Nevasca
5 Capítulo 05
Notas iniciais
Os dois saíram pela porta do castelo de gelo e foram atingidos pelo frio terrível do fim de tarde, o que os fez se sentir muito bem. Viraram o rosto um para o outro e sorriram. Afinal, os dois, e somente os dois, entendiam a sensação.
Rapidamente voaram até o reino (Elsa estava agarrando em Jack, enquanto ele a segurava pela cintura, o que a fez torcer a boca). Jack ainda se lembrava do local no reino onde vira os pais do garotinho, e foram até lá, torcendo para que os mesmos morassem por perto.
Todos estavam dentro de suas casas. As pessoas olhavam a neve pela janela, enquanto se aqueciam na sala com a família. Elsa viu uma senhora sentada ao lado da janela com seus netos, tomando chá quente, e resolveu perguntar pelo casal, enquanto Jack a esperava por perto.
A avó indicou uma casa marrom logo ali perto e um de seus netos, um menino, perguntou se era sobre o filho deles. Elsa assentiu.
– Eu brinco com ele ás vezes — disse, se aproximando mais da avó — você o achou?
– Sim, e logo vocês estarão brincando juntos novamente. — Sorriu.
Depois de agradecer a informação, a rainha chamou Jack e eles foram até a casa. Era de cor marrom escura, um pouco desbotada em baixo, e o teto estava todo coberto por neve.
Ela puxou um fio ligado a um sino e a campainha soou.
Ouviram passos apressados e logo um casal se encontrava na frente deles. O guardião assentiu com a cabeça, indicando que eram eles.
Ficaram muitíssimo felizes por receberem noticias de seu pequeno e, após saberem que estava bem e com a rainha, a mãe caiu em lágrimas e o pai agradecia sem parar.
Elsa olhou de canto para o garoto ao seu lado, que acompanhava tudo em silêncio com um sorriso no rosto e sentiu pena dele. Afinal, foi ele quem salvou o garoto, e ele também deveria estar recebendo os agradecimentos. Mas nem visível era.
Após ela afirmar que o traria no outro dia durante a tarde, despediu-se e saíram andando até o começo da floresta, de onde partiram voando de volta.
A rainha do gelo logo correr para verificar se estava tudo bem, e o pequeno (que descobriram se chamar Nico) dormia profundamente.
Ela se escorou na porta e o observou dormir. Havia muito tempo que não via uma criancinha dormindo, desde que ela própria era uma e dividia o quarto com Anna.
Observou seus dedinhos agarrados à coberta quentinha, a respiração calma e ritmada e os cabelos um pouquinho grandes demais caindo nos olhos e sorriu.
– É mesmo muito lindo — Ela pulou de susto ao ouvir a voz de Jack ao seu lado. — A melhor parte de ser guardião é essa: observá-los dormir, tendo bons sonhos, calmos e felizes. Saber que está fazendo um bom trabalho.
Os olhos deles estavam grudados em Nico, e brilhavam com ternura. Sorriu de lado.
– Já é tarde — disse, indicando a janela, que mostrava a lua brilhando e as estrelas começando a surgir.
– Sim — concordou Elsa. — Conversaremos com ele amanhã. Vou dormir.
Virou-se e deu dois passos. Parou. Voltou-se para Jack.
– Desculpe, me esqueci! Onde você vai dormir?
– Não se preocupe, não durmo. — Deu de ombros.
– Ah... Mas lhe darei um quarto. Venha comigo. — Impediu que negasse. Ele a seguiu até uma porta branca com flocos de gelo azuis desenhados. — Não tenho muitos quartos aqui, são só esses três. Apesar de só minha irmã Anna vir me visitar, fiz esse por precaução.
O garoto empurrou a porta e observou o local. Era pequeno, mas confortável. Havia uma cama grande de gelo no centro, uma janela que ocupava a parede inteira, um pequeno banheiro e um armário.
– É perfeito, obrigada. — Ele fez uma reverência com a cabeça e deitou na cama, deixando o cajado ao seu lado.
– Bem, eu vou indo — Pôs a mão na maçaneta — Boa noite, sr. Frost.
– Boa noite, rainha Elsa. — O garoto de cabelos brancos piscou para ela e começou a brincar com um pouco de neve que surgiu em suas mãos.
Ela fechou a porta e se dirigiu à seu quarto (depois de mais uma passada no quarto de Nico), tomou um banho, mudou a roupa e adormeceu.
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