Neighbors

5 Capítulo 4 - First step


Notas iniciais
NÃO ME MATEM, POIS EU SEI QUE ESTOU SUMIDA! Mas vamos às explicações. Eu estou muito atolada de obrigações. Sério gente, minha faculdade voltou as aulas e tenho uma prova difícil nessa próxima semana. MAS ADIVINHEM? Eu deixei de estudar para escrever o restante deste capítulo nessa tarde, então espero que gostem. *OBS*: SEI que estou devendo o Epílogo de "Recomeçar" a vocês e ele está começado, preciso de tempo para terminá-lo, mas tive que ter que dá uma atenção especial a essa Fic que está no começo. Então me perdoe e logo mais vocês terão o Epílogo da outra história. Sem mais delongas, estou com saudades de vocês florzinhas e, por fim, uma boa leitura. ♥

Oliver Queen

Minha cabeça ainda dói devido à noite anterior, bebi algumas doses amais do que esperava. Confesso que minha visão costuma se tornar turva quando ultrapasso meus limites, poderia ter perdido a noção se Laurel não tivesse chegado trazendo com si todo o seu charme e sensualidade. Seus lábios continuam sendo os mesmos de quando era apenas uma garota do colegial.

De cintura fina e seios fartos.

Onde me perdi pela primeira vez.

Mas é certo quando dizem que por mais que o peixinho dourado seja irresistível ele sempre morre pela boca. Laurel pode ser uma amiga com quem perdi a virgindade ou uma conquista certa para uma noite qualquer na cidade, no entanto ela sempre continuará pecando no mesmo ponto, simplesmente quando insiste em tocar no meu passado. Eu poderia ter dado o que ela merecia, o seu corpo estava implorando pelo meu calor, mas passar se quer uma noite em Starling City não estava em meus planos, porque absorver os olhares julgadores das pessoas não é fácil. Passaram-se dois anos e eles permanecem me recriminando assim como minha mãe, a diferença é que eles não fogem de mim, pelo contrário, as perguntas são diretas e certeiras.

Me chamam de covarde e assassino.

Não se importam ao menos em tentar me dar uma segunda chance, conhecer o cara em que me tornei e da essência que nunca saiu de dentro de mim.

O voo me fez perder praticamente todo o meu dia, ou seja, eu estou ansioso por ter minha cama aconchegante acompanhada do meu travesseiro de penas de ganso. Nada como um sono pesado para me fazer esquecer o que aquele lugar me faz lembrar. Mas os meus planos são colocados ao chão quando me dou de encontro a um grande caminhão de reboque paralisado em minha garagem, o barulho é insuportável e há algumas pessoas ao redor com curiosidade. Movido também pela mesma curiosidade me permito aproximar da pequena multidão, avistando de longe o caminhão arrancar com deliberado desrespeito uma caminhonete amassada, caindo aos pedaços devido ao tempo.

A minha caminhonete.

— Parem com isso! Agora! — me ponho à frente do gancho que ergue a carcaça do meu antigo carro. O maquinador por sua vez me ignora, continuando a direcionar a caminhonete para uma caçamba de metal.

Parece que ela foi estraçalhada, há pedaços por todo o pequeno espaço da vaga em que estava. Também há resquícios de vidros pelo chão, neles consigo ver o reflexo de um clarão idêntico ao que bateu contra nós na noite mais triste de toda a minha vida. Uma noite que me faz ter pesadelos sempre que vem à tona. É como um impacto, mas as lembranças se apagam completamente à medida de que me lembro dela se perdendo ao fechar seus olhos na minha frente.

Eu guardei essa caminhonete como uma lembrança da pessoa que eu era, para que eu pudesse observá-la sempre que sentisse estar voltando a ser o mesmo irresponsável que um dia já fui. Porque se ela está nessa situação, é porque eu a causei todo o mal. Me lembro de quando a peguei no colo, minha mãe tinha receio de que eu pudesse deixa-la cair, mas eu me sentia um homenzinho. Tínhamos uma diferença de idade considerável, mas eu queria tê-la em meus braços. Então a peguei no colo e a ninei, ela sorriu para mim. Foi nesse momento, com toda minha pouca idade, que prometi cuidar e a proteger de tudo que pudesse coloca-la em risco. Eu não iria deixar com que nada a acontecesse, porque me tornaria seu escudo, ela não teria escolhas, eu não a deixaria para trás jamais. Mas a vida passa e, às vezes, não percebemos, mas deixamos de cumprir promessas, e somos traídos pelas nossas próprias palavras.

Eu falhei com Thea.

De forma miserável e imperdoável.

— Você deve ser Oliver Queen. — um homem vestindo um uniforme com o mesmo logotipo do caminhão de reboque sinaliza para mim, mantendo uma prancheta nas mãos.

— Que merda está acontecendo aqui? — esbravejo.

— Estamos a serviço do sindicato do prédio. Parece que os moradores entraram em um consenso sobre liberar uma vaga inativa por você, estamos fazendo nosso trabalho.

— Eu fui contra isso.

— Isso não nos diz respeito, torno a repetir, estamos fazendo o nosso trabalho. — ele dá de ombros. — Preciso que assine aqui.

Desvio a atenção para a pequena prancheta.

Eu a empurro para longe causando certo temor ao homem.

Seus olhos se arregalam e as pernas bambeiam pateticamente.

— Engula essa merda, vocês já estragaram tudo.

Suspiro longamente dando as costas para as pessoas que continuam me assistindo, eu poderia manda-las irem para o inferno ou esmurra-las com meu punho até vê-las pedindo desculpas por terem destruído algo importante na minha vida. No entanto eu só gostaria de ficar um pouco sozinho.

Longe de todos.

É isso que faço.

Estou pensativo sentado em um dos vastos degraus da escada de serviço quando ouço o barulho da porta se abrir em um rompante. Eu volto a suspirar temendo pelo meu sossego ter sido quebrado, e antes mesmo de ouvir a voz de Felicity se aproximar, consigo sentir sua presença. Eu a noto pelo simples cheiro de sua colônia conhecida que chega aos lugares primeiro do que ela, fixando-se por todos os cantos, deixando sua marca.

— Está fazendo turismo pelas escadas do condomínio? — ela pergunta em um misto de sarcasmo.

— Você concordou com eles?

— Do que está falando?

Levanto com cautela do degrau em que estava sentado, a luz está baixa e pouco consigo enxergar com exatidão o rosto de Felicity. Mas ela permanece tão perto, centímetros mais baixa do que eu, permitindo que meu corpo cresça sobre o seu. Mas seus pés não dão um único passo para trás em espanto, como sempre se mantendo em sua armadura de aço irredutível. Eu gostaria de alcançar seus olhos com melhor claridade, ter uma visão mais límpida de seus lábios carnudos se comprimindo um no outro ao me enfrentar.

Mas só o que faço é rir ironicamente.

— Da merda de um complô que vocês armaram contra mim! Eu pagava por àquela vaga de estacionamento, vocês não tinham que se meter.

— Então você está se referindo à lata-velha? Te fizemos a porcaria de um favor, Queen.

— Um favor? Vocês não podiam ter feito isso, não sem o meu consentimento.

Felicity dá de ombros. — Aquilo estava caindo aos pedaços, podia servir como esconderijo para bichos. Se demorássemos mais algum tempo a vigilância sanitária estaria batendo em nossas portas.

— Isso não iria acontecer.

— E por que uma caminhonete amassada é tão importante? Ela era um troféu que servia para mostrar o quanto é durão e destemido? Oliver, essa lata-velha só deve ser mais uma das merdas que você fez... Supere isso!

As últimas palavras que escorregam de sua boca fazem com que eu a empurre contra a parede. A luz que ultrapassa o vidro do pequeno basculante forma um fecho de luz no rosto de Felicity, deixando-me perceber o quanto está assustada com minha forma rude de aborda-la. Eu a forço para frente, e neste instante, as bolsas de compras que estavam em suas mãos caem pelo chão e algumas latas deslizam até o primeiro degrau batendo contra a porta e gerando um som gritante. Minha respiração se torna célere em segundos, misturando-se com o ar quente que escapa das narinas de Felicity, acompanhando as lufadas rápidas que seus pulmões liberam.

— Nunca mais se dirija a mim dessa forma. — sussurro languidamente, não perdendo de vista a direção dos seus olhos.

— Você está me machucando! — seus pulsos tentam escapar das minhas mãos que permanecem segurando-os com rigidez. A voz de Felicity soa entrecortada pelo medo que está nutrindo de mim, não há mais sarcasmo em seu rosto e seus olhos me dirigem um sentimento de pavor desconhecido. Em tão pouco tempo não havíamos nos tocado ou tido qualquer tipo de aproximação, e agora, em questão de poucos segundos, estou sobre ela mostrando uma versão de mim que pensei ter deixado no passado. Eu não costumo agir como um monstro, eu não sou um monstro, e então, seu olhar de pavor me faz soltá-la de imediato, afastando de si minha respiração pesava e lasciva. Eu dou as costas para Felicity por certo tempo até deixar com que a escuridão dificulte nossa trocar de olhares.

Eu bufo à medida que retorno a ela.

— Que droga Felicity! Quem você pensa que é? Vive fugindo de você mesma como um cão assustado que esconde o rabo entre as pernas. — respiro fundo buscando o ar que preciso para reestabelecer meu controle, mas Felicity se quer dá um passo, ela está parada com os olhos fixos em mim. — Você me acha um idiota, mas esquece de olhar para os lados, porque simplesmente está cega. A sua baixa autoestima camufla quem você é de verdade, tendo que acatar as vontades de um cara que não se importa com você! Você pensa que sou um cafajeste sem um futuro promissor, mas se esquece de Dallas. Erick tem você como um brinquedinho, um fantoche que ele faz o que quiser, e me pergunto, sempre que tenho a oportunidade de te ter por perto... O porquê de você insistir em um relacionamento quem não te levará a lugar nenhum, confiando em alguém que não se preocupa em te fazer feliz. Então... — suspiro antes de finalizar, de colocar para fora parte de tudo o que eu penso sobre a vida de mentiras que Felicity insiste em viver. Eu não sei o motivo de estar falando isso, de estar jogando sobre ela toda minha frustração em relação ao que ela não tem culpa alguma. Mas essas palavras estavam entaladas em minha garganta, eu apenas precisava coloca-las para fora sendo esse o momento certo ou não. — Não fale comigo como se eu fosse inferior, não torne meus problemas menores do que os seus. Porque não conhece um terço do que eu precisei passar para tornar a pessoa que sou hoje.

Felicity engole a seco.

Um silêncio gélido nos envolve até que sua voz embargada o corta.

— Obrigada por terminar de tornar minha noite uma merda.

E é só o que escuto, não há uma réplica, ela não tenta ao menos debater minhas palavras duras. Seus passos fazem o único barulho ao redor, dando-me a dizer que está indo embora, as bolsas de compras permanecem no mesmo lugar, latas espalhadas pelas escadas lembrando-me de como fui um ignorante ao tocá-la daquela forma rude.

Será que deixei as marcas dos meus dedos nos seus pulsos? Ela disse que eu estava a machucando. Não importa, porque com toda a certeza, a minha fúria, a forma com que disse tudo que pensava sem me importar em como seria digerido por ela a marcou. Sobressaiu à maneira com a qual a encostei contra a parede e de como a segurei pelos pulsos.

O que faz de mim um otário.

~~~

— Buggy, não me olhe assim. Não há possibilidades de ir até Felicity pedir desculpas... — o meu cão cobre os olhos com as patinhas. Na maioria das vezes, em situações como essas, eu não sou de dar ouvidos a ninguém. Mas quando Buggy cobre o rosto com as patinhas, é porque algo está definitivamente errado. No caso, eu acredito que eu seja o grande errado nessa história. — Ela é uma mulherzinha de nariz em pé que diz o que dá na telha a hora que quer e quando eu decido falar o que penso eu é quem sou o Lobo Mal engolindo a casa dos três porquinhos?

Buggy levanta a cabeça e inclina para o lado concordando com o que eu digo.

— Besteira! Amigão, eu não vou pedir desculpas.

Novamente Buggy vai até as sacolas de compras que Felicity deixou nas escadas, ele dá voltas ao redor e me destina latidos incessantes. Após os latidos ignorados, corre até a porta empurrando-a com as patas para que eu a abra.

Deixo com que minha cabeça caia para trás.

— Por que sempre tenho que te dar ouvidos? — pego as sacolas de compras e abro a porta, Buggy imediatamente se dirige à porta de Felicity voltando a latir em emergência. Eu o sigo com um semblante torto até alcançar a campainha, a aperto uma vez, mas não há sinal de nenhuma alma viva para abri-la. — Mais uma tentativa, se ela não abrir, a missão estará sendo abortada! — volto a apertar a campainha por mais uma vez. E, de novo, a porta permanece fechada a minha frente, mas à medida que levanto um dos meus pés para voltar a meu apartamento, ela se abre.

Felicity está vestindo um pijama de estampa engraçada, há pizzas por toda a extensão do tecido. Se há algo em que nós combinamos nesse pequeno planeta chamado Terra, é que amamos estampas divertidas. Eu permito que meus olhos desçam por todas as curvas do seu pequeno corpo escondidas por detrás da grande camisa e short largos, e isso me excita, quebra todos os motivos que levaram a apertar essa campainha. Eu gostaria de atravessar por essa porta deixando-a sentir meu impacto, levando-a até o sofá e a dando o que nenhum homem foi capaz de proporcioná-la até hoje. Mas como tudo é incerto e vivemos do céu ao inferno em questão de segundos, a expressão “Quatro pedras nas mãos” nunca fez tanto sentido quanto agora, porque Felicity acaba de abrir a porta com certa rudez, como se soubesse exatamente que eu é quem estaria esperando do outro lado.

— O que você quer agora? Despejar o restante da sua frustração nas minhas costas? Ah, mas não vai mesmo! Eu tive um dia de cão, literalmente, Helena me fez pagar todos os meus pecados levando a sua dupla de Pequineses para a retirada dos cálculos dentários. E eu só pedia aos céus para que não fosse na sua clínica veterinária, porque eu não estava a fim de ter que suportar as suas piadinhas de duplo sentido. Como se não fosse o bastante, ao pensar que meu dia estivesse terminado... — abro a boca para ensaiar uma explicação plausível, mas o intimidador dedo indicador de Felicity faz de mim um alvo, interrompendo qualquer tentativa. — Agora é a minha vez, você vai ficar quietinho até que eu termine. — ela toma ar em seus pulmões dando continuidade ao sermão. Seu tom de voz é idêntico ao das madres do colégio interno no qual estudei quando mais jovem, marcante e irascível. — O encontrei nas benditas escadas de serviço, procurando por uma vítima. E eu ouvi tudo o que você tinha para me dizer, está feliz? O senhor sabichão da vida alheia está contente? Pois eu não estou. E para completar a minha vida medíocre, nem a porcaria de um banho quente para relaxar pude ter, porque a minha resistência continua queimada!

Isso foi arrasador.

Estou me sentindo envergonhado, à procura de um buraco para enfiar minha cabeça assim como fazem os avestruzes, na tentativa de esconder o completo idiota que fui.

Agora é a minha vez de tomar ar em meus pulmões.

— Desculpa.

— O que foi que disse? — Felicity relaxa os ombros deixando sua cabeça inclinar levemente para o lado à medida que forma uma ruguinha conhecida na testa. Eu gostaria de sorrir diante da sua expressão confusa, é divertido como mesmo colocando fogo pelas ventas ainda continua com sua essência interior tão magnética, que tem o poder de conseguir me deixar completamente atraído.

— Estou te pedindo desculpas.

— Ainda não é meu aniversário.

— Considere um presente de Natal antecipado! — digo sarcasticamente enquanto adentro ao apartamento. A iluminação é baixa, mas parece que estou dando os primeiros passos para o céu, tudo aqui tem o cheiro de Felicity. Minhas narinas estão agradecendo por essa oportunidade, a verdade é que já descobri o que seu cheiro me lembra. É algo que se assemelha aos cookies que minha mãe fazia quando eu e Thea éramos mais novos, eu apenas me sinto mais próximo de casa quando sinto seu aroma. Como se o cheiro de Felicity fosse o meu lar.

— Você pode deixar as sacolas de compras em cima da mesa e ir embora. — ela ainda está parada em frente à porta. Seus braços estão cruzados e a feição do seu rosto permanece com a ruga instalada no meio da testa. Eu não consigo mais segurar uma risada de meus lábios, não sei o quão isso é engraçado, porém só consigo deixar com que ela escape.

— Do que está rindo?

— De você.

— Queen, eu não estou para brincadeiras. Você me pediu desculpas? Desculpas aceitas. Agora, por favor, me deixe ter uma noite de sono agradável. — Felicity bufa, encostando a porta e dirigindo-se para o sofá onde Polly está esparramada com suas mamas repletas de leite.

— Você mencionou estar com a resistência do chuveiro queimada... Não sei se hoje é a sua noite de sorte, mas eu sou ótimo em trocar resistências. — sento sobre o braço confortável do sofá, dando toda a atenção para as pernas descansadas de Felicity sobre as almofadas. — Inclusive, eu adoraria trocar a sua resistência.

A piada pode ter sido de duplo sentido, mas eu não poderia perder essa.

Felicity dá um pulo do sofá, dirigindo-me sua curiosidade, arrancando de mim uma nova gargalhada. Eu não faço ideia de como se troca uma resistência, afinal de contas eu sou da área médica, não um eletricista. Quero dizer, se é que esse tipo de trabalho é feito por eletricistas, não me importo, só o que estou pedindo é que o Santo das Resistências possa me auxiliar de onde ele estiver, me dando uma forcinha.

— Está tirando sarro comigo?

— Eu não tenho cara de que faço esse tipo de coisa?

— Não. — Felicity ao menos balbucia, o que me faz revirar os olhos.

— Eu poderia me sentir humilhado, mas não vou te dar esse gostinho. — passo pela cozinha que tem modelo americano indo em direção aos fundos do pequeno apartamento onde se encontra o banheiro.

— Hey, você não pode sair entrando assim! Como sabe onde é o meu banheiro? — ela pergunta incrédula ao me acompanhar.

Baby... Eu conheço seu apartamento de olhos fechados. — ao entrar no banheiro estreito me decepciono. Como não há nenhuma calcinha pendurada? Tudo bem, isso pareceu um pouco pervertido da minha parte.

Felicity bate o pé ao me ouvir chamar por seu apelido. — Se vai fazer isso, que faça rápido!

— Você anda muito estressada, sabia? Eu li em um artigo científico que isso é falta de dopamina, talvez endorfinas. — abro com cuidado o vidro transparente do box, chegando ao destemido chuveiro destruidor de banhos relaxantes da minha vizinha preferida.

Ela cruza os braços e encosta sua cintura na beirada da pia, observando minuciosamente cada movimento que faço. Ela é uma águia, com certeza sabe que não faço ideia de como consertar esses eletrodomésticos, e ela tem razão de ficar preocupada, uma vez em uma tentativa falha de consertar a entrada de uma tomada para carregar minha sanduicheira elétrica acabei dando um curto em todo o prédio.

Ficamos sem energia por um dia inteiro.

Em minha defesa, as instalações desse lugar estão mais do que velhas.

— E onde eu posso comprar remédios com esses hormônios, senhor Sabichão? — sua sobrancelha arqueia em provocação ao me perguntar, dando passos languidos até onde estou. Seus olhos estão tão vívidos no seu rosto que eu me perco, de forma impressionante eu não consigo notar o quão rápido ela conseguiu me alcançar, simplesmente porque estou parado como um dois de pau a glorificando.

— Lugar nenhum, eu sou uma máquina de dopamina e endorfina... Você só precisar deixar com que eu a mostre. Baby, você não irá se arrepender!

Meu Glorioso Deus criador do céu e da Terra, o que está acontecendo comigo?

Meu pau está querendo gritar dentro das minhas calças pelo simples aproximar dessa mulher. Eu não sei o que poderia acontecer se eu estivesse dentro dela, acredito que viraria poeira ou grãos de areia.

— Eu não vou me arrepender? — Felicity deixa com que sua voz se torne um sussurro rouco enlouquecedor. Seu corpo, desta vez, está poucos centímetros distantes do meu e ela não deixa barato, porque um de seus braços roça o meu abdômen ao mesmo tempo em que passeia pelo meu peitoral largo já tensionado. Mais um passo, eu consigo sentir a ponta dos seus pés encostarem os meus, eles estão dando um pequeno impulso para que seu rosto se aproxime, deixando seu hálito me embriagar, embebendo não só a mim como também o pequeno compartimento de vidro em que estamos. Sua cabeça novamente inclina para o lado oposto, seus lábios carnudos levantam em direção aos meus e deixam com que um sorriso de soslaio escorra. Eu não sei quais são as suas intenções, mas instintivamente meus olhos se fecham apenas para sentir o quão doce é a sua presença. Assim, meus lábios traidores se entreabrem baixando minha guarda para que Felicity me domine.

Geralmente sou eu quem tomo a iniciativa.

Mas não agora.

Não com Felicity.

À medida que seus seios raspam meu peito eu sinto uma das palmas da mão me empurrar enquanto que a outra gira o registro atrás de mim. E de imediato o jato frio bate contra meu corpo molhando-me por inteiro.

— Inferno!

Abro meus olhos ainda de baixo da água fria enquanto Felicity contorce seu corpo pelas gargalhadas divertidas. Ela está rindo como uma criança que acaba de armar uma das suas emboscadas, e eu por incrível que pareça não dou um passo se quer de onde estou, simplesmente por tentar reconstruir a bomba de sensações que acabei de compartilhar sem ao menos me dar conta.

— Você estava tentando me enrolar, Queen.

— Você não tem provas!

Isso não vai sair barato.

Rapidamente meus braços alcançam a pequena cintura de Felicity, erguendo-a do chão até trazê-la comigo para de baixo do chuveiro com a água fria. Ela está se debatendo contra meu corpo, mas eu não estou me importando, eu a quero tão molhada quanto eu. Ao mesmo tempo em que estamos nos molhando também há risadas e aos poucos Felicity contém suas pernas sobre o chão, girando seu corpo ainda dentro dos meus braços e agora finalmente dirigindo suas vívidas bilhas azuis de encontro as minhas.

— Isso foi golpe sujo.

Ela volta a sussurrar me fazendo derreter.

Por quê?

Não há explicações.

— Eu já imaginei você molhada, mas não tão molhada...

— Chega, Queen.

Ao bufar, seus pés iniciam um movimento de retirada se desvencilhando dos meus braços e da água gelada que continua batendo em nossos corpos. Mas antes que consiga se retirar, uma das minhas mãos agarram com propriedade o seu antebraço e como um ioiô o corpo de Felicity volta ao meu, suas mãos espalmam meu peito, sua boca está repleta de gotas de água que escorrem pela base seu maxilar descendo até seus seios cobertos pelo fino tecido do pijama que denuncia o seu formato perfeito. A minha vontade é cobrir sua boca com meus lábios e suga-los com domínio, matar a sede que tenho de provar do seu gosto, mergulhar no doce de sua língua. Mas tudo o que faço é desviar da tentação que são seus avermelhados lábios, de seus olhos assustados que me observam com atenção deixando minha cabeça descansar no acesso de seu pescoço onde seu cheiro familiar é ainda mais concentrado, meus braços envolvem a estatura pequena com posse em um abraço apertado.

Eu poderia beijá-la, moldar nossos lábios um no outro, mas tudo o que eu quero é poder senti-la por completo. Seus seios túrgidos estão prensados na altura do meu peitoral, sua respiração é profunda acompanhando o ritmo intenso em que meu diafragma infla acompanhando-a em sincronia. Mas nada se iguala aos batimentos acelerados dos nossos corações em combate com as paredes dos nossos peitos.

É assustador.

E ao mesmo tempo aconchegante.

De vagar as mãos espalmadas de Felicity nutrem a força que precisam para nos afastar, no mesmo instante, minha garganta impede que um grunhido inconformado seja colocado para fora. Pois mesmo que água gélida deixe cada parte de nossas extensões arrepiadas, nossa aproximação nos aquecia. Um calor fugaz que não consigo entender, mas que se encontra impecavelmente como se fossemos rios e nossas nascentes tivessem a mesma fonte límpida e natural.

— Por que fez isso? — sua voz continua baixa e seus dentes batem um contra o outro, os lábios estão um pouco roxos e intumescidos.

— Eu senti que você precisava.

Felicity dá passos para trás me deixando para trás acompanhado somente da água que continua sobre mim. Eu fecho o registro com rapidez e andando em passos largos com cuidado para não escorregar a alcanço na sala de estar de costas para mim, abraçando seu pequeno corpo com os braços, esfregando-os para livrá-la do frio que o sistema de aquecimento da casa não é capaz de fazer.

— Você deveria ir.

— Por quê?

Malditamente estou tremendo de frio.

Batendo meus dentes tão exasperadamente que poderia torna-los audíveis.

Levanto uma de minhas mãos para apoiá-la sobre o ombro de Felicity que se vira para mim, os fios dourados estão colados em seu rosto. E, então, a mesma mão que aproximara do ombro desvia para os cabelos úmidos, os levando para trás de sua orelha, e de novo, seus pés tornam a se afastar. Eu respiro fundo em resposta ao comportamento arisco decidindo acabar com a distância de nossos corpos mais uma vez e o movimento que faço para aproximá-la é tão árduo que a faz tirar parte dos seus pés do chão, nossas testas molhadas colam uma na outra e o encontro de nossos olhos funciona como o gatilho de uma bomba explodindo. Ela arfa profundamente ao mesmo tempo em que roça deliberadamente as pontas de nossos narizes. Eu suspiro com sua carícia e antes que eu possa deixar nossas bocas colidirem, ouço um murmúrio apertado fugir de seus lábios.

— Eu não posso.

— Mas você quer... — aperto a cintura para que sua virilha sinta o quanto estou grande. — Sua respiração entrecorta quando sente que estou perto, seu corpo responde de forma exasperada a cada toque... Isso não é algo da minha cabeça, Baby.

Eu quero tê-la.

Eu preciso.

— Por favor, vá.

O maldito sussurro rouco sai pelos lábios de Felicity, mas eu não consigo para de desejar que meus braços continuem segurando firme cada extremidade da sua cintura que se encaixa perfeitamente a mim.

— Você deve estar tão pronta para mim!

— Oliver, eu preciso que vá.

— Eu não quero ir.

— Desculpa... — seu último sussurro sai tão baixo que chega a ser inaudível, mas eu não sei se é realmente tão baixo ou a dor entre minhas pernas pelo joelho forte de Felicity é quem me deixa sem meus verdadeiros sentidos. E como um tiro a queima roupa, deixo com que meu corpo se envergue e minhas mãos de imediato vão para meu membro que, agora, deve está amassado. Para ser ainda mais realista, ele deve está chorando assim como eu.

— Você ficou louca?

— Eu disse que você precisava ir!

Dizem que nós homens somos dramáticos demais com relação a dor quando comparados às mulheres. Eu realmente não acredito nisso, eu sei que elas têm como argumento a história dos quatro dias de cólicas e as contrações durante a gravidez, mas Jesus Cristo, nada se compara com a dor que estou sentindo entre minhas pernas, parece que enfiei minha cabeça na minha bunda e saí andando, porque é algo incomparável. Minhas bolas devem estar inchadas, e agora, não tenho dúvidas que posso ter me tornado infértil, meus espermatozoides sempre se sentirão nocauteados.

— Me traga uma bolsa térmica antes que eu perca o meu pau.

Felicity dá de ombros. — Você deveria ficar com ele em desuso por uns dias!

— É impressão minha ou está me jogando uma praga?

Ela rir cruzando os braços.

— Seria engraçado se você não conseguisse... Você sabe... Chegar lá!

Meu Deus.

Alguém cale essa mulher.

Eu não costumo acreditar em superstições ou nessas crendices sobre pragas, mas sempre que posso evito sair de casa em sextas-feiras treze, passar por de baixo de escadas ou abrir o guarda-chuva ainda dentro do condomínio. Não que eu acredite, eu apenas respeito o espaço alheio, principalmente às crenças.

E, nesse exato instante, estou tentando ignorar a ideia de não levantar meu melhor amigo por algum tempo.

Isso é uma grande besteira.

— Não sabe o que está dizendo. — relaxo meu corpo sobre o sofá. — O que você pensou que eu faria?

— Algo muito errado. — ela balbucia, desviando seus olhos dos meus. É tão claro quanto às águas cristalinas das praias de Aruba que Felicity pensou que eu a beijaria. Eu queria, queria finalmente dar o passo final de encontro a seus lábios. Dar a ela o que ela tanto quer ao mesmo tempo em que nega a sua própria vontade. Mas eu não poderia, porque ela é diferente.

Há tempos eu ando lutando contra mim, tentando coloca-la no mesmo lugar em que as mulheres que costumo ficar estão. Mas com Felicity é simplesmente diferente, ela se destaca por me desafiar sempre que possível, nutrir uma curiosidade gigantesca que é descobrir o sabor dos seus lábios. É por isso que eu não consigo controlar as sensações estranhas que explodem dentro de mim quando a tenho por perto, foi por esse mesmo motivo que não consegui controlar minha atitude mais cedo, eu quis falar cada palavra que infelizmente a machucou. Não para feri-la diretamente, mas porque eu queria abrir os seus olhos para a vida de mentiras que ela está construindo para camuflar a verdade porca que está diante dela. Erick Dallas nunca me desceu, a forma com que ele trata Felicity não é aceitável, mas ela permite, ela o deixa controla-la porque está cega.

Eu só gostaria de fazê-la enxergar.

Não por mim.

E sim por ela.

— Eu não vou tocar meus lábios nos seus enquanto você não pedir. — levanto com cautela do sofá que estou dando passos curtos até o corpo de Felicity ainda parado atentamente fixo a mim. — Seus olhos dizem as palavras que gostaria de ouvir, que seria o gatilho para colidirmos um no outro, mas eu quero que essas mesmas palavras sejam ditas pela sua boca, Baby.

Felicity engole a seco minhas ultimas palavras e seus olhos se quebram nos meus.

— E disse para você ir... — ela caminha até a porta me forçando a acompanha-la, estamos próximos à saída.

— Eu vou. — dou um passo para fora, ainda estou sentindo as fisgadas da joelhada certeira de Felicity. — Mas não se esqueça, eu vou esperar até que você me peça.

— Boa noite, Queen!

E como se não me deixasse surpreso.

A porta volta a se bater em minha cara.

— Boa noite, Baby.

Notas finais
MEU DEUS QUASE FOI SENHOR, ISSO TEM QUE SAIR CARA**&¨%%(! Mas eu entendo Felicity e também entendo Oliver, então tentem me perdoar e esperarem os próximos episódios que vai PEGAR FOGO NO PARQUINHO GALERIS. BOM, eu RESPONDEREI os comentários do último capítulo logo pela manhã. AH, e espero pelos comentários desse capítulo. É de tamanha importância saber o que vocês estão achando e o que vocês esperam. Xoxo :* ♥