Nemesis

51 A cruel distância entre o Capitão e a Segundo-Tenente


A cruel distância entre o Capitão e a Segundo-Tenente

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30 de Setembro de 2012, 02:28 AM

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Brooklyn – Nova York

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Era mais uma noite torturante, onde seus pensamentos se encontravam desordenados e seus sentidos caóticos.

Steve acordava após mais uma falha tentativa em dormir.

O relógio marcava duas e meia da manhã, e tudo o que o Super Soldado conseguia fazer naquele momento, era sentar na mesa que ficava em frente à janela da sala de seu apartamento e começar a desenhar...

Chovia do lado de fora... e o Outono despontava...

Mais um desenho de Mary Crystal começava a ser esboçado... era talvez o trigésimo quinto desenho que fazia dela...

O Capitão rabiscava o papel em branco, tracejando aos poucos o rosto da garota, acrescentando nuances e definindo linha por linha dos cabelos longos...

Com os dedos, ele esmaecia os contornos da face feminina, suavizava o sombreamento dos olhos, e tracejava as maçãs do rosto, depois o queixo, e por último a linha doce da mandíbula.

O rosto de Mary era desenhado um pouco inclinado para o lado e Steve pressentia uma sensação de desafio ao desenhá-la do ângulo que mais adorava.

Aos poucos, formava cada detalhe da fisionomia dela... suas covinhas tão florescentes... com a expressão ousada e ao mesmo tempo inocente, pela qual se apaixonou...

E então, o loiro descia, tracejando os lábios, acariciando várias vezes as bordas com a ponta do lápis e a mente perdida nas memórias do último beijo que compartilharam... a lembrança de seu gosto adocicado juntamente com o eco distante dos motores de um avião da base da Força Aérea...

Depois de trinta e cinco minutos, o loiro tinha o esboço perfeito do rosto da Segundo-Tenente.

Observando o retrato que fizera, o Super Soldado ficava dividido entre o desejo de amassá-lo ou guarda-lo na sua pasta secreta, onde ficavam todos os desenhos de Mary Crystal.

Após muito pensar, Steve decidia não se desfazer do desenho...

O Capitão fechava os olhos e se inclinava, encostando-se contra a cadeira, passando a respirar lentamente...

Um minuto, uma hora, talvez uma noite passasse, mas aquela sensação sufocante ainda lhe aterrorizava...

O Super Soldado tentava ocupar o espaço que Mary Crystal deixava, com qualquer coisa que lhe distraísse...

Desejava que a Segundo-Tenente parasse de vagar sua mente e o deixasse em paz... mas... não estava sendo fácil... o Capitão sentia muita falta dela...

Faria quatro semanas que os dois não se viam... quatro longas semanas sofrendo e tentando se convencer de que nunca mais se veriam de novo...

Dentre aqueles dias, o loiro sempre passava em frente ao antigo apartamento da garota, lembrando de todos os momentos que partilharam juntos... desabando emocionalmente... queria arrancá-la de dentro dele e seguir em frente sem olhar para trás, mas não conseguia se controlar, mesmo depois daquele tempo...

Os dias não eram mais os mesmos sem ela...

O Capitão caminhava pelas ruas, a procurando pela cidade, em cada rosto... porque acreditava que quando virasse a esquina, um dia, eles se esbarrariam de alguma forma...

Steve continuava alimentando seus sentimentos e sabia que no fundo, não passava de uma ilusão...

Notando que não conseguiria dormir aquela noite, o Super Soldado resolvia fazer um café, apenas para que pudesse se manter concentrado em seus desenhos.

Ele voltava da cozinha segurando uma xícara, e a colocava na mesa da sala, se sentando logo em seguida.

E então, mediante aos sentimentos e pensamentos confusos, começava a desenhá-la novamente, em um novo desenho...

O som da chuva e o ruído baixo e estático do rádio eram a canção perfeita para aquele momento solitário e melancólico...

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Alone again – Dokken

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I'd like to see you in the morning light, (Gostaria de te ver na luz da manhã)

I'd like to feel you when it comes tonight, (Gostaria de te sentir quando anoitece)

Now I'm here and I'm all alone, (Agora estou aqui, e estou só)

Still I know how it feels, (Ainda sei como me sinto)

I'm alone again… (Estou sozinho de novo)

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O intenso aroma do café se misturava com o cheiro dos livros novos que havia comprado e emanava das prateleiras ao lado... uma forma de distrair sua mente para não se lembrar dela... lendo novos livros...

O branco da folha era novamente tracejado pelo preto da grafite de seu lápis...

O tempo foi passando, e quando percebeu, já era quase cinco da manhã...

Qual seria o sedativo perfeito para dormir? Porque não havia nada que o fizesse pregar os olhos... então talvez, a música que o colocaria para dormir seria a voz de Kiara?

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Tried so hard to make you see, (Tentei muito fazer você ver)

But I couldn't find the words, (Mas eu não conseguia encontrar as palavras)

Now the tears, they fall like rain, (Agora as lágrimas, caem como a chuva)

I'm alone again without you… (Estou sozinho de novo sem você)

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Ao mesmo tempo em que desejava estar sozinho, queria que Mary estivesse ali... porque não suportava mais tentar dormir e acordar frustrado, desejando vislumbrar seu sorriso...

Tinha raiva de si mesmo por isso... só a paixão deixava alguém tão louco e estúpido... e se lamentava por ter visto tantas coisas lindas em alguém que não viu nada nele...

Steve estava cansado daquele quase amor...

Tudo sem ela era distração... e tudo com ela tinha significado...

Ele largava o lápis em cima da folha de papel... suspirando...

O Super Soldado ainda sentia a sensação de afagar aqueles lindos cabelos loiros tão compridos... ainda sentia seu perfume... ainda sentia o toque de seus lábios... ainda sentia sua falta...

Sim... suas noites nunca mais foram as mesmas depois que sentiu seu cheiro... o acorde refrescante e adocicado de jasmim, harmonizado com notas frescas de lavanda, maçã e pêssego...

O que seria dele sem as manias e loucuras de Mary Crystal? O que seria dela sem suas lições de moral e repreensões? O que seria dele sem encarar aqueles lindos olhos verdes...?

O que seria de Mary Crystal sem Steve e de Steve sem Mary Crystal...?

O que seria deles...?

O vento soprava pela janela... estava frio...

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I said stay, but you turned away, (Eu disse fique, mas você foi embora)

Tried to say that it was me, (Tentando me dizer que era eu)

Now I'm here and I've lost my way, (Agora estou aqui, e perdi meu caminho)

Now I know how it feels I'm alone again… (Agora sei como me sinto estou sozinho de novo)

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Bastava a mais leve e doce brisa para trazer de volta a ele, o cheiro da pele da Segundo-Tenente... e a saudade invadia seu peito, sem pedir licença... entrando sem bater... bagunçando seu mundo...

Tudo o que desejava dizer a ela, todos os argumentos para faze-la voltar, para fazê-la ficar, estavam entalados em sua garganta... entra a ponta dos dedos e a ponta de seu lápis... mas tudo o que saia era um suspiro...

Aqueles eram dias onde a explicação fugia a lógica e as palavras ficavam passeando soltas pelo céu do pensamento...

Steve sentia falta do corpo dela preso ao seu, preenchendo todos os espaços...

Estava quase amanhecendo e o loiro não conseguia dormir... Mary Crystal não saia de sua cabeça... seu sorriso... suas covinhas... seu olhar esverdeado... não tinha como apagar... deletar... como a esqueceria...?

O Capitão sempre se lembraria de cada um que passou por sua vida e lhe marcou de uma forma boa ou ruim, era inevitável, mas... com ela era diferente... porque desejava dançar com Kiara mais uma vez... uma última dança...?

E Mary Crystal nunca saberia sobre a vontade que ele tinha de montar em sua moto naquele momento, tentar seguir o rastro de seu perfume, encontra-la em sua frente e chegar beijando seu pescoço...

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Mas sabia que o desejo o acompanharia quando voltasse para casa... muito... muito mais forte que sua nobreza em ter dito não para seus pensamentos e anseios...

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Horas depois do mesmo dia, os Vingadores faziam mais uma reunião sobre as novas etapas da missão de construção da máquina do tempo, mas... Steve não tinha chegado ao horário marcado, sendo ele sempre pontual...

Mas todos sabiam que o motivo daquele atraso tinha um nome: Mary Crystal Ellis.

— Estar apaixonado é um saco. Até as pessoas mais pontuais perdem a noção do tempo! – Tony reclamava com Natasha, Clint, Bruce e Thor, explicitamente falando de Steve.

— Acho que ele devia desencanar. – O Gavião Arqueiro sorria, achando o máximo que finalmente aquela diabinha havia ido embora e deixado o Capitão em paz.

— Com a Agente 13 marcando em cima do Capicolé todos os dias, ele vai acabar conseguindo mesmo. – Tony redarguia, não gostando da situação.

— E daí...? – Banner retorquia, achando falta de educação falarem mal das pessoas por trás.

— Eu prefiro a Kiara. Quem aqui prefere ela também? – O Homem de Ferro começava uma espécie de votação, totalmente sem sentido.

Todos ficaram em silêncio...

— Vamos começar pelo Agente Barton. – O bilionário apontava.

— Eu acho que o Capitão devia ficar solteiro. Relacionamentos são um problema... – Clint mais uma vez dizia o que achava.

— Bruce? – Tony apontava para o cientista.

— Vocês não têm nada melhor pra fazer além de ficar falando da vida amorosa dos outros? – O Doutor rebatia, não gostando daquela conversa idiota.

— Nat? – O gênio agora apontava para a Viúva Negra.

— Fico com a Sharon, porque pelo menos ela sabe o que quer. – A ruiva cruzava os braços, olhando seriamente para o Homem de Ferro.

Por ora, Natasha desistia do casal STARY e só voltaria a torcer por Mary, se ela retornasse a Nova York e se confessasse para Steve.

— Thor? – Agora ele apontava para o asgardiano.

— Acho que a garota que carrega o olhar de Nemesis é a melhor opção. Gosto dela, embora tivesse calafrios quando a via discutindo com o Capitão.

— Ahá! Dois contra um, Natasha! – Tony sorria, vitorioso.

— Isso não é uma votação, Tony. – A ruiva rebatia.

— Pois eu aposto que os dois pombinhos ficarão juntos... nada contra a tal Sharon, mas ela é uma mosca morta! O Capicolé precisa de alguém que bagunce o coreto e abale suas estruturas, pra dar um equilíbrio... porque é como eu e a Pepper... – O Homem de Ferro confessava, deixando todos confusos.

— Como assim? – Natasha o indagava.

— A Pepper é centrada, pé no chão, realista, sensata... e eu... bem, eu sou o extremo oposto... – Ele revelava algo tão obvio, que todos riram.

— E é por isso que ela vive ameaçando te deixar? – Bruce contestava, segurando o riso.

— Sim, mas isso não é um problema, pelo contrário. É assim que apimentamos nossa relação. – Tony afirmava, convicto de que sua relação estava ótima daquele jeito.

Thor ria, Bruce revirava os olhos e Natasha e Clint respiravam fundo. Estava virando rotina ouvir as groselhas de Tony Stark nas reuniões com os Vingadores.

E então, repentinamente, Steve chegava ali, correndo, com as roupas meio amassadas e o cabelo despenteado.

— Desculpem a demora! Eu tive... uns imprevistos...

Todos o observavam, um tanto assustados... desde quando o Capitão chegava atrasado numa reunião importante e naquelas condições?

— Olha Cap, depois dessa reunião, preciso conversar contigo, ok? Mas por ora, vamos começar. – Tony o avisava, e então, com todos os Vingadores ali, podiam continuar de onde paravam, já que o líder agora estava presente.

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Após a reunião, o bilionário parava Steve no meio do caminho do salão principal.

— Eu disse que queria conversar com você, então por que está indo embora?

— Aah... eu esqueci que queria falar comigo... – O loiro parecia estar mais distraído do que o comum e o gênio das Indústrias Stark fazia uma cara perplexa diante do que via.

— Céus... quem é você e o que fez com o verdadeiro Cap...!? – A careta do Homem de Ferro era assombrosa.

— Diga logo o que quer, Tony... – Steve respirava fundo, impaciente.

— Tá com pressa? Por quê? Sua parceira de discussão foi embora e agora você está o tempo todo sem ter o que fazer!

— É, talvez você tenha razão...

Tony o observava, ainda abismado...

Ele soube que Steve e Mary armaram o maior barraco na base da Força Aérea em Syracuse, antes de chegar lá para leva-lo de volta a Nova York.

— Como você pôde...? – O gênio das Indústrias Stark fazia uma espécie de pergunta, mas com uma expressão de indignação.

— Como eu pude o quê...? – O Super Soldado arqueava uma sobrancelha, não entendendo.

— O que você disse a Mary pra ela sair correndo sem se despedir de ninguém aqui...?

— Eu... só tentei convencê-la a não ir embora, mas não deu muito certo... – O Capitão fitava o chão, desanimado.

— Você é mesmo um inútil, Rogers... – Tony balançava a cabeça, decepcionado.

— Eu sei... – Steve concordava.

— Você também é um idiota! Deixou a sua alma gêmea ir embora e agora sua vida está virada de cabeça pra baixo! Olha só essa camisa! Tá toda amassada e... você está com uma feição horrível! Não está dormindo direito!?

— Olha, estou plenamente ciente de que cometi um erro, então não precisa esfregar essas verdades tão duras na minha cara... – O loiro se defendia.

— Aposte sua bunda patriótica que você cometeu o maior erro da sua vida! – Ele cruzava os braços, encarando Steve com raiva.

— Mas não há nada que eu possa fazer para mudar isso, Stark... – O loiro redarguia, totalmente derrotado e com um semblante triste.

Naquele momento, Tony sentia pena dele, apesar de tudo...

— Bem... acho que era só uma questão de tempo que a cachinhos dourados fosse embora, afinal, ela tinha uma carreira na Força Aérea...

— Isso não devia ser um problema... – O Super Soldado confessava, num tom melancólico.

— Se tivesse me ouvido, podia ter enlaçado essa garota através do ‘fondue’, mas eu sei que sobre assuntos sexuais, você tem um alcance emocional de uma criança de dez anos...

— Você queria que eu tivesse tomado iniciativas mais ousadas? Sabe que esse não é o meu estilo...

— E daí? Devia ter tentado de tudo pra segurá-la, mas não, preferiu ser o senhor certinho e agora está aí, sofrendo...

— Não estou sofrendo. Vou fazer de tudo para esquecê-la...

— Como? – Tony arqueava uma sobrancelha.

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Chamei a Sharon pra sair.

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— Você O QUÊ!??? – O Homem de Ferro praticamente gritou com Steve, deixando o loiro muito irritado.

— O que você queria que eu fizesse!? Não há outra forma!

— Quem mandou você marcar um encontro com essa Agente 13!? Você devia sair daqui agora e ir atrás da Mary lá no Colorado!

— Eu não farei isso. Ela não me quer por perto por vários motivos, mas principalmente porque deseja se dedicar somente aos seus sonhos e a sua carreira.

— E você acreditou, seu idiota!?

— Chega, Stark. Pare de se meter na minha vida pessoal. A reunião já terminou e estou indo embora. – E então, o Super Soldado virou-se de costas e saiu dali.

Tony observava Steve indo embora... e matutava algumas coisas em sua mente...

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Pelo visto, eu vou ter que dar um empurrãozinho pra esse casal teimoso se acertar... pela 3132447970º vez...

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Após algumas horas, mais uma sessão da Feiticeira Escarlate com o Soldado Invernal acabava.

Eles estavam fazendo progresso. Wanda conseguia ajudá-lo a se recordar de fatos importantes ao decorrer de todas aquelas décadas e que seriam entregues à Nick Fury, além de auxiliar James em suas noites de sono mal dormidas.

Sua mente estaria estabilizada um dia... era só questão de tempo.

Enquanto a garota se dirigia a porta, prestes a sair do apartamento de Steve, Bucky resolvia ligar o rádio, deixando que uma música tocasse...

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Rihanna – Diamonds.

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Wanda franziu o cenho, achando aquilo estranho da parte dele.

— Por que ligou o rádio e está me olhando com essa cara estanha? – Ela o indagava, confusa.

— Não gosta de Katy Perry, Lady Gaga, e Rihanna...? – O sargento achava que a impressionaria daquela forma, tentando ser... moderno...

— Não gosto de música americana... desculpe... – Ela respondia friamente, deixando-o um pouco decepcionado.

— E que tipo de música você gosta então? – Ele se aproximava, ficando frente a frente com a feiticeira.

A garota sabia que Bucky estava tentando usar de modismos para impressioná-la. Era ridículo, mas ao mesmo tempo engraçado.

Então, Wanda resolvia jogar o jogo dele.

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Os meus gostos são muito peculiares... você não entenderia... — Wanda brincava, usando a fala de Christian Grey, se referindo as suas reais preferências musicais.

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E James entendia lindamente a referência.

Então me mostre... — O soldado sorriu largamente, fazendo a menina rir.

— Gosto de músicas góticas... bandas como Within Temptation, After Forever, Tristania, Theatre od Tragedy, Nightwish...

— Uau… eu não tenho ideia do que seja isso, mas vou pesquisar e procurar para ouvir.

— São bandas Europeias. Nada americano...

— Você tem tanta raiva da América assim?

— Não é raiva... quer dizer... eu não sinto a mesma raiva como antes, mas não consigo me simpatizar tanto... prefiro manter as minhas origens... – A garota afirmava, fixando agora o olhar no chão.

— Certo, você não parece gostar de músicas populares, então devia ter te mostrado algumas bandas antigas que tocam numa estação de rádio que eu e o Steve gostamos muito. Talvez você se simpatize mais com esse gênero do que Rihanna...

— Talvez... – Ela sorria timidamente em resposta.

Bucky continuava a fitando, de modo intenso, e... o estômago da garota se contorcia diante daquele olhar ousado e sedutor...

E então, quando menos esperava, Wanda apenas sentia a mão de metal em sua direção, acariciando suavemente a parte de trás de seu pescoço.

Sua respiração engatou, e ela olhou para ele.

— Você está bem, bruxinha...? – O sargento a contestava, gentilmente.

A feiticeira não sabia se o rubor que subia por suas bochechas era raiva, vergonha, ou ambos... por que ele repentinamente se aproximava e estabelecia aquele tipo de contato?

Forçando manter seus olhos no rosto do soldado, e percebendo que James a olhava como se soubesse o que estava pensando, a garota tentava se manter impassível, para que o clima não ficasse ainda mais estranho...

Sua expressão derreteu... Bucky estava lhe deixando nervosa e... por um momento Wanda desviou o olhar para o braço de metal...

Era fascinante, tinha que admitir... de uma maneira científica, claro...

O soldado franzia a testa... estranhando a reação dela. As pessoas sempre estavam com medo dele, mas Wanda não... a garota não dava a mínima para o seu passado, especialmente porque sabia que ele nunca a machucaria, então porque parecia que ela estava diante de algo aterrorizante?

Ambos continuariam naquela situação, isso se Steve não tivesse entrado pela porta repentinamente e entendido tudo o que acontecia ali.

A mão do sargento ainda tocava o pescoço da garota, e o loiro flagrava a cena.

O Capitão respirou fundo, sem paciência.

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Pare de incomodar a menina, seu velho pervertido. – Ele advertia seu amigo, e o sargento se afastava, envergonhado.

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— Hey, Steve, era pra você defender a minha honra! Eu sou o seu melhor amigo!

— Defender a sua honra é uma causa perdida há muitas décadas. Agora deixe a Wanda ir. Ela está assustada, não está vendo? – Steve colocava sua jaqueta em um dos ganchos presos a parede, passando pelos dois.

Seu Punk idiota... – O soldado o xingava, num sussurro.

— Bem, então estou indo... – A feiticeira se afastava, totalmente envergonhada, procurando a direção da porta, até que quando girou a maçaneta...

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A garota dava de cara com Sharon Carter.

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— Hey, olá! – A Agente cumprimentava a garota, que apenas respondia com um baixo...

Olá... – Tímido, porém audível.

— O Steve está...? – A loira perguntava à tímida bruxinha, que assentia.

— Sim, ele acabou de chegar...

— Sharon? Você já está aqui? – O Capitão a chamava de longe.

— Sim, fui rápida dessa vez... – Ela sorria, mantendo-se na porta.

— Então já que você chegou, devemos ir agora.

— Aah... bem... já que seus amigos estão aqui, será que eles não podem vir conosco? – A loira questionava o Super Soldado.

— Ir para onde? – Bucky a indagava, confuso.

— Chamei o Steve pra tomar um café aqui perto, então pensei que você e a Maximoff poderiam nos fazer companhia também, o que acha? – A Agente sugeria, pegando o sargento e feiticeira desprevenidos.

— Por mim tudo bem, e quanto a você, bruxinha? Tem compromisso para agora tarde?

— Não... estou livre... – Ela redarguia, timidamente.

— Nós aceitamos! – Bucky sorria, segurando o ombro da garota, aceitando o convite de Sharon.

— Então vamos nessa. – Steve andava na direção da porta, com a chave do apê na mão, passando pelo amigo e tirando o braço dele de cima do ombro de Wanda.

E então, os quatro saíam juntos.

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Ao chegarem no local, os quatro se sentaram numa mesa ao lado da janela e fizeram seus pedidos.

— Eu vou ao toalete e já volto. – A agente 13 deixava os três na mesa, caminhando em direção ao banheiro.

Bucky que mantinha um sorriso dissimulado nos lábios, agora olhava com uma expressão assombrosa na direção do loiro.

— Seu pequeno idiota, o que está fazendo afinal!? – O sargento dava um tapa na cabeça de Steve, que devolvia um soco no ombro de metal.

— Pare de chamar minha atenção na frente da senhorita Maximoff! – O Super Soldado rebatia, com raiva.

— É sério, Punk, você vai mesmo sair com essa Agente agora!? Vai deixar a filha do Presidente de lado!?

— Ela foi embora e deixou claro que nunca mais quer me ver! O que eu deveria fazer!? Preciso esquecê-la! – Steve retorquia, impaciente.

— Pare de choramingar e corra atrás dela!

— Se queria me dar uma bronca, devia fazer isso quando estivéssemos a sós! – O loiro revidava com o outro soco, e Wanda observava tudo em silêncio.

— Eu não me importo de tratarem assuntos pessoais na minha frente... não estou prestando atenção, de qualquer forma... – Wanda assegurava, tentando manter seu olhar distante dos dois.

A garota mantinha uma expressão indiferente, mas no fundo, queria rir.

O herói Capitão América era forte, corajoso, intrépido e salvador da humanidade... mas a pessoa Steve Rogers era educada, reservada, e se comportava como um menino de quinze anos ao lado de seu amigo de infância.

As duas personalidades eram contrastantes... e Wanda achava Steve Rogers muito mais legal do que o endeusado Capitão América.

Era engraçado também como ele era um tanto inepto em falar com qualquer mulher que não fosse uma Vingadora ou Agente da SHIELD.

O enorme contraste a fez querer apertá-lo como se ele fosse um ursinho de pelúcia... um ursinho de 1,83 de altura, com uma força quadruplicada e que podia atirar qualquer homem de forte estatura a uns cinco metros de distância sem suar a camisa.

Céus... seus pensamentos estavam lhe assustando... e se Bucky descobrisse que estava pensando nisso, provavelmente faria o maior escândalo, já que o sargento tinha certos ataques de ciúme quando ela olhava para Steve, vez ou outra...

— Me desculpe por isso, senhorita Maximoff, mas já deve estar habituada as palhaçadas desse ser estúpido que está ao meu lado.

— Ah sim, eu estou... – Wanda segurava o riso, deixando que seus lábios se curvassem suavemente.

— Hey!!! – Bucky protestava, achando que ela e Steve se uniam pra ridicularizá-lo.

— Vamos parar de falar sobre isso? Logo a Sharon vai voltar e não quero mencionar nada sobre Mary Crystal na frente dela.

— Ah é!? Está com medo de falar sobre a garota especial da sua vida!? – James o provocava, sorrindo maliciosamente, lhe arrancando uma expressão de embaraço.

— Eu disse pra parar...

— Céus, Punk, vocês estavam quase namorando! Por que você tinha que estragar tudo!?

— Eu e a Mary quase namorando!? Você está delirando, Bucky!

— A filha do Presidente é um verdadeiro achado, seu idiota! O pouco que constatei, percebi que ela esconde ser uma garota doce, leal, engraçada, sádica e... um verdadeiro foguete na cama!

Steve e Wanda arregalavam os olhos ao mesmo tempo, tamanha ousadia de Bucky Barnes.

— Tenha mais respeito, seu idiota!!! – Steve o empurrava para o lado com força, fazendo com que o sargento se desequilibrasse e caísse do banco.

Wanda colocava a mão na frente do rosto, segurando uma risada, achando tudo aquilo muito engraçado.

— A bruxinha está rindo! Isso significa que acertei! Você leu a mente da Mary, não leu, Wanda!? Ela tinha sonhos eróticos com o Steve!?

O Super Soldado pigarreava, constrangido na frente da menina.

A feiticeira ficava em silêncio, não dizendo sim e nem não... mas se calando, consentindo que Bucky estava certo...

Era muito obvio que qualquer mulher na face da terra tivesse sonhos eróticos com o Capitão América, e desejasse apertar aquela bunda maravilhosa... todas, menos Wanda Maximoff, claro...

O loiro não sabia onde enfiar a cara, tamanho constrangimento.

Bucky sentava novamente ao lado de seu amigo, arrumando sua postura no banco em frente à mesa, até que...

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Tenho certeza que a filha do Presidente conseguiria levantar seu mastro sem problemas, Capitão América...

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BUCKY, CHEGA!!! – O loiro perdia a paciência com o sargento, que levantava as mãos para o alto, em pose de rendição.

— Ok, bandeira branca...!

— Sinto muito por essas palavras indecentes, senhorita Maximoff. – Steve se desculpava, tentando esconder o quão embaraçado estava.

— Ah, isso realmente não é novidade pra mim... apenas o ignore. Devemos tratar crianças com indiferença, e então elas ficarão quietas.

— Bruxinha, isso dói... – Bucky fazia bico.

— Fico mais aliviado por entender que esse idiota vive tendo um comportamento inapropriado de uma criança, do que a de um assassino com amnésia. – O Capitão redarguia de modo gentil, sorrindo ternamente para Wanda, que correspondia o sorriso.

Os lindos olhos azuis fitavam os verdes da feiticeira, e o sargento se sentia enciumado.

Parem de se olhar! Eu estou aqui!!!

E então, antes que pudessem esperar, Sharon voltava para a mesa.

— Sobre o que vocês estavam conversando!? – A loira sentava ao lado de Wanda e sorria largamente para Steve e Bucky.

— Estávamos conversando sobre quem será a garota de sorte que fará o meu amigo perder a virgindade... – O sargento sorria provocantemente, sentindo o forte cutucão que Steve lhe dava, a ponto de ser jogado para fora da mesa mais uma vez.

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Os quatro permaneceram conversando até o anoitecer, mas resolviam se despedir depois de todo aquele tempo juntos.

Steve ficava de levar Sharon para casa, e Bucky levar Wanda, embora soubesse que ela não corria perigo em canto nenhum, pelo contrário... ai de qualquer homem que se aproximasse da Feiticeira Escarlate... com certeza seria arremessado vários quarteirões a frente, por conta de seus poderes com telecinese.

E do outro lado, o Capitão caminhava ao lado de Sharon, por uma das calçadas da rua.

Tudo estava muito silencioso e escuro...

A Agente aproveitava a relativa sensação de paz na companhia do Super Soldado, olhando para o céu, mas... seu delírio era interrompido por uma brisa congelante que chegava repentinamente, lhe arrancando calafrios, afinal, o outono havia chegado.

Ao notar que Sharon parecia sentir frio, Steve imediatamente tirava sua jaqueta.

— Fique parada por um momento. – Ele pedia gentilmente, colocando a jaqueta de couro nos ombros femininos.

A loira reprimia a forte sensação de se contorcer diante do toque dele.

— Obrigada, Steve. Você é sempre tão cavalheiro... – Ela agradecia, se sentindo aquecida.

O loiro sorria timidamente, desviando o olhar desconsertado para a Avenida.

— Você parece um pouco incomodado com minha presença... – A Agente mantinha o sorriso satisfeito nos lábios.

— Bem... confesso que depois que descobri que você era sobrinha da Peggy, as coisas entre nós parecem mais estranhas... e... eu me sinto como aquele garoto idiota dos anos 40...

— Por quê...? Até onde sei, você não era um rapaz desagradável, mesmo antes do soro. E isso quem me disse isso foi a tia Peggy. – Sharon revelava, deixando-o ainda mais encabulado.

— Às vezes tomo um choque de realidade e tenho que me olhar no espelho para me convencer que não sou mais daquela forma, fisicamente... ainda que seja o mesmo por dentro... – Steve passava a mão direita pela nuca, um pouco envergonhado de confessar aquilo.

— Eu gosto de você pela pessoa que você é... e se você é aquele menino magrelo e tímido dos anos 40, então não tem importância. Não é a embalagem que conta, mas o conteúdo... entende...? E você... é como um presente especial pra mim...

O Capitão mostrava que estava incrivelmente comovido por aquelas palavras.

Sharon era sincera no que dizia... não escondia nada e conseguia dizer tudo o que sentia com facilidade, sem transformar o momento num suplício duvidoso que o confundia...

Obrigado... – Ele agradecia em voz baixa, mas...

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O Super Soldado não sentia aquele calor no peito ou o formigamento no estômago... não sentia suas mãos e joelhos tremerem, nem a respiração pesada... estar com Sharon era diferente de estar com Mary Crystal... Sharon não lhe causava medo, não lhe intimidava, não o deixava nervoso, não abalava suas estruturas...

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Sua presença lhe incomodava pelo fato de ser parente de Peggy... apenas isso...

— Não sei se vai achar válido o que vou te dizer, mas... muitas mulheres preferem homens mais tímidos...

— É mesmo...? – Ele sorria gentilmente, surpreendido com tal afirmação.

— Sim, e... confesso que você me conquistou por ser assim... aliás, você me conquistaria de qualquer forma, porque o seu interior é muito mais extraordinário do que o seu exterior... – A loira revelava, sentindo seu rosto começando a esquentar.

Embora as palavras de Sharon não surtassem o efeito que Steve esperava, ele sabia que o mais sensato era investir e tentar se aproximar dela, de todas as formas possíveis.

— Então me conte... como foi isso...? – O loiro indagava, deixando-a levemente acanhada.

— Acho que foi um dia em que saímos pra tomar café em Manhattan, perto da torre dos Vingadores. Você me confidenciou alguns fatos sobre a segunda guerra e de como agiu na linha de frente... de como você se importava com a vida das pessoas... de como se arriscou e de como tudo terminou... – A loira redarguia, se recordando da imagem que ficava gravada em sua memória...

Os cabelos dourados de Steve sobre o brilho do sol daquele dia em que se recordava... e os penetrantes olhos azuis em tons de turquesa... tão suaves e angelicais...

Os dois caminhavam lentamente, até chegarem em frente ao prédio onde ela morava.

A Agente se virava, tirando a jaqueta dele de seus ombros lentamente, com cuidado, como se fosse um artefato sagrado...

— Obrigado por me levar até em casa e me emprestar sua jaqueta...

— Foi ótimo conversar com você hoje, Sharon... e... gostaria de saber se você não está a fim de outro café em breve... – O Capitão sorria, a convidando para saírem novamente.

— Você sabe que sempre aceito... por que ainda pergunta?

— Bem, esse é o meu jeito... – Steve piscava, ainda sorrindo e a fitando gentilmente.

— E quanto ao nosso encontro oficial...? Ainda está de pé?

— Claro... eu jamais voltaria atrás...

— Fico feliz em saber que você está tentando recuperar a sua vida... eu realmente pensava que você nunca esqueceria a tia Peggy...

— Ela me incentivou a isso, então, acho que a culpa é dela.

Os dois riram juntos, se recordando de como Margaret ainda estava ativa como uma agente de elite, mesmo sendo uma idosa.

— Então... boa noite, Steve... – Sharon dava um passo na direção dele, ficando na ponta dos pés, e plantava um beijo caloroso na bochecha do Super Soldado.

O aroma de loção pós-barba penetrava suavemente suas narinas...

— Boa noite, Sharon... – O loiro se afastava, acenando e virando de costas.

A loira o contemplava de longe, deslumbrada... como era possível que um homem como ele fosse tão adorável? Pensava, antes de entrar em seu apartamento.

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No meio do caminho, um quarteirão antes de chegar em seu apartamento, Steve encontrava Sam Wilson.

Os dois se cumprimentavam informalmente e sempre com sorrisos genuínos na face.

— Deixa eu adivinhar... você veio pra cá pra assistir a próxima partida dos Rockies!? – O loiro brincava, mostrando surpresa por ver seu amigo e terapeuta amoroso ali, aquela hora da noite.

— Não... na verdade vim para Nova York para resolver umas questões da Força Aérea e decidi passar pra te visitar. Aí encontrei com Bucky e ele falou que você estava pelas redondezas, mas voltaria em breve.

— Fui levar a Sharon pra casa. – O Super Soldado dizia despreocupadamente, porque diferente de Bucky que sempre lhe aborrecia com piadas idiotas, Sam sempre o ouvia e falava ponderadamente, com piadas bem leves.

— A Agente 13 é uma gata...

— Sim, ela é... – Steve concordava, sem corar, o que para Sam, era algo bem estranho.

— E você gosta dela...?

— Acho que sim... – Ele sorria suavemente, sem mostrar constrangimento.

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Mas não gosta dela como gosta da Mary, certo...?

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E de repente, o semblante alegre de Steve derretia, dando espaço para uma expressão triste...

— Eu sou tão transparente assim...?

— Cara... eu acompanhei tudo de perto desde o início. Esqueceu que quando você conheceu a Mary, eu estava do seu lado? – O Falcão o relembrava da festa dos Veteranos, de meses atrás.

— Sim...

— Eu também sei que você tentou impedi-la de voltar para Colorado Springs, mas não teve êxito.

— Quem te contou? – O loiro arqueava uma sobrancelha.

— Os caras da base de Syracuse...

— Uau... você sempre está informado sobre tudo...

— Só quando meus amigos estão envolvidos, e você e a Mary são meus amigos. – O Falcão tocava o ombro do Capitão, num gesto de companheirismo.

— Suas palavras são sempre reconfortantes...

— É por isso que estou aqui... então me diz, como estão as coisas agora que a fadinha partiu? Está difícil, certo?

— Eu não tenho conseguido dormir direito... às vezes esqueço do horário de alguns compromissos e saio de casa atrasado e desarrumado.

— Isso nunca aconteceu?

— Nunca... – Steve revelava, arrasado e decepcionado consigo mesmo.

— Bem, eu acredito que a Mary também esteja sofrendo...

— Eu duvido... ela não sente o mesmo por mim...

— Por que acha isso?

— Porque a Mary escolheu ir embora pra nunca mais me ver, sem nenhum motivo lógico que me convencesse totalmente... então, acho que no final, ela apenas colocou todos os sonhos e sua carreira acima de mim, o que claramente é a prioridade dela.

— Está dizendo que se ela gostasse mesmo de você, optaria por ficar ou conciliar sua carreira?

— Sim...

— Bem... pelo que conheço da Mary, ela é uma pessoa muito complexa que se fechou para o mundo e as pessoas por medo de se decepcionar. Sempre foi assim...

— Por quê...? Ela me disse que não há nada traumatizante que tenha acontecido.

— Isso é um mal do século 21, Cap... muitas pessoas preferem se fechar por medo de se magoar, bem diferente de você, que mesmo com suas debilidades, encarava o perigo de frente, se arriscando...

— Eu...?

— Sim. Você não apanhava nos becos o tempo todo? A Mary não conseguiu lidar com isso quando era uma garotinha fraca. Ela desenvolveu um ódio descomedido de todos ao redor que praticaram bullying com ela.

— E o que isso teria a ver comigo?

— Ela tem medo de se abrir para o amor. Deve pensar que pode não dar certo e ser desprezada e abandonada.

— Eu jamais faria isso...

— Claro, porque a sua mente é bem antiga, mas vivemos numa época em que relacionamentos são facilmente descartáveis. As pessoas não gostam de resolver problemas e focar na solução, gostam de se separar e partirem para outra, como se o problema fosse sempre o parceiro e nunca si mesmos... é o modismo da prática do ‘desapego’. Ninguém faz uma autoanálise diária pra saber o que há de errado. – O Falcão assustava Steve com aquelas palavras.

Então, os relacionamentos do século 21 eram tão quebráveis e substituíveis assim?

— Isso é chocante, porém, não acho que seja certo. Quando se ama, o amor é pra sempre.

— Depende... hoje em dia o amor eterno dura no máximo três meses! – Sam sorria divertidamente para Steve, que sabia que o aviador era com certeza uma enciclopédia e um manual do mundo moderno na maior parte das vezes em que conversavam.

— Espero que isso não aconteça comigo... – O loiro replicava, totalmente desanimado.

Os dois começavam a caminhar, rumo ao apartamento do Super Soldado.

— Olha pro lado bom, a Sharon é sobrinha da Peggy! Vocês já possuem um vínculo forte!

— Estava pensando nisso... será que conseguiria ficar com uma mulher que concorde em tudo comigo...?

— Como assim, cara...? – Sam franzia o cenho, estranhando aquilo.

— Acho que gosto de mulheres com opiniões fortes, que falem o que pensam, sem filtros...

— Personalidade forte, temperamental e competitiva? – O Falcão completava.

— Exato...

— Por quê? – O aviador tornava a perguntar, mesmo sabendo a resposta.

— Porque não é fácil... e gosto de me sentir desafiado... – Steve confessava, suspirando fundo.

— Certo... então, se não é a Sharon, quem vai te desafiar...?

— Acho que ninguém... – O loiro bufava, com ódio de si mesmo... ele sabia exatamente quem o desafiaria, mas essa pessoa não aceitaria esse papel nunca mais...

— Ai ai... hoje entendo quando diziam pra mim que amizade de verdade é aguentar amigo apaixonado... – O Falcão dava um soco leve no ombro do Capitão.

— O primeiro dever de um homem apaixonado é se comportar como um idiota, eu sei... — Steve sorria, desanimado.

— Se está se sentindo assim, não acha melhor ir atrás dela?

— Por que eu deveria? A Mary praticamente me expulsou de sua vida... me humilhou e... que perfeito, ela não sabe pedir perdão e eu não sei perdoar!

— Sério...? Uau, o Capitão América é um homem amargurado! Por essa eu não esperava!

— Eu vou seguir fingindo que não me importo, da mesma forma que ela também finge não se importar...

— Então vocês dois nunca vão se reencontrar mesmo...

— A Mary pode ser insubstituível, mas não é insuperável...

— Será...?

— Sim. Prefiro não ter nada, do que ter só a metade...

— Normalmente eu ficaria do lado da Mary, mas se ela foi idiota o suficiente para ir embora e te abandonar, então seja inteligente o suficiente para deixá-la ir...

— Estou fazendo isso...

E então, ambos continuaram caminhando pela calçada por mais um tempo antes de se despedirem.

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No dia seguinte, Mary Crystal se encontrava com Amber na pista em frente a academia da Força Aérea. As duas fariam alguns testes com dois aviões caça.

Enquanto se preparavam, sua amiga notava o rosto pálido e inexpressivo dela, que parecia muito desanimada, mesmo depois de voltar para Colorado Springs há quase um mês.

Ambas trajavam seus uniformes oficiais, óculos de aviador, além de dog-tags com seus nomes e número de identificação.

Kiara parecia um zumbi inexpressivo... sua feição congelada assustava todos que tentavam chegar perto dela.

Mas Amber a conhecia... sabia o que se passava com sua amiga, e então, resolvia provoca-la, apenas para ver se a mesma esboçava alguma expressão humana, porque seu rosto estava muito aterrorizante.

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Por que você tá com essa cara...? Saudades do Capitão América...?

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— Claro que não... – Mary respondia sem mudar em nada sua expressão

— Você não é mais a mesma Kiara de antes de conhecer o Capitão...

— Eu não sei do que você tá falando, Amber...

— Você não quer mais estar aqui em Colorado Springs, diz a verdade...

— Está enganada. Essa é a minha vida e eu a recuperei. Conhecer o Capitão América e estar no meio da SHIELD e dos Vingadores foi apenas um terrível contratempo que eu quero esquecer.

— Sério...? Eu aposto que não.

— Aposte o que quiser. Eu não me importo.

— Você nunca agiu dessa forma antes, e desde que te conheço, você sorria todos os dias.

— Foi uma experiência deprimente, Amber... não tenho motivos para sorrir. – A garota terminava de arrumar a mochila que levaria para o caça.

— Ok... continue mentindo pra si mesma, porque um dia você vai notar que não é mais a pessoa durona, corajosa, espontânea, ousada, louca e divertida que pensou que fosse.

E então, Amber deixava sua amiga ali, partindo para a pista principal da base.

Ao observá-la lhe deixando ali, Kiara olhava para frente, notando todos os aviadores esperando pelas duas, para que pudessem começar o teste aéreo.

A Segundo-Tenente suspirava pesadamente... se sentindo estranha...

Mary tentava ser forte todos os dias, a cada minuto e segundo. Tentava não olhar para trás, respirar fundo e seguir em frente... ela tentava esquecer as coisas que passou e fingir... ela tentava, mas estava falhando miseravelmente...

A sensação de estar definhando e deixando sua energia se esvair aos poucos ao longo dos dias e semanas, era sufocante...

A loira olhava para o lado e sentia uma saudade imensa, doída, desesperançada e até cínica... saudade de alguma coisa ou alguém... um certo alguém...

Tentava não pensar naquilo, não considerar, não se importar, não gostar, não amar, não voltar atrás, não repensar, não lembrar, ignorar, se manter distante e superar, mas... simplesmente não conseguia...

Parecia que o tempo não passava nunca... mas passou, muito lentamente... o tempo sempre passava e a única certeza que tinha, era a morte... só que hoje não queria pensar na morte... queria pensar na vida... na sua vida velha dentro da Força Aérea Americana... o verdadeiro sentido de tudo... sua carreira militar brilhante... os seus sonhos... no entanto...

Quem dera um esforço de conscientização resolvesse tudo... “Não gosto mais dele, não quero mais saber dele, desapareça, um, dois, três e já!”

Sim, doía... principalmente quando fechava os olhos e ainda via Steve Rogers em sua frente, com aquele sorriso que parecia tão... seu...

A Segundo-Tenente tinha um milhão de motivos para fugir de pensar nele, mas em todos os lugares, o Capitão ia com ela...

Esse era o seu maior problema: Mary não conseguia parar de pensar nele, tentando esquecer tudo o que o Super Soldado havia feito e lhe dito antes de partir de vez para Colorado Springs... e talvez ela não tivesse relembrado toda a cena, umas duzentas ou trezentas vezes...

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Steve Rogers estava apaixonado por ela... o que era impossível e totalmente inacreditável se ele mesmo não tivesse confessado...

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Kiara tinha os maiores detalhes do Capitão espalhados por todos os cantos de si mesma... o sorriso dele lhe contornava os lábios, e entre seus dedos ficaram as digitais do Super Soldado... seus corpos estavam marcados um no outro...

Ela passou por ele, decorou tudo como se fosse seu e então, partiu...

A loira ainda tinha aquele pequeno bilhete e a rosa champanhe que Steve havia deixado na mesa daquele café da manhã que preparou para ela em Newport Beach... ela guardava aquelas lembranças num pequeno plástico... e ainda que a rosa estivesse seca e o bilhete meio amassado, os guardava como um tesouro...

Quando parava para pensar, não haviam tirado nenhuma foto juntos... e eles tiveram tempo para isso...

Não possuía sequer uma fotografia para que pudesse olhar e chorar, quando o desespero aparecia...

A garota suspirava melancolicamente...

Porque Mary sempre foi um sussurro, enquanto a voz de Steve era um grito de liberdade... e ela, que sempre quis imitar seus atos, desde criança, era agora apenas um pássaro preso numa gaiola... ainda que voasse nas mais extraordinárias aeronaves da Força Aérea Americana...

E ela voava... seguindo a brisa do que chamava de destino, planejado por si mesma...

O vento a levava para outras direções... para outro universo... por caminhos opostos aos dele... para longe dele...

Finalmente Kiara tinha ido embora... e na verdade, a única coisa que a garota sempre estava fazendo, era ir embora, de todos os lugares, de todas as pessoas, de todas as coisas que julgava lhe fazerem mal... ela não estava esperando nada a não ser o tempo de sair de onde estava, para longe de tudo...

Mary se perguntava se Steve também pensava nela de vez em quando... apenas para não se sentir tão patética por pensar nele o tempo todo...

Porém...

Por que as coisas só ficavam claras quando eram tarde demais...? Não gostava de confessar aquilo nem para si mesma... mas... a lembrança do Super Soldado era a única que lhe assombrava... ele ia com ela para todos os lugares... e mesmo em pensamento, vivia fugindo dele...

Steve provavelmente sairia com Sharon, e honestamente? Mary não tinha certeza se o veria novamente... mas apesar de odiar admitir isso, esse mesmo pensamento a deixava sem fim e à beira de um abismo...

Se havia voltado para sua vida, por que continuava tão imersa naqueles pensamentos? Por que sempre acabava voltando para onde Steve estava? E por que a imagem dele com Sharon lhe fazia sofrer tanto? Por que imaginá-los juntos causava uma dor tão excruciante?

“Chega... para que isso...? Se ele estiver com ela agora, e daí? Os dois não tinham mais nada a ver, certo?” — Mary pensava...

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“Por que você não sai um pouquinho da minha cabeça e vai passear, Steve Rogers!?”

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A garota dizia para si mesma o tempo todo, essa mesma frase.

Ontem, a Segundo-Tenente sentiu a necessidade de ver aquele lindo sorriso... e ontem ela quis desesperadamente um abraço dele...

Ontem, ela sentiu seu paladar imergir ao projetar um beijo com ele... e ontem ela derramou algumas lágrimas, inconformada...

Ontem, ela pensou em ligar pra ele, só para ouvir sua voz... e ontem, ao cair da chuva, desejou estar agarrada a ele, a protegendo contra os trovões...

Ontem, ela sentiu seu estômago revirar e seu apetite desaparecer...

Ontem, ela apenas agarrou seu travesseiro e chorou baixinho... porque não suportava ficar longe dele...

Era saudade... porque ontem, Mary Crystal queria Steve Rogers de qualquer forma... ontem, porque hoje tinha de fingir que ele não existia...

No entanto, não podia continuar sofrendo daquele jeito...

Mary já havia matado alguns sentimentos em legítima defesa, então... teria de ser assim de agora em diante também... porque depois de muito tempo juntos, bem envolvidos e nada resolvidos, ela e o Capitão nunca mais se veriam de novo... esse era o destino certo...

A garota terminava de se aprontar, e passava a caminhar para a pista da base...

“Eu vou superar...! Nem que seja daqui a cem anos, mas eu vou!”

Chegando à pista, alguns de seus companheiros faziam piadas idiotas, e tudo o que a garota dizia era...

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A abstinência será tão difícil que terei vontade de matar alguém, então orem para que seja apenas saudade...

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