Neighbors

3 Capítulo 2 - Hollaback Girl


Notas iniciais
Meu amores, acredito que ainda estou um pouco bêbada, uma ressaca danada! Estou postando capítulos dessa Fic, pois os já estão prontos. Então não julguem, florzinhas. ♥.♥ "Recomeçar" logo estará nas mãos de vocês, e não é história de pescador. Sem mais, sem menos, tenham uma boa leitura.

Felicity Smoak

Estou vestindo um pijama rosado com ovos fritos distribuídos por toda a estampa, foi assim que passei o dia inteiro. Meu sofá foi o meu refúgio e como acompanhamento me enchi de um pote repleto de sorvete de creme, um de meus sabores preferidos. Na TV eu assisti a nova série mais comentada pelos meus amigos no trabalho, eles disseram que a partir do momento que você assiste o primeiro episódio se torna refém, assim como as pessoas trancafiadas dentro de um banco em “La casa de papel”.

Essa série é incrível.

Mas nada tão incrível como a sensação de estar de folga, sem ter que respirar o mesmo ar que Helena Bertinelli. O dia anterior foi frustrante, assim como todos são quando tenho que trocar nem que seja algumas palavras com minha chefe. A verdade é que ela me odeia, não sei por que, talvez tenha ocorrido algo em outra vida conosco que está refletindo nessa. Não sei explicar, não me importo em explicar, pois é tudo puramente recíproco. Se ela não gosta de mim, eu deixo estampado em minha testa que também partilho do mesmo sentimento.

No entanto o dia passou tão rápido como o cometa Halley, e eu não fiz exatamente nada. Erick me ligou dizendo que não poderia me ver hoje, ou seja, não precisei me importar em trocar meu pijama, pentear o cabelo e muito menos sair do meu amado sofá. Então, digamos que foi um dia perdido e do mesmo jeito que acordei irei dormir. Claro, antes irei tomar um banho relaxante após esquentar a água e depois cairei dura em minha cama rezando para que a noite passe bem lentamente.

O barulho estressante da campainha impede que eu faça qualquer outro movimento a não ser enfiar minha cabeça nas grandes almofadas. Eu a ignoro até que ela pare de ressoar, e então, é a vez de meu celular sobre a bancada começar a vibrar freneticamente. O visor iluminado me mostrar o crescente nome de Caitlin estampado.

Caitlin?

Hoje à noite?

The Irish pub.

Oh merda.

Involuntariamente meu corpo é guiado até a porta, ao abrir dou de cara com três mulheres maquiadas de forma maravilhosa. Caitlin, Iris e Nyssa estão impecáveis e vestidas para matar, literalmente matar.

— Eu não acredito que ainda não está pronta, Felicity! — Caitlin adentra ao meu apartamento olhando-me de cima a baixo.

— Na verdade eu havia me esquecido... — murmuro.

— Lis, você sempre esquece. — Iris faz um sinal de aspas com suas mãos. — Ande, vá tomar um banho enquanto nós escolhemos uma roupa para você.

— Meninas... — deixo com que minha cabeça caia para um dos lados. Eu realmente me esqueci dessa tal despedida de solteira, simplesmente porque não vejo muita graça nessas formas de se despedir de algo que nunca tive. Eu não costumo sair para lugares com músicas muito altas e muito menos dançar, não há chance, eu não consigo mexer meu quadril em sincronia. É um verdadeiro vexame.

— Nem comece Felicity, seu closet é um paraíso escondido! Vamos te deixar linda. — Caitlin está passando os cabides com minhas roupas avaliando-as uma por uma.

— Vocês não me deixarão em paz se eu desistir, não é? — pergunto e tenho a resposta das três ao mesmo tempo.

— Não.

— Não.

— Não.

Iris empurra meu corpo até o banheiro para que eu tome meu banho. Eu acato suas ordens, porque se eu não fizer exatamente o que essas três querem, minha noite será um tormento. As meninas não entendem que eu sou a mais de vagar delas, eu prefiro ficar em casa maratonando séries e comendo besteiras ao invés de sair em uma dessas noitadas e voltar arrastando meu corpo por conta do álcool. Eu sou uma fraca, poucas doses de qualquer bebida já conseguem que eu bambeie sobre minhas pernas. É até perigoso.

O banho é rápido e meu cabelo, por incrível que pareça, está lindo. É engraçado, porque na maioria das vezes quando você quer que seu cabelo esteja bom é o momento dele se revelar contra você, tornando-se seu pior inimigo. Cabelos são assim, em um dia que você não tem perspectiva alguma ele vai estar maravilhoso, os fios alinhados, brilhantes e cheirosos. Agora, é só surgir alguma oportunidade, e pronto, ele vai estar um pesadelo. Mas não é o que está acontecendo nessa famigerada noite, ele está como eu costumo amá-lo, os fios estão comportados, as ondas são pouco selvagens dando um volume perfeito.

As meninas escolheram um look negro como o breu que costumo usar, o jeans é rasgado, a camisa de mangas é escura com brilhos que valorizam meus seios e um blazer acomodado perfeitamente a minhas curvas para finalizar.

— Você está linda... Eu te beijaria! — Nyssa dá de ombros.

— Obrigada... — agradeço a Nyssa segurando um sorriso tímido.

— Estamos todas maravilhosas, agora vamos ou perderemos a nossa mesa! — Caitlin retoca seu batom vermelho intenso e me puxa pelo braço.

— Eu quero beber até esquecer o meu nome! — Iris pega minha bolsa prateada sobre a cama e me ajuda a sair pela porta.

Eu poderia cravar minhas unhas como um gato assustado na porta e me negar a ir, porém a animação das meninas está me estimulando a pensar que talvez possa ser bastante divertido sair de minha rotina, ver as pessoas andando pela Time Square com seus amigos em uma multidão e beber algumas doses, nada que me faça sair da linha.

É, irá ser divertido.

Ao andarmos pelos corredores em direção ao lance de escadas nos deparamos com o abrir da porta do 601, sim, é o apartamento do meu vizinho insuportável. Ele aparece pela porta cobrindo suas partes íntimas com apenas uma flanela estampada com uma das mãos enquanto que com a outra come uma maçã.

Seu corpo é maravilhoso, os sulcos que formam seu abdômen são divinos. E eu me odeio profundamente por não conseguir desviar meus olhos de toda essa estrutura, como se eu ficasse uma idiota obcecada.

— Olá meninas... — o idiota encosta seu corpo atlético sobre a coluna da porta, destilando seu melhor sorriso cafajeste. Os dentes são tão alinhados e brancos que poderiam nos refletir neles, todos os dias é assim, um sorriso perturbador que ainda não consegui me acostumar.

— Olha só... Você quer uma ajuda bonitão? Vejo que suas duas mãos estão... — Caitlin está com seus olhos viajando sobre o corpo de Oliver como um urubu investigando a presa. Isso me incomoda um pouco, não sei explicar, mas estou sentindo uma pontinha de incômodo atrás de minhas orelhas. Caitlin continua. — Ocupadas!

— Eu dispenso! — Nyssa passa por nós, ignorando meu vizinho que deixa seu olhar se guiar pela bunda que se movimenta em retirada.

— Não irá ser preciso. — Oliver termina seu pedaço de maçã e desce até o jornal jogado em cima do pequeno tapete de entrada.

Seus olhos estão sobre mim desde o momento em que nos vimos, assim como os meus estão sobre os seus. Minhas bochechas queimam, e eu imploro para que não estejam tão vermelhas como costumam ficar apenas pela presença desse homem que não consigo suportar.

— Que pena. — Caitlin murmura.

— Onde você está indo? — sua pergunta parece um tiro a queima roupa, pode não parecer, mas há certo controle.

— Como é que é? — rio de forma irônica, é impossível não olhar para outro lugar que não seja esses profundos olhos azuis que me engolem. Geralmente implicamos um com o outro até que um desista, eu não deveria, mas gosto.

— É que você está... Diferente! — ele cruza ambos os braços e sabendo exatamente o que está fazendo permite com que a flanela que cobria seu instrumento, caia sobre o chão.

Minha boca faz um grande “O” e meus olhos instintivamente se fecham, arrancando uma gargalhada de Oliver que parece continuar exatamente como antes. Com minha outra mão cubro os olhos de Iris, mas Caitlin se nega a fechar os olhos deixando com que um suspiro escorregue de seus pulmões.

— Não interessa a você, seu pervertido! — puxo as mãos das meninas tentando fazer com que meus olhos continuem fechados. Iris responde da mesma forma que Caitlin, com um imenso suspiro alongado que sobressaem as risadas de Oliver que deve estar se divertindo com minha forma de agir.

Eu me odeio por agir assim.

Mas eu não sei como seria daqui em diante o convívio com Oliver Queen após ter o visto nu. Completamente nu.

— Meninas... Se divirtam! Eu irei entrar para os meus aposentos antes que Felicity bata com minha própria porta em minha cara de novo! — ele deve estar com um sorriso desprezível pregado em seu maravilho rosto. Inferno.

— Não seria esforço para mim.

Ainda com meus olhos comprimidos um no outro carrego Iris e Caitlin que parecem estarem enfeitiçada, nos tirando dali.

Fechar a porta na cara de Oliver se tornou uma rotina, praticamente todas as noite ele arranja alguma desculpa para bater em minha porta apenas para ter seus minutinhos de implicância antes que a noite termine. Geralmente ele está com poucas peças de roupa, mostrando cada curva de seu corpo com luxúria, mas ele nunca tocou se quer um dedo em mim, a verdade é que na noite passada foi a primeira vez que estivemos tão perto.

Eu nunca havia sentido o gosto de seu hálito tão próximo, eu gostaria de ser embebida por aquele calor que saia de sua respiração pesada em cima da minha. Mas eu nutri forças para ignorar todas as besteiras que saiam de sua boca também esculpida pelos deuses do olimpo e dei com a porta em seu nariz. E depois foi a minha vez de bater com ela sobre a porta, não aceitando a sensação gostosa que era ter sua presença tão perto.

Sou uma burra.

Sou noiva.

Eu gosto de Erick, ele é quem está ao meu lado, de forma alguma eu posso deixar que uma simples atração coloque todo meu futuro em risco.

Não há essa possibilidade.

~~~

Oliver Queen

As luzes estão baixas e se misturam com o jogo de luzes que está por todo o lugar. Há grupos distintos de pessoas em mesas bebendo seus drinks enquanto tentam conversar vencendo a música alta que nos envolve. As mulheres são lindas, com sorrisos carismáticos capazes de nos levarem a loucura, sem contar suas roupas apertadas valorizando minuciosamente cada extensão de seus corpos.

— No que está pensando? — Tommy grita em meu ouvido para que eu possa ouvi-lo.

— Em nada.

Mentira.

A verdade é que estou desconfortável desde o momento em que vi Felicity com suas amigas se preparando para cair na noitada. Eu não sou a porcaria de um homem machista que não aceita que as mulheres possam sair durante a noite da mesma forma que nós, mas a verdade é que eu nunca havia a visto daquela forma.

Faz três meses que estamos nos conhecendo, nos odiando, não nos suportando, porém é sempre ali em nosso prédio, em nosso mundinho. Várias foram as vezes que Felicity me viu entrando pela porta do meu apartamento com mulheres diversas, ela não parecia se importar e não deveria. Porque eu também tinha que deglutir a presença do almofadinha a rondando, a tendo em seus braços e em sua cama.

Direitos iguais por aqui.

Mas estou incomodado tentando imaginar aonde ela possa estar agora. Nova Iorque é gigantesca, os lugares são ótimos, mas também há a maldade e Felicity não está acostumada a andar por essas ruas, é perigoso. Não que eu esteja tão preocupado, eu não tenho porque estar assim, Felicity e eu somos apenas vizinhos, não somos se quer amigos e jamais teremos algo um com o outro. Ela irá casar dentro de um mês, seu noivo manda e desmanda em Nova Iorque.

E eu?

Sou apenas um Médico Veterinário que rodei nas mãos da maioria das mulheres dessa cidade, ou seja, eu não tenho nada a oferecê-la.

— Beba isso e relaxe esses ombros, homem. — ele me entrega um uísque escocês. — Viemos aqui para nos divertir!

— Você tem razão! — dou um gole do uísque respirando fundo. Pronto, é hora de entrar em ação. A fórmula para que eu melhore é como uma equação matemática, eu escolho uma mulher loira da mesma estatura que Felicity e a levo para minha cama, simples como dois mais dois são quatro.

Hey, aquela ali no meio daquelas garotas não é a sua vizinha gostosa?

Antes que meus olhos possam correr na direção do dedo indicador de Tommy que aponta para a menina que diz ser Felicity, a vontade que tenho é fazê-lo engolir a forma faminta com que se referiu a ela.

Mas ele está certo, para meu alívio Felicity está sentada com suas amigas sorrindo. Ela não está espremendo seus olhos, bufando ou me xingando. Ela está apenas sendo a pessoa que nunca será comigo, ela mesma, doce e adorável.

— Sim...

— Parece que ganhamos a noite, meu amigo! Cada um de nós ficamos com duas e durante a noite trocamos. — Tommy atropela as palavras como um desesperado.

— Cala a boca! — inicio passos rápidos até a mesa das meninas, Tommy me acompanha animado. Ao me aproximar, inclino meu copo sobre a mesa o batendo contra ela, deixando com que a atenção das meninas se voltem todas para mim. — Nova Iorque é tão pequena...

— Ah não... Você está me seguindo?

Felicity esfrega seus olhos parecendo não acreditar.

Uma das meninas já alterada responde. — Falou o cara que tem o Empire State entre as pernas!

— Uau! — Tommy gargalha dando tapas em minhas costas.

— Não diga besteira Cait! — Felicity revira seus olhos me divertindo.

— Você fechou os olhos, perdeu a paisagem boba! — a morena cutuca Felicity.

Ignoro os comentários engraçados das meninas voltando ao ponto.

Que ponto?

Eu preciso ficar sozinho com Felicity.

— Meninas me deixem apresentar o meu amigo Tommy. Ele é um bom rapaz e irá adorar pagar a quantidade de bebidas que precisarem para enxerga-lo bonito, se é que me entendem! — dirijo uma piscadela.

Felicity respira fundo enquanto me ignora.

Ela ao menos olha para mim.

Isso me incomoda.

— Não será difícil não acha-lo bonitinho! — a menina que foi chamada de “Cait” por Felicity sorri de soslaio.

— Você se importa de dividi-lo? — a morena pergunta maliciosamente para “Cait”.

— Eu não me importo de ser dividido. — Tommy abre os braços em sinal de rendição.

— Ridículas para mim já deu. Irei procurar uma alma mais... — ela olha para mim e para Tommy. — Mais feminina.

A mesma menina que me desdenhou mais cedo está desdenhando agora.

Sara iria adorá-la.

— Tommy gosta ser dividido. — estou rindo da forma com que elas parecem ataca-lo.

O idiota abre os braços envolvendo os corpos dançantes das meninas que o seguem com risos fáceis até o bar. Eles parecem que vão se entender, mas não estou me importando com isso no momento, na verdade, eu poderia estar soltando fogos por ter conseguido o que tanto queria.

Felicity só para mim.

Que comecem os jogos.

— Enfim sós! — puxo uma cadeira ao lado de Felicity.

— Isso tudo foi ridículo, você acaba de destruir minha despedida de solteira!

Novamente seus olhos estão distantes dos meus, ela parece estar até mesmo chateada com minha atitude.

— Despedida de solteira? Sem nenhum Gogoboy? Você não está fazendo isso certo!

— Você surge das profundezas do inferno, acaba com a minha noite e está dizendo que eu não estava fazendo minha própria despedida de solteira de forma correta? — ela se levanta arrastando sua bolsa pelo ombro. — Eu vou embora.

Baby! — a seguro pelo braço impedindo que dê qualquer outro passo.

— Já disse para não me chamar assim.

— Você está certa, eu não podia incomodá-la dessa forma, mas eu sou um otário! Se eu não conseguir arrancar um sorriso seu em minutos eu deixo você ir.

Eu não sei o que disse, mas ela sorriu.

Malditamente sorriu.

— Você é um otário.

— Um dos grandes.

— Eu quero tequila!

Felicity volta a se sentar ao meu lado me surpreendendo, seus olhos estão magicamente presos aos meus.

— Boa pedida. — faço um sinal para o Barman pedindo uma rodada de tequila apenas para nós dois. — É engraçado!

— O que é engraçado? — ela franze o cenho.

— Moramos no mesmo prédio há alguns meses e eu não sei nada sobre você. Certo, eu sei que vai se casar com o almofadinha e que tem a Polly, mas isso é só! — dou de ombros.

— É tudo o que sou.

Ela suspira e seus olhos se perdem.

Merda o que está acontecendo comigo?

— Não é. — o Barman nos traz seis doses de tequila. — Eu tenho uma ideia, vamos fazer perguntas sobre nós e se não quisermos responder beberemos!

Felicity meneia a cabeça e ri. — Isso não vai dar nem um pouco certo.

— Você é medrosa. — implico.

— O que disse?

— Medrosa.

Zombo de sua reação incrédula.

— Você tem família? — ela pergunta diretamente iniciando a brincadeira com determinação.

— Moira e Robert Queen são os meus pais. Eles moram em Starling City onde cuidam da empresa da família!

Respondo a sua pergunta, garantindo outro sorriso de Felicity que assente.

— Com quantos caras já transou?

Ela leva sua mão até a dose de tequila e a ingere. — Eu não vou te dizer nada sobre isso, estava demorando para perguntas infames!

— Tudo bem! Sua vez.

Aproximo minha cadeira da sua sem que perceba, não é algo que minha cabeça esteja montando, mas parece que Felicity já atingiu sua cota de álcool por hoje. Ela parece mais solta e confortável com minha presença. Não age como a uns minutos, distante e querendo sumir da minha frente como um cão assustado.

— Com quantas mulheres já transou? — ela repete minha pergunta.

— Perdi as contas.

Felicity entreabre sua boca pasma.

— Qual é! — rio.

— Você é nojento. — sem que note ela vira outra dose.

— Prefere fazer ou receber?

A BRINCADEIRA ESTÁ COMEÇANDO.

Só de me imaginar ganhando um oral da língua molhada de Felicity meu pau reage dentro de minha calça incansavelmente.

Isso vai ser doloroso.

— Do que está se referindo? — ela volta a formar uma ruguinha entre suas sobrancelhas, me arrancando uma risada gostosa por sua ingenuidade.

— Sexo oral.

— Besteira. — Felicity dá de ombros e toma outra dose de tequila por sua conta. — Erick não curte essas coisas.

Estou em um Apocalipse e não me dei conta?

Esse almofadinha é um tremendo idiota.

Tem a mulher mais linda que já vi em toda minha vida e não aproveita as regalias? Estar entre as pernas de Felicity é como conseguir alcançar o pote de ouro no final do arco-íris, ele não sabe o quanto está perdendo.

Ele não a merece.

— Agora eu tenho certeza que ele é um idiota!

— Quantas vezes eu vou ter que repreendê-lo com relação a Erick? Ele é um bom homem e sexo não é tudo. Ele não pensa como você! — Felicity respira fundo e seus olhos caem dos meus, parece que mexi em seu calcanhar de Aquiles.

— Você o ama?

Minha pergunta faz com que os olhos de Felicity se voltem para os meus de imediato, inicialmente ela balbucia e em sua cabeça parece haver um grande número de neurônios tentando organizar uma resposta que consiga fazer com que ela mesma se convença.

— Eu gosto dele. Antes de Erick eu não me conhecia, eu não tinha ninguém, minha família é de longe. Ele chegou dizendo que ficaria, ele sempre tem as palavras certas e os melhores discursos, com ele eu tenho um futuro.

E mais uma dose tequila desce pela sua garganta, ela pega o limão e o espreme para que o destilado não arda tanto.

Estou confuso com todas as informações, Felicity não se importa com o que eu acho, se estou acreditando em suas palavras ou não. Ela apenas faz com que as palavras sejam as certas para que ela mesma possa acreditar. Claramente eu estou certo como desde a primeira vez que a vi subir naquele palco desconfortável com todas aquelas pessoas a olhando. Ela aceitou ao pedido de Erick por pena, não do almofadinha a sua frente, mas dela mesmo.

Felicity não acredita em si própria, ela precisava de alguém que acreditasse, e então Erick estava ali disposto a fazer isso. Ela não o ama, ela tem gratidão por ele e não se deve misturar os sentimentos.

— Você não o ama.

Meus dedos rastejam sobre a mesa até encontrar a mão de Felicity que está descansada, ela sente meu toque reagindo assustada.

— Eu vou embora. — os azuis dos olhos de Felicity são tão transparentes que me fazem ficar presos a eles. Eu levanto tão rapidamente quanto ela, e seguro na mesma mão que se afastou de meus dedos, e é suave como eu nunca havia sentido antes. Eu nunca havia tocado em seu corpo desde que nos conhecemos, e somente hoje, eu já a segurei por duas vezes.

A vontade de tê-la mais próxima está me matando.

Não é algo sexual como todas as vezes que a provoco.

É algo acolhedor.

— Desculpa, eu não vou falar mais sobre Erick. — estou ficando louco? É a primeira vez que me dirijo ao almofadinha como Erick. — Fica. Você ainda tem direito a uma pergunta e pode ser a que você quiser!

Ela faz um sinal positivo com a cabeça se sentando. — Já se apaixonou?

Rapidamente ingiro a dose de Tequila chupando o limão em seguida.

Não há como responder a essa pergunta.

— Isso é forte! — me refiro à tequila.

— Você não vai responder?

— Não. — dou de ombros.

— Não tem graça. — seus olhos reviram.

— O amor é empírico, você não pode prova-lo... Então eu não acredito.

É uma realidade.

As pessoas vivem dizendo uma as outras que se amam, mas a verdade é que não sabem o que essa palavra quer dizer. Um amor que possa ser concreto é irreal para mim, falam que existe amor a crenças, amor à amizade e amor a familiares... É uma grande besteira, porque no dia que eu pensei que estava amando e sendo amado, isso foi destruído.

Pela minha própria família.

Por um erro que eu me arrependerei até o meu último dia.

Se amar é algo tão puro, por que não há perdão?

É besteira.

— Espero que um dia você possa acreditar... — Felicity sorri de soslaio para mim. — Eu adoro essa música!

Ao fundo está tocando “Hollaback Girl”.

Os ombros de Felicity balançam a cada estrofe conhecida por seus lábios.

— Então iremos dançar! — a puxo pelos braços a carregando para o meio da pista que está lotada de pessoas. As luzes continuam baixas, mal consigo enxergar as cores vívidas das bilhas de Felicity, mas elas estão brilhando como uma noite iluminada.

— Eu não danço! — ela grita próximo a meu ouvido.

— Todos dançam! Apenas liberte os pés.

Ela está rindo como eu nunca havia presenciado.

Seus pés tropeçam sobre os meus por conta do álcool e por muitas vezes suas mãos amortecem uma possível queda segurando ao redor de minha nuca.

‘Cause I ain’t no Hollaback girl, I ain’t no Hollaback girl! — a voz de Felicity acompanha a letra dançante da música. E ela dá passos de uma rapper escondida em sua timidez.

— A melhor parte! — grito tentando acompanhar seus passos. — Again! This shit is bananas. B-a-n-a-n-a-s. This shit is bananas. B-a-n-a-n-a-s.

‘Cause I ain’t no Hollaback girl, I ain’t no Hollaback girl! — ela repete o refrão com propriedade e o seu corpo está praticamente colado ao meu.

E é tão quente.

Explosivo.

Estamos com a superfície de nossas testas unidas, minhas mãos tomam a liberdade de tocar as costas de Felicity que não se importa, ela está ocupada em seguir seu próprio ritmo. A letra animada da música está escorregando perfeitamente por seus lábios, os olhos estão fechados para que não possa enxergar as pessoas a nossa volta. Minhas narinas descem até a inclinação de seu pescoço na primeira oportunidade que tenho, o cheiro de Felicity é tão atraente quanto ela, eu não consigo explicar a fragrância, não é algo floral ou doce demais, muito menos almiscarado, parece uma colônia produzida pelo seu próprio corpo.

Sobrenatural.

Ela abre seus olhos, seus passos diminuem de acordo com o caminhar da música, e então nos encontramos, as respirações cansadas misturadas novamente, o hálito de frutas vermelhas é o mesmo que seu gloss. Eu apenas quero sentir seus lábios, nem que eu morra assim que eles se tocarem, mesmo que eu desabe sobre o chão após sentir sua língua percorrer a minha.

Eu só quero senti-la.

Estamos tão malditamente perto, nossos narizes chegam a roçar rapidamente no outro, e agora, sua boca entreabre instintivamente. Ela também quer, assim como eu está esperando por alguma atitude minha, eu só preciso dar o próximo passo, não é difícil, eu só preciso...

Um vibrar frenético a faz se afastar de mim subitamente a fazendo acordar de nosso transe, seus olhos ao mirarem no visor do celular arregalam.

— Erick! — sua voz é alta para que sobressaia à música. Ela se afasta de mim deixando com que eu a perca na multidão.

Eu quero me matar.

Esse homem irá se tornar a porra da minha sombra?

Sou um fodido.

Após alguns minutos ela volta ao meu encontro, eu continuo parado em meio à pista tentando entender o que aconteceu dentro de minutos tão rápidos e avassaladores. Foram um misto se sentimentos variados que eu nunca senti, tão estranhos que eu deveria tentar passa-los para um papel e guarda-los como uma recordação.

— Ele vai vir me buscar. — Felicity está com uma feição diferente. Está distante de mim, ela ao menos me dirige qualquer olhar enquanto fala.

— Eu te acompanho.

— Não vai ser bom. — seus passos são rápidos, eu só consigo segui-la até a parte de fora do pequeno pub. Sentindo a brisa fria bater contra meu corpo quente da multidão, das sensações, e principalmente, da respiração pesada de Felicity sobre a minha.

— Isso que aconteceu...

— Foi um erro. — ela me corta severamente.

Seus braços envolvem seu pequeno corpo tentando aquecê-lo. Novamente está fugindo de mim, eu deveria deixa-la ir, mas eu não consigo permitir.

Eu irei bater minha cabeça tão forte à primeira parede que eu avistar. Talvez meus parafusos voltem para o lugar certo.

— Por que tem que ser assim? Temos química, baby.

— E é só.

— Por que não pode ser só isso?

Felicity para de andar bruscamente, seus olhos avermelhados pela bebida. Ela parece irritada com o que eu acabo de dizer, dando passos firmes em minha direção. Eu devo ter o poder de estragar tudo, mas o que eu posso fazer se fui sincero? Nós temos química, nossos corpos se atraem como imãs, deveríamos transar, colocar toda a tensão para fora e nos libertarmos.

Depois disso ela poderia seguir sua vida inventada, casar-se com Erick Dallas, ter filhos e viver como uma “primeira dama” de uma vida de mentiras.

E eu seguiria a minha, porque eu sinto que só conseguirei ser natural depois de chegar ao meu ápice com essa garota. Eu só quero poder mostrar a ela como é bom sentir tesão, como é magnífica a sensação de chegarmos ao ápice juntamente, pele com pele, suor com suor.

É só isso que posso oferecer.

É só isso que eu quero.

— Você acha que me levará para sua cama como as outras mulheres que está acostumado e tudo acabará em pizza? — ela empurra meu peito com seu dedo indicador, incrédula.

— Não é isso o que você que quer? — pergunto confuso.

— Eu quero. — ela balbucia. — Não, eu não quero. — ela deixa com que sua cabeça caia rapidamente para trás parecendo se arrepender do que acabou de dizer. — Merda, estou tão bêbada!

Rio de sua reação.

Ela deve está realmente bem bêbada, conhecendo o pouco de Felicity, ela nunca deixaria escapar algo dessa proporção.

— Vou te levar para casa. — pego em sua mão a levando até minha moto.

— Meu noivo está a caminho! — ela tropeça segurando firme em meus braços. Nossos olhos se cruzam novamente. Caralho meu pau não vai aguentar tanto tempo, na verdade eu perdi a conta de quantas vezes já estive duro por Felicity.

Uma buzina estridente passa por nós chamando atenção.

Felicity cobre a boca assustada parecendo reconhecer perfeitamente o som.

Um homem vestindo uma camisa social dobrada impecavelmente na altura de seus antebraços sai de sua Ferrari 458 fosca batendo fortemente a porta atrás de si. Seus passos são rígidos até nós, deixando com que Felicity encurte seus ombros com medo do que nos aguarda.

— Vá para o carro! — o homem grita ferozmente para Felicity.

— Não fale assim com ela. — meus dentes estão trincados um no outro e minha mandíbula se contrai. Quem esse coxinha pensa que é para falar dessa forma com Felicity? Eu deveria partir sua cara em duas partes para ele aprender a trata-la melhor. Não é possível que ela ame um cara tão otário quanto Erick Dallas.

— Oliver, eu sei me cuidar! — ela assente com sua cabeça e o profundo de seus olhos me mostram o quanto está magoada com a forma com que seu noivo se dirigiu a ela. Os passos até a máquina de Dallas é marcante, dolorosas para mim.

Eu apenas a deixo ir.

— Você sabe com quem está se metendo, meu rapaz? — Dallas cruza os braços.

— Com um bosta qualquer.

Dou de ombros, mas gostaria de rir em sua cara de merda.

— Não chegue mais perto dela ou eu acabo com a sua vidinha medíocre. — ele alisa seu maxilar firme. Erick é um pouco mais baixo que eu de um moreno claro nos cabelos curtos e olhos verdes sem vida. Ele se acha Deus, mas não passa de um lixo humano.

— Eu não tenho medo de você, se acha que abaixarei minha cabeça como todos estão acostumados a fazer... Não vai acontecer!

— Fique longe dela. — o rapaz rosna e dá meia volta preparando-se para entrar no carro.

— É o que veremos.

Ele ouvi, mas não me responde, queimando o pneu de seu carro para se exibir.

Um grande almofadinha idiota.

Eu gostaria de ter enfiado a mão em sua carinha moldada. Não consigo acreditar que Felicity possa estar junto de um cara tão intragável e soberbo, nos comícios e propagandas ele parece ser educado e passivo, mas agora pude comprovar o quanto não vale nada, o quanto não merece a mulher que está disposta a construir uma vida a seu lado.

Eu não deveria estar me importando.

Mas estou.

~~~

Felicity Smoak

— Você está bêbada como uma qualquer! — Erick ruge sobre o volante.

Estou com medo de sua reação, ele nunca falou tão grosseiramente comigo enquanto estivemos juntos. Sempre se manteve sobre seu eixo sublime, sem levantar a voz uma só vez, sem me dirigir um olhar de aversão, contrariando sua forma de agir, como está fazendo agora.

Lágrimas estão se formando, mas estou lutando contra elas, impendendo que as mesmas possam escorrer pelas maçãs de meu rosto.

— Foi ideia das meninas, foram somente algumas doses...

— Não passa pela sua cabeça que existem paparazzi nessas merdas de lugares? Quer foder a minha carreira? — ele freia bruscamente em um acostamento, dirigindo suas palavras árduas diretamente a mim.

— Não, Erick isso nunca passou pela minha cabeça!

Eu me odeio.

Mas estou chorando como uma menininha que teve sua boneca roubada.

— Então use sua cabeça na próxima vez! Você nunca foi dessas mulheres que bebem e andam com desconhecidos. Eu quero me casar com você, entende? — ele não se abala nem um pouco com minhas lágrimas, suas palavras estão mais frias como nunca.

— Não aconteceu nada.

Estou me referindo ao que ele viu. Erick nunca foi ciumento ou algo do tipo, mas me ver ao lado de Oliver deve ter desabrochado esse sentimento, e eu errei, estou noiva, meu casamento será dentro de um mês, eu apenas não posso me comportar como alguém que está descompromissada. Acredito que eu não iria gostar de vê-lo com outra mulher da mesma forma que eu estava ao lado de Oliver, eu não me coloquei no lugar de Erick.

Ele está um pouco fora de si, mas tem sua parcela de razão.

— Entenda, eu não quero mais você cheirando á álcool, não quero mais andando como se fosse uma solteira ao lado de um estranho. Olhe para mim! — ele segura firmemente em meus braços, obrigando-me a levantar minha cabeça que está baixa. Meu olhos ardem pelas lágrimas salgadas que deslizam. — Você não é apenas Felicity Smoak, você é a minha noiva e deve se portar como tal!

— Você está certo! Desculpa...

Engulo as lágrimas que se amontanharam em minha garganta.

Erick assente com a cabeça sem se importar.

E então, dá partida em seu carro.

Notas finais
EU ESTOU ODIANDO O DALLAAAAAS, POR FAVOR. Ele talvez fique pior, galerinha! Espero que tenham gostado. Ah e nos vemos nos comentários. ♥.♥