Nephilins de Londres
10 Charlie ou Dylan?
Notas iniciais
–Sim, você está totalmente certo! Eu sou bem melhor do que ela e posso coloca-la em seu verdadeiro lugar rapidamente! Eles vão compreender se eu explicar!-Ella saiu e correu até onde Cyril não pôde ver.
Estava correndo muito rápido, indo na direção do santuário, quando viu uma coisa pequenininha na biblioteca se mexendo e parou. Era o Charlie. Ele não deveria estar dormindo no berço?
Ella andou com a graça de um vampiro misturada com a de um nephilim para que não visesse barulho e pudesse observar o que ele estava fazendo e se escondeu atrás da porta. O menino estava conversando com alguém ou alguma coisa bem iluminada, não estava dando para ver direito, até a visão se acostumar. Era um homem alto, musculoso, loiro e brilhante e… tinha asas cheias de penas? Ele era um anjo? Charlie estava conversando com um anjo?
–Aquilo é mesmo um anjo, Cyril?-Ella sussurrou e olhou para trás e percebeu que ele não estava com ela.
–Relatório da semana-O anjo pediu.
–Eu tenho me comunicado com Tatiana telepaticamente, possuido o gato com sucesso e…
–As mesmas coisas de sempre-O anjo interrompeu-Até antes de ser quem é hoje, era mais promissor, mesmo trabalhando contra nós.
–Por favor, tente compreender, eu sou só um bebê.
–Um bebê nephilim. Com habilidades que ninguém mais tem. Já conheceu algum bebê que possui seres vivos? Ou algum que se comunica por telepatia e consegue persuadir qualquer um?
–Não, senhor, mas…
–Você prometeu pelo anjo que iria consertar o que fez, e por sua sorte, consegui te dar o necessário para isso, mas para isso deve primeiro saber como usá-lo.
–Eu estou tentando, mas ainda não apareceu nenhuma oportunidade de tentar possuir uma pessoa, apenas animais.
–Da próxima vez, não prometa pelo anjo nada que ultrapasse seus limites. O seu tempo está acabando, os vampiros já declararam guerra aos caçadores de sombras e não queremos perder a espécie que criamos. O destino está em suas mãos, e a fada que deve derrotar não é como as dos livros que lê. Ela sabe ser cruel e vil e faz qualquer coisa para conseguir o que quer. Se não aprender a usar seu poder até lá, pode considerar-se morto.
O anjo começou a iluminar-se tanto que quase cegou Ella, se não olhasse para outro lado e desapareceu. Charlie virou-se para trás:
–Pode sair, Ella. Sei que está aí.
Ella saiu de trás da porta. Poucas coisas lhe davam medo, mas isso a apavorou de verdade. Ficou o mais distante possível de Charlie.
–Vocês já devem ter notado que sou diferente de todos os outros.
“Não, sério? Mais que novidade!” Ella pensou, mas decidiu não responder isso.
“Que novidade?” Tessa perguntou do nada.
“Somente ironia, Tessa. Eu estou conversando aqui, mas já estou indo.” Ella agradeceu por se não podia mentir, pelo menos podia omitir fatos.
–Sim, todos notamos.
–Eu queria contar com a Jessie junto, mas já que você já viu, acho que não tenho muita escolha.
–Como sabe da Jessie?
–Eu a conheci.
–Mas, você não pode sair daqui de dentro. Porque foi lá fora?
–Eu não a conheci como fantasma. Eu a conheci quando ela era criança. Você também, Ella. Nós três nos conhecemos antes e morremos para depois reviver de algum jeito.
–Charlie, isso está muito estranho. O que você está querendo dizer com tudo isso? Por que você estava conversando com um anjo? Como assim o destino desse negócio todo está em suas mãos? E eu já sabia que você possui o Coroinha, mas como assim isso foi dado pelos anjos?
–Você e Jessie não devem se lembrar de mim, foi a bastante tempo, mas eu me lembro muito bem de vocês. E, antes de revelar quem fui, peço desculpas pelo que fiz e estou aqui exatamente para concertar meus erros.
–Mas, você só tem um mês, não tem como ter feito nada!
–Só tenho um mês agora, mas em minha última vida vivi 18 anos. E nós eramos amigos. Eu, você e Jessie. Sou, eu, Dylan, do País de Gales.
Ella não podia acreditar, correu e o abraçou. Estava ainda a pouco conversando com Jessie sobre Dylan e a reencarnação-ou seja lá qual for o nome certo disso-estava bem na sua frente o tempo todo. Tinha tanta coisa para perguntar: Você morreu com apenas 18 anos? Como é após a morte? O que você tinha feito? No que você errou? Mas, inves de qualquer uma dessas coisas, ela falou como uma idiota:
–Você é o Dylan/Charlie bebê mais estranho que já vi-Nem ela mesma entendeu o que disse, mas ele sorriu.
–Não importa quanto tempo passe, você continua sendo a pessoa mais estranha que já conheci.
–Ei! Não fuja do assunto, Dylan! Ou Charlie, que seja. Ainda tem que explicar o que era aquela conversa com o anjo e esses seus erros e promessas, agora!
–Para começo de conversa, foi você que começou.
–Eu falei para começar a falar agora!-Ella apontou a mão para ele de brincadeira.
–Vou começar a falar, mas por favor não me mate.
–Só por que é você não vou fazer isso, mas eu estou ficando preocupada.
–Eu estou aqui por que cometi um erro em minha outra vida, na que eu era o Dylan. E esse erro ajudou a acontecer tudo isso.
–Isso o que?
–Isso! As peças infernais.
–Os autônomos?
–Eu que os criei.
–Como assim?-Ella arregalou os olhos.
–Mortmain não iria trabalhar na construção dos autônomos sozinho. Eu era o ferreiro dele, ou seja lá o nome correto para isso. Eu que fiz os autônomos.
–Espera um pouco. Você está querendo dizer,... que você ajudou o Mortmain nesse plano todo dele? Era esse o seu emprego que iria ajudar sua família? Foi por causa disso que nunca mais te vi?
–Sim. Ele me deu os projetos, arranjou as peças, e me contratou para contruí-los. Não sabia para que e também não me importava, só queria ajudar no sustento de casa. Ella, eu juro que se eu soubesse, não aceitaria esse emprego. Procuraria outro. Mas, ele pagava tão bem e mais do que qualquer outro que nem pensei duas vezes!
–Dylan…
–Mas eu estou aqui para concertar tudo isso! Em minha outra vida, quando descobri o resultado do que eu fiz, que você estava lá, que até Jessie morreu por causa disso, eu prometi pelo anjo. Prometi que resolveria tudo no que isso iria resultar! E me deixaram reencarnar aqui, com esse dom. Com ele, poderei possui-los para que voltassem e desistissem de atacar e evitar mortes, e… tudo!
Era engraçado ver um bebêzinho falando coisas assim, quase tanto quanto era deprimente ouvi-lo confessar que era seu amigo em outra vida e por causa dele quase todo o seu mundo está em guerra e que ele tem como consertar de uma maneira absurda. Ella nem sabia o que falar quando ele terminou:
–Porfavor, Ella, me perdoa! Fale alguma coisa!
–Eu… Não sei…
Charlie/Dylan olhou para a janela e voltou-se em direção a Ella.
–Tatiana está chegando. Podemos falar com ela e aproveitar para fazer um plano com todos lá em baixo.
–Quer saber? Você tem razão, Dylan! Ou Charlie,...
–Para mim as duas maneiras de me chamar estão certas e não me importo com qual você preferir.
–Você não ajuda também! Eu te perdoo, agora vamos, ainda temos que chamar o Cyril lá em cima.
–Porque?
–Porque não posso deixá-lo falando sozinho.-Ella pegou-o no colo.
–Uhum… Só por causa disso você vai voltar toda escadaria comigo no colo e ainda andar devagar para poder acompanhá-lo até lá embaixo de novo. Sei…
–Melhor não falar nada, se não te jogo da escada.
–Nossa, mal descobriu as coisas e já começou a fazer ameaças. Quero só ver quando for se casar com o Cyril e eu ficar falando “Não falei que ela não subiu as escadas todas de novo a toa?”
–Olha a escada, ein?
–Háháhá! Tudo bem! Pode ir!
Ella avisou a Tessa que Charlie estaria lá e que aproveitaria a chance para contar sobre ele e acelerou. Em um piscar de olhos voltou à sala de estar:
–Não vem comigo, Cyril?
–Por que está com o Charlie?
–Já comuniquei com Tessa-Ella deu um sorrisinho-Se terei que contar uma coisa novamente, vou contar tudo logo de uma vez.
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