Nephilins - Interativa
1 Capítulo 1 - Prólogo
Notas iniciais
A última coisa de que Zachary se lembrava era da conversa que ele havia tido com Miguel.
— O que você quer dizer? Pretende iniciar uma guerra?! — Perguntou ele.
Miguel manteve-se em silêncio por alguns instantes, com as feições angelicais repletas de dúvida, coisa pouco comum para um arcanjo. Para Zach ele parecia cansado, bem diferente da postura habitual de anjo guerreiro que possuía. Estava sentado de forma desleixada na cadeira, e esfregava os olhos enquanto falava.
— Eu... Não sei, Zachary. Realmente não sei. — Respondeu ele, por fim.
— Eles vão matar os Nephilins Miguel! Mais uma vez!
— E o que você quer que eu faça Zach?! Eu não tenho poder para impedir, eles são O Conselho! — Miguel havia se levantado da cadeira onde estava e bateu suas mãos com força na mesa.
Zach manteve o mesmo silêncio que antes havia pairado sobre as palavras de Miguel, estava pensando, seria realmente esse o certo? Fora para isso que ele havia sido criado?
— Me desculpe Miguel, mas eu não vou participar disso.
— Você não tem escolha, é um dos melhores comandantes que o céu tem.
— Eu não vou sujar minhas mãos com sangue inocente!
Miguel olhou nos olhos de Zachary pela primeira vez naquela manhã, e ele soube o que aquele olhar significava.
A expressão no rosto de Zachary tornou-se indecifrável, uma mistura de pesar e ao mesmo tempo ódio, de que exatamente nem mesmo ele sabia dizer, talvez até dele mesmo.
— Pelo menos... Não dessa vez.
— Olha, Zach, eu sei o que você está passando, e você precisa pensar melhor. Se você se opor a essa ordem, vai estar se opondo a todo o conselho, e isso seria, basicamente, se opor a Deus, entende?
Deus. Era essa a desculpa que o conselho usava para fazer suas atrocidades, Zachary já sabia disso, mas mesmo assim, com ele iria acreditar que tais ordens viriam diretamente Dele? O deus que criou ambos os homens quanto os anjos não seria capaz de fazer algo assim, não Ele.
— Eu vou embora. — Disse Zach, por fim.
— Isso, pense um pouco, acalme-se. — Falou Miguel, com um pequeno sorriso.
— Você entendeu errado, Miguel, eu vou embora.
— Você... Não pode estar falando sério.
— Estou mais sério do que nunca, Miguel. Sinto muito. Não me envolverei nessa guerra.
O sorriso nos lábios de Miguel haviam sumido, e ele parecia mais cansado ainda — se é que isso era possível — ele voltou a sentar-se na cadeira atrás da mesa, e fechou seus olhos mais uma vez, quando abriu, parecia que o velho fogo de seus olhos haviam se acendido mais uma vez, e quando ele falou, Zachary pôde sentir toda a imponência em sua voz.
— Não Zach, você entendeu errado. Isso não será uma guerra, será um massacre.
***
Alice olhou no relógio e viu que já passava da meia noite. Ela tomava seu café enquanto olhava para o céu do terraço do seu prédio, seus longos cabelos roxos eram balançados pelo vento enquanto ela sentia a brisa da madrugada em seu rosto.
Claro, café não seria a bebida ideal para que tem insônia, ainda mais para quem tem insônia e passa as madrugadas observando o céu. Mas infelizmente para Alice, aquela noite não seria nada comum.
Enquanto observava o céu, ela viu uma estrela se mexer. Era só uma estrela cadente, ela podia jurar, mas a estrela começou a se mover de forma estranha, ela estava... se aproximando?
A luz — Alice já não acreditava mais que era uma estrela — estava vindo em sua direção com extrema velocidade, ela levantou-se da cadeira de praia onde estava sentada e começou a descer as escadas de incêndio do prédio, para a sorte dela, a luz passou direito pelo prédio e acabou colidindo com o chão apenas alguns metros dali.
Ela correu, para ver o que estava acontecendo, nesse momento provavelmente todos do seu prédio haviam acabado de acordar, e isso incluía seus pais, e eles nunca a deixariam chegar perto de algo que caísse do céu.
Mas esse era o lado bom de ter insônia.
Assim que ela se aproximou da pequena cratera, ela viu o que tinha ali, e para sua surpresa, era um corpo.
Sim. Um corpo.
Era um menino ruivo, com o cabelo espetado e arrepiado, só de olhar ela soube que aquele cabelo não era consequência da queda, e provavelmente era apenas a aparência normal dele, ele era branco, quase pálido e os olhos eram verdes. Grandes olhos verdes que a encaravam.
Ela não sabia dizer quem estava mais perplexo, ela ou o menino. Mas para seu espanto, ele sorriu, começou a se levantar e espanar as roupas sujas de poeira e terra, logo depois passando as mãos no cabelo com rapidez, como se quisesse bagunça-los ainda mais. Alice não conseguia se mexer, ela havia ficado perplexa demais para isso. Encarava o rosto do menino enquanto ele saia da cratera e se aproximava.
— E aí? Tudo tranquilo?
O menino havia falado, e pega de surpresa, Alice deu um gritinho agudo, como se alguém houvesse acabado de belisca-la, e antes que pudesse segurar o corpo, ela jogou metade de um copo de café em cima do menino, e ela nem lembrava de ainda o estar segurando.
— Bem, isso foi inesperado — Disse ele, enquanto ria e olhava para a camisa — que antes era de um puro branco — suja de café por toda a parte.
— Inesperado? Eu que o diga, tu caiu do céu cara! Do céu! — Disse Alice. — E a primeira coisa que diz é “E aí? Tudo Tranquilo?” — ela dizia a última parte fazendo uma imitação bem forçada da voz dele — Você é um alienígena ou algo do tipo? É radioativo? — Não era a pergunta mais inteligente que ela poderia ter feito, mas foi a primeira coisa que veio em sua cabeça.
Ele olhou para o céu por alguns instantes, somente como se confirmasse que havia vindo de lá, depois olhou bem nos olhos de Alice, antes de responder de pergunta da forma mais direta possível:
— Algo do tipo. Mas não se preocupe — completou ele rindo, quando viu a cara de espanto de Alice — Não sou radioativo. Eu acho. Tenho 98% de certeza.
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