Nem Tudo é Ganância

9 ♕ Capítulo Nove ♛


Estou deitada na cama olhando pela janela, a noite tomou conta da cidade, a única claridade são as estrelas e a lua, que hipnotizam os olhos de qualquer um, mas os meus estão pesados. Já estou de camisola, hoje dormirei confortavelmente.

Sinto uma trilha de beijos em minhas pernas, subindo por toda a camisola, logo vejo o autor dos beijos, Juan.

Encontra minha boca e gemo ao tocar seus lábios nos meus. Minha pele se arrepia enquanto passa suas mãos por meus braços e seios. Estou inflamada por uma chama ardente.

Fecho os olhos.

Logo sinto mais beijos em minhas pernas e mãos descobrindo minha pele. Em seguida sinto o frio da noite. Estou completamente nua. Minha pele esquenta mais ainda, apesar de estar descoberta. Os beijos sobem por meu corpo.

Abro os olhos para olhar Juan, que finalmente esqueceu toda essa história idiota de casar com rei e me tornará sua.

Vejo cabelos loiros em sua cabeça, mas logo esqueço, os beijos são maravilhosos.

Encontra meus lábios novamente, mas agora seu beijo esta ainda mais doce, mais apaixonado. O beijo é interrompido e vejo Thomas me olhando com sede de mim. Ele se senta, monto nele e recupero seus lábios, mas ele interrompe o beijo e encontra um dos meus seios e começa a sugá-los. Solto um gemido.

Isso tudo é maravilhoso.

Ele passa suas mãos em minhas costas e arranho as suas. Sinto mãos passando por meus braços e abro os olhos. Vejo Juan me olhando sorrindo, retribuo o sorriso e ele captura meus lábios enquanto Tommy continua aquela tortura em meus seios.

Está tudo tão bom. Tudo tão perfeito. Mas... Isso não está certo.

Franzo a testa. Interrompo o beijo e afasto Thomas. Os dois sorriem para mim.

— Por que os dois estão aqui?

— Porque você quer. — Juan responde.

— Não, claro que não.

— Claro que sim. Você não sabia qual dos dois queria. — Thomas fala.

— Então decidimos ficar os três juntos. Assim não precisará escolher. — Juan continua.

— Não, não, não. — falo balançando a cabeça.

Eles se aproximam. Thomas beija meu pescoço e Juan toma conta de todo meu corpo.

— Isso não pode esta acontecendo. Não, não...

NÃO!

Acordo gritando e a porta é aberta logo em seguida por meus pais. Sento e olho para ver se estou vestida, respiro aliviada por estar.

— O que houve filha? — minha mãe pergunta preocupada.

— Um pesadelo, mas já passou.

— Tem certeza? — pergunta com uma nota de "quero saber com o que estava sonhando".

— Tenho sim. — falo e sorrio para eles.

— Vamos querida, não foi nada, ela só esta abalada com queda.

— Isso mesmo mamãe.

— Bem... Se precisar de mim é só chamar. Durma bem. — beija minha cabeça, logo meu pai faz o mesmo e saem do quarto fechando a porta.

Como fui sonhar com algo assim?

Me jogo na cama com o coração a mil.

Não faz sentido algum esse sonho. Não sinto nada por Thomas. Ele parece ser uma boa pessoa, ser bastante gentil e provocar algumas sensações estranhas em mim, mas amo Juan. Jamais me submeteria a ter que escolher um deles.

Minha escolha sempre será o Juan.

Relaxo minha mente para que possa voltar a dormir.

Acordei sem vestígios de dor. Levantei, tomei café e fui ajudar papai com os cavalos, mas logo me pediu para entrar e não me esforçar. Entrei em casa e encontrei mamãe fazendo o almoço e resolvi ajudar, ela tentou recusar a ajuda, mas não deu certo.

— Como esta se sentindo hoje? — mamãe pergunta meio distraída.

— Ótima! — falo com um sorriso nos lábios — Amanhã poderei ir a vila comprar mantimentos.

...e ver Juan.

— Meu bem, não quero abusar de você. A senhorita sabe muito bem o tamanho da queda que levou. Não quero que sinta uma tontura e acabe caindo novamente. Quem garante que terá o rei para lhe socorrer novamente.

Meu sorriso se alarga com sua preocupação.

— Não se preocupe mamãe. — falo beijando—a na face — Já estou acostumada.

Olho para nossa pequena dispensa e vejo que já esta começando a faltar alimentos. Não poderei ver Juan amanhã. Isso pode ser um problema. Sinto sua falta.

— Será que não posso ir hoje? Comprar os mantimentos?

— É claro que não... — mamãe arregala os olhos.

— É claro que não mesmo. — ouço sua voz atrás de mim e sinto um arrepio.

O que esta fazendo aqui Thomas?

Estou completamente paralisada. Como vou encara-lo depois daquele sonho. Não posso. Devo está corada, meu rosto queima ao lembrar.

Posso sentir sua boca em mim.

Ouço mamãe cumprimenta-lo e oferecer um chá.

Ainda estou paralisada, não sei o que fazer. Não quero vê-lo.

Você quer sim.

Uma voz atravessa meus pensamentos.

O que esta havendo comigo?

Isso que estou sentindo por ele não é nem um pouco normal. Esta além do absurdo.

Talvez isso seja bom.

É verdade, isso com toda certeza é bom, assim não será um sacrifício tão terrível me deitar com ele após o casamento.

Espera! Como estou falando de casamento assim do nada?

Porque você quer se casar com ele?

Não quero não.

Quer sim. Ele não só tem dinheiro, como é um belo homem.

Não quero não.

E ainda esta apaixonado por você.

— NÃO. — grito com meu subconsciente.

— Não o que? — Thomas fala olhando para mim.

Não havia notado que estava à minha frente, sinto meu rosto queimar, não por causa do grito, mas sim pelo sonho.

— Não fiz nada. Não falei nada. Você não pode me dizer não se não falei nada. — fala nervoso.

Não há razão para está assim. Ou será que papai e meu subconsciente estavam certo.

Ele está apaixonado por mim?

— Por que esta nervoso? — a pergunta escapa de meus lábios.

— Não estou nervoso. — fala arregalando os olhos.

Agora parece ter dezenove anos. Não o rei.

Sorrio com seu desespero.

Sento-me e indico para que faça o mesmo.

— Onde mamãe foi? — falo procurando por ela.

— Foi ajudar seu pai, não disse em que.

Sei o que ela quis. Quis me deixar sozinha com ele, sabe que o rei não faltaria com respeito. Ela confia totalmente nesse homem a minha frente.

Sinto que ainda estou corada, as imagens do sonho parecem está mais nítidas em minha mente.

— O que faz aqui?

— Vim trazer mantimentos. — ele mostra os alimentos que encheram a dispensa.

Droga! Como verei Juan amanhã?

— Por que? — pergunto irada.

— Perdão... — fala com tom de mágoa na voz — Não queria abusar, achei que vocês iriam precisar.

— Não precisamos de esmolas.

— O QUE? — fala desesperado — Não fiz isso como esmola, só imaginei que com você doente iria ser difícil para comprarem mantimentos. Peço perdão... Deveria ter perguntado primeiro... — fala levantando-se — É melhor... Eu... É... Ir embora.

Meu coração dispara com a possibilidade.

Levanto-me o mais depressa que posso e vou ao seu encontro.

— NÃO, NÃO VÁ. — falo quase gritando.

Vira-se e sua mágoa se transforma em um sorriso. Se aproxima.

Nesse momento a única coisa que me vem a mente é o sonho e o desejo de descobrir se seu beijo é tão apaixonante como no sonho.

— Esse é um "não" que aprecio. — fala.

Meus olhos não saem de seus lábios, levanto o olhar, vejo que também encara meus lábios e está cada vez mais próximo de mim.

Ouço ruído de sapatos na escada.

Logo me distancio de Thomas e tento voltar a meu estado normal. E vejo que ele faz o mesmo.

Papai entra, com minha mãe logo atrás, toda sorridente.

— Majestade. — papai se curva.

— Sr. Luvison. — Thomas se curva e sorrio com gesto.

— Agradeço os mantimentos Majestade, mas não era necessário.

— Claro que era, sei que Giovanna quem compra os mantimentos e como ela não pôde ir a vila ainda, resolvi trazer.

Não lembro de ter contado sobre comprar os mantimento, mas deve ter deduzido.

— Então se me permite vou pagar por eles.

— Óbvio que não.

— Majestade por favor. — fala papai já indo em direção onde guarda as moedas.

— Senhor, sinto muito, mas sou o rei e posso fazer o que quiser, inclusive lhe impor a receber esses mantimentos sem gastar moedas.

Papai paralisa.

Sorrio por dentro, é a primeira vez que fico contente com o fato de papai ser contrariado.

Me surpreende como Thomas pode ser generoso e humilde. Ele possui tudo e poderia tratar todos os seus súditos como a pior das criaturas, mas não.

— Bom acho melhor ir andando, se me dão licença, devo voltar ao palácio. — olha para mim e sorri.

— Acompanho-o até a porta. — sorrio timidamente.

— Claro.

Seguimos para fora. Não vejo sua escolta em lugar algum.

— Pensam que fui apenas a vila, usei um caminho alternativo para vir até aqui. — responde minha pergunta silenciosa.

— Como conseguiu essa capacidade? — pergunto olhando-o.

— Capacidade? — pergunta franzindo a testa.

— Sim. De responder perguntas que ainda não fiz.

— Não sei. — fala sorrindo e olha para mim — Talvez tenhamos uma conexão.

Uma atmosfera parece nos atrair um para o outro, quando vejo estou encarando lábios rosados e quase selando meus lábios neles.

— Acho melhor ir Tommy.

Ele suspira, mas acata minha decisão.

— Vejo-a em breve? — pergunta se afastando.

— Não sei, talvez nos esbarremos mais uma vez, em algum lugar. — falo com um sorriso irônico.

Retribui com o mais belo dos sorrisos. Sobe em seu cavalo e segue seu caminho e a única coisa que me vem mente é como queria ter lhe beijado.

Notas finais
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