Nem Mais Uma Palavra
1 Poema de Cheiro
Notas iniciais
Esta é a história de um casal normal com uma vida comum. E do amor extraordinário entre eles.
Porque "você nunca sabe quando vai conhecer alguém (...) E isso pode ser o começo de algo bom."
Aviso: Está história está publicada na minha outra conta neste site, sob o pseudônimo de Rain, e também no Wattpad e Social Spirit, sob meu próprio nome. Se a virem nesses lugares, portanto, não é plágio.
1 — Encontros Fortuitos
Na livraria, ele folheou o mesmo exemplar que ela. Sentiu o perfume que a moça acabara de deixar nas páginas e pensou que poderia se apaixonar por uma mulher que cheirava daquele jeito e gostava de Camões.
Ao entrar no cinema, ela se impacientou ao perceber que o acento marcado no ingresso estava ocupado. O filme já tinha começado, por isso sentou-se ao lado dele para poder argumentar com o rapaz em voz baixa. Viu o livro. Era do poeta de que mais gostava.
O dono do embrulho olhou surpreso para ela e sorriu. Ele tinha sentido um perfume familiar.
2 — Wookies e Redes no Quintal
Encontraram-se para jantar no restaurante de que ambos gostavam. Incrível como nunca tinham se visto ali antes. Ou na livraria, no parque, no cinema... Tinham o mesmo gosto para tudo. Não exatamente peculiar, mas em uma combinação difícil de se repetir.
Falaram de Wookies em galáxias distantes e de poetas amaldiçoados, de distopias vibrantes e fantasias medievais. Sobre Burgess e por quê a laranja era mecânica. Sobre desenhos animados e cachorros levados. Sobre flores e redes no quintal.
O garçom deu meia volta ao perceber que interromperia o beijo. Era a primeira de muitas vezes que essa cena se repetiria.
3 — Transcendental
Ele se inclinou para recolher o livro no colo da esposa, esquecido enquanto ela dormia. Estava aberto no poema que ele recitou no noivado, ao ouvido dela, enquanto lhe colocava a aliança.
Sorriu. Lembranças doces faziam bem.
Sentiu o perfume reconfortante de sempre e teve vontade de repousar a cabeça no ombro dela, mas desistiu temendo acordá-la. Era melhor que dormisse. Tornava mais fácil suportar a quimio.
No silêncio contemplativo, admirou-se da mulher. Os anos e a doença tinham roubado seu vigor, mas não sua beleza. Ela não concordaria, mas ele ainda a achava linda. Sempre iria enxergá-la assim. Transcendental.
4 — Sempre
Prendeu a respiração quando a viu. Estava linda como a mãe.
— Queria tanto que ela estivesse aqui — disse a filha, contemplando o retrato ao seu lado.
Os meses de ausência doíam como anos, mas quando olhava para o fruto do amor deles, sabia que tinha que seguir adiante. Um passo de cada vez. Até o reencontro.
Por isso se mantinha firme, amando a filha pelos dois. Ostentaria seu melhor sorriso enquanto a levasse ao altar naquela noite.
Alcançou o vidro de perfume sobre a penteadeira e a filha deixou que borrifasse um pouco em seu colo.
— Ela sempre vai estar.
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