sumido.— Oh, eu entendo querida. – Ele me abraçou. – Estude muito então. – Ele me trouxe um pacote com um pouco de dinheiro dos dia trabalhados. – Pegue.— Não posso aceitar, só dei despesas. – Ri.— Claro que não querida. – Ele enfiou em meu bolso. — É justo.— Obrigada então. – Sorri.- Vou indo para casa, de vez em quando venho lhe visitar. – Beijei-lhe o rosto, me despedindo.— Será uma alegria, venha sim. – Sorriu docemente. Voltamos a andar na rua e para minha surpresa, de skate vinham Quil e Max.— Droga. – Sussurrei para Babi, que soltou uma gargalhada.— Eai.- Jacob cumprimentou-os — Eai Jake. – Quil pegou o skate nas mãos. – Olha quem está aqui. – Ele me abraçou. – Está tudo bem Jovem?— Está sim obrigada por perguntar. – Lembrei de algo. – As roupas de sua mãe estão comigo ainda, prometo lhe devolver.— Tranquilo garota. – Bagunçou meus cabelos, e notamos que Max não havia gostado.— O que ta rolando? – Quil fez cara de piada, olhando pra Jake.
— Imprinting. – Finalizou.— É ela a vitima? – Ele estava rindo agora, e Max Bravo.— Quantas vezes eu vou escutar essa palavra ainda hoje? – Perguntei para Babi, tentando fugir da vergonha que eu estava passando, meu rosto queimava.— Para de me zoar. – Max estava realmente bravo, mas tentava se controlar. – Olhou para mim, ignorando o sarro dos outros dois. – Já tem minha resposta?— Tenho! – Sorri muito ironicamente.— E qual é? – Ficou esperançoso.— É... não! – Comecei a bater palminhas. – Yeey.. Mas não me importo em ser sua amiga, um relacionamento agora não dá certo — Virei e continuei andando para ir a minha casa. — Eu meio que senti uma nota de preocupação. – Bella falou ao meu lado.— Acho que não só uma nota, mas uma sinfonia inteira. – Concordei com a cabeça Todos andavam conosco, até os dois garotos que encontramos, porém agora levemente afastados com Jake, que consolava o garoto. Virei para olhá-los, Max me encarava, ele não estava disposto a desistir tão fácil. Eu de fato não queria aquele dinheiro que havia recebido, havia 80 dólares no pacote, vi um morador de rua vasculhando uma lixeira e corri até ele.— Senhor! – Gritei, chegando correndo, ele parou de revirar um saco. – está procurando comida?— Sim. – Ele voltou a vasculhar. – É sua lixeira? Eu prometo não bagunçar.— Não é minha lixeira, mas acho que pode parar de procurar comida por agora.- Sorri, estendendo-lhe o pacote – Dá para comprar comida por vários dias, pelo menos aqui dá – Ri, colocando em suas mãos. – No Brasil nem tanto.— Obrigado. – Recebi um abraço carinhoso e repentino, um sorriso de orelha a orelha, mesmo que lhe faltassem dentes. Corri de volta para o grupo, e continuamos a andar até nossa casa.— Querem ficar para o almoço? –Perguntou Edward a Quil e Max. — Obrigado pelo convite, mas não poderei, vou sair com Embry hoje. – Quil negou o convite, e eu esperava que alguém mais negasse.— Ah, claro! – Max concordou, e Babi me deu uma cotovelada. Entrei correndo, e fui para o quarto, peguei a boneca abraçando e deitei no chão; Rolei de um lado para o outro, era muita alegria.— Alice perguntou se voc... – Jasper falou abrindo a porta, e parou. – Quer fazer o almoço... – Me observava com olhos arregalados.— Ok. – Confirmei. – Agora me deixa brincar aqui. – Ri,levantando e colocando a boneca na cômoda, eu não me importava com a cena que tinha visto, felicidade não foi feita para se ter vergonha mesmo.
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