Neko...?!

3 Gato sonso dá unhada e esconde a unha.


Notas iniciais
# Erva de gato.
Erva de gato ou catnip é o nome comum para um erva da família das hortelãs. Segundo os estudiosos e veterinários, o cheiro dessa erva estimula o instinto predador do animal e afeta quase todos os felinos, inclusive leões, pumas e onças e é inofensiva para eles.
Embora muitos gatos tentem comê-la, cientistas dizem que eles estão reagindo ao cheiro ao invés do gosto. Os felinos mordem, mastigam, esfregam ou rolam sobre a erva e fazem isso para libertar a essência das folhas. Por isso, a erva do gato pode deixar o gato bastante agitado e alerta por horas.

Voltei do petshop armado até os dentes e com um plano traçado. E o primeiro passo era arrumar uma maneira de não matar aquele gato até o final da semana. Abri a porta cuidadosamente, constatando que Kanda dormia tranquilamente no sofá, e andei rapidamente escondendo todo o armamento no meu quarto.

Desci até a sala com Megumi e a Megurine, as duas piranhas que eu tinha comprado, e as coloquei no aquário. Agora sim eu queria ver se ele ia por as patinhas ali de novo.

Voltei ao quarto, organizando tudo no armário, e depois desci para a cozinha começando a preparar uma lasanha para o jantar enquanto pensava na segunda parte do plano: Explicar tudo para a Lenalee. Mas antes disso eu tinha que pedir autorização a Road para contar a verdade sobre seu gato, e depois pedir para o Kanda cooperar comigo. Mas quanto ao gato, eu já tinha uma maneira de convencê-lo, já a Road... Sério, discar um número no celular nunca me pareceu tão assustador.

Continuei pensando em como começar esse assunto com a Road e depois falar com a Lena até que fui interrompido por um grito, ou melhor, um miado.

- MMMMEEEEEEOOOOOOOWWWWW!!!! É O DEMÔNIO!!!! SAI DE MIM!!! MEOOOWW!

Vish, para o demônio estar com medo de outro a coisa tava séria.

Corri para a sala encontrando o aquário quebrado no chão, dois cadáveres despedaçados que eu identifiquei como minhas duas piranhas e um Kanda trêmulo e ensopado encolhido no canto da sala.

- Kanda...? – Toquei levemente seu braço e me assustando quando vi o sangue em minhas mãos. – Kanda! Kanda olha pra mim! – Balancei-o preocupado, vendo-o erguer o olhar lentamente na minha direção, pálido que nem uma vela, como se tivesse visto um fantasma.

- Nyuu... O peixe t-tentou me comer... — Falou com a voz trêmula.

Eu teria rido muito daquela afirmação se não estivesse tão preocupado.

- Não saia daí, eu vou buscar uma toalha. – Falei rápido, correndo até o quarto e voltando com uma toalha grande e felpuda, aninhando o gatinho ali.

- Eu nunca mais vou comer peixe... – Murmurou ainda em choque enquanto eu o pegava no braço para que não pisasse nos cacos de vidro.

- Se ficou com tanto medo assim, como as matou? – Perguntei curioso, vendo os restos das duas piranhas no chão.

- Tch. Eu não iria perder para dois peixes estúpidos. – Respondeu petulante.

Era incrível como nem assim essa criatura tomava jeito.

- Shhh... Se acalma. Vamos cuidar desses machucados. – Sussurrei o apertando mais contra mim.

Realmente, eu não imaginava que aquele gato fosse tentar comer piranhas.

- Hmmm... Você cheira bem... – Murmurou baixinho enfiando o nariz por dentro da gola da minha camisa e cheirando, me deixando completamente arrepiado.

- K-Kanda o que diab... – Tentei continuar, mas ele continuou roçando o nariz até a minha nuca, piorando minha situação.

- Muito bem mesmo... – Sussurrou roçando seu corpo no meu e quase me fazendo enfartar.

Oh merda... Agora que lembrei, deveria ser a erva de gato no bolso da minha camisa.

Pois é, eu tinha comprado quase uma tonelada disso para evitar outro ataque bipolar desse gato que quase arrancou minha pele. Só não imaginava que o efeito seria tão... Tão... Deixa pra lá...

- Ok, fica ai que eu vou buscar uns curativos. – O deixei em cima da cama e fui correndo em direção ao banheiro, tirando minha camisa para me livrar do cheiro e pegando a caixinha de primeiros socorros.

- Vem, me deixa ver is... KANDA?! – Quando eu já me preparava para começar a cuidar dos machucados que as piranhas e possivelmente o vidro haviam causado, ele me joga em cima da cama com uma força que eu nunca imaginei que tivesse, subindo em cima de mim.

- Esse cheiro... Me faz querer experimentar você... — Sussurrou cheirando meu abdômen e subindo pelo meu peito, me encarando com aqueles olhos intensos e vibrantes que pareciam brilhar na escuridão do quarto.

Isso. Não. Vai. Dar. Certo.

- Kanda pare já c-com isso... Awwmmm... ENLOUQUECEU?! – Como se já não fosse provocação demais ele começou a me lamber vagarosamente.

Sua língua macia e levemente áspera deslizava pela minha pele adormecendo meus músculos e me arrepiando de uma maneira inédita, e a medida que ele subia, eu já não tinha certeza se queria tirá-lo de cima de mim ou não.

- S-Sai... De cima... Por favor... – Murmurei tentando empurrá-lo com os últimos resquícios da minha força de vontade enquanto sua língua percorria minha orelha.

- Não... Eu quero mais. – Sussurrou no meu ouvido, mordiscando-o logo em seguida, para então começar a lamber meu pescoço.

Meu deus... Será que ele tinha idéia do quão provocante era?

Decidido a acabar com aquilo antes que eu acabasse fazendo alguma besteira, inverti as posições, virando por cima dele e prendendo suas mãos acima da sua cabeça.

- Kanda, pare já com is... – Tentei falar em tom sério, mas sua próxima ação me desconcertou completamente.

- Meeeow... – Miou com uma voz... Sexy. Se erguendo e lambendo docilmente meu lábio inferior, me deixando sem reação.

E quando eu estava quase perdendo o controle e atacando aquele gato, alguém bate a porta do quarto e a luz se acende.

-... Allen?! – Olho para o lado, me deparando com um Lavi de olho arregalado e queixo no chão.

- Hmmm... – Murmurou Kanda, lambendo meu queixo, como se o ruivo nem estivesse ali.

- E-E-Eu posso explicar!

É, só nem imagino como.

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Depois de algum tempo, eu já tinha explicado toda a situação a Lavi, que na verdade só acreditou no que eu disse por que depois que eu tomei um banho de perfume Kanda desgrudou de mim e voltou a forma de gato, se emburrando na casinha com ar de quem não sairia de lá mais nunca.

Assim como eu, ele levou algum tempo para assimilar que Kanda era na verdade o gato da Road, mas como o bom pervertido que é, acabou achando toda aquela situação super interessante.

- Nee Allen, me empresta um pouco de erva de gato? – Sussurrou com uma cara completamente safada, espiando de canto do olho a casinha de Kanda, onde a única parte do gato a mostra era a cauda negra e levemente felpuda.

- Lavi, você veio para me ajudar, e não para abusar do Kanda. – Declarei irritado com o olhar que ele lançava ao bichano.

- Ora Allen, se você não quer um garoto lindo daqueles em cima de você e te lambendo, eu quero. – Respondeu com uma cara mais safada ainda.

- Nem pense nisso. – Cortei, lhe lançando um olhar fulminante.

- Wow, isso tudo foi ciúme? – Indagou surpreso e brincalhão ao mesmo tempo.

- M-M-Mas é claro que não! É só que... Que se acontecer alguma coisa com aquele gato a Road me mata! – Expliquei rapidamente.

Eu? Com ciúme do Kanda?

Só se a terra fosse quadrada.

- Ah, não? Aposto que se eu dissesse que estava na cama com a Lenalee agora a pouco você não ficaria tão puto. –Continuou me provocando.

- Você só pode estar maluco! – Exclamei começando a me irritar com aquela brincadeira estúpida.

- É? Então pode deixar que quando a Road voltar eu vou pedir para dar leite para o gatinho dela... – Insinuou completamente depravado.

- Tá querendo levar um soco, seu idiota? – Rosnei realmente tentado a fazer isso.

- Ta vendo só! Você deveria ter tido essa reação quando eu falei da Lenalee. — Declarou rindo.

- Vai se ferrar. – Respondi me levantando. – Vou tirar a lasanha do forno. – Fui em direção a cozinha respirando fundo.

Coloquei a lasanha sobre a mesa, servindo uma porção para cada um de nós, a colocando de volta no forno para que não esfriasse, e indo em direção a casinha do gato, cutucando-a levemente com o pé.

- Kanda, vem comer. – Chamei, mas fui ignorado.

- Kanda, deixa de ser idiota e sai daí. – Chamei novamente espiando dentro da casinha, mas sem conseguir ver nada.

- Ok, você pediu por isso. – Levantei a casinha e chacoalhei com tudo.

E... Nada.

- Parece que ele não quer falar com você. – Comentou Lavi se aproximando.

- Sério? Nem notei. – Ironizei.

- Me deixa tentar. – Se prontificou o ruivo, se abaixando em frente a casinha.

Sabe quando você tem a intuição de algo vai dar errado?

- Yuu... Yuuzinho... Vem cá pro tio Lavi vem... – Chamou como se estivesse falando com uma criança.

Ai meus deus. Esse ai já era.

- Vem cá vem... Eu te dou comidinha na boca, Yuu-chan.

Vish, morreu.

A última coisa que vi foi um vulto preto saindo de dentro da casinha e pulando em cima do ruivo, mirando na sua jugular. E logo em seguida, Kanda tinha mudado de forma e apertava o pescoço do outro entre suas mãos com força o suficiente para matá-lo, e isso sem contar as garras que deveriam estar fazendo um belo estrago.

- AIAIAIAIAAIIAAAHHH! SOCORRO! ALLEN ME AJUDA!!! – Gritou desesperado tentando se livrar das mãos do moreno.

- Ora Lavi, não o queria em cima de você? Olha só, seu desejo se realizou. – Falei com um sorriso sarcástico enquanto o outro tentava sobreviver ao ataque de fúria do gato.

- AIAIAIAIIIIIEEE!!! MISERICÓRDIAAAAAAA!!!! – O ruivo praticamente implorou e eu resolvi praticar minha boa ação do dia e tirar Kanda de cima dele.

Até por que o coitado já estava tão ensangüentado que mal dava pra diferenciar sua pele do cabelo.

- Aaahhh... Obrigado... – Sussurrou ofegante se levantando.

- De nada. – Dei um sorriso simpático para compensar o vingativo que eu queria dar nesse momento.

Tirei minha camisa e a vesti em um Kanda puto e emburrado para evitar mais taradices do ruivo para cima de si, e por alguma razão ele não me atacou. Quer dizer, normalmente ele teria ficado mais irado ainda por eu tê-lo impedido de matar o Lavi e teria vindo pra cima de mim, mas ele apenas desviou o olhar parecendo levemente corado.

Gato esquisito.

- Agora que vossa senhoria parou de piti, que tal me deixar dar um jeito nisso? – Perguntei erguendo um pouco a manga da camisa para avaliar o estrago que as piranhas tinham feito.

- Nyu. – Murmurou emburrado.

E como eu não tenho como saber se “nyu” é sim ou não, tomei a resposta como afirmativa e comecei a arrastá-lo em direção ao quarto.

- Nee Allen, cuida de mim também... – Falou Lavi em tom choroso, vendo o estrago que o gato tinha feito.

- Terceira porta do corredor. – Respondi frio, fechando a porta do meu quarto e indo direto em direção ao banheiro, deixando-o sentando na bancada da pia.

Vasculhei o armário atrás do quite de primeiros socorros e comecei a limpar os ferimentos do bichano, ouvindo alguns protestos em resposta.

- Desculpa, isso é o mais leve que consigo fazer. – Comentei me sentindo agoniado com a dor dele, enquanto tratava de um ferimento especialmente doloroso próximo ao seu pescoço.

- Tch, isso é muito idiota. – Murmurou pensativo.

- O quê? – Indaguei sem entender.

- Você põe aqueles monstros no aquário para me comer, e depois fica me olhando com essa cara estúpida de pena. – Falou me lançando um olhar tão frio que me pegou desprevenido.

- Acha mesmo que eu fiz aquilo esperando que você se ferisse? – Retruquei indignado.

- Então com que intenção foi? – Questionou estreitando os olhos.

- Eu pensei que você seria esperto o suficiente para não atacar um peixe com dentes! – Exclamei, e mal terminei de falar senti suas garras no lado direito do meu rosto.

Ah, tava demorando...

- Vai. Para. O. Inferno. – Sentenciou realmente puto, fazendo menção de descer da bancada, mas o segurei (tomando cuidado de imobilizar seus braços) antes que o fizesse.

Sinceramente, eu era o adulto ali e tinha que tomar alguma atitude em relação a isso.

Era simplesmente inviável conviver uma semana inteira com alguém brigando incessantemente dessa maneira.

Se bem que sendo o Kanda, era até compreensível, mas...

É Allen, esta na hora de parar com a brincadeira.

- Espera! – Segurei-o com mais força enquanto ele tentava me atacar com os pés. – Olha Kanda, desculpa. Sério. Eu realmente não queria que você se machucasse. – Falei olhando-o sério, fazendo-o entender que não era mais uma das nossas freqüentes discussões infantis.

- Eu quero te propor um trato. – Continuei, percebendo que ele estava disposto a me ouvir. – Eu paro de fazer seja lá o que for que você considere irritante, e você para com seus surtos violentos para cima de mim. O que acha? – Perguntei tentando soar otimista.

Eu não vou dizer que esperava que ele aceitasse de imediato, mas com certeza esperava que ele fizesse qualquer coisa, menos... Rir.

Acabei sendo completamente pego de surpresa, esquecendo que ele estava rindo da minha cara e percebendo com um certo espanto que eu nunca nem sequer tinha imaginado que Kanda fosse capaz de rir. Quero dizer, ele anda sempre com uma cara tão fechada que ao invés de parecer fofo e angelical (bem, essa e a idéia que eu tenho de como adolescentes com orelhas de gato deveriam ser), ele parecia assustador e endemoniado.

Mas observá-lo sorrir de maneira tão deliciada, segurando a própria barriga e dobrando as orelhinhas para trás, acabou me contagiando e logo estávamos os dois as risadas no meio do banheiro. E só depois do que me pareceu uma meia hora nós conseguimos voltar ao normal.

- Do que diabo você estava... Arf... Rindo... Arf... Afinal? – Perguntei ainda ofegante, sentado no chão do banheiro.

- É só que... – Começou descendo da bancada com aquela elegância natural presente nos felinos e se ajoelhando entre as minhas pernas. – Nem se você nascesse de novo conseguiria parar de ser irritante. – Concluiu jogando a cabeça para o lado, fazendo as orelhinhas penderem na mesma direção.

Kanda tinha mesmo muita sorte de conseguir fazer aquelas carinhas adoráveis de aplacar a fúria de qualquer um. Senão eu juro que já tinha enforcado aquele gato.

E minha linha de pensamentos sobre como alguém consegue ser tão bastardo 100% do seu tempo foi interrompida quando ele sentou no meu colo com uma perna de cada lado, e começou a lamber meu rosto, diminuindo consideravelmente a dor e a queimação causada pelos arranhões profundos.

- O que esta f-fazendo...? – Perguntei confuso, apoiando distraidamente minhas mãos nas suas coxas macias.

- Quieto. – Falou simplesmente, continuando a lamber meu rosto.

- Er... Só estou dizendo que sim. – Continuou algum tempo depois.

- Sim o que? — Perguntei observando-o passar a língua nos lábios.

- Sim, eu topo ser seu gato por uma semana.

Notas finais
Agradecimentos especiais a Nicky Yume pela primeira (e linda) recomendação da fic. Kissus sua fofa!
E então o que acharam desse cap?
Desnecessário dizer que esse "acordo de paz" vai acabar sendo bem proveitoso daqui para frente (embora duvido que dure muito).
Quero saber a opinião de vocês! Se gostaram, odiaram, ou querem apenas sacanear a autora podem mandar REVIEWS!
Mas se reeealmente estão gostando da história RECOMENDEM!
Se querem me sacanear tem a página do face também! (www.facebook.com/By:Tsuki-sensei)
Até mais~
Kiss