Neighbors

4 Capítulo 3 - Past


Notas iniciais
Olá minhas florzinhas, tudo bem? ESTOU DE VOLTA SIMMM! Sei que me atrasei em relação ao prazo de postar a fic, mas precisei dar umas revisadas importantes! Fico feliz por ver umas carinhas conhecidas por aqui, sejam bem-vindas. E claro, as novas leituras, também deixo meu receptivo pedido de boas vindas, espero que estejam gostando. Mais um capítulo... Boa leitura. ♥.♥

Oliver Queen

Viajar para Starling City é sempre algo angustiante, não pela distância que nos separa, Nova Iorque é apenas alguns quilômetros distantes. Mas quando me refiro a estar longe é puramente emocional. Faz certos meses que não volto à casa de meus pais, não porque eu quero e sim porque eu sinto que esse lugar não é mais o meu lugar.

Não foi sempre assim.

A mansão Queen era receptiva, vivíamos todos unidos como uma família normal. Havia seus confrontos durante o cotidiano, mas nada que nos afetasse diretamente, meus pais sempre deram a mim e a Thea o que merecíamos, eu fui matriculado em um colégio de freiras onde vivi longos anos da minha vida até ingressar à faculdade e nunca me faltou nada, principalmente amor.

Eu costumo brincar que a vida é como uma avalanche, ela começa branda e de repente te derruba. Não anuncia quando vai acontecer, como irá acontecer, agindo como um fenômeno da natureza brutal, arremessando tudo para longe. Montanhas de sentimentos são destruídas, só o que nos resta são lembranças que um dia serão apagadas de nossos subconsciente, deixando-nos sozinhos sem ter no que apoiar, sem um chão em baixo de nossos pés. E no final da vida só nos lembraremos de nossos nomes, nada do que fizemos, do que fomos farão sentido, porque não há mais lembranças.

Porque elas estão indo embora junto com ela.

— Você demorou meu filho! — Robert Queen me abraça fortemente em seus braços.

— O voo atrasou.

Meu pai é Diretor Executivo das Indústrias Queen Consolidated há décadas, ele lidera uma das maiores potências de Starling City ficando no mesmo patamar apenas do Grupo Global Merlyn. Sua cabeça sempre foi voltada para a família, porém depois de uma sequência de acontecimentos desastrosos, meu pai decidiu se afundar no trabalho, aumentando ainda mais sua carga horária.

Moira Queen é quem mais sofreu com tudo.

Ela continua se mantendo distante.

— Senti sua falta rapaz. — ele dá tapas firmes em minhas costas, afastando-se.

— E a mamãe?

— Sua mãe viajou com algumas amigas para um Spar, sabe como são as mulheres quando o assunto é beleza, não é? — ele sorri de soslaio.

— Ela não quer me ver. Será que nunca vai me perdoar? — minha voz se torna embargada. A dor de não poder ter o amor que sempre recebi da minha mãe é profunda, eu costumo separar muito bem os meus sentimentos de quem eu realmente sou, geralmente eu os mantenho tão longe que os esqueço. Eu perdi a crença sobre eles, se eles existiram talvez tenham ficado no meu passado, junto com as merdas que fiz.

— Não diga besteiras, sua mãe o ama!

— Na noite passada uma garota perguntou se eu já havia amado alguém... Eu disse que não acreditava no amor simplesmente porque eu não conseguia senti-lo mais. — uma lágrima escapa de meus olhos.

— Sua mãe precisa de tempo, Oliver. — Robert Queen seca a lágrima de meu rosto, dirigindo-me um sorriso. Meu pai sempre tentou ser mais próximo, por mais que passasse o dia inteiro nas Indústrias Queen, ele fazia questão de ir a meu quarto e me dar um beijo de boa noite. As palavras eram açucaradas como “Durma com os anjos, Queen”. Ele tinha razão, eu sempre dormia com eles.

— Mais tempo? Passaram-se cerca de dois anos e ela vive arrumando desculpas para não me ver!

Dói profundamente não ter mais a presença da minha mãe como antes, eu nunca fui um cara tão apegado, mas era a ela quem eu recorria quando sentia que iria dar algo errado. Moira sempre acobertava as besteiras que eu fazia, ela me ameaçava dizendo que contaria tudo a meu pai, mas no final ela deixava o sentimento de mãe superar as bobagens de garoto que eu havia cometido.

Eu a amava.

— Não são desculpas meu querido, nós todos sempre iremos sentir muito. — ele suspira longamente. Seus olhos se perdem por um instante, eu não vou mentir que estar nessa mansão faz com que tudo o que aconteceu se torne mais sólido. Robert continua. — Aliás, precisamos conversar sobre isso.

Minha respiração então se torna hábil.

Eu sempre fico muito aborrecido quando tocam nesse assunto, minha raiva chega a querer estourar minhas veias.

A fúria me leva a chutar um vaso de plantas na minha frente.

— Eu não quero falar sobre isso! Eu saí de Starling City porque as pessoas insistem em fazer perguntas maldosas. Elas não me deixam em paz, vocês não me deixam em paz, está acabado para mim!

Antes que meu pai possa falar qualquer outra coisa que me traga lembranças desse fatídico dia eu saio como um foguete batendo a porta atrás de mim.

~~~

Felicity Smoak

Erick não passou a noite comigo, ele inventou uma desculpa descabida e eu fingi acreditar. Estava tarde demais para alongar uma discursão que no final ele faria me sentir ainda mais errada, é sempre assim, ele tem uma opinião muito forte e palavras certas que se encaixam perfeitamente, não negando o porquê de ser um ótimo político.

Mas foi bom não termos passado a noite juntos, minha cabeça estava conturbada com tudo o que havia acontecido. As sensações estranhas que meu corpo gritou para fora assim que Oliver se aproximou de mim foi indescritível, nunca tínhamos passado de nosso limite, digamos que há uma fronteira entre nós que não pode ser ultrapassada como Estados Unidos e México, países que nunca entrarão em um comum acordo.

Eu não quero entrar em acordo nenhum, por que é tão difícil fazer com que a razão ande juntamente com a vontade de dar o próximo passo? Ontem eu quase coloquei tudo a perder por uma simples atração, eu não pensei no que poderia me aguardar dali em diante. Meus pés sempre foram bem presos ao chão, não vai ser dessa vez que vou permitir que eles flutuem, Erick teve razão em me chamar a atenção, não concordo com a forma brusca que fez, mas eu precisava voltar para o lugar que eu nunca deveria ter pensado em sair.

— Acorde! — A voz de Helena explode sobre meus ouvidos me retirando do transe.

Uou! Você quase me matou de susto.

Meu corpo pula da poltrona de meu pequeno cubículo, levando minhas mãos até meu peito que infla rapidamente. Ainda bem que eu tenho um seguro de saúde, porque algum dia, seja qual for ele, ainda terei um piripaque causado pela voz estridente de Helena.

— Levante! Eu preciso que você vá até o aeroporto buscar o Chris. — o Foguete passa por mim, entrando em sua sala, e como o esperado a porta bate em minha cara. Ela sempre faz isso, acredito que ela ache que se segurar a porta para que eu entre logo atrás de si faria com que sua mão caísse.

— Eu preciso deixar o estúdio pronto, busca-lo no aeroporto não é a minha função. — deixo que a ousadia escape. Eu ainda perderei o meu emprego pela impulsão com as palavras, elas sempre saem na hora e local errados.

Helena espreme os olhos fulminantes em minha direção.

— Eu irei fingir que não ouvi suas palavras, senhorita Smoak. — ela ingere seu café, inclusive o que eu trouxe para ela, poderia ter colocado laxante dentro dele, mas ainda não cheguei a esse ponto. Ela plenamente continua. — Um dos motoristas que iria busca-lo teve problemas familiares. Aliás, ter problemas familiares deve ser uma desculpa de pobre para faltar o emprego, mas falar isso diretamente poderia me render processos trabalhistas. — engole o ar e continua traçando sua linha de raciocínio. — Então me sobrou você!

— Isso é sério? Há milhares de motoristas na Revista V, isso não faz sentido algum, Helena.

É claro que não faz.

Ela está agindo propositalmente.

— Realmente... Não faz, mas eu quero que você vá. — sua língua corre os lábios em um profundo vermelho cereja à medida que sua sobrancelha arqueia. — Agora!

— Está caindo um temporal lá fora e meu carro está no mecânico, o que quer que eu faça? Pegue sua vassoura... — travo as palavras tão rapidamente antes que ela entenda o sentido. — O ponto é, não há chances!

Helena se levanta, as mãos estão apoiadas sobre a mesa enquanto se inclina para mim. Suas palavras saem tão baixas e languidas que minha espinha é capaz de se comprimirem em minha coluna.

— Acha que sou uma completa imbecil? Eu não deixaria Chris Evans colocar os pés naquela lata velha que chama de carro. As chaves da Mercedes Benz vão estar na sua mesa. — ela ri divertidamente voltando a sua poltrona. — Ande, suma daqui.

— Sim senhora... — ironizo.

— Felicity? — ela chama minha atenção. — O café está amargo demais, não é assim que eu gosto, espero que acerte na próxima vez!

Isso virou uma palhaçada, na semana passada eu a trouxe exatamente o café que pediu. Era com achocolatado e chantilly, eu tive que fazer mágica para que ele não derretesse até que chegasse a sua mesa. Helena fez um show e me mandou ir buscar um café que tivesse menos açúcar porque estava de dieta. Ela pediu um amargo duplo e eu a atendi, agora ela está reclamando de sua própria escolha apenas para me tirar do sério.

— Senhorita Bertinelli, pode ter certeza que não errarei!

Os exercícios de respiração estão dando certo porque por mais que eu queira responder à altura ou voar em seu pescoço magro, engulo todas as palavras malcriadas preparadas para serem gritadas dando meia volta até as chaves do carro sobre minha mesa. Lá fora está se aproximando um dilúvio, eu não sei como farei para chegar ao aeroporto no horário determinado com o caos que deve estar o trânsito de Nova Iorque.

As buzinas estão a todo vapor, por todos os lados, contrastando-se com o barulho da chuva. Meus olhos caem sobre o relógio em meu pulso de dez em dez minutos e parece que eu não consigo sair do lugar. O sinal que estava vermelho se abre e o verde intenso aparece, deixando com que eu pise com força no acelerador, mas para o meu azar o carro não responde.

Eu tento novamente.

Uma vez.

Duas vezes.

Três vezes.

Mas eu não recebo nenhuma resposta, o motor acaba de morrer em minhas mãos.

— Que merda! — balanço o volante a minha frente com força. Atrás de mim as buzinas começam novamente, mostrando-me que estou atrapalhando o trânsito. A minha vontade é de mandarem passar por cima, mas isso não seria uma boa escolha, os motoristas nova-iorquinos levam as palavras muito ao pé da letra.

Eu estou ferrada.

De repente me vejo com um diabinho em um dos meus ombros, ele diz para que eu aborte a missão e mande Helena Bertinelli catar coquinhos em Bali. Em contrapartida, no meu ombro direito tenho um anjinho me pedindo para que eu tenha calma e pense com cautela no que fazer. Meus olhos caem sobre o relógio e o tempo está se esvaindo pelo bueiro não me dando opção alguma, eu preciso fechar os meus olhos e fazer o que deve ser feito, mesmo que isso seja uma besteira.

Ignoro o diabinho com certo pesar, mirando em minha bolsa e em uma capa de chuva amarela no banco carona. Eu a pego e respiro fundo, ao sair de dentro do carro antes que eu feche a porta atrás de mim sou surpreendida com uma grande quantidade de água sobre meu corpo, fazendo-me abrir a boca pelo susto.

ISSO NÃO PODE ESTÁ ACONTECENDO JUSTAMENTE COMIGO, como um carro passa com essa velocidade me jogando toda a água do planeta Terra? Estou molhada como uma patinha feia, de baixo de uma chuva fina irritante, com o carro parado e precisando buscar um dos maiores astros dos filmes de heróis dos cinemas. Eu acho que irei optar por mandar Helena catar coquinho em Bali.

E então, uma luz no final do túnel aparece diante de mim mostrando que não é o fim mesmo quando tudo parece dar errado. Há um homem parado na ciclovia ao lado de sua bicicleta elétrica. É disso que preciso, sem ter que gastar minha energia, sem ter que perder tempo em um trânsito, e principalmente, sem ter que me preocupar em procurar vagas para estacionar o elefante branco que é essa Mercedes Benz.

— Eu preciso dessa bicicleta! — digo rapidamente após abordar o homem que me olha desconfiado. Eu não me importo, até eu me olharia dessa forma e ainda me daria algumas moedinhas com pena.

— O que está dizendo moça?

— Quanto você quer por essa bicicleta elétrica?

Sinto que estou fazendo a maior merda da minha vida, só o que me falta é puxar o talão de cheques que não tenho e oferecer o dinheiro que também não tenho. É, Felicity Smoak, você é uma imbecil.

— Ela não está à venda. — o homem temeroso sobe em sua bicicleta, mas eu o seguro pelo braço. Esse cara deve ser bem paciente, pois eu já estaria ligando para a polícia, afinal uma louca molhada igual a um cão perdido na chuva não é confiável para a sociedade.

— Você precisa salvar o meu emprego!

— Desculpe, mas realmente não está à venda. Talvez você devesse se agasalhar e tentar um taxi. — sua voz, desta vez, é suave. Mas não está me acalmando, pelo contrário, estou ficando ainda mais estressada.

Tenho contas para pagar, perder o emprego agora não estava nos meus planos. É quase certeza que se eu não levar Chris Evans intacto até a Revista V, Helena irá me por na rua. E não, não há possibilidades de pedir ajuda a Erick, ele insiste com essas ideias mas eu sou uma mulher independente, não vou me humilhar tendo que ter como emprego ser a “primeira dama” que ganha dinheiro apenas mantendo suas unhas bem pintadas e vestidos impecavelmente passados. Nunca fui uma madame metida a fútil e não vai ser agora que irei ser.

— Me perdoe! — murmuro.

— O que disse? — o homem pergunta confuso.

Meu punho reúne toda a força, atingindo em cheio o maxilar do homem que cai duro de sua bicicleta indo ao chão, parecendo estar desacordado. No mesmo instante recolho minha mão que está chorando de dor, meu coração palpita ao ver o corpo do sujeito derramado.

— Meu Deus, eu o matei? Merda, eu matei um homem! — abaixo para checar seus sinais vitais e para meu alívio está respirando. E não, eu não sou forte o suficiente porque ele está iniciando movimentos voltando parecendo voltar à terra firme. — É o seguinte, eu preciso pegar sua bicicleta emprestada, não estou a comprando porque ela não está à venda, não estou a roubando porque não sou uma ladra, estou apenas salvando o meu emprego, então... — respiro fundo para pegar ar. — Ligue para esse número se algo der errado! — o entrego um cartão com o número da revista e antes que ele possa levantar, visto a capa amarela e monto em sua bicicleta elétrica dando no pé o mais rápido possível.

Oh garota! — o homem tenta gritar.

— Desculpe pelo murro!

Aumento a quilometragem a deixando mais rápida, em meu relógio estou quase encima da hora, mas o aeroporto está próximo. A chuva resolveu dar uma trégua permitindo com que eu chegue menos molhada do que imaginava em meu destino.

Caramba, eu não o imaginava tão... Tão... Alto.

O Capitão América está bem na minha frente.

Meu Deus.

— Oi! — o cutuco por trás.

— Oi... — ele franze seu cenho dando-me um sorriso de soslaio.

É lindo.

Tudo.

— Você é real? — pergunto boquiaberta.

— Você deve ser Helena. — ele ri divertidamente esticando sua mão para um cumprimento.

— Helena? Eu? Não, eu não tive esse azar. — balanço nossas mãos. Dando-me conta do que eu disse somente após alguns longos segundos. Comprimo meus olhos no mesmo instante que observo as besteiras que falei. — Você poderia apagar da sua mente as últimas palavras que eu disse?

— Acho que elas iriam te colocar em uma encrenca, não é?

— Elas de fato iriam! — meneio a cabeça segurando uma risada.

— Então se você não é Helena... Seria George Denbrough?

Inicio uma gargalhada entendo sua referência a “It, a coisa”.

— Sei que não estamos no Halloween, mas era a única alternativa para não pegar chuva, Nova Iorque está um verdadeiro dilúvio!

— Na próxima vez eu a estarei esperando com um barquinho nas mãos e não deixarei que caia em um bueiro! — ele está se divertindo. O sorriso de Chris Evans é ainda mais comprometedor do que nas telas de cinema, é algo alucinante, areia demais para qualquer caminhãozinho. Mas como diria minha mãe, eu até que faria algumas viagens.

— Meu nome é Felicity Smoak, encarregada pelo ensaio de fotos da Revista V!

— Eu esperava por um motorista negão vestido de preto com uma arma em sua cintura... Não uma loirinha divertida.

Começamos a caminhar para fora do aeroporto.

O bom de viver em uma das maiores metrópoles dos Estados Unidos é que as pessoas não se importam se você está do lado do Capitão América, elas passam por nós sem ao menos pedir uma foto ou um autógrafo. Realmente é confortável não ter que se preocupar com isso, porque de fato eu não tenho mais do que um e sessenta e sete de altura e não tenho nenhuma arma em minha cintura.

— Digamos que o motorista teve um probleminha familiar!

— Tudo bem, esses homens sempre chamam muito atenção! — alcançamos o lado de fora e agora eu tenho a parte mais difícil. Explicar a Chris Evans que não há nenhum carro de luxo nos esperando, nada de Ferrares ou Mercedes Benz’s.

— É... Antes que você ligue para minha chefe e coloque minha carreira em um trilho com um trem assassino em minha direção, eu gostaria de dizer que só temos isso para nos levar até a cede da revista! — aponto para bicicleta elétrica estacionada a nossa frente.

— Isso é uma piada? — Chris permite uma nova gargalhada. Ele não para de rir. Simplesmente não para.

Será que eu deveria chorar?

Ou também rir?

— Eu gostaria que fosse uma piada. Mas o carro que eu estava parou no meio de um trânsito incessante, a única forma de chegar no horário era cortar o caminho pela ciclovia. Ah, eu tive que socar o carinha que estava sobre ela! — murmuro essa última parte um pouco mais baixo, eu realmente estou envergonhada com o que fiz.

— Você roubou essa bicicleta? — ele pergunta assustado.

— Eu não roubei. Ainda não faço essas coisas fora da lei, sou até bem honesta! Eu queria compra-la, mas o homem disse que não estava à venda. — suspiro. Mesmo se estivesse a venda, eu não teria uma quantia de dinheiro para dá-lo na hora, ou seja, não teria para onde correr.

— Foi com a direita ou com a esquerda? — ele pergunta se referindo ao murro que dei.

— Com a esquerda e minha mão está tão dolorida... Eu pensei que ela iria necrosar!

A verdade é que se eu conseguir chegar viva em meu apartamento, terei que colocar uma compressa de gelo nela durante toda noite. E se alguém me perguntar o porquê de ela está inchada, terei que dizer que a manicure tirou alguns bifes de meus pobres dedos. Mentira? É. Mas em minha defesa, foi por uma boa causa e não vai ser por isso que queimarei no mais profundo Inferno.

— Se houver uma próxima vez, você vai fixar seus pés no chão e pegar todo o impulso que puder. Um bom soco não está nas mãos e sim na base, então vai mirar seu punho direito onde quer acertar e com os pés bem firmes ao chão, sacá-lo! — ele me mostra a forma correta dos movimentos, arrancando-me umas risadas. Estou aprendendo com um Super Herói como dar um soco, se eu ainda tivesse um diário, com certeza esse episódio seria escrito nele.

— Irei me lembrar dessas dicas na próxima vez!

— Essa é a hora em que subo no seu que não é seu banco carona? — ele pergunta com humor.

— Sim. E eu subirei na minha bicicleta que não é minha o levando intacto até a Revista V!

Ainda sobre efeitos de risadas subimos na bicicleta elétrica, as piadas entre nós surgem facilmente durante o percurso. Eu imaginava essas celebridades soberbas e artificiais, no entanto não é o caso, não com Chris Evans.

— Você viu como aquela criança o olhou assim que chegamos? Ela parecia ter realizado um sonho! — me refiro a pequena criança que avistamos ao entrar pela porta da revista. Chris foi bastante acessível, acatando a todos os pedidos do pequeno.

— As crianças é a parte legal do meu trabalho, eu adoro a interação!

— Entendo perfeitamente... — ao nos encaminharmos para o estúdio ouço um grito pelo meu nome que chega a dar eco pelas paredes.

A voz é de Helena.

E sim, ela já está sabendo de tudo.

Merda.

— Um cara me ligou dizendo que uma loira baixinha o acertou um golpe no rosto e roubou sua bicicleta! Você quer acabar com a reputação da minha revista? — Helena está bufando como um touro faminto, ela ao menos se importa com a presença de Chris ao meu lado.

— Não foi bem assim... Eu posso explicar! O carro que eu estava enguiçou no meio do caminho, se eu chamasse o reboque e esperasse todo esse tempo, não iria fazer o que você me mandou... — a voz fina e histérica de Helena me interrompe. Essa voz é uma das que mais odeio no mundo, ela têm diversos tons, esse é de quando ela está querendo retirar a cabeça de alguém e colocar em sua sala sobre a mesa de centro para mostrar o que faz quando está irritada.

— Pegasse um taxi, fosse correndo com suas pernas ou tentasse criar asas e voar, mas foi inadmissível ter atacado uma pessoa. Você sabia que ele não é um cidadão americano? Felicity, você atacou um árabe! — agora Helena está dando passos curtos, seu dedo indicador apontando para mim como uma arma de fogo. Só está faltando me dizer que vou ser acusada de xenofóbica. Eu nunca poderia imaginar que ele fosse árabe ou qualquer outra cidadania, precisava de sua bicicleta e a pegaria até mesmo se ele fosse da Bósnia.

— Está com medo de uma possível bomba no prédio da Revista V? — Helena arregala seus olhos dando um passo para trás enquanto Chris quebra a tensão em uma gargalhada divertida. É claro que ela pensou nessa possibilidade, deve estar morrendo de medo de um possível atentado, será que eu deveria aconselhá-la a dormir com as luzes acesas e convocar o exército americano para cuidar das portas da revista? Patético, na verdade, o preconceito dessa mulher é patético.

— Você não ouse... — uma voz imponente surge. E para minha surpresa é a de Erick, nesse exato momento Helena desvia sua atenção, desta vez, seu tom de voz muda para um mais suave, até mesmo seus olhos estão mais descansados. É incrível como um lobo pode realmente se esconder em pele de cordeiro. — Erick Dallas em meu estabelecimento... Ao que devo a honra?

— Estou aqui por Felicity. — nas mãos de Erick há um buquê de flores charmoso, as flores exalam seu cheiro floral conhecido, elas são claras emitindo tranquilidade. Erick me deu as mesmas flores em nosso primeiro encontro, eu peguei algumas pétalas e as guardei em um livro sobre filosofia que minha mãe me deu. Não que fosse importante para ela, minha mãe só lê revistas de fofocas, mas tudo o que diz ter palavras difíceis ela se lembra de mim. Eu apenas achei engraçado e decidi guarda-lo para me lembrar dela com carinho, e agora, também passaria a me lembrar de Erick.

— Você não chegou em uma boa hora... — murmuro.

— É claro que é uma boa hora! — Helena torna a falar com o mesmo tom de falsidade. — Os deixaremos a sós, mas peço educadamente que sejam breves. Felicity tem uma tarde de fotos e não gostaríamos de perder tempo! — ela gruda seus braços de polvo ao redor do antebraço de Chris que como um cavalheiro a acompanha assentindo para mim. — Tomaremos um café. Fiquem a vontade!

É indescritível como um ambiente sem a presença de Helena Bertinelli fica mais descarregado.

Meus ombros caem em sinal de alívio, e então, a atenção se volta para Erick.

— Meu amor... Estou tão envergonhado pelas palavras violentas que proferi a você ontem à noite. — Erick coloca o buquê sobre meus braços dirigindo seus lábios à superfície de minha testa.

— Eu nunca o vi daquela forma, você parecia tão fora de si.

— Você tem razão, eu fui um monstro. — ele dá as costas desviando seu olhar de meu rosto que espera por uma explicação com anseio. Um suspiro soa de sua garganta altivamente, tenho certeza que algo está errado com Erick. Não é alguma novidade, ser prefeito de Nova Iorque deve ser estressante, mas ele deveria confiar seus problemas a mim, somos noivos e em alguns dias nos tornaremos marido e mulher, e infelizmente, viveremos no mesmo mundo de negócios que o envolve. Eu preciso que ele divida comigo o que está o tirando do eixo.

— O que o fez agir daquela forma comigo?

— Problemas com a câmara eleitoral e eu apenas depositei tudo em você.

Ele volta a se aproximar, suas mãos um pouco ásperas acariciam a pele de meus braços em movimentos acalentados. Eu consigo sorrir com sua aproximação, Erick é um homem distante, ele não costuma fazer carícias em público ou em lugares que possam coloca-lo em capas de revistas com notícias fake típicas de programas de fofoca.

— Não faça mais isso. Eu não mereço ouvir as palavras árduas que disse, você me conheceu com a minha simplicidade, como uma garota normal de Nova Iorque, eu sempre saí com minhas amigas e nada irá fazer com que eu mude. — permito levar uma de minhas mãos até seu rosto o acariciando, sua íris verde é uma incógnita, mas seu sorriso apaziguador consegue me dizer que tudo ficará bem.

— Suas amigas não são o problema... Eu não gostei de vê-la com aquele homem!

— Oliver? Não, não... Ele não é nada.

Por que o som de seu nome saindo de minha boca me faz sentir uma onda de estranhamento por cada célula de meu corpo? Eu gostaria de bater meus pés e gritar para Erick com toda a certeza que Oliver é o que acabei de dizer para meu subconsciente indiretamente, me convencendo que ele realmente não é nada, que não passa de um mero vizinho que me importuna em suas horas vagas.

Quando não há nenhuma mulher em sua cama gritando como uma louca.

Geralmente eu escuto esses tipos de gemidos.

Na verdade, acredito que já tenha ouvido gritos em todas as línguas e sotaques possíveis.

— Promete que não a verei mais ao lado dele?

Seus lábios tocam minha mão que acaricia seu rosto, o sorriso pacífico está reluzente. Eu não sei o que poderia ganhar fazendo essa promessa, mas sei com cada palavra o que poderia vir a perder se me negar a esse pedido. E não estou disposta a colocar tudo a perder por um cara que só pensa em curtir a vida como se cada dia fosse o último, ele não vale nem um terço do que construí com Erick e isso não será jogado fora.

— Prometo! — balbucio.

— Você é a mulher da minha vida.

Erick sorri para mim, dando-me um aperto de mãos antes de endireitar sua gravata impecável.

Odeio quando ele faz isso, parece mais que somos como dois amigos de plenário fechando um acordo entre as chapas do governo. Ou se eu comparasse a um esporte, poderia ser como um cumprimento de amigos após marcar pontos no beisebol.

Eu apenas gostaria de ser tratada como uma mulher normal, sem ter que me preocupar com possíveis cliques de paparazzi. Ter seus braços ao redor de minha cintura mostrando que me quer por perto tanto quando eu gostaria de tê-lo, e não essa distância que ele impunha desde que começamos a namorar, algo tão sem vida, sem o fervor que não demonstra a mim. Acredito que, ás vezes, sua profissão como prefeito o restringe de fazer o que realmente gostaria, incluindo demonstrar afeto em lugares públicos e até mesmo em casa quando sente que alguém pode nos ouvir.

— Iremos passar a noite juntos?

Sim, eu estou me referindo a sexo.

Não que eu seja uma ninfomaníaca ou ache que sexo seja o mais importante de um relacionamento. Pelo contrário, isso não chega perto de cumplicidade e carinho, mas Erick parece realmente não ligar para nossa intimidade, ele por muitas vezes parece frio.

Distante.

— Adoraria minha querida... Mas terei uma reunião que se estenderá pela noite. Você se importaria?

É claro que eu me importaria.

Eu não entendo o porquê de ainda me fazer esse tipo de pergunta.

Mas tudo bem, não é fácil namorar alguém tão importante, isso está no pacote de ter o prefeito de Nova Iorque em sua cama.

— Terei que marcar hora em sua agenda? — pergunto ironicamente.

— Me perdoe, sei que estou relapso com você. Mas irei recompensá-la o mais rápido que puder!

— Sinto sua falta. — suspiro longamente à medida que coloco o buquê sobre a bancada.

Hey... — Erick acaricia o contorno de meu maxilar com deliberado cuidado. — Essa semana está relativamente difícil, mas guardarei um tempo para nós. — ele olha para ambos os lados parecendo buscar algo em sua mente. — Marquei sua prova para o vestido de noiva, será ainda essa semana. Os vestidos são lindos!

— Como é? — pergunto confusa.

— Os modelos são incríveis.

— Você viu os vestidos? — torno a perguntar sem entender, simplesmente porque não faz sentido algum o noivo ver o vestido antes da cerimônia. Não que eu siga essas tradições a ferro e fogo, porém é algo que eu gostaria que fosse respeitado. É um direito meu optar por escolher o vestido seja sozinha ou com minhas amigas, não importa, eu somente gostaria que minhas opiniões valessem mais em meu próprio casamento.

— Isso te incomoda?

— É claro Erick! Nunca te disseram que dá azar o noivo ver o vestido antes da cerimônia? Não gostei disso.

— Não pensei que você se importasse com pequenas tradições. Essas besteiras não tem nenhum fundamento, são apenas lendas.

— E se eu me importasse?

— Querida, foi uma decisão da minha assessoria. Eles acharam que seria melhor a escolha do vestido partir deles, pediram a minha opinião e eu os vi! Não teria feito isso se você não estivesse de acordo.

Erick volta a se aproximar, sua voz é terna em uma tentativa falha de me tranquilizar. As mãos se elevam em meu rosto o segurando em sua direção, eu gostaria de esbravejar, colocar todas as minhas impressões para fora, mas somente o seu toque me faz guardar tudo, retrair meus pensamentos, minhas opiniões, minhas indignações como se eu estivesse em hipnose. Eu não entendo o poder que Erick tem sobre mim, mas consegue ser mais forte do que eu mesma, seus olhos frios conseguem abaixar as labaredas de fúria que sobem em meu olhar tentando se alastrarem por cada extensão do meu corpo. No entanto, não consigo me sentir aliviada com esse domínio, isso me incomoda, me faz muitas vezes ter ânsia pelo fato de ter que engolir cada palavra que gostaria de dizer.

Pode não ser normal.

Mas à medida que procuro explicações, eu não consigo acha-las, como poderia ser errado se até eu mesma não consigo responder as minhas perguntas?

Enxergar o que tanto parece estar errado.

Talvez seja coisa da minha cabeça.

É, é coisa da minha cabeça.

— Tudo bem... — suspiro longamente de forma frustrada. É sempre assim, suas palavras amenas conseguem me ludibriar, e eu apenas as aceito.

— Eu sabia que você entenderia. — os lábios de Erick tocam os meus por breves segundos sendo interrompido pelo vibrar de seu celular no interior do bolso de seu blazer. Ele rapidamente o pega, atendendo-o e se distanciando para trocar algumas palavras das quais não consigo entender, logo o avisto voltar para perto com um semblante relaxado. — Preciso me encontrar com uns amigos para dar início à reunião... Você ficará bem?

— Sim.

— Até logo.

Ele sorri para mim, e então, torna a sair pela porta.

Quando é que os homens entenderão que quando somos frias e monossilábicas é porque não está tudo bem? Dizemos sim quando na verdade gostaríamos de dizer um grande e audível NÃO, isso também serve para quando dizemos um nada frustrado quando gostaríamos de esfregar em suas caras que na realidade está uma grande merda, que nada está bem e que não ficará enquanto eles não fizerem as coisas como elas devem ser.

Ou simplesmente quando Erick parar de se importar mais com seus negócios ou com a cidade e passar a me dar mais atenção.

E não, eu não ficarei bem.

~~~

Oliver Queen

Starling City é um lixo.

A maioria das pessoas que vivem aqui são um lixo.

E eu?

Segundo elas também sou um lixo.

— Jimmy, mais um Black Russian!

— Está indo para a terceira rodada. Possivelmente, se você beber mais uma dose dessa belezinha, eu te encontrarei no banheiro masculino esfregando essa sua bunda branca no mictório, e talvez, você ainda pegue uma DST.

Jimmy é um otário.

O conheci em uma das minhas breves passagens pela polícia, ele havia roubado um relógio de vinte quilates de ouro que estava dando sopa no pulso de uma patricinha que andava despreocupadamente pelo Glades, enquanto que eu estava ali apenas por ter me envolvido em uma briga feia na saída da boate Verdant.

Ele estava com seu joelho ralado e eu com um corte no supercílio direito que me levava a quebrar a cabeça para encontrar alguma desculpa que escondesse os pontos que ganharia. Aliás, os pontos não eram o problema, e sim a cicatriz que ficaria no meu rostinho de bebê e uma possível manchete no dia seguinte. O jornal de Starling não perdia uma encrenca em que me metia, e claro, haveria uma notinha especial para mim na coluna de Susan Willians intitulada como “Queen, o riquinho irresponsável”.

Dentro dessa aventura Jimmy e eu nos tornamos grandes amigos, mas ele nunca deixará de ser um completo otário.

— A bunda é sua? — pergunto ao alcançar o copo com o drink. O cheiro que vem do mesmo é tão forte que fazem minhas narinas se contraírem. Mas nada como um destilado puro e ardente para me fazer esperar o voo para Nova Iorque mais relaxado.

— Jimmy tem razão, sua bunda não merece uma DST dos banheiros imundos desse bar! — Laurel arremessa sua bolsa sobre o balcão. Ela imediatamente rouba o copo de cristal da minha mão e o vira de uma só vez, comprimindo seus olhos à medida que o líquido amargo desce pela garganta. — Black Russian... Você é tão previsível.

Ela não mudou nada.

Faz meses que não a vejo, mas sua atitude femme fatale continua a mesma.

O corpo ainda uma escultura, os longos e loiros cabelos bem hidratados e a boca com lábios finos de quem tem um dos melhores boquetes que recebi em toda minha vida.

— Senhorita Lance, pense muito bem antes de falar do meu estabelecimento. — Jimmy ironiza. Ele sabe o quanto esse lugar é decadente, a maioria dos frequentadores são homens gordos e barbudos como vikings. Eles vêm para assistir os jogos de beisebol e gastar todo o salário em bebidas e amendoins, não há muitas mulheres e as poucas que tem, não ligam para as bostas que saem da boca dessas caras.

— É a primeira vez que a vejo concordando com Jimmy. — meu olhar não está em seu rosto, muito menos em seus olhos. Descaradamente os levo até sua retaguarda, e nossa, sua bunda está apertada contra o jeans.

Isso não é ser cafajeste.

É ser sincero.

Para que perder tempo se eu posso ir direto ao ponto? Muitos homens deixam as garotas passarem justamente por não serem o que realmente são. Se alguma garota me perguntar o que mais gosto em seu corpo, eu respondo os olhos ou a boca, mulheres são místicas e adoram um ar misterioso. Mas na hora de olhar, degustar, apreciar, é a bunda que ganha minha atenção. Ela tem toda a minha atenção. E quando me canso, os peitos são o segundo passo.

Machista? Não.

Só não perco oportunidades.

— Eu gostaria de me matar por isso. — Laurel ri ao apoiar os braços sobre o balcão. — Está chegando?

— Não, estou de saída.

Ela expõem sua frustração.

— Pensei que teríamos mais algumas noites.

Princesa, você sabe que aqui não é o meu lugar...

Laurel revira os olhos. — Oliver, você precisa entender que o tempo passou e que você se tornou outra pessoa... Não deixe que o passado continue a te assombrar.

É incrível como esse tom de pena que sai de seus lábios consegue acabar com a minha noite.

Eu respiro fundo abaixando minha cabeça por breves segundos, ao erguê-la, afasto do banco em que estou sentado buscando com uma das mãos minha jaqueta de couro. Ignoro a presença de Laurel com todo seu olhar de piedade e vou andando em direção aos fundos do bar que dá em um beco com pouca iluminação.

Princesa, tenha uma boa noite!

Laurel me segue sem trocar palavras, ela se dirige até o beco deixando com que seu corpo sofra com a brisa gélida que corta o ar a atingindo. Mas nãos impedindo que segure meu antebraço para que eu possa confrontá-la.

— Já deu, Laurel!

— É sempre assim, você vem à Starling City e o medo te faz colocar o rabinho entre as pernas e ir embora.

Miro a mão de Laurel em meu antebraço e logo alcanço seu olhar de atitude, ela está tentando me engolir com suas duas bilhas castanhas e escuras pela má luminosidade. — Não sabe o que está dizendo.

— Você ao menos tentou conversar com os seus pais desde o que aconteceu?

Rio ironicamente. — Até você vai me encher o saco com isso? A gente trepa Laurel, é só isso.

— Não é só isso, Ollie. Você precisa enxergar que o seu medo não vem dos seus pais, não vem das pessoas de Starling City, e muito menos dos seus amigos. Ele está dentro de você.

E, novamente, o olhar de pena.

Isso me deixa puto.

Muito puto.

De imediato guio meus movimentos de encontro ao leve corpo de Laurel, empurrando-o contra a parede fria. Ela reage com um grunhido sufocado pela garganta, está acompanhando todos os movimentos que faço contra sua estrutura, erguendo-a, deixando seus pés nas pontas dos dedos.

Minha respiração está acelerada, o vapor condensado saindo da minha boca freneticamente.

— É medo que você acha que tenho?

Aperto as extremidades de sua cintura com certa força, ela faz um sinal positivo com a cabeça, mas não reclama momento algum de minhas investidas mais grosseiras. Pelo contrário, consigo vislumbrar o fogo correndo pelas sua íris permitindo que eu afogue meu rosto na curvatura de seu pescoço, rastejando a ponta de meus dentes em sua pele fina. Ela arfa. Profundamente.

Seu corpo se comprime embaixo do meu, e agora, sua respiração é tão célere quanto a minha.

— Ollie...

Seu sussurro languido aguça minhas investidas.

A ponta molhada da minha língua traça um caminho que me leva até a linha do seu maxilar, e Laurel deixa a cabeça se inclinar para trás. Meu quadril está firme no seu, negando qualquer minucioso movimento que tente fazer, mas ela não quer, não dará um passo sem que eu dê permissão.

E, então, eu me afasto rapidamente.

A deixando querendo mais, com seu corpo implorando pelo meu. Ela deve estar molhada como uma cachoeira, é hilário o poder que tenho sobre ela.

— A gente fode, Laurel. Não confunda com a liberdade de se meter na minha vida!

Ela reestabelece suas emoções direcionando sua atenção encima de mim.

— Até quando você vai continuar fugindo?

— De você?

— Do seu passado.

Meneio a cabeça.

— Não sou capaz de te responder, princesa.

Sem ao menos dizê-la um Até logo, sumo pelo beco escuro e frio.

Deixando para trás não apenas o desejo de um sexo sujo em um beco público, mas sim a certeza de que meu passado sempre será um grande obstáculo em meu caminho.

Notas finais
RELACIONAMENTO ABUSO; UM HOMEM FRIO E UMA INCÓGNITA SOBRE O QUE VERDADEIRAMENTE É; UM PASSADO OBSCURO. AAAAAAH! Espero vocês nos comentários e responderei a todos os anteriores.