Nem só de Inverno Vive a Russia

1 Por trás da frieza há um coração


Notas iniciais
Nomes usados aqui, caso alguém não lembre(tipo eu, hehe). Natalia Arlovskaya = Belarus Ivan Braginski = Rússia Yekaterina "Katyusha" Braginskaya = Ucrania Raivis Galante = Letonia Toris Lorinaitis = Lituania Eduard Von Bock = Estonia Yao Wang = China Leiam as notas finaais!

"CREDO, BRAGINSKI! Você fica pior a cada dia que passa, fique longe de mim!"

A reclamação vinda de um quarto podia ser escutada por quem estivesse na casa, como Natalia estava furiosa pela presença da pessoa que reclamava, e os três Bálticos morriam de medo de chegar perto do quarto de Ivan, a única que poderia se preocupar era Yekaterina, que estivera de saída, mas que a preocupação não permitiu ir embora. A menina estava sentada na sala, espiou o final do corredor, a porta do quarto aberta, e logo viu o visitante apressado sair e bater a porta, logo correndo para fora da casa e fechando a porta do mesmo modo barulhento. Yao não estava bem. Ela esperou algum tempo, para ver se o irmão sairia do aposento, mas nem sinal dele.

*Toc Toc Toc!*

- Ivan-san! — a garota chamou, baixinho, enquanto abria uma fresta da porta do quarto do irmão.

- Entre.. — Ivan estava sentado na cama, olhando para as próprias mãos sobre o colo, quando a irmã parou em pé à sua frente, olhou para ela e sorriu. — achei que já tivesse ido, Katyusha. — disse ele, educado.

- Ah, eu já devia ter ido... — ela respondeu, com medo do que seu chefe faria se soubesse que ela estava com o irmão, mas controlando com esforço esse temor.

- Mas, achei que pudesse precisar de mim aqui.

- Que é isso, Ucrania, porque eu iria precisar?

- Ah, irmão, não se faça de bobo, eu ouvi o escândalo que o Yao fez na saída...e você ficou trancado aqui...e já faz algum tempo que você não parece muito bem.

O brilho dos olhos de Ivan diminuiu, e ele baixou o olhar, desviando-se da irmã.

- Ahn, não foi nada, eu tô acostumado, todo mundo parece me evitar mesmo. — ele tentava convencê-la de que não havia nada de errado.

- Ah... Ivan, eu sei que eu fico distante de você quase todo o tempo, mas...presta atenção. — a menina se ajoelhou na frente do irmão e segurou as mãos dele com as suas duas, encarando-o séria e atenciosa. — nesse momento, eu to aqui, se precisar de mim, você pode confiar. É meu irmãozinho, e eu te amo muito.

O rapaz deu um meio sorriso, agradecido, não conseguia mesmo esconder o peso que carregava, a dor que sentia há tanto tempo.

- Está certo, Nee-san, eu gostaria de dizer então o que tem me atormentado... — Ivan falava baixo, olhando para as mãos dadas dos dois.

A menina levantou do chão e soltou as mãos do irmão, sentando-se então ao lado dele.

- Ok, sou toda ouvidos, irmãozinho.

Ivan ficou em silêncio por alguns instantes, tentando decidir como começaria a fala.

- Ah, bem, vamos começar pelas boas memórias. Antigamente, você se lembra, tinhamos uma vida ótima, eu, você e Natalia, três irmãos com uma vida feliz e tranquila...aí, acabam as boas memórias. Começamos a nos afastar, você foi levada pra longe de mim, e a Natalia...bom, ela ainda está por perto, mas só é agradável quando não está tentando matar ninguém. — ele fez uma brevíssima pausa, e suspirou. — Talvez, uma das razões de minha solidão aumentar, mas claro que não a principal delas...só...mais uma.

- Ah, irmãozinho, eu sinto tanto a sua falta...mas nem posso imaginar a sua situação... — Yekaterina olhava para o irmão, paciente e compreensiva. Passou o braço atrás da cintura dele, o abraçando e escorando-se nele levemente.

Fazia tanto tempo que ele não recebia um abraço tão verdadeiro, que sentiu aquele como a coisa mais preciosa do mundo, era tão amável e tão inocente que o fez pensar que todo seu sofrimento poderia acabar naquele momento, mas logo voltou à realidade.

- Depois de vocês se afastarem, todos os outros com quem eu falo parecem metemer, eles realmente não me dão mera chance de me aproximar. Nem mesmo o grupo dos Aliados, onde todos deveriam ser ALIADOS, me aceita tão bem. Toris, Raivis e Eduard que deveriam estar do meu lado, tremem de medo quando eu entro na mesma sala que eles. Sei lá, o mundo todo deve pensar em mim como Lobo Mau, sabe, "sou o Lobo Mau, Lobo Mau, Lobo Mau, eu pego as criancinhas pra fazer mingau." Ter uma ideologia diferente tem me impedido de ter amigos, de conhecer qualquer um. Eu não tenho como desistir dela agora, e portanto, serei sempre visto como um pesadelo, e nunca como um ser humano. — os olhos cor de violeta do rapaz estavam marejados de lágrimas, sua voz, trêmula. Nunca, mente alguma, além da daquela que o via agora, imaginaria tal cena. Rússia, aquele homem tão confiante, por vezes tão misterioso, e como ele mesmo diz, até considerado assustador, agora tão vulnerável e inseguro, tão triste e profundamente magoado.

- I-ivan... — até mesmo a irmã se surpreendeu ao ver as lágrimas escorrerem pelo rosto do russo, e ela se esforçava para não chorar com ele, precisava ser forte agora que o irmão estava naquele estado. — E-eu nem imaginava que estava tão magoado assim...

- E agora, além de toda essa desgraça, de toda essa gente contra mim, de todo esse preconceito e de esquecerem que sou humano também... agora, um dos poucos que se aproximava de mim, o único que não tremia de medo e que poderia concordar com algo do que eu penso, até esse, correu porta a fora... alguém o virou contra mim, e sem mais nem menos ele simplesmente me mandou ficar longe. Alguém... ou os boatos todos de que eu sou horrível. Foi realmente a gota d'água, agora estou totalmente perdido.

Katyusha passou a mão suavemente no rosto do irmão, secando um pouco de suas lágrimas.

- Irmão... — mas ela foi interrompida.

- Tudo bem, Katy, não precisa dizer nada mais, você já me ajudou muito só estando ao meu lado agora. Obrigado.

- Eu virei, sempre que puder.

O russo sentia que alguém o olhava, ergueu o olhar, notando algo incomum, sua irmã mais nova estava parada na porta assistindo. Natalia. A parte estranha? Ela não tinha o olhar maníaco e possessivo de sempre ao olhar para ele, tinha, no lugar disso, os olhos marejados de lágrimas, que escorreram quando ela piscou antes de correr ao encontro dos dois, pular na cama e os abraçar.

- Ivan, Katy, eu amo vocês dois, eu quero uma vida feliz também. Irmão, me desculpa...

- Calma, Natalia, tudo bem, agora, pelo menos por esse instante, vocês me fazem não me sentir nem um pouco sozinho.

- Iv, eu vou tentar pegar mais leve com o Yao, mas eu não posso desistir de você e...

- Bel! Que comentario é esse?! — Yekatearina a repreendeu e Ivan voltou a falar.

- Deixa, Katyusha, deixa ela, deixa... — Ivan sorria, não como fazia para tentar ser agradável, mas sorriu do fundo do coração, por se sentir querido depois de tanto tempo. (E, é claro, ele gostou de ouvir que o Yao seria um pouquinho sequer mais poupado dos atentados da irmã.)

- Eu posso ajudar, com esse tal... — Yekaterina sussurrou, rindo baixinho.

Os três continuaram o abraçados, sentados ali, até que as lágrimas acabassem e secassem, e todos voltaram ao seu dia-a-dia, com um quê a mais de família no meio das cotidianas palavras frias.

"Nosso verão é inverno

Não lamente, todos vão voltar

E esquecer as lágrimas

O sol vai nascer de manhã

E irá aquecer o seu caminho

Não acreditem naqueles que dizem

Que inverno é o nosso tempo

E que o verão acabou

Você criou isso pra si mesmo

Que nosso verão é inverno

Nosso tempo é de inverno

Inverno o tempo todo"

Notas finais
Minha intenção ao escrever isso foi, obviamente, defender o Ivan das mentes que acham ele assustador. Foi o resultado de uma tarde com a Sih dizendo que ele come criancinhas. INJUSTIÇAS. Ivan também é gente, e ele é muito amor.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!