Neko?! Neko!
1 Capítulo Único
Notas iniciais

— Seus instintos de gato acabam com a sua moral. — o moreno falou despreocupadamente.
Grimmjow já estava mais do que irritado com aquele discurso, sua vontade era dar um soco em Ulquiorra para mostrar quem realmente estava com a moral acabada, mas sabia que apanharia se o fizesse. Podia não admitir em voz alta, mas no fundo aceitava que o outro era mais forte.
— Já disse que não sou um gato! — rosnou o azulado. — E vá procurar outro pra encher!
— Aizen-sama quer que se controle e tenha mais foco nas missões. — Ulquiorra se sentou ao seu lado no grande sofá branco que se localizava em um dos quartos do grande palácio de Las Noches.
— Já disse que meus instintos não me atrapalham, porra!
— Não? — perguntou em tom de desafio.
— Não!
— Tudo bem. — o mais baixo se levantou e caminhou para fora da sala, deixando Grimmjow sozinho.
Schiffer já o estava enchendo. Fazia uma semana desde que começara com esse papo de que ter parentesco com gatos tiravam o foco do azulado para algumas coisas. Jeagerjaques não entendia de onde o moreno havia tirado aquilo. Sempre que perguntava, este vinha com Aizen-sama para lá e para cá e nunca lhe dava uma explicação plausível, coisa que o deixava deveras irritado.
Ao vê-lo passar pela porta do cômodo e não retornar percebeu que finalmente teria paz e poderia descansar. Queria reiniciar sua busca pelo shinigami ruivo que o deixara com a cicatriz estampada no peito. Ele era sua caça e não desistiria facilmente. Pensando nisso e no fato de que o moreno ainda não havia voltado, o azulado adormeceu jogado sobre o sofá.
***
Não sabia por quanto tempo havia dormido. Apenas sabia que gostaria de matar o ser irritante que emitia o barulho, também irritante, que o acordara. Era uma espécie de “kik”. Aquilo já estava ecoando por sua cabeça e uma vontade enorme de matar o infeliz responsável tomava conta de si.
Grimmjow sentou-se e olhou ao redor. Não havia nada e nem ninguém. O cômodo estava vazio assim como antes deste adormecer, o que era muito estranho, já que o som irritante continuava. Após algum tempo analisando a situação, percebeu uma pequena silhueta próxima à porta entreaberta do cômodo. O que seria aquilo? Se aproximou a fim de reconhecer a quem pertencia a sombra e... BAM! Ao perceber o que era correu naquela direção sem nem mesmo pensar.
— Não vou te deixar fugir! — o azul lado, que ainda corria, gritou para o pequeno ratinho preto parado logo a frente da porta.
Quando estava prestes a tocá-lo, este se mexeu indo para fora do quarto. Grimmjow o seguiu.
Dobrou um corredor. Dobrou outro. Outro. Outro. E, finalmente, quando pensou que não conseguiria mais alcançá-lo, o encurralou.
— Há, há! Eu disse que não fugiria! — se aproximava do ratinho como um leão se aproxima de uma gazela na savana. Era sua presa e não o deixaria fugir em hipótese alguma.
Porém... Estava tão focado que nem mesmo viu que uma figura pálida o observava na última porta do corredor segurando uma cordinha que estava presa à cauda do rato.
— E ainda diz que não é gato... — Ulquiorra anunciou sua presença, chamando atenção de Grimmjow que, desviando o olhar para o moreno, pôde ver de relance o pequeno animal sendo puxado para a direção do outro. — Você é imbecil?
— Oe! Era você?! — Jeagerjaques se recompôs, andando até Schiffer. — Qual seu problema?!
— Você precisa controlar seus instintos. — levantou o objeto que antes era perseguido pelo maior, apertando-o e fazendo o “kik” de antes ecoar pelo local. — Era um rato de brinquedo.
— O que você quer com isso, Ulquiorra?! — Grimmjow se irritou, puxando o ratinho das mãos dele. — Não tem nada melhor pra fazer?!
— As ordens de Aizen-sama são claras: faça com que Grimmjow controle seus instintos de gato.
— Eu sou uma pantera! — o azulado alterou sua voz. — P-A-N-T-E-R-A-! Você me ouviu?!
— Seus atos provam o contrário. — provocou Ulquiorra, entrando para o quarto, sendo seguido pelo maior. Aquele era seu quarto, Grimmjow sabia.
— Ham?!
Ulquiorra andou até uma cômoda, onde havia uma caixa comum branca. O outro apenas o observava curioso, controlando arduamente a vontade de socá-lo. Ele abriu a caixa, trazendo-a para perto do mais alto e a virou no chão sem cerimônias, despejando seu conteúdo aos pés de ambos.
As últimas coisas que as esmeraldas de Schiffer viram foram às safiras de Grimmjow brilhando. Após isso, apenas o barulho do espada número seis jogando as bolas de lã, os guizos e os brinquedos próprios para gatos, que antes estavam dentro da caixa, de um lado para o outro era ouvido.
— Tentar provar que ele é um gato e não uma pantera utilizando brinquedos para gato... — o espada número quatro leu o papel que tinha em mãos, riscando o item que havia cumprido. — Feito.
— Pera’, porra! — Grimmjow soltou o rolo de lã que jogava para cima, voltado para perto do Schiffer. — Por que você tem isso?!
— Já te falei à missão que Aizen-sama designou a mim.
— Eu não sou um gato!
O moreno levantou uma bola com um guiso dentro em uma das mãos e a tacou longe. Grimmjow foi atrás como um gato.
— Claro que não...
— Irro’ não rignifica’ nada! — retrucou Jeagerjaques com a bolinha na boca, logo retirando-a. — Sou uma pantera e não um gato!
Schiffer levantou uma pequena varinha preta com plumas azuis na ponta e o outro não pensou duas vezes em seguir os movimentos que eram feitos com a mesma, como um gato.
— Você até agora não me provou que é uma pantera, Grimmjow. — apesar da expressão se manter a mesma, o azulado podia ouvir o deboche na voz do menor.
— Isso é jogo sujo! — Jeagerjaques se recompôs, deixando a varinha de lado. — É involuntário!
Ulquiorra retirou uma pequena lanterna do bolso e mirou o chão, fazendo o maior seguir a luz com uma empolgação que nunca havia visto antes... Novamente, como um gato.
— Pantera...
— Vá se fuder! — deixando essa última frase no ar, Grimmjow se soltou de todos os seus instintos de gato e saiu do quarto, largando Ulquiorra sozinho com os brinquedos.
***
Alguns dias se passaram desde o incidente com os brinquedos.
Grimmjow andava pelos corredores do Las Noches sem rumo. Desde aquele dia não conseguia parar de pensar se era realmente um gato, ou uma pantera e isso o deixava frustrado. Sempre se enxergou como uma pantera e agora, toda a força que a imagem do felino lhe transmitia havia sido quebrada, derretida, sugada e transformada em um peludo fofo e manso. Aquilo era humilhante.
Acabou despertando de seus pensamentos enquanto passava em frente a uma das salas do palácio. Os risos altos vindos dali de dentro o guiaram até a porta.
— “Eu sou uma pantera...” — Nnoitra imitava a voz do azulado e logo começava a rir descontroladamente. — E não passava de um gatinho indefeso!
— Por essa eu não esperava. — Szayel segurava o riso, enquanto fitava a grande tela que tinha a cena de Grimmjow em meio aos brinquedos estampada para todos verem.
— No fim das contas, o ponto fraco dele é uma bola de lã. — Gin comentou no costumeiro tom de deboche. — Interessante...
É... No fim, Ulquiorra tinha razão.
Seus instintos de gato acabavam com a sua moral.
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