Neomanos - Os Herdeiros

3 Um encontro com a Polícia.


3: Um encontro com a Polícia

Isaac, Tyler, Kate e Kyle foram para o elevador de saída da Gruta. Quando chegaram lá, Isaac apertou para subirem, enquanto subia, Tyler se manifestou.

– Então, qual é o poder desse Neomano? — perguntei ansioso para chegarem logo ao destino -

– Não é um poder qualquer, é um Herdeiro – Isaac respondeu, sua expressão estava séria — temos que ir logo atrás dele.

– Outro? Qual é o poder dele? — Tyler soltou um espirro após esta pergunta -

– Teleporte – Isaac respondeu na hora — antes que pergunte, ele pode ir para qualquer lugar só de olhar uma foto.

– Uau, ele deve ser forte então, certo? — desta vez, foi Kate quem fez a pergunta -

– Vai saber. — retrucou Isaac -

Finalmente o elevador chegou a superfície, quando as portas se abriram, um carro preto já estava os esperando. Tyler foi direto se sentar ao lado do motorista, no banco passageiro, os outros foram no banco de trás. O motorista deu ignição e acelerou, saiu do beco e entrou na rua, pegando um caminho junto com vários outros carros. Passaram por uma enorme fileira de prédios, o vidro das janelas refletia o céu azul com uma luz intensa, passaram pelo prédio de uma empresa importante da cidade, a Gaia Tech, que criava tecnologias de ponta, uma delas é a TV Holográfica que não passava de um disco prateado que colocava na parede, quando ligado uma tela holográfica surgia do nada passando os canais que as pessoas mais gostavam (Inclusive CNN, o que não podia faltar). O carro andou por quilômetros, pararam umas cinco vezes para reabastecer, chegaram em uma cidadezinha no interior, uma enorme fileira de casas se estendia, por quilômetros, também havia alguns prédios não tão reluzentes quanto os que Tyler vira antes de chegar ali.

O motorista parou e todos desceram, Isaac disse para irem em duplas, então foram Kate e Tyler, Isaac e Kyle. Se separaram, Kate e Tyler foram andando por um bom tempo até que se cansaram, sentaram-se numa praça que havia, o sol estava se pondo e uma boate ali perto ligou holofotes esverdeados que cortavam o céu e se mexiam para os lados. Não tinha fila, parecia que havia acabado de abrir, a rua em frente estava deserta e depois de uns cinco minutos uma van preta apareceu, homens armados desceram. Quando Tyler e Kate perceberam, se esconderam atrás de uma árvore cada um, continuaram a ver como a cena seguinte se desenrolaria, um dos homens abriu as portas de trás e mandou alguém sair, quando Tyler viu oque era, gelou.

O homem mandava garotas semi-nuas descerem da parte de trás da van, e gritava ameaçando atirar nelas, Tyler andou um pouco à frente e se abaixou atrás da mureta que dividia o parque da calçada, ficou observando aquilo tudo sem dar um pio. Ele e Kate esperaram mais duas horas, Tyler olhou seu relógio digital que marcava nove e trinta e oito da noite. Ele se virou para Kate.

– Aqueles caras estão explorando aquelas garotas? — Tyler perguntou para Kate -

– Por que não vai lá e pergunta? — disse Kate ironicamente — "ah, oi sou um moleque de catorze anos, posso perguntar uma coisa? Estão explorando essas meninas? Isso é feio, sabia?"

– Nossa... — Tyler se virou novamente para a boate -

A boate agora estava com uma fila grande, que chegava até uma loja que havia ao lado da boate, o segurança verificava uma prancheta e deixava as pessoas entrarem, algumas sim outras não. Kate puxou Tyler pelo braço e olhou diretamente em seus olhos.

– Vamos embora, agora. — Kate tentou puxá-lo, porém ele repudiou sua mão com um movimento -

– Não — Tyler protestou — precisamos ajudar aquelas garotas, podemos usar nossos poderes.

– Ah, claro — Kate abriu os braços — vamos usar nossos poderes em público e revelar à todos sobre os Neomanos, sobre nós.

– A gente derruba os caras, se nos perguntarem, falamos que somos apenas curiosos e invadimos um local proibido para menores — disse Tyler — em quem vão acreditar? Em um bando de viciados que traficam, exploram e abusam de garotas ou dois jovens curiosos?

– Tá, me convenceu — Kate estava um pouco aflita — e aí, qual é o plano?

Tyler explicou todo o plano para ela, então começaram a colocá-lo em prática. Deram a volta no quarteirão e foram parar atrás da boate, um segurança de terno preto estava olhando fixamente para um ponto, praticamente uma estátua. Tyler se aproximou da porta e o segurança colocou o braço em seu caminho, olhando diretamente para ele.

– Onde pensa que vai rapazinho? — ele não tinha expressão em seu rosto, só sua boca se mexia quando ele falava -

– Hã, não posso entrar aí? — Tyler se fingiu de bobo dando tempo para Kate realizar o plano -

– Não se faça de otário, moleque — o segurança não aumentou o tom de voz, continuou falando calmamente -

Então Kate surgiu correndo, ela segurava uma barra de ferro que deve ter pego em algum lugar perto da lixeira, foi direto ao coitado do segurança que não teve nem chance de se defender, ela acertou sua cabeça em cheio e ele caiu inconsciente no chão. Tyler ajudou Kate a arrastá-lo para trás da lixeira, depois disso entraram. A música não era um dubstep ou remix, era uma música calma, porém as pessoas dançavam e nem se importavam com a presença de Tyler ou Kate. Se esgueiravam entre as pessoas dançantes, agachados, a música aumentou seu ritmo e as pessoas se movimentavam mais rápidos, foi aí que Tyler se separou de Kate, ele gritava seu nome por cima da música, porém com certeza ela não ouviria. Tyler foi se esgueirando mais ainda, até que tropeçou em alguém e passou caindo por uma cortina vermelha, quando olhou onde estava, viu um homem adulto, assediando uma garota jovem, que tentava escapar dele, porém ele a segurava com força. Ele à agarrou e ela começou a chorar, quando viu Tyler, ele colocou o indicador sobre os lábios falando para ela ficar quieta, ela obedeceu. Tyler teve de pensar rápido, então pegou um vaso em uma mesinha que tinha ali e foi por trás do homem, ergueu o vaso e bateu com ele em sua cabeça, o homem caiu, porém estava consciente ainda. A garota se desvencilhou do homem e se encolheu em um canto, Tyler avançou e pulou nas costas, envolveu seus braços no pescoço do homem que começou a se movimentar loucamente, se debatendo para se livrar de Tyler. O homem se jogou de costas na parede e a dor subiu no corpo de Tyler, ele jogou o peso de seu corpo para frente e pulou das costas do homem empurrando-o, ele bateu de cara na parede e agora sim estava inconsciente no chão, com o nariz sangrando.

– Você está bem? — Tyler se virou para a garota — fica calma.

Ela fez que sim com a cabeça, Tyler tirou seu casaco e deu para a garota, ela o vestiu.

– Olha, faz o seguinte. Vá até as outras garotas e diga para elas saírem de mansinho pelos fundos, o.k? — A garota pareceu ter entendido e então Tyler saiu daquela sala -

Ele foi rumo ao banheiro, quando entrou fechou a porta e lavou o rosto. Ficou um tempinho lá dentro, até que dois homens entraram, olhavam furiosamente para Tyler. Eles sacaram revolveres e apontaram para Tyler.

– Opa, vamos conversar? — Tyler olhou o rosto deles e entendeu aquilo como um não. -

Tyler fechou os olhos e forçou os pensamentos, vamos lá chamas, não me deixem na mão, pensou. Então quando abriu seus olhos viu que os homens estavam assustados, depois de perceber do que se tratava, abriu um sorrisinho. Suas mãos estavam literalmente em chamas, que crepitavam majestosamente. Tyler olhou sorrindo para os homens.

– Agora querem conversar? — disse -

– Mas oque?! — um deles gritou — o que é isso?!

– Ah, nada demais. — eles fizeram a menção de fugir, mas Tyler disparou uma bola de fogo na maçaneta. — Onde pensam que vão? Estamos só começando. Não fiquem assustados.

Então eles apontaram novamente as armas para Tyler, que disparou uma rajada de chamas nelas, eles as largaram por estarem super aquecidas, então Tyler caiu na gargalhada.

– Ai, ai, certo — disse cessando os risos — agora você aí careca, nocauteia ele. — o homem não obedeceu de primeira, porém Tyler ameaçou atacá-los, então o careca desferiu um soco no cara que estava com ele. O cara caiu na hora com seus olhos fechados, nariz sangrando.

– Sua vez agora, bata a cabeça bem forte na parede — disse Tyler — anda! — ele tacou uma bola de fogo ao lado do homem, que obedeceu -

Ele pegou espaço na porta, Tyler saiu da frente, o homem correu e bateu de cara na parede, também caiu inconsciente. Tyler decidiu não sair pela porta, ao invés disso subiu no corpo do homem desmaiado na parede e passou pela janela, amorteceu sua queda com as mãos, se levantou e bateu as mãos, limpando-as. Deu a volta pela construção e foi parar novamente atrás da boate, e quando chegou lá, viu Kate rindo de braços cruzados enquanto via as garotas chutarem um cara que usava um terno ridiculamente prateado.

– Mas que merda? — Tyler olhou assustado -

– Esse cara é o dono da boate, deixei elas se divertirem um pouco — Kate respondeu descruzando os braços — acha melhor elas pararem?

Tyler deu de ombros, então de repente foram cercados por pessoas armadas, mas desta vez não eram os bandidos, eram policiais. Kate e Tyler ergueram as mãos, as garotas pararam de chutar o dono da boate que se contorcia de dor. Alguns policiais se aproximaram e algemaram Kate e Tyler, o dono da boate, e o resto invadia com armamento pesado.

Na delegacia, Tyler estava inquieto, sacudindo a perna direita o tempo todo. Estava em uma sala de interrogatório, provavelmente Kate estaria em outra. Alguém abriu a porta, uma mulher de cabelo curto, moreno e olhos azuis entrou na sala, jogou uma papelada na mesa e se sentou uma cadeira à frente de Tyler.

– Então? Não vai falar nada? — a policial perguntou -

– Falar oque? — Tyler apoiou os cotovelos na mesa e colocou as mãos no queixo apoiando a cabeça -

– Por que diabos estava lá e como entrou? — ela perguntou novamente, sem erguer o tom de voz -

– Bom, eu vi uns caras armados, fiquei curioso e invadi. Só isso. — Tyler se ajeitou na cadeira -

– Você quase arruinou uma investigação policial, sabia? — ela disse cruzando os braços — podia ter morrido lá.

– É mas eu estou aqui, não estou? — Tyler debochou — então, já posso ir?

– Antes, preciso falar com seu responsável, de verdade. — ela disse -

– Há, boa sorte com sua ligação para o além. — retrucou Tyler -

A policial assentiu e depois se ajeitou na cadeira. Ela pôs as mãos na mesa e olhou diretamente para Tyler.

– Meu nome é Clarisse Storner — ela se pronunciou, ainda olhando para Tyler — qual é o seu? — ela perguntou -

– Tyler Knight — ele respondeu — já posso ir?

– Pode, mas preciso que assine esse papel, depois eu levo você e sua irmã para casa. — Ela explicou -

Tyler assinou o papel e depois, a policial Storner o desalgemou, ela o conduziu até a saída, onde Kate estava. Quando foram entrar no carro pessoal da policial Storner, um disparo foi ouvido, os três se abaixaram. Ali parado na entrada da delegacia, o dono da boate conduzia um revolver e parecia procurá-los. A rua estava deserta, era noite. O homem com terno prateado viu a policial Storner e começou a disparar em sua direção, Storner também estava com uma arma em mãos, mas não tinha como se erguer ou levaria um tiro certeiro na cabeça. Tyler decidiu fazer algo louco, acendeu as chamas em suas mãos, Storner olhava assustada com o que via. Tyler disparou uma bola de fogo no homem, seu terno entrou em chamas, ele largou a arma e ficou se debatendo tentando tirá-lo. Storner entrou em ação e disparou duas vezes, um tiro na perna e outro no braço esquerdo dele, o terno queimava ao seu lado enquanto ele se contorcia e gritava de dor. Ela se virou para Tyler, assim como Kate.

– Oque diabos, foi isso?! — Storner gritou para Tyler -

Ele não sabia oque responder, estava encurralado.