Neko...?!
12 Dei uma ordem a um gato, e ele a deu a sua cauda.
Notas iniciais
* Esse cap vai dedicado especialmente a Kuro Bara, Azurichan, Nicky Yume, Nanda chan, Lolla Van Gryme, EverumKamily Kun que deixaram recomendações lindíssimas e a todo o pessoal que favoritou e deixou review (desculpa,não lembro o nome de todos agora), mas fantasminhas, não se sintam excluídos, viu?*
Depois do acidente com o gerador (que foi muito bem vindo no final das contas) da casa de campo onde estávamos, optei por alugar um apartamento em um dos poucos prédios residenciais da cidade, já que se hospedar em uma pousada cheia de clientes junto com Kanda estava fora de questão.
E eu já estava me arrependendo dessa decisão...
– Kanda, saia já dessa varanda! – Berrei pela décima vez, realmente irritado agora.
– Não quero. – Retrucou insolente, se espreguiçando ao sol.
– Não me faça ir até ai... – Ameacei fechando o notebook onde eu tentava terminar uns documentos.
– Ah, que assustador... Estou tremendo... – Respondeu irônico, fazendo meu sangue ferver.
E de repente eu me pergunto: Que problema mental eu tenho para me apaixonar por alguém tão irritante?
Dirigi-me até a varanda pisando com força, encontrando o moreno deitado na borda dela tomando banho de sol e praticamente todas as janelas do prédio da frente ocupadas por pervertidos com binóculos que ficavam secando o MEU Kanda. Que por mais incrível que pareça, nem tinha notado.
– VÃO PROCURAR O QUE FAZER SEUS TARADOS! – Berrei puto da vida, pegando Kanda nos braços e o arrastando para dentro de casa.
– Que porra é essa? – Começou a se debater no meu colo me fazendo segurá-lo com mais força.
– Você está proibido de tomar sol na varanda, entendeu? – Falei sério colocando-o no chão enquanto ele me encarava com um olhar psicopata.
Levando um arranhão na cara em 3... 2...
– VAI SE FERRAR! – Acertou um arranhão em meu rosto que por sorte eu consegui desviar — mas acabou pegando de raspão — e saiu irritado indo pro quarto.
Quem foi que tinha proposto uma trégua mesmo, heim Allen?
Respirei fundo.
Era inacreditável como em qualquer sentido Kanda me tirava do sério.
Fui atrás do gato, encontrando-o emburrado na cama, fingindo que dormia.
– Yuu... – Comecei cutucando sua orelha.
E sendo completamente ignorado.
– Yuu... Eu sei que você está ouvindo... — Continuei.
E continuo sendo ignorado.
– Ok. Você que pediu.
O Virei bruscamente, prendendo-o em um abraço apertado e roubando seus lábios em um beijo intenso. Ainda pude senti-lo se debater irritado por alguns segundos, tentando me arranhar novamente, mas acabou se rendendo no final, passando as pernas em volta da minha cintura e começando a retribuir timidamente o beijo.
– Nhhmmmm... – Gemeu baixinho, me puxando para mais perto, entrelaçando as mãos no meu cabelo e mordiscando levemente meu lábio com seus caninos afiados.
Ah Kanda... Se você continuar com isso eu juro que não me seguro.
Estávamos nesse tipo de relacionamento só há uma semana e eu já tinha a completa certeza do motivo pelo qual eu nunca me apaixonei por ninguém antes. Pelo simples fato de que nenhuma das pessoas anteriores eram Kanda.
E eu sou tão lerdo que só percebi isso quando nossos lábios se tocaram pela primeira vez, era apenas um roçar de lábios que virou um selinho. Era um toque bem inocente até, mas que acordou sentimentos e sensações dentro de mim que realmente me surpreenderam e bagunçaram minhas ideias, deixando-me assim desde então. Louco por esse garoto de olhos intensos e personalidade impossível.
Minhas mãos deslizavam pela pele desnuda da sua cintura, me sentindo arder em desejo ao vê-lo se arrepiar. Mas escolhi me conter, Kanda ainda era muito inocente nesse quesito e eu não queria assustá-lo nem nada do tipo, e embora na verdade fosse ele que me surpreendesse em alguns momentos , mesmo assim era melhor ir devagar, deixá-lo se acostumar com tudo isso primeiro.
– Desculpa por ter sido grosso com você, não foi sua culpa. – Sussurrei ofegante quando nossos lábios se separaram, contemplando os vários tons das suas íris, que iam do ônix ao anil, formando um tom cor da noite belíssimo.
– E o que foi aquele ataque então? – Perguntou calmo, roçando o rosto na minha bochecha.
– Depois eu explico. – Desviei do assunto, voltando a beijá-lo, só que mais calmamente dessa vez.
E todo aquele frenesi de sensações recomeçava, era delirante sentir suas mãos descendo pelos meus ombros, suas coxas macias em volta da minha cintura, sua respiração ofegante, seu rosto corado... Ok Allen, já chega. Você vai fazer besteira se continuar com isso...
– Meow... – Miou baixinho lambendo meu lábio inferior enquanto enroscava a cauda na minha perna.
Mas ele bem que provoca...
Abandonei seus lábios por um segundo, começando a beijar suas orelhinhas e então descendo para o seu pescoço, sugando lentamente sua pele adocicada, fazendo-o arfar surpreso abafando um gemido involuntário.
– Gosta? – Perguntei sorrindo de canto deslizando os lábios pelo seu ombro.
– Uuhuumm... – Respondeu acanhado, afirmando com a cabeça.
Era mesmo uma graça...
E você é mesmo um pedófilo Walker.
Tch, foda-se consciência chata.
– E... Você gosta do quê? – Perguntou me encarando com aquela expressão de quem iria aprontar.
– Como assim? – Mal concluí a pergunta e senti sua língua na minha orelha, e então uma mordiscada assustadoramente sensual.
Acho que nunca fiquei tão arrepiado na minha vida.
– Assim. – Respondeu com um risinho, fazendo sua respiração quente bater o meu pescoço.
Ele ama brincar com meu autocontrole...
– Definitivamente gosto. – Admiti.
Na verdade, qualquer coisa que envolvesse Kanda me agradava... Ok, exceto o fato de que ele deveria parar de amolar a unhas ou um dia eu ainda acabo no hospital.
– Então... Quer sair comigo hoje? – Perguntei aninhando-o em um abraço carinhoso.
– Sair? – Levantou as orelhinhas curioso.
– Sim, estava pensando em um restaurante de sushi, o que acha? – Sugeri vendo seus olhinhos brilharem em empolgação.
– Definitivamente aprovado. – Piscou me dando uma lambida leve no lábio.
Foi só um carinho inocente... Parcela mental pervertida pelo amor de Deus, pare de imaginar utilidades para a língua de Kanda!
– Então vamos nos aprontar que a gente ainda almoça lá. – Falei me sentando, deixando-o no meu colo.
– Espera, eu vou assim?! – Apontou para si mesmo referindo-se a sua forma “humana”.
Avaliei-o por um momento, abaixando suas orelhas e depois puxando-as e dobrando em diferentes ângulos enquanto ele fazia um biquinho adorável.
– Não são difíceis de esconder. – Respondi dando-lhe um rápido selinho. – Vamos?
–------ X ----- X ------ X ------
– Acho que se eu tossir,vão sair bolhas... – Comentei fazendo o moreno ao meu lado rir sadicamente enquanto caminhávamos pelo parque da cidade, fazendo um pequeno desvio antes de ir em direção ao restaurante.
– Tch, dramático. –Resmungou se fingindo de mal humorado para não cair na risada.
De novo.
Acontece que eu tive a brilhante ideia de dar banho em Kanda, e claro que ficar sozinho num banheiro com um moreno molhado e ensaboado — sem nada além de espuma naquele corpo de tirar o fôlego — subindo em cima de mim causou um sério dano no meu cérebro (meu lado pervertido não vai me deixar dormir essa noite), mas como se tudo isso não bastasse, ele resolveu brincar de me afogar.
E quase que eu me afogava mesmo. Tinha ficado zonzo com a hemorragia nasal.
– Nunca mais faça aquilo... – Comentei ofegante só de lembrar, e tentando por tudo que é mais sagrado não atacar o moreno que lambia vagarosamente um picolé ali mesmo.
Ele tinha mesmo que lamber esse maldito picolé de um jeito tão... tão...
Ai eu quero matar o meu cérebro.
– Que tipo de idiota se afoga numa banheira?! – Protestou entre uma lambida e outra.
– O tipo de idiota que esta sendo afogado por outro idiota. – Retruquei tentando parecer sério, mas não deu.
Sentamos-nos embaixo de uma cerejeira para aproveitar o dia um pouco. Kanda lambendo os dedos distraidamente e eu tentando não babar, algumas garotas secando ele na maior cara de pau, uma vovozinha me olhando com uma cara de desaprovação, pétalas rosas flutuando ao vento, temperatura agradável, Kanda me derrubando na grama e me beijando docemente... Realmente era um lindo dia.
– Yo garoto! – A voz de Tikky soou atrás de mim e eu virei um pouco o rosto para trás para olhá-lo. – Yo Kanda. – Cumprimentou em seguida.
– Yo Tikky! – Respondi surpreso, afinal o que ele fazia ali?!
– Aquelas meninas vão comer vocês com os olhos se não pararem com esse agarramento. – Falou em tom risonho apontando para um grupo de colegiais, sentadas a algumas árvores da nossa, sofrendo pra parar a hemorragia nasal.
Olhei para Kanda que deu de ombros indiferente, bem se ele não ligava... Dei um “tchauzinho” para uma delas que caiu no colo da amiga, fazendo Tikky rir e Kanda me acertar um soco dolorido.
– Olha só quem esta com ciúmes... – Brinquei acarinhando suas orelhas que estavam cobertas por uma bandana.
– Gatos são ciumentos. E se você continuar de gracinha eu te parto ao meio. – Retrucou de braços cruzados e expressão emburrada.
Só ouvi um longo e sonoro “oooowwwnnnnnnn! Kawaiiiiiii!” vindo da árvore onde as meninas estavam.
– O que está fazendo aqui Tikky? Não deixou o Lavi tomando conta de tudo sozinho lá na agência, não é? – Indaguei assombrado só de pensar na possibilidade.
– Foi necessário, tenho um assunto sério pra tratar com você, é sobre a investigação. – Falou se sentando do nosso lado. – Fui pessoalmente fazer uma busca no seu apartamento, encontrei câmeras, escutas, grampos, o que você imaginar. E pelo que pude perceber, foram instaladas logo depois da chegada de Kanda. Pensando nisso, eu verifiquei o apartamento da Road e encontrei a mesma coisa. Entendo o que eu quero dizer, não entende? – Concluiu com um olhar sério que era bem raro da sua personalidade fazendo meu sangue gelar nas veias.
– Esse tempo todo... Ele sempre... – Ouvi o neko sussurrar de forma quase inaudível, sua pele cada vez mais gelada.
– Kanda, você vai ficar bem. Estamos seguros aqui, não é Tikky? – Mandei-lhe um olhar preocupado. Afinal, estávamos mesmo seguros?
– Creio que sim. – Respondeu sinceramente. – Mesmo que ele tenha seguido vocês até o Japão, essa cidade é quase impossível de achar se você não veio aqui antes. – Respirou fundo tentando aliviar a tensão dos próprios ombros.
– Mesmo assim, eu quero que você... Ou melhor, vocês dois me prometam uma coisa. – Falou Kanda com um tom de voz sério e frio o suficiente para me assustar.
– O quê? – Indaguei a contra gosto, odiava como Kanda ficava quando tocávamos nesse assunto.
– Se eu sumir, não me procurem. – Seu tom era de quem não aceitava um “não” como resposta.
Seu olhar parecia tão duro intenso que o ar pesava ao nosso redor de uma maneira agonizante. Nem parecia Kanda ali, mas sim outro ser que carregava uma escuridão assustadora no olhar.
Isso me quebrava por dentro.
– Não vai se livrar de mim tão fácil assim, moleque. – Falou Tikky, buscando quebrar a tensão quase palpável que se formara ali, bagunçando os cabelos do neko que mais parecia um boneco inexpressivo no momento.
– Você não vai sumir, Bakanda. – Respondi beijando de leve sua bochecha. – Se sumir, eu vou até no inferno atrás de você.
– Por isso que não quero que vá. – Respirou fundo. – Pois é exatamente lá que eu vou estar. – Carregou as últimas palavras, dando a elas um significado que fez um calafrio percorrer minha espinha.
– É só não sair do meu lado, sim? – Puxei-o pelo queixo para alcançar seus lábios, capturando-os em um beijo carinhoso e demorado, ouvindo-o suspirar em meus braços enquanto o abraçava como se jamais fosse soltá-lo. – Já disse que não vai sumir, deixe de ser teimoso.
Ele apenas fez um biquinho emburrado completamente adorável que fez Tikky dar um risinho divertido.
– A Road sabe de vocês dois? – Indagou Tikky acendendo um cigarro e mudando de assunto, mas em compensação levantando justamente aquele que estivemos evitando a semana toda.
– Não... – Respondi com uma expressão martirizada.
– Ela vai querer arrancar sua cabeça. – Falou Kanda com um risinho cínico.
– Obrigada pelo apoio moral... – Respondi irônico.
– Penso que seria melhor se eu contasse, mas acho que ela ia surtar do mesmo jeito. – Continuou o moreno me ignorando, levando o indicador aos lábios, parecendo pensar sobre o assunto.
– E ainda tem a Lenalee. – Lembrei percebendo a situação em que estávamos metidos.
– Ah, ela veio comigo no avião. – Soltou dando de ombros, me fazendo engasgar como se tivesse engolido um peixe vivo.
– O QUÊ?!
– Se eu fosse vocês teria fugido para uma ilha deserta. – Comentou Tikky rindo da nossa cara, já se levantando. – Bem, tenho que resolver umas coisas ainda, encontrarei vocês mais tarde no apartamento. Até mais!
– Até... – Respondi me sentido o ser mais ferrado da face da terra. – Kanda, acho que deveríamos começar ligando para a Road. – Falei serio e ele deu de ombros simplesmente.
E quando eu ainda estava juntando coragem para discar o número, o telefone toca.
Road.
Sério, que bruxaria foi essa?
Trocamos um olhar temeroso.
– Atendo? – Indaguei pegando o celular.
– Não era você que queria ligar retardado? – Respondeu “educadamente”.
Respirei fundo buscando coragem para a conversa com possíveis ameaças de tortura e morte que eu tinha certeza que ela iria tentar cumprir.
– Alo? – Sua voz soou do outro lado da linha.
– O-Oi Road-chan! – Respondi nervosamente levando uma cotovelada de Kanda.
– Allen Walker, o que você aprontou desgraçado? – Falou em um tom assassino repentino que me arrepiou dos pés a cabeça.
– Ela vai me matar... – Choraminguei para Kanda que tomou o telefone da minha mão.
– Observe e aprenda. – Falou piscando para mim. – Kaasan? * – Atendeu com uma vozinha completamente fofa que me deixou de queixo caído.
Que filho da mãe esperto.
– Hai... Hai... Eu estou bem mamãe... Sim... Uhum... Não, não tem nenhuma parte do meu corpo faltando... Não, também não...
Bem pelo que parecia a conversa andava bem calma.
Relaxei um pouco enquanto Kanda deitava a cabeça no meu colo parecendo entediado.
– Eu já disse que sim... Mãe, pode ficar tranqüila... Hai... Não, também não estou drogado... Não, ele não fez nada disso comigo e... Cacete! Eu to bem porra! – Falou de repente me dando um susto e eu pude ouvir uma risada alta da morena do outro lado do telefone. – Tá mãe... Certo... Eu também... E... Tem uma coisa pra te falar, espera ai.- Falou fazendo sinal para eu me retirar.
– O quê? Por que não posso ouvir? – Perguntei achando a carinha emburrada que ele estava fazendo adorável.
– Saia. – Respondeu corando um pouco.
– Vou estar naquele banco. – Respondi me retirando devagar tentando ouvir um pouco da conversa, mas não deu.
Nem passei muito tempo me perguntando que segredo todo era aquele e ele me apareceu com uma expressão risonha me estendendo o celular de volta.
– Deu certo? – Perguntei ansioso.
– Ela quer falar com você.
Ai meu deus...
– Road? – Atendi tentando soar confiável, mas...
– O QUE DIABOS VOCÊ ANDA FAZENDO COM MEU FILHO SEU FURRY APROVEITADOR DE MERDA?
– C-Calma... Não é t...
– EU VOU TE MATAR SEU PEDÓFILO, MAS ANTES VOU ARRANCAR SUA PELE E FAZER UM TAPETE!
– Road eu...
– EU TE PROÍBO DE TOCAR NO MEU FILHO SEU TARADO FILHO DA...
– AH, VAI SE FUDER! – Respondi puto da vida, fazendo Kanda me encarar de olhos arregalados. – Pode me matar se quiser, mas você esta aí, do outro lado do mundo, e eu tô com Kanda aqui do meu lado e não pretendo lhe fazer nenhum mal então para de surtar! Aproveitador é a puta que te pariu e eu não pretendo fazer nada que ele não queira. E quando você voltar pode vir com tudo por que eu não estou nenhum pouco afim de desistir dele, entendeu? – Falei tudo de uma vez deixando-a muda do outro lado da linha.
Um silêncio absoluto se abateu sobre nos por um tempo.
Ai... Eu estou muito ferrado, ela vai me partir ao meu com uma faca de cozinha, enfiar pregos nos meus olhos e...
– Está aprovado. – Respondeu em um tom de voz sério.
– C-C-Como? – Indaguei sem acreditar no que tinha ouvido.
– Pela primeira vez na vida consegui te ver com raiva! – Exclamou caindo na risada enquanto eu ainda estava em estado catatônico. – Você realmente gosta do Yuu, heim? – Comentou parecendo satisfeita.
– Insanamente. – Respondi fazendo carinho na bochecha corada do meu neko.
– Então eu soube que estavam viajando, já estou voltando para casa, mas vou permitir que passem mais um tempinho ai de lua de mel... – Falou em um tom de voz divertido.
– Nem sei como agradecer... – Respondi me controlando para não pegar Kanda e sair dançando pelo parque.
– Ok, estou confiando meu filho a você, viu? Tome cuidado. – Falou séria de novo.
– Sim, senhora.
– Lembre-se que: Se aprontar com meu pequenino, eu te castro, ouviu?
Engoli em seco.
– Sim, senhora.
– Então até!
– Até! – Respondi com um sorriso aliviado, desligando o telefone.
Olhei para Kanda com um sorriso enorme nos lábios, puxando-o para o meu colo de repente e o prendendo em um beijo emocionado.
– Sabia que ia passar no teste. – Sussurrou mordiscando carinhosamente meu lábio inferior.
– Espera ai! Teste? Que teste?! – Perguntei afastando-o um pouco para olhá-lo nos olhos.
– Ela ia deixar de qualquer jeito. Ela sabe que eu não interajo com pessoas sem que elas de fato mereçam. – Comentou petulante, se sentando no meu colo. — Mas ela estava curiosa em saber de você.
– Foi por isso que me expulsou?
– É.
– Cretino.
– Idiota.
Nos encaramos por um momento e simplesmente começamos a rir que nem dois tontos. Tá, na verdade Kanda tava dando risinho (coisa rara) e eu olhando para ele com cara de retardado, mas... O que posso fazer?!
Passei o dia mostrando a cidade a Kanda, o lago em que eu brincava de jogar pedrinhas junto com Mana, a casa que tinha fama de mal assombrada, um parque onde parecia ser sempre outono... Era a primeira vez que saiamos assim, e eu não conseguia imaginar como o dia podia ser melhor. Seus olhinhos brilhavam quando viam alguma coisa nova ou quando perseguia algum passarinho e eu tentava impedi-lo...
Seus olhos se tornaram opacos apenas uma vez, quando ele me disse ter tido um mal pressentimento, mas voltaram ao brilho exuberante no segundo seguinte quando uma borboleta azul pousou no seu ombro e logo nada parecia mais importante do que caçá-la por entre as cerejeiras.
Estar com Kanda não me fazia me sentir apenas feliz, mas também pleno. Completo. Infinito. Mesmo com as menores coisas.
Acabamos indo um pouco tarde para o restaurante e como sempre o atendente se assustou com a quantidade de comida, mas bem, eu amo comer e Kanda ama peixe, é justificável.
Assim como todo o dia, o almoço também seguia tranqüilo, isto é, até uma presença feminina aparecer a mesa nos pegando completamente de surpresa, mesmo que ela já fosse esperada.
– Yo Lenalee! – Cumprimentei animado.
– Allen-kun... – Ela murmurou parecendo surpresa com os olhos fixos em Kanda.
Pronto, já vi a merda.
Ela vai dar piti em 3... 2...
– Oe você. – Kanda se pronunciou a encarando de volta. – Nem pense em abrir essa boca antes de eu terminar. – Mandou, fazendo-a encará-lo incrédula.
– Kanda, o que você...
– Isso vale para você também. – Falou me lançando um olhar sério e... Bem, acabei calando a boca também.
Ele se levantou parecendo determinado, praticamente empurrando a Lenalee na cadeira onde estava sentado.
– Olha Lenalee, você não sabe quem eu sou, mas eu te conheço a uma porrada de tempo então eu tenho o direito de dizer tudo o que você vai ouvir agora: Você esta sendo burra, estúpida e egoísta.
Sabe quando você tem medo do que vai sair de uma conversa? Meu estado nesse momento.
– E com base em que você diz isso? – Ela perguntou calmamente, mas dava para ver que ela estava a um passo de voar no pescoço de Kanda.
– Burra, por que se em todos esses anos vocês não se pegaram, não ia ser agora que isso ia acontecer. – Me pergunto de onde ele tirou essa cara de professor e toda essa convicção para falar. – Estúpida, por que não percebe o quanto é importante para ele. – Lenalee arregalou os olhos brevemente, olhando de mim pra ele. – E egoísta por que ta querendo foder com tudo só por que as coisas não são do jeito que você quer. Tch, francamente... – Balançou a cabeça em negação se retirando.
– Hey! Onde pensa que vai? – Indaguei segurando-o pelo braço.
– Dar o fora enquanto vocês se resolvem. – Falou dando de ombros. – Vou estar na frente do restaurante, então não precisa surtar. — Deu um peteleco na minha orelha e saiu.
Fiquei observando sua trajetória até o banco da pracinha que ficava em frente a onde estávamos, passando ainda mais uns dez minutos vendo-o molestar um pobre passarinho até ouvir uma risada sonora da morena a minha frente.
– Completamente apaixonado, heim Sr. Allen? – Comentou divertida cutucando minha bochecha.
– Er... Então... – Comecei sem jeito, mas ela me interrompeu.
– Não precisa explicar. Cinco minutos com ele e eu entendi como você se apaixonou. – Respondeu sorrindo compreensiva e eu agradeci internamente pela Lenalee ser... Bem, a Lenalee. – É um garoto impressionante. Kanda, não é? – Continuou olhando-o pela janela por um instante. – Eu sei que isso vai soar estranho, mas ele me lembra o gato da Road, pela cor dos olhos. Eles tem até o mesmo nome, que coincidência.
Respirei fundo tomando coragem para explicar.
– Então Lena, ele não parece, ele é. – Falei de uma vez recebendo um olhar confuso por parte da morena.
– Não entendi. – Respondeu franzindo o cenho.
– É uma longa história...
Expliquei tudo desde o começo, de quando elas saíram e eu fiquei tomando conta do gato, do vinho, das milhares de idas a farmácia pra comprar curativos, o quase assassinato do Lavi e sobre o atentado que me fez vir parar no Japão .
Até agora ela tinha sido a única pessoa que acreditou em cada palavra do que eu disse sem questionar. Na verdade, nós sempre fomos assim desde pequenos, se ela me dissesse por exemplo, que tinha visto um elefante rosa, eu acreditaria.
Olhei mais uma vez para a janela para ver o que Kanda estava fazendo e senti meu sangue gelar subitamente.
– Ai meus deus Lena! Cadê ele?! – Me levantei assustado sendo acompanhado pela morena que empalideceu de repente.
– Calma Allen, talvez ele tenha ido atrás de outro passarinho... – Tentou me acalmar, se levantando e indo junto comigo em direção a saída do restaurante.
– E se tiverem feito algo a ele? – Minha mente nervosa logo começava a imaginar todos os piores cenários possíveis.
E todos envolvendo um certo homem de demoníacos olhos escuros.
– E você acha que ele não reagiria? – Respondeu ela enquanto atravessávamos a rua.
– Se fosse uma pessoa normal, eu teria pena da pobre criatura que resolvesse atacar aquele gato... – Minha voz soava quase agourenta. O dia claro e ensolarado parecia cada vez mais escuro.
Só havia uma única vez em que Kanda fora atacado e não reagiu.
– “Pessoa normal”? O que quer dizer com isso? – Ele indagou preocupada, tomando minha frente.
Um calafrio atravessou meu corpo e senti meu coração apertar com se estivesse sendo comprimido por um rolo compressor.
Meu mundo parecia desmoronar progressivamente, a cada pedaço que ia ao chão meu coração ficava mais gelado, meu sangue corria dolorosamente nas veias, minha alma parecia sangrar naquele instante.
Acho que nunca foi tão doloroso estar vivo.
Não tinha como ter esperança de algo, eu sabia exatamente o que ia acontecer, mas resolvi pensar que conseguia protegê-lo. Ignorei seus apelos, seus avisos, os sinais, e agora eu vejo como fui estúpido.
Não fui capaz de mantê-lo ao meu lado como prometi.
– Allen! Fala comigo! Você tá bem?! Allen! Acorda! – A voz da Lenalee soava ao longe no mar de desolação em que eu me encontrava.
Eu falhei, e por isso perdi o que tinha de mais importante.
Jamais pensei que doeria tanto, sabia que seria como morrer internamente, mas não imaginava que seria antecedido de tortura.
Logo quando finalmente tinha o achado... Eu o perdi.
E agora...
Praft!
Acordei no chão com um soco muito do bem dado. Levantei meu olhar na direção da Lenalee buscando uma explicação.
– EU TE CRIEI COM ALGO NO MEIO DAS PERNAS SEU MOLENGA! CADÊ O ALLEN WALKER QUE EU CONHEÇO?! SEQUETRARAM SEU CARA E VOCÊ FICA AI PARADO COM ESSA CARA DE EMO COM RETARDO MENTAL?! VAI DEIXAR BARATO?! – Ela parecia no mínimo puta da vida, e com razão.
– Essa nunca foi minha pretensão. – Me levantei limpando o sangue da boca.
Eu podia estar destroçado por dentro, mas o que eu sentia por Kanda não mudava minimamente.
Eu lutaria por ele até o fim.
– Acho que foi aquele mesmo cara da explosão no seu apartamento, acabei de achar a coleira de Kanda, e com um bilhete. – Falou me entregando o objeto.
– Acha? Ainda “acha”? – Comentei limpando as lágrimas para ler o bilhete.
Quem não iria tocar nele mesmo meu caro Allen Walker?
Até posso imaginar a sua face frustrada nesse momento.
Não pode me impedir de tocar no que me pertence, mas como não
sou uma pessoa tão má como o Yuu deve ter feito parecer,
resolvi te dar o direito de se despedir devidamente.
Vamos, será divertido!
Ass.: Neah.
Amassei o bilhete em minhas mãos respirando fundo.
Eu podia jurar que nunca senti tanto ódio na minha vida.
Eu nunca me perdoaria por deixar que aquele verme maldito tocasse em um único fio de cabelo de Kanda, mas teria ainda mais raiva de mim mesmo se o deixasse vivo por mais tempo.
– Allen, liguei para o Tikky, vamos até onde ele está, ele disse que pode rastrear esse cara. – Falou desligando o celular e pegando a chave do carro.
– Não temos tempo a perder. – Já me encaminhado ao estacionamento junto com ela.
Kanda, quando eu disse que iria atrás de você até no inferno...
...Eu estava completamente certo de que iria até muito além disso.
Notas finais
Agora nem vai demorar já que Neko...?! tá prontinha e eu só vou sair postando (e estou postando só ela mesmo no momento.u.u)
Avisando que no próximo cap serão usadas informações dos caps anteriores e... Ah, quase esqueci, vai ser na versão do Yuu Neko! *o*
Avisando também que cenas hards vão rolar...
E ai? Reviews, xingamentos, praga, macumba, tijolo, recomendações?
Por favor se tiver algum erro avisem, já que pelos comentários anteriores meu beta é pior que eu. Eu dei só uma revisadinha rápida mas... Enfim....
Agradeço a paciência de vocês com essa autora baka~
Kissus ♥
Fale com o autor