Netos de Atena e Poseidon

4 Capítulo 4-nossas famílias nos dão uma bronca


Não dormi aquela noite. Normal.

Me revirava na cama, pensando em quanto custava um pacote de fraldas e se seria um menino ou uma menina.

Acordei cedo, antes de amanhecer. Me dirigi ao chalé de Atena, mas nem precisei bater. Annabeth estava saindo, e carregava uma caixinha rosa.

Ela fez sinais para mim e eu acompanhei-a até o banheiro.

É incrivel o quanto nossa vida pode mudar em um espaço com vasos sanitários e pias.

Ela foi para dentro do box e fechou a porta. Ouvi barulho de líquido escorrendo. Eu senti que fiquei dois séculos esperando ela sair, mas na verdade foram menos de dois minutos.

Ela saiu,e tinha uma tira de papel na mão.

Me aproximei e ela estendeu-o para mim. Respirei fundo e peguei-o aproximando a tira dos olhos.

Você deve estar pensando ''ah que coisa mais nojenta. Ela mija num pedaço de papel e eu pego para olhar''.

Era verdade, mas não senti nojo nenhum. Corri os olhos para a extremidade do papel e uma mancha azul apareceu.

Positivo. Annabeth estava grávida. E eu estava fudido.

Ótimo. Larguei o papel no lixo, lavei BEM as mãos e saímos para a rua.

Ficamos sentados na frente da fogueira enquanto conversávamos.

-Eu posso arranjar um emprego.-falei.-Meio turno. Já dá para conseguir algum dinheiro.

Ela assentiu.

-Eu posso cobrar alguma coisa, por projetar o Olimpo. Posso vender minhas idéias de arquitetura para uma empresa construtora e ganhar alguma coisa.

Olhei para ela e começamos a rir. Agora eu via realmente como era maravilhoso tudo aquilo.

-Se for uma menina, como vamos chamar?-perguntei acariciando a barriga dela.

-Não sei. Que você acha de Sally?

Ri. Colocar o nome de minha mãe na criança...

-É o que você tem em mente. Francamente, Annie, colocar o nome dos avós no bebê é muito brega...

-Tá bom então. Mas é melhor que ''Jussicréia''...

-Tem razão. -disse eu beijando sua barriga.

E começamos a rir até os primeiros campistas chegarem para o café.

Depois que quase todo mundo(menos eu, Annabeth, Quíron e alguns campistas de Hermes e Íris) sentara nas mesas, um boato começou a correr pelas mesas:

Tinha um teste de gravidez no banheiro feminino e ele dera positivo.

Chegamos ao lado de Quíron e dissemos:

-Precisamos falar com você. É urgente.

Ele ergueu uma sombrancelha mas assentiu e disse que depois do café, conversava conosco.

Sentei-me à mesa de Poseidon com Tyson.

Como de hábito, Annabeth estava enjoada demais para comer qualquer coisa, por isso, jogou um pouco de seu chá preto nas chamas e algumas bolachas maria, como oferenda para Atena e voltou para a mesa. Ainda assim, aquele chá e as bolachas maria pioraram seu enjoo.

Depois do café, nos dirigimos à casa grande, pára conversar com Quíron. Desta vez ele nãso estava jogando pinoochle com Dionísio. Andava nervosamente de um lado para o outro da varanda. O Sr. D. jogava com jogadores invisíveis.

Chegamos lá e Quíron nos recebeu.

-O que vocês tem para conversar comigo, que é tão sério?-ele perguntou

Olhei nervosamente para o Sr. D e disse em tom de quem se desculpa.

-Sabe, eu preferia que fosse a sós.

Dionísio suspirou e levantou-se da cadeira. Imediatamente, ascartas na mão do jogador invisível caíram espalhadas na mesa.

-Olhe Peter...

-É Percy senhor.-retruquei.

-Tanto faz. Não precisa esconder nada de mim. Até porque, vocês não vão conseguir esconder isso.- e apontou para Aannabeth.- por muito tempo, não é mesmo?- e ele deu uma risadinha desdenhosa.

Senti a raiva subir pelo meu pescoço.

-O sinhor sabia? E não nos contou nada?

-Para falar a verdade, foi só ligar os pontos, Peter.

Franzi o cenho quando ele me chamou de Peter.

- Veja bem. Garota enjoada. Confere. Fome enorme. Confere. Não entra na armadura porque a cintuar está muito larga. Confere. Boatos sobre um teste positivo no lixo do banheiro. Confere. Viu? Simples assim.

-ok. Mas você já sabia disso antes, não é?

-O que quer dizer?-perguntou ele

-Aquele dia do ''incidente'' na escada.- e apontei para a escadaria branca.- você tinha perguntado, como é que ela podia engordar, se não comia quase nada. Isso indica que o senhor já suspeitava de alguma coisa.-falei

-É Perry. Pelo visto você não é tão burro como eu imaginava. Sim, eu já tinha as minhas conclusões. Agora, se vocês não se importam, eu vou fazer um suco de uva e volto já. Tchau.

E saiu arrastando os pés, na direção da cozinha.

Sentamo-nos com Quíron, em volta da mesa.

-Então é isso? -perguntou-nos o centauro, com aquele ar de professor que só ele sabia fazer.- Você está gravida mesmo?

Annabeth assentiu e eu também. Quíron suspirou.

-Termia que isso fosse realmente acontecer. Pois bem. Vocês terão que dispor de dinheiro e responsabilidade daqui para frente. Criara uma criança não é fácil, mas podem contar com o meu apoio. O que eu puder fazer, farei.- disse ele em tom solene.

-Obrigado Quíron.-Annabeth fez um carinho na barriga.

-Falando em família, acho que já está na hora de você conversar com sua mãe.

Bati a mão na testa. Há dias não pensava na minha mãe e em Paul. Não queria nem imaginar a reação dela ao descobrir que seria avó.

Cerca de meia hora depois, descemos no Upper East Side. Minha mãe atendeu a porta atonita:

-Meu filho! Olá Annabeth. Entrem, entrem. Ei Paul. Olha quem está aqui.- e se afastou para nos deixar passar.

Entramos e Paul nos cumprimentou.

Exatamente como no acampamento, sentamos em torno da mesa, com minha mãe e Paul em nossa frente.

-Que houve?-perguntou ela abobalhada para nós.- Parece até que algúem vai morrer.-disse ela debochando.

Olhei para Annabeth. Ela tentou me encorajar com um asseno de cabeça. Respirei fundo e falei:

-Morrer não.- coloquei a mão na barriga de Annabeth.- Mas nascer vai.

Minha mãe empalideceu tanto que parecia o gasparzinho. Correu os olhos de mim para Annabeth e desmaiou.

Levou cerca de vinte minutos para acordá-la e outros vinte minutos para acalmá-la

''Percy Jackson. Você tem idéia da gravidade dos problemas que isso vai trazer? E você já ouviu falar em preservativo e etc.''

Por fim ela se sentou no sofá desolada e olhou feio para nós dois. Paul se prontificou:

-Entendo que o momento não é auspiciosao, mas digam-me. Como vocês pretendem sustentar essa criança?

-Vou arranjar um emprego de meio turno e ela vai vender suas idéias de arquitetura para empresas construtoras.

-Aham. Bem, sendo assim. Olhem. Eu estou disposto a ajudar no que for preciso, tudo bem? Podem contar comigo.

-Obrigado senhor Blofe.

-É Blofis, Annabetth.

-Ah, certo. Desculpe.

Por fim minha mãe falou.

-Não aprovo isso. Vocês são muito novos. Ainda tem a vida pela frente. Poderiam se divertir, sair à noite, ir ao cinema e etc. É um pecado, mas eu também estou pronta a ajudar.

-Muito obrigado mãe.

-Annabeth, querida, você já conversou com sua família?

Ela baixou os olhos. Suspirou e falou triste:

-Não. Ainda não tive coragem. É que... está tudo indo tão bem lá em casa... Não queria que algo acontecesse para atrapalhar isso.

Minha mãe teve um acesso de compaixão e disse tentando acalmá-la:

-Tudo bem, tudo bem. Só acho que você deveria contar. Afinal, esconder para sempre, você não vai poder, não é?

-Eu sei. Vou mandar uma mensagem de Iris pro meu pai amanhã.

Minha mãe sorriu satisfeita. Levantou-se e apanhou a bolsa.

-Onde você vai?-perguntei

-Onde nós vamos.-Ela me corrigiu.- Comprar as coisas pro enxoval não é?

Fiquei surpreso.

-Mas já?

-Claro!-respondeu ela apanhando um casaco.- Ou você vai deixar para comprar quando o nenê já tiver nascido?

Olhei para Annabeth pasmo. Nem me ocorrera que tinha o enxoval para comprar. Ela parecia assustada com a perspectiva de comprar lençóis e mamadeiras de bichinhos.

Chegamos na loja ''Rainha das Fraldas'' (concorrente da Rainha das Noivas).

Cada um de nós pegou uma cestinha e se pôs a vasculhar a loja, em busca de coisas baratas e que servissem para nós.

Por sorte, quase toda a loja estava em liquidação e pegamos todos os tip top's, pacotes de fraldas, mamadeiras, lençóis e outras quinquilharias de bebês que estavam em oferta.

Parecíamos que comprávamos para três bebês, e não um.

-É assim mesmo Percy. Os bebês crescem rápido. Por isso precisamos do maior número de coisas que pudermos.

Assenti assustado. Passamos no caixa e um bom número de zeros apareceu na tela. Minha mãe deu de ombros e pagou com cartão. Eu por outro lado, estava apavoradíssimo: só agora entendia que um filho é caro. Era melhor aquela criança dar lucro, pis senão, minha mãe iria à falencia.

Na porta da loja, uma mulher de blusa branca social e calça jeans, com cabelo loiro e olhos cinza nos esperava. Um pouco mais atrás, um homem de bermuda cáqui, camisa havaiana, e olhos enrugados.

Atena e Poseidon vieram conversar conosco. E eles não pareciam muito felizes.

''É agora que eu viro uma anêmona do mar''- pensei. Mas não foi isso que aconteceu.

-Então. Foi você que destruiu minha filha, não é?- Atena me olhou com desaprovação.-Tsc... Tsc... Tsc... Igualzinho ao seu pai...

Poseidon se adiantou:

-O que quer dizer?-

-Medusa. Olhe o que você fez com a pobre da minha seguidora.

-Isso foi há mais de mil anos, Atena. Farancamente.

-Mas você tirou a virgindade dela.

-Fazer o que se ela era gostosa?-Poseidon deu de ombros

Atena torceu a boca, como se tivesse comido limão.

-Vocês tem noção do que isso pode gerar para vocês?-começou Atena

-E que são jovens demais para criar uma criança, que vai depender de ambos o tempo todo?-continuou Poseidon

E os dois começaram um longo discurso, sobre responsabilidade, bebês e estragar o futuro.

Depois de quase uma hora, eles se calaram. Annabeth e eu nos entrolhamos, com os ouvidos doendo por ter ouvido as mesmas palavras tantas vezes.

-Só um segundo.-eu interrompi a falação.- Como vocês descobriram?

-Dionísio nos contou. Contou ao Olimpo todo.-respondeu Poseidon surpreso

Ótimo. Tudo o que eu queria era que a minha vida estivesse em cartaz na tevê Hefesto.

-Minha filha. Quero que saiba que tudo que eu puder realizar por meu neto, realizarei. Ele vai ser educado por mim. Só tirará as melhores notas na escola e será exemplar numa batalha.

-Eu... hã... Muito obrigado mãe.

-E, meu filho. Você tem o oceano inteiro à sua disposição. Se precisar de qualquer coisa, basta mandar arco-íris atrás de você.

-Valeu, pai. -embora não via como um cavalo-marinho podia me ajudar quando o nenê estivesse com sono.

E assim, os deuses se foram.

Olhei para Annabeth. Pelo jeito, os transtornos estavam só começando.