Nephilins - Interativa

5 Capítulo 5 - Belphegor


Notas iniciais
Já vou me adiantando e pedindo desculpas pela demora antes que vocês me atirem pedras, mas juro, a culpa não foi minha ;-; Eu fiquei sem internet por um tempo, porque tava de mudança, e isso meio que me quebrou .-. A propósito, eu não coloquei um dia, ou uma data certa pra postar os capítulos simplesmente porque eu sou um puta de um procrastinador. Sério. Não que isso seja interesse de vocês, é só pra avisar mesmo AUSHUAHUHSA Shit, vai dar meia noite, ninguém vai ler isso mais AUSAUHSUHA Espero que gostem c:

Belphegor ajeitou seu corpo quando percebeu que todos estavam observando-o, mas apesar disso, seu olhar permanecia em Bina, sua atenção parecia ser voltada totalmente para ela. Ele curvou um pouco seu corpo para a frente, apoiando seus braços em ambas as coxas.

— Não me ignore, Ash, isso machuca. Já faz tempo que não nos vemos. — Disse ele.

— E eu preferia que esse tempo tivesse sido mais longo. — Respondeu Bina, tensa. — E não me chame de Ash, você perdeu esse direito há muito tempo.

Belphegor suspirou, como se estivesse cansado, mas não respondeu. Levantou sua mão direita e estalou seus dedos, fazendo com que a cadeira que estava sentado se transformasse em um trono feito de pedra, totalmente negro. Apesar do próprio Belphegor ser grande, o trono parecia ter o dobro do seu tamanho.

— É a sua filha? — Disse, apontando para Emily. — Se parece com você, mas as características marcantes são as do pai.

— Como você conhece meu pai? — Perguntou Emily, nervosa.

Ash cobriu ainda mais sua filha da visão de Belphegor, como se mesmo um olhar do demônio fosse o bastante para machuca-la. Entretanto, o príncipe dos demônios nada disse, apenas continuava sentado em seu trono.

— Ei, o que está acontecendo, príncipe do inferno? O que ela quis dizer? — Perguntou Elliot à Rebekah, aos sussurros.

Quem respondeu, no entanto, foi a menor, Ravenna, que estava ao lado de Rebekah e ouviu a pergunta.

— É exatamente o que você ouviu, — ela parecia tensa enquanto falava, e olhava diretamente para o homem sentado no trono — ele é um dos chefões do Inferno, está abaixo somente do próprio Lúcifer.

— Sério? Pra mim ele só parece um velho. — Respondeu, ainda sussurrando.

— Cuidado com a boca, nephilin, — Belphegor parecia ter cuspido a palavra, como se mesmo mencioná-la o incomodasse, mas mesmo assim ele não tirava seus olhos de Bina, como se os outros fossem meros parasitas. — pessoas como você já morreram por menos.

Apesar de ter sussurrado, ele havia conseguido ouvir o que Elliot havia dito, mas apesar de tê-lo ameaçado, Belphegor não parecia ter levado o que Elliot havia dito muito a sério, como se ele nem merecesse sua atenção. Ao contrário do garçom, que não havia gostado nem um pouco das palavras do velho, ainda mais por tê-lo chamado de uma palavra que ele não conhecia.

— E o que você vai fazer? — Elliot sorria, sem levar a sério as palavras do demônio, e provocava-o agora — Me bater até a morte com a sua bengala mágica? — Terminou, fazendo um gesto com a mão direita como se portasse realmente uma bengala. — Eu não acredito em demônios, e caso acreditasse, não seria um velho sentado num trono preto, e sim um cara com a pele vermelha e chifres. Sabe, bem desenho animado mesmo.

Diferentemente de Elliot, todos ali estavam receosos e com extrema aflição só de estar perto de alguém como ele. O medo naquele local era quase palpável agora, e parecia que algo de ruim poderia acontecer a qualquer instante.

Pela primeira vez desde que chegara, o demônio desviou seus olhos do Anjo e focou-os em Elliot. Diferente de quando olhava para Bina, agora, olhando para o rapaz vestido de garçom, ele parecia ter desprezo estampado em sua face.

Belphegor moveu-se tão rápido que foi difícil para qualquer um acompanhar seus movimentos. Ele havia saltado repentinamente do trono e agora estava a poucos centímetros de Elliot. Sua mão direita em punho estendida a milímetros do nariz do garçom, como se para mostrar que ele poderia ter acertado ele a qualquer momento. Pego de surpresa, ele só foi perceber o que tinha acontecido segundos depois.

Afastou-se as presas, assim como todo o grupo pareceu se espalhar quando perceberam a presença tão próxima do príncipe. Elliot afastou-se mais pelo susto do que propriamente pelo medo, mas logo parou, a menos de um metro do homem, percebendo que não havia motivo para pânico, ele não conseguiria tocá-lo de qualquer jeito.

Quando se deu conta disso, Elliot deu um ligeiro sorriso, como se soubesse até mesmo uma maneira de vencer o demônio. O que pareceu um insulto a Belphegor.

Todos ao redor dos dois estavam perplexos demais para falar qualquer coisa, enquanto o demônio olhava o jovem de 19 anos nos olhos azuis dele, estudando-o.

Novamente, ele se moveu tão rápido que somente Elliot conseguiu ver, devido a adrenalina no sangue que pareceu reduzir a velocidade dos movimentos do homem. O demônio deu alguns passos em alta velocidade em sua direção, e mirou um soco direto em seu rosto, mas como o jovem havia previsto, seu punho passou direto pela sua face.

— E então? A proposta da bengala ainda está de pé. — Brincou Elliot, sorrindo.

— Elliot, pare. — Disse Rebekah, desesperada. Ela já havia perdido seus pais, não gostaria de perder outra pessoa.

— Porque eu deveria? Eu estou ganhando. — Olhou Elliot para Rebekah, um tanto confuso já que achava que venceria alguém com aquela idade facilmente, na verdade, se sentia até meio mal por estar brigando com alguém que parecia ter no mínimo o dobro da sua idade.

— Escute o que ela diz! — Reforçou Ravenna, a inocência em seu rosto tinha dado lugar a preocupação.

— Você não é um guerreiro, menino, é só mais um nephilin. Deveria ter ouvido o que suas amigas disseram. E ainda por cima, não deveria ter desviado os olhos de mim. — Disse Belphegor às costas de Elliot, fazendo com que ele se virasse rapidamente.

Assim que Elliot se virou, a última coisa que viu foi uma enorme espada, totalmente negra, da mesma cor do trono de Belphegor, parecia pegar fogo, e dela saia uma fumaça igualmente negra, dando a impressão de que a espada estivesse evaporando, e então, uma dor lancinante que se estendia do tórax até o braço direito.

A espada do demônio havia passado diretamente pelo seu torso, assim como ele sabia que aconteceria, no entanto, a dor de ser atingido ainda era uma realidade.

Elliot caiu de costas, gritando e arfando, sem entender como a espada poderia ter lhe causado um ferimento, ele era intangível, invencível, era impossível alguém ter lhe acertado, com qualquer que seja o objeto. Nada o tocava sem a sua permissão.

Mas como se respondendo sua pergunta, Belphegor o olhava de cima, com a espada em sua mão direita, e alisando sua barba branca com a esquerda.

— Isto, — disse ele, apontando a espada para Elliot — é uma espada de Arcanjo. Você pode muito bem ser intocável fisicamente, mas essa arma não é uma arma física. É uma arma espiritual, ela ataca sua alma. E esse é o motivo de você estar no chão agora. Claro, além da sua arrogância. — Completou ele. — Por isso detesto a atitude dos nephilins, são arrogantes demais.

Apesar da extrema dor no braço, não havia sangue, ou mesmo um arranhão sequer, mas mesmo assim Elliot segurava seu braço direito ferido com a outra mão, como se prender a circulação fosse ajudar a apaziguar a dor, entretanto, ao ouvir as palavras do velho, ele soltou levemente sua mão e apontou o dedo médio para ele, sorrindo, apesar da dor.

— Vá se foder. — Completou, e logo depois, desmaiou.

Belphegor ergueu a lâmina mais uma vez, bem acima de Elliot, mas antes que pudesse descer a espada sobre o jovem, ele recebeu uma pancada em suas costelas, sendo lançado a alguns metros e indo de encontro a uma das colunas da igreja.

Entretanto, ele não pareceu sentir muita coisa com o golpe. Levantou-se, com alguns pedaços de pedra e muita poeira ainda caindo de suas costas, e procurou quem o havia atingido. Viu somente uma figura com longos cabelos loiros debruçada sobre o corpo de Elliot, inconsciente. Ele ameaçou ir em sua direção, mas assim que olhou de relance a pulseira em seu pulso, ele desistiu por algum motivo.

Luminosa. — Belphegor ouviu Bina dizer, e a partir daí, uma espada totalmente branca podia ser vista na mão dela, a espada emanava um brilho muito forte, que fez com que ele levasse suas mãos ao rosto, para cobrir os olhos.

O momento perfeito para que Bina atacasse. Grandes asas de luz surgiram a partir de suas costas, primeiro uma pequena luz saiu de sua omoplata, e estendeu-se por um longo caminho, até poucos centímetros antes do chão. Logo depois, a luz deu lugar a enorme asas totalmente brancas, como a neve. Cada uma de suas penas parecia um pequeno floco de neve. Assim que elas haviam surgido por completo, Bina abriu totalmente suas asas e foi em direção a Belphegor, ainda mais rápido que o príncipe demoníaco, com a espada em punho.

Mas antes que a espada pudesse perfurar o estômago de Belphegor, ele abaixou rapidamente sua mão esquerda, agarrando o cabo da Luminosa sobre a mão de Bina, parando seu movimento a poucos centímetros de sua barriga. Ele fez um movimento, lançando ambas — espada e usuária — alguns metros ao seu lado e Belphegor voltou a caminhar.

A espada em sua mão havia sumido agora, e ele voltava calmamente para seu trono, com todos os olhares nele, exceto o de Rebekah, que permanecia debruçada sobre o garçom desacordado e com febre.

Belphegor virou-se para Bina, enquanto sentava em seu trono, e disse:

— Eu não vim aqui para lutar, Ash. — Ele relaxou o corpo, encostando-se no encosto do enorme trono negro. — Eu sou o demônio da preguiça, afinal. — Completou ele, sorrindo.

— Então o que você quer, Belphegor? — Respondeu Bina, levantando-se e embainhando a espada no coldre em sua cintura, fazendo com que a luz sumisse novamente. Agora, somente a fraca luz que emanava de suas asas e do cabo de sua espada era o que iluminava o local, além da pouca luz do sol que adentrava pelos vidrais.

— Apenas que leve uma mensagem. Não achou que trazê-los aqui — disse ele, abrindo os braços, indicando o templo — fosse mera coincidência, não é?

— Como eu desconfiava, aqueles demônios eram seus. — Respondeu Bina, suspirando, como se já soubesse a resposta.

— Apenas demônios de classe baixa, sabia que vocês dariam conta.

— Mas afinal, que mensagem é essa?

Belphegor refletiu por alguns instantes, olhava para o nada, como se lembrasse de algo que havia acontecido há muito tempo.

— Provavelmente você sabe, Bina. Se não me engano, você era uma das melhores estrategistas do céu naquela época, e por isso não estava no campo de batalha, mas aposto que sabe o porquê de eu ter me tornado um caído. Diga-me.

Bina não entendeu no início o motivo de tudo aquilo, mas mesmo assim respondeu, um pouco confusa.

— Você foi um desertor. Fugiu durante a rebelião da Estrela da Manhã contra Yahweh, e por isso, quando a batalha acabou, o exército dos anjos foi atrás de você e devido a isso foi expulso do céu.

— Exato. — Belphegor agora parecia mais cansado que nunca, e voltou a se sentar desajeitadamente na cadeira. Ainda com o olhar distante. — Mas eu lhe pergunto, Ash, seria esse mesmo o motivo?

Bina agora havia ficado realmente confusa. Qual seria o sentido de tudo aquilo? Porque ele fazia aquelas perguntas? Essas questões martelavam a cabeça de Bina, como um turbilhão. Percebendo a dúvida de Ash, Belphegor continuou:

— Vários foram os desertores daquela batalha. Anjos de verdadeira paz. Poderíamos ter sido leais sim, e ficado ao lado de Yahweh, mas porquê fazê-lo? Por que derramar sangue dos meus irmãos? Eu não tive uma explicação na época, e devido a isso, me recusei a fazê-lo. — Belphegor agora olhava diretamente para Ash, enquanto se explicava. — Entretanto, meu erro sempre foi o mesmo. Eu era forte, e esse foi o meu pecado. Fui julgado por ser uma ameaça, e não por ser um desertor. Agora eu penso, talvez, e só talvez, se eu tivesse tomado partida, e lutado ao lado dos meus irmãos contra a Estrela da Manhã, será que ainda estaria no céu? Será que ainda poderia estar ao lado do criador? Essas questões martelaram minha cabeça durante éons, mas no final, o meu grande erro, e minha grande conclusão foram as mesmas. Apesar de forte, eu me mantive neutro.

Bina observava o homem assim como todos ali, totalmente atentos as suas palavras. Ela começou a pensar que talvez os céus realmente não fossem justos. Bina Ashira havia recebido o nome em homenagem a sua sabedoria, mas mesmo assim, por que ela se sentia tão mal sobre tudo o que estava acontecendo agora? Toda essa guerra contra os nephilins, ou mesmo a guerra entre anjos e demônios, parecia tola demais para ela, tão sábia. Talvez fosse esse o seu problema, ser sábia talvez tenha sido o seu pecado. Ela já havia pensado nisso outras vezes, mas sempre se calou, como todos os anjos. Belphegor continuou falando, depois de uma pequena pausa.

— “Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.”

— Dante Alighieri. — Disse Ravenna, em voz baixa.

— Exato. — Concordou ele — Essa frase é perfeita para a situação, não acha, Ash? — Ele perguntou, mas não esperava uma resposta de verdade, e por isso, prosseguiu. — Mande uma mensagem para o Zach.

— Qual? — Perguntou Bina, um tanto receosa e tensa.

— Diga-lhe que o Inferno já começou a se mover. Essa não é mais uma guerra entre Anjos e Nephilins. Agora, o terceiro poder entrou em movimento, e dessa vez, eu não vou me ausentar da batalha, eu escolhi um lado, e espero que Zach tenha escolhido o dele.

Belphegor estalou os dedos, fazendo com que uma fumaça totalmente negra começasse a surgir a partir do trono, e logo ela começou a envolve-lo também, começando pela base e subindo até o seu tronco, e antes que a fumaça tomasse conta de todo seu corpo, ele disse algo uma última vez.

— Cedo ou tarde, todos escolhem um lado. Até logo, Ash. — E então, a fumaça que havia o consumido por completo logo depois se dissipou, como se tivesse evaporado, e ali só restava a cadeira onde Belphegor havia se sentado no início.

Notas finais
Foi um puta parto escrever esse capítulo, porque eu não to acostumado a escrever em terceira pessoa, e por algum motivo, eu acho MUITO mais fácil escrever em primeira pessoa, então ainda estou me adaptando a esse tipo de escrita. MAAAS, fora isso, o que acharam do capítulo? Bom? Ruim? Una buesta? Opiniões são sempre importantes c: