Neighbors

12 Capítulo 11 - Eu te amo


Notas iniciais
Eu sei, estou devendo responder aos comentários! Mas é que ando realmente um pouco enrolada! Mas vamos fazer assim, vou postar esse capítulo que ficou um pouquinho maior do que eu previa enquanto me preparo para responder ao máximo de cometários. Ok? Enfim, espero que gostem. ♥

Oliver Queen

Nada me tira da cabeça que o que vou fazer pode nos colocar em uma grande roubada, mas de um lado tenho Erick Dallas disposto a fazer de tudo para me quebrar, e do outro lado, tenho Felicity que nesse momento deve estar sozinha em uma sela suja se perguntando como foi parar lá. Colocar Sara e Tommy nessa história pode ser a minha saída, mas também pode ser a maior furada de todas.

A rua está completamente vazia, a essa hora todos devem estar nas suas casas dormindo feito anjinhos, exceto os seguranças de Erick que estão cercando a mansão como cães famintos.

— Cadê vocês? — esfrego minhas mãos. Está frio aqui fora, muito frio, da minha boca chega a sair fumaça quando respiro mais intensamente. Eu sabia, sabia que não poderia contar com esses dois bobões, na verdade, que merda é essa que estou fazendo? Não é certo invadir a casa de alguém, mesmo esse alguém se tratando de Erick Dallas. Eu deveria fazer do jeito certo, contratar o melhor advogado de Nova Iorque, chamar a mãe de Felicity para passar uns dias sob nossos olhos, deixando-a segura, e ir com toda a força encima do miserável. É, eu vou cancelar essa merda.

À medida que alcanço o celular no meu bolso um farol surge na minha frente quase cegando os meus olhos que cubro com o braço enquanto tento enxergar a placa. O furgão estampado com cães dentro de uma banheira com espumas diz que Tommy e Sara chegaram, a caminhonete faz um drift perfeito parando bruscamente.

— Quer uma mãozinha? — as portas de traz do furgão se abrem e Tommy me oferece a mão para que eu suba.

Reviro os olhos.

— Babaca. — murmuro ao subir. É lógico que quem está sobre o volante é Sara, ela adora fazer essas manobras “perigosas”, acredito que anda assistindo muito “Velosos e furiosos”. A caçamba de trás do furgão desapareceu, há pequenos bancos em frente a uma pequena mesa com o Macbook ligado com as câmeras da frente da mansão de Erick, dá para enxergar quatro homens parados como boçais. Será que esses caras não dormem?

— Homem de Deus, você precisa relaxar um pouco.

— Tommy, você sabe que ele só relaxa com creme de abacate e rodelas de pepino.

— Vão se ferrar.

— Gostou de como deixei o furgão? Nada como um toque feminino. — Sara encosta o furgão na parte de trás da mansão, perto de onde ficam os rottweillers que cuidam do jardim por onde vamos entrar.

— Eu mudei de ideia!

Digo de uma vez só.

— Você tá pirado? — Tommy me sacoleja.

— Não acredito que você vai amarelar.

— Não se trata de amarelar, eu só andei pensando com sensatez! Tommy disse que conhece um bom advogado. Vou atrás dele e fazer as coisas certas, chega de colocar mais pessoas em risco.

— Acha mesmo que Erick vai deixar isso acontecer? Ele pode comprar quem quiser, dinheiro corrompe as pessoas! Temos que conseguir esses papéis, com a verdadeira assinatura, livrar Felicity dessa fria. E não, um advogado que pode se tornar uma marionete nas mãos de Erick não vai ser a solução. — Sara é direta. Parece minha mãe me dando um dos seus sermões, puta merda, com certeza se parece com Moira Queen.

— Tudo bem, mamãe. — suspiro ao ironizar.

— Se me chamar de mamãe de novo, corto suas bolas!

— Vocês falam demais e fazem pouco.

Nós dois olhamos para Tommy ao mesmo tempo, espremendo os olhos.

— Eu sempre quis dizer isso. — ele dá de ombros.

— Isso não vai dar certo. — murmuro.

— Prestem atenção! — a loira senta em frente ao Macbook que abre uma aba com a planta da mansão de Erick. — Vocês vão entrar pela parte dos fundos, andando à direita vão encontrar uma pequena janela, torçam para que ela esteja aberta. Assim que entrarem vou precisar que vocês se comuniquem comigo, porque parece que Erick fez pequenas mudanças na mansão.

— Como sabe de tudo isso? — pergunto boquiaberto.

— Senhorita Parker. — a língua avermelhada risca o lábio inferior.

— Não vai me dizer que vocês... — Tommy sussurra.

— Isso não é da sua conta.

— E quanto a Nyssa? — pergunto.

— Se querem saber, não rolou nada... — ela volta com a atenção nos teclados. — Ela chegou lá rápido demais. Eu só aliviei a moça.

Uau.

Estou um pouco assustado com Sara.

— Parker parecia tão hétero quando quis me engolir inteiro quando nos vimos.

— Oliver, meu amigo, o B de LGBTQ+ não é de biscoito. — ela gargalha.

— Parem de falar sobre isso, minha cabeça está começando a imaginar coisas. — Tommy murmura incomodado.

— É, por favor, vamos ter foco aqui. Vocês dois entenderam o que tem que fazer?

— Sim. — concordo.

— Só me lembro de que vamos entrar por trás. De resto nada faz mais sentido!

Volto a suspirar ao escutar Tommy, Sara faz o mesmo, mas ela é mais violenta porque o acerta bem na orelha.

— Quando vai parar de me bater? — ele massageia a orelha avermelhada.

“Quando vai parar de me bater”? — Sara o remenda ironicamente. Já eu prefiro fingir demência. — Conectem os rádios que Oliver trouxe com o bluetooph do meu computador e se comuniquem comigo. Agora preciso que vocês tirem a camisa.

— Tirar a camisa?

— Orgia? — Tommy pergunta levando outra bofetada na orelha.

— Vocês precisam prender o dispositivo da câmera. Acham mesmo que vou ficar de fora dessa aventura? — ela nos entrega pequenas câmeras imperceptíveis. Agora sim estou começando a me preocupar, isso não era para se tornar um filme do Jason Bourne.

— Onde conseguiu essas coisas?

— Não queira saber, parceiro.

— É melhor que não saibam mesmo. — Sara dá de ombros.

Nós colocamos a câmera presa no peito, tudo parece estar funcionando. Tommy já está com os dardos de tranquilizantes preparados, os comunicadores também estão funcionando e conseguimos nos ouvir perfeitamente. O frio na espinha está começando a nascer, minha cabeça está pronta para o que der e vier, mas a razão pede para que tudo isso não aconteça, para que eu procure outros meios de incriminar Erick. Afinal, invadir a casa de uma pessoa é crime e ser preso agora seria fatal.

— Estamos pronto. — Tommy coloca o Rifle preso nas costas junto com os dardos de cetamina.

— Rapazes, vocês têm apenas vinte minutos para entrar lá e pegar o que precisam! Em exatos vinte minutos os alarmes e as câmeras voltam a funcionar.

— Vinte minutos?

— Eu não sou uma hacker, se consegui vinte minutos se sintam agradecidos!

— Fica tranquilo Oliver, vamos conseguir. — Tommy me dá tapinhas no ombro em consolo.

Concordo com Sara em silêncio, estamos com tudo o que precisamos no momento, Tommy e eu pulamos do furgão devidamente armados, ele com o seu Rifle calibre 22 e eu com meu taco de beisebol. Estacionamos há uns cem metros dos fundos da mansão para não fazer muito barulho, então precisamos caminhar até as grades que cercam os fundos da casa. O silêncio reina sobre nós até conseguirmos alcançar o ponto de entrada. Tommy deita no chão como um verdadeiro soldado, olhando pela luneta noturna do rifle.

— São três cães. — ele sussurra.

— Estou conseguindo enxergá-los. — sopro o primeiro dardo e acerto bem no traseiro, faço isso na segunda e na terceira vez. — Agora só precisamos esperar alguns minutos.

Meninos, preciso da permissão de vocês.

— Só precisamos de um minuto até que a sedação faça efeito. — Tommy volta a olhar no relógio do pulso, me fazendo um sinal positivo com a cabeça.

— Sara, pode desligar os alarmes e as câmeras.

Vocês têm vinte minutos, nada mais que isso.

Nós concordamos.

Parece que vamos invadir uma propriedade, só o que eu sinto é uma adrenalina correndo por cada partícula do corpo.

Os cães estão dormindo, o próximo passo é pular a cerca que tem mais ou menos dois metros de altura para estarmos dentro. O silêncio é grande, mas o frio é ainda maior, então precisamos ser rápidos se não quisermos ter nossos pés congelados aqui fora.

Chegamos ao lugar que Sara disse que teria uma janela, ela estava certa, a encontramos.

— Merda, ela está fechada! — sussurro ao tentar abrir.

Sejam rápidos, temos exatos dezenove minutos.

Tommy quebra o vidro de um dos cantos da janela enfiando seu braço por dentro e a abrindo. Ele me joga um sorrisinho se gabando, mas temos pouco tempo para comemorar. Eu adentro a mansão e logo em seguida Tommy, nos ajeitamos enquanto observamos com cautela cada centímetro quadrado dos cômodos.

Fiquem tranquilos, Parker disse que o prefeito vai passar a noite no gabinete. A casa é de vocês.

— O que um bom orgasmo não faz. — sussurra Tommy.

— Vamos!

Prendo o taco de beisebol na cintura e começamos a subir as escadas, a mansão têm dois andares o que nos diz que vinte minutos não vai servir para nada se decidirmos perder tempo olhando cada cômodo. Então decidimos ir um para cada lado enquanto nos comunicamos pelos rádios. Parece loucura, mas estamos vasculhando cada lugar com bastante cuidado, porque mesmo que Erick não esteja por aqui, ainda há os empregados que cuidam do lugar e caso algum deles nos vir será o necessário para acionarem os seguranças que tomam conta da entrada da mansão. E aí sim, estaríamos fudidos.

— Cara, parece que encontrei o quarto de Erick. Na verdade, isso daqui é maior do que a minha casa... — Tommy sussurra através do rádio.

— Procure por algo que pareça suspeito, mas Tommy, deixe tudo no seu devido lugar. Erick não pode saber que alguém andou bisbilhotando suas coisas.

Agora vocês têm quinze minutos.

Chego ao que parece ser um escritório, é uma sala localizada nos fundos da mansão. A porta está apenas encostada e range quando a abro, me assustando um pouco. O lugar é uma caverna, há tapetes presos nas paredes. Há tapetes por todos os lugares. Eles parecem aqueles feito a mão que vendem na Índia, aposto que um desses compraria todo o prédio onde moro.

Mas nada soa tão assustador quanto os quadros também presos ás paredes, um deles consigo reconhecer, Adolf Hitler, um dos maiores torturadores da história.

— Esse cara é realmente louco... — sussurro.

O barulho que vem da porta me faz correr para pegar o bastão de beisebol na cintura, mas desisto quando avisto Tommy.

— Não consegui encontrar nada. — sussurra frustrado.

Senhores, vocês agora só tem dez minutos. Sejam rápidos!

Reviro meus olhos.

— Isso tudo é uma loucura, essa lugar é enorme! Onde é que eu estava com a cabeça quando acreditei que encontraria algo que incriminasse Erick em vinte minutos?

— Parceiro, você ouviu a Sara? Temos dez minutos para não voltarmos de mãos vazias para aquele furgão que cheira a Petshop! Acho melhor você começar a mexer essa sua bunda.

Tommy, eu vou te pagar um burrito. Você está de parabéns. — a loira voltar a ironizar.

— Falou o cara mais esperto de Nova Iorque! — bato palmas silenciosamente. — Se você fosse Erick, aonde esconderia os documentos? Diz aí, senhor Brilhante.

— É... — Tommy balbucia fazendo cara de pensativo.

Eu não perguntaria a Tommy, a última vez que fui a casa dele o telefone estava dentro da geladeira... Tocando há horas e o imbecil não sabia onde encontra-lo.

Reviro os olhos.

— Merda, merda, merda... — começo a procurar algo nas prateleiras. Aqui dentro parece uma biblioteca, devem existir até livros em mandarim.

Procure atrás desses quadros. Esse lugar já se parece como um filme de terror, não iria me surpreender se Erick escondesse algo atrás deles como acontece nos filmes.

— Sara, sempre espertinha! — Tommy começa a procurar atrás dos diversos quadros.

— Aqui não tem nada. — respiro fundo após vasculhar cada canto da prateleira. Mas é óbvio que não encontraria nada, se há algo suspeito, pode ser que esteja escondido dentro de algum desses livros. Mas temos pouco tempo, ainda que tivéssemos a noite inteira ainda seria pouco para tantos livros.

— É, acho que Erick não assiste aos seus filmes, Sarinha. Não há nada atrás desses quadros, nem se quer um cofre.

Eu respiro fundo quando meus olhos se prendem a mesa de centro de Erick.

Não há nada sobre ela, nenhum computador, nenhuma pasta, como se nunca tivesse sido usada. Só poeira e mais nada. Mas antes de sair preciso me certificar que realmente não há nada além do pó. Então, olho o relógio no meu pulso e a gota de suor escorre pelo meu rosto.

— Parceiro, aqui não tem nada... Estamos perdendo tempo.

— Espere!

A minha mão corre pela mesa, não existe nenhum fundo falso, nada fora do “normal”. Abro a primeira gaveta e ela está completamente vazia, o mesmo acontece com a segunda, a terceira e a quarta gaveta. Mas ao tentar abrir a quinta e última ela emperra, não está abrindo, parece trancada por chave.

Meninos, agora vocês só têm cinco minutos! Se preparem para sair da mansão.

— Oliver, precisamos ir!

— Não podemos ir enquanto eu não conseguir abrir essa gaveta! — minhas mãos agora trêmulas arrancam um alfinete da bandeira dos Estados Unidos da América presa na janela do escritório. Eu não estou acostumado a fazer essas coisas, mas nos filmes sempre dá certo, só preciso respirar, manter a calma e tentar abrir essa bendita gaveta.

Oliver, merda, os alarmes irão acionar em malditos três minutos! Eu preciso que vocês saiam daí agora! — Sara grita dentro dos nossos ouvidos.

— Abre... Abre... Abre... — sussurro para eu mesmo à medida que o pequeno alfinete dança dentro da entrada para chave da gaveta.

— Parceiro, não estamos em um filme de ação! Precisamos sair, agora! — Tommy puxa meu ombro, mas eu o empurro.

Um estalo.

A gaveta se abre.

— Isso! — volto a sussurrar.

Um minuto rapazes, um minuto para a merda ser atirada no ventilador!

Dentro da gaveta há pedaços de jornais recortados, eles parecem antigos, mas estão em ótimo estado. Eu os pego com cuidado para não rasgar, estão separados por notícia.

“Anthony Dallas é acusado de assediar assistentes dentro da delegacia do Texas.”

“O Senhor Dallas, xerife da cidade, estupra adolescente durante à noite de Ação das Graças.”

“Anthony Dallas é encontrado morto em seu escritório misteriosamente.”

“Erick Dallas, filho de Anthony Dallas, que perdeu seu pai aos quinze anos de idade é acusado de matar a família que acusou seu pai de estuprador, mas o caso é arquivado e esquecido.”

— Deus... — sussurro ao ler as manchetes, mas o som histérico e as luzes vermelhas começam a piscar ao mesmo tempo.

O alarme dispara.

Consequentemente as câmeras também.

Fudeu.

Vocês têm que sair daí agora!

— Puta merda... — Tommy corre para frente das portas do escritório, ele puxa o Rifle das costas e aponta para a entrada. Eu não sei o que está passando na cabeça dele, mas agora não é um bom momento para fazer perguntas, porque rapidamente a porta se abre e um dos seguranças se assusta com a nossa presença tanto quanto nós ao vê-lo. O homem dentro de um terno escuro corre a mão para alcançar o revolver na cintura, mas a voz de Tommy o interrompe. — Nem mais um passo ou eu vou estourar a sua cara!

Uau.

Eu vou me apaixonar por Tommy.

Estou apaixonada. — Sara parece ter lido a minha mente.

— Quantos são? — grito para o segurança de mãos levantadas. As suas pernas estão tremendo pateticamente.

— Somos dez. Ao todo somos dez seguranças. — ele gagueja.

— Merda... — sussurro.

Preciso que pergunte a ele qual é a senha do alarme, antes que a polícia chegue aqui!

— Qual a senha do alarme? — Tommy dá mais um passo até encostar o cano frio do rifle no peito do segurança. — Não me faça ter que perguntar de novo, campeão.

— Eu não posso fazer isso, o senhor Erick vai acabar comigo!

— Prefere que eu faça isso? — Tommy grita e torna a empurrar o rifle.

— Eu não deixaria esse cara com raiva. — dou de ombros.

— 1198645-5.

Perfeito!

O som estridente para de imediato.

O tempo está ainda mais apertado, só o que consigo fazer é enfiar as manchetes dentro do bolso torcendo para que nenhuma amasse ou rasgue e me aproximo de Tommy que toma conta do segurança na nossa frente. Eu respiro fundo e com força suficiente acerto o nariz do homem que desmaia logo em seguida.

— Caramba... — retraio a mão ao sentir o impacto. Isso dó demais!

— Oliver! Que merda! Você disse que não iria ter violência!

— Ah e você acha mesmo que ele não ia dar com a língua nos dentes?

— Estava tudo sob controle.

— É a sua mão que parece que quebrou? Não! Então vamos sair logo daqui!

— Agora está com pressa?

A discursão de relação de vocês já acabou? Espero que sim, porque pelas câmeras estou vendo três seguranças subindo para onde vocês estão. Não tem saída!

— Como assim não tem saída? — sussurro inconformado. É, parece que vamos ser pegos, eu preferiria que isso acontecesse pela polícia, os capangas de Erick vão nos torturar. Já passei por isso uma vez, a água fria e as pancadas no estômago me trazem ânsia só de lembrar.

— Oliver, nós temos uma saída. — Tommy volta a prender o rifle nas costas, ele está olhando pela janela do escritório. — Temos que pular.

Agora sim eu preciso rir.

Rir de nervoso.

Tommy quer que eu pule do segundo andar de uma mansão que nos dá em uma piscina nos fundos. Está frio lá fora, de congelar, nosso corpo está quente e não seria uma novidade se morrêssemos pelo choque térmico. Não há condições de me molhar quando as únicas provas que consegui contra Erick são feitas de um papel velho. Pular nessa piscina está fora dos planos, não vou fazer isso.

— Você é louco? Não posso me molhar... Estragaria as provas contra Erick!

Os seguranças estão subindo as escadas... Armados! Oliver, faça o que Tommy disse, agora!

— Homem de Deus... Por que tão cabeça dura? — ele tira de dentro das calças um saco plástico que se lacra nas pontas. Por que o retardado está guardando ampolas de cetamina dentro da cueca? Nojento. — Coloque os papéis dentro desse saco e lacre, ponha dentro das calças que não vai molhar.

— Eu não vou colocar minha mão nesse saco plástico nojento.

Tommy bufa.

Que merda, Oliver, você quer virar presunto?

Reviro meus olhos.

Não vai ter jeito.

Faço exatamente o que Tommy me disse enquanto o idiota abre as janelas, ele trancou a porta do escritório, mas nada que três brutamontes não consigam colocar abaixo com um único e simples chute.

— Preparado?

— Preparado? Tommy, essa merda tem pelo menos dez metros de altura! Quem garante que vamos cair dentro da água?

— E quem nos garante que não viraremos comida de Rottweiler?

— Eu sabia que isso não iria dar certo. Eu sabia.

Vocês precisam pular agora!

— Quer segurar na minha mão?

— Já não acha demais ter um saco plástico com cheiro das suas bolas dentro das minhas calças? Não, eu não quero segurar na sua mão.

— Machista!

Idiota.

Antes que eu possa argumentar, Tommy me empurra e meu corpo cai tão rápido batendo contra água fria que eu ao menos tenho tempo para sentir a queda. Logo em seguida é o corpo dele que bate contra a água. O som de tiros pela janela nos fazem nadar com pressa para a beirada da piscina ignorando o quanto nossos braços e pernas se encontram congelados. E, claro, rezando para que nenhum projétil nos acerte. Se isso é brincar com a vida, nós estamos fazendo a coisa errada.

— Vamos, vamos, vamos! — o ajudo a sair da piscina, o seus dentes batem um no outro assim como os meus. Estamos completamente encharcados.

Vocês estão... Vo-cês... Vo... — Sara tenta nos alertar, mas água e qualquer objeto eletrônico não combinam muito bem.

— Eu vou congelar! — Tommy gagueja ao sair da água. Os tiros cessaram, mas isso não me tranquiliza.

— Precisamos ir à direita, encontrar a cerca e dar o pé daqui!

O barulho da sirene soa perto demais, o alarme acabou acionando a polícia. Que ótimo.

Começamos a correr em direção aos fundos da mansão. Os tiros começam novamente. Há barulho de passos atrás de nós.

— Eu não quero morrer. Eu não posso morrer. Eu não quero morrer. Eu não posso morrer. — Tommy começa a sussurrar como um mantra, me irritando.

— Cala a boca!

Um projétil acerta em cheio um vaso de flores bem do nosso lado e Tommy quase pula no meu colo.

Se não fosse trágico, seria engraçado.

Encontramos a cerca.

— Vou te ajudar a pular, me dê a mão do outro lado! — outro projétil acerta a lateral da cerca que estamos. Agora vozes gritam dando a entender que nos acharam.

Inferno.

Tommy concorda e eu o impulsiono para o lado de fora da mansão.

— Bora parceiro, bora. — ele estende a mão para me pegar.

Mas sabe quando algo quente te acerta?

Forte?

Não há dor de início, não até seu corpo e neurônios entenderem que uma bala de revólver acertou bem a sua traseira. E agora sim, agora vem a dor, uma dor que consegue ser tão forte quanto a joelhada que um dia desses Felicity acertou entre as minhas pernas.

— Mas que merdaaaa!

O sangue quente escorre pela minha perna se contrastando com meu corpo gélido.

Tommy me puxa para baixo colocando parte do peso do meu corpo apoiado ao seu como um verdadeiro soldado americano que não deixa seus parceiros para trás. Eu não consigo pensar em outra coisa a não ser na roubada que me meti. Eu invadi a propriedade privada do prefeito de Nova Iorque, os alarmes e as câmeras foram acionados, se estivemos com azar, elas vão ter conseguido captar nossas identidades, a polícia também foi acionada e, por fim, levei um tiro bem na bunda. Cara, minha traseira foi atingida em cheio, e nada se compara a um tiro.

Arde.

Dói.

As portas do furgão se abrem.

Tommy me empurra para dentro e ao fechar as portas, arrancamos para longe dali.

— Eu vou morrer... — meus dentes estão trincando, consigo sentir meu corpo entrando em hipotermia. Como eu previ desde o momento em que Tommy inventou de pularmos naquela piscina congelada, um choque térmico. Eu só não sabia que junto desse choque térmico eu também perderia sangue.

— Parceiro, não diga besteiras!

A esse ponto já estou com minhas calças arriadas por Tommy. Isso mesmo, estou quase nu, com uma bala no traseiro, na frente dos amigos mais insuportáveis que existem na face da Terra.

Isso será eternizado.

— Tommy, você precisa tirar uma foto desse momento! Oliver Queen atingido bem na bunda! Impagável. — Sara gargalha enquanto nos leva para bem longe da mansão de Erick.

— Depois que eu morrer, vou puxar as pernas de vocês! — minha voz é fraca. Não estou brincando. Está muito frio, meus sentidos estão ficando longe demais.

— Sara, a gente precisa levar ele para o Hospital! Ei parceiro, não dorme não. — ele me sacoleja.

— Hospital? Você ficou louco? Sabia que quando alguém dá entrada ao hospital tem que reportar a policia o porquê do tiro?

— E o que a gente vai fazer com ele?

— Foi um tiro na bunda, não deve ter sido nada grave. Você é médico.

— Médico Veterinário, não um carniceiro.

— Hospital não... — alucinações? Sim, elas chegaram. Sejam bem-vindos à merdolândia. — Felicity, eu preciso encontra-la.

— Alucinando... Isso não é bom.

— Mantenha ele acordado.

Tudo está girando e girando e girando. — Me levem para o apartamento dela...

— Eu não vou invadir outra propriedade, sem chances!

— As chaves... No meu bolso.

São as últimas palavras a saírem até que eu perca totalmente os sentidos.

Espero que isso não seja morrer.

~~~

Felicity Smoak

Daqui a pouco já está amanhecendo lá fora, mas ainda permaneço presa nessa sala má iluminada sendo amedrontada pelos meus próprios monstros. Agora tudo faz sentido dentro da minha cabeça, todos os pontos estão ligados, e por mais que eu tenha ódio de Erick, me vejo tendo que acatar as suas ordens.

Ordens cruéis.

— Felicity Smoak? — a voz grossa me faz voltar à postura sobre a cadeira.

É John Diggle.

— Não precisa perder o seu tempo precioso. Eu sou culpada.

Estou exausta.

Minha voz é cansada.

— Você está mentindo. — ele se senta na cadeira a minha frente empurrando uma xícara de café. O cheiro é tão bom que aguça meus sentidos, aqui dentro é frio demais, nada como líquido quente para me aquecer um pouco. Mas eu o ignoro. — Beba.

— Eu assinei aqueles papéis, não precisamos de cordialidades.

— Exatamente, você assinou aqueles papéis. Mas foi só isso.

Uma ruga cresce entre as sobrancelhas.

Aonde Diggle quer chegar? Estou aqui dizendo que sou culpada, que foi eu quem desviou todo o dinheiro, assim como Erick me obrigou.

Diggle passa um objeto eletrônico pelo meu corpo duas vezes sucessivas.

— O que foi isso?

— Estava me certificando de que Erick não havia colocado uma escuta em você.

— Como assim?

Agora tudo volta a não fazer muito sentido.

— Felicity, não sou um bom ator, mas quando apareci no seu apartamento daquela forma precisei me virar. Erick me enviou documentos assinados por você, alegando que você havia o roubado.

— Eu o roubei! — dou de ombros.

— Não, não roubou. É claro que esses documentos foram assinados por engano e Erick sabe exatamente disso. — suas mãos voltam a empurrar a xícara de café. Agora eu a pego, o frio está congelando os dedinhos dos meus pés. Ele suspira. Eu o escuto com atenção. — Ele fez isso para ganhar tempo, desde que nos encontramos naquele gabinete, desde aquele dia ele estava tentando ganhar tempo.

As lágrimas voltam a escorrer pelo meu rosto.

— Erick está me chantageando.

Sou uma bobona.

Mas me sinto sozinha e vulnerável demais para segurar as lágrimas quentes.

— Imaginei.

— Disse que irá matar todos que amo se eu não colaborar.

— Eu sabia desde o início que você não tinha nada a ver com esses roubos, fique tranquila.

— Ficar tranquila? — levanto da cadeira a empurrando para longe. Não sou uma louca, mas já estou esgotada com esse assunto. Com toda essa merda. — Nunca pensei que fosse odiar tanto uma pessoa... Quanto odeio Erick. Eu tenho nojo de quando ele me toca, de quando suas mãos sujas insistem em percorrer pelo meu corpo! Seus beijos são duros como pancadas, só me trazem ainda mais repulsa. — fungo, minhas voz não é uma das melhores. — Mas o que eu posso fazer quando existem outras pessoas envolvidas?

— Vamos resolver isso juntos. Eu acredito em você.

— Acreditar em mim vai livrar minha mãe das mãos nojentas de Erick? E as minhas amigas? A irmã do homem que eu... — balbucio. Jesus Cristo, o frio não está me fazendo nada bem, minha inteligência, meu senso de ridículo está congelando. Amar Oliver Jonas Queen? Roubada. Gostar dele já significa estar assinando um termo de insanidade mental, agora, amar? Amar é a própria loucura. — Do meu vizinho. Eu quis dizer vizinho.

— Ao amanhecer todos estarão sendo colocados no programa de proteção à testemunha.

— Erick é esperto, não vai deixar barato!

— É em sigilo. Só preciso que você colabore com a gente, e eu a prometo, nada acontecerá a eles. Mas tudo em total segredo, nada, absolutamente nada pode sair daqui.

Minha cabeça abaixa de imediato.

Alívio.

Um peso está saindo de cima das minhas costas, ao mesmo tempo, sinto braços fortes me trazendo para um abraço. Diggle não fala nada, ele só faz um sinal positivo com a cabeça que permite com que eu volte a chorar, mas não de medo, desta vez, de um alívio ensurdecedor.

— Obrigada. — sussurro.

— Ele te obrigou a fazer alguma coisa?

— Disse que era pra eu fazer você acreditar que eu era culpada pelo desvio do dinheiro. — me afasto dos braços de Diggle para pegar um pouco de ar. — Erick vai me obrigar a se casar com ele para conseguir continuar desviando mais dinheiro da prefeitura, até conseguir uma quantia suficiente para fugir do país.

— Você vai fazer com que ele acredite que está com ele.

— Eu pensei que não precisaria mais ter contato com Erick!

— Precisamos que ele acredite que você está seguindo as ordens pelo menos até conseguirmos provas que ele está por trás de tudo isso.

— Eu não vou conseguir... Apenas o toque de Erick me traz ódio. Não sei do que eu seria capaz de fazer se ele tentasse algo contra mim.

Agora que sei que estou protegida, não iria deixar barato o toque nojento de Erick. Ele não encostaria mais nenhum dedo se quer na minha pele.

— Felicity, eu a entendo perfeitamente. Mas tente pensar com sensatez, somente assim vamos conseguir alcançar Erick!

Infelizmente Diggle tem a razão.

Por mais que Erick me traga repulsa eu vou ter que dançar conforme a música, fazer com que ele acredite que estou com ele, acatando a todas as suas ordens, chantagens e psicopatias. Só dessa forma conseguiremos pegá-lo desprevenido.

Eu sinto medo.

Mas sinto mais raiva e vontade de coloca-lo atrás das grades, em um lugar pior do que esse, escuro, com ratos, para que ele peça misericórdia pela sua vida até os últimos dias.

— O que eu preciso fazer? — rosno.

— Seguir o plano de Erick à risca, ele precisa acreditar que você está com ele.

— Certo.

— Você é ré primária e tem ótimos antecedentes, um dos homens da minha equipe vão pagar o valor da sua fiança.

— Erick não vai gostar disso... — meneio a cabeça.

— Erick é um psicopata narcisista, ele vai estar ocupado demais dando depoimentos dramáticos dizendo que você é a verdadeira culpada.

— Ele é esperto, tem tudo sob os olhos, não vai acreditar que alguém pagou a minha fiança.

Sua feição é pensativa.

— Tem razão. Vou pedir que a juíza emita um termo de soltura, vai servir para camuflar a fiança que será paga.

— É, pode ser que ele acredite nisso.

— Vou precisar que use isso todas as vezes que estiver com Erick. — ele me entrega brincos. Fico intrigada.

— Brincos?

— São escutas, tudo será gravado.

— Ele não irá perceber?

— Tente evitar microfones e a água.

— Não sei se vai combinar com os meus looks. — Rio baixinho, mas a presença do homem a minha frente continua inabalável. Cadê o senso de humor? Já estamos nadando em meio a bosta mesmo. Umas risadas fariam bem.

O celular de Diggle vibra e ele se afasta para atender.

Sua voz é baixa, mas nada que me impeça de ouvir.

Vocês têm certeza disso? Procurem em todos os hospitais de Nova Iorque! — ele inicia passos pesados de um lado para o outro. Inconformado. — Como assim não foram encontrados em nenhum hospital? Sejam mais criteriosos, estou indo encontrar vocês.

Diggle volta a se aproximar, eu não o conheço, mas essa cara dele não é de alguém que esteja muito feliz.

— Aconteceu alguma coisa?

— Seu amiguinho andou mijando fora do penico.

— Amiguinho? — pergunto confusa.

— Parece que Oliver Queen invadiu a propriedade de Erick. Merda, isso não estava nos meus planos!

Hospital?

Eu ouvi Diggle falando em hospital.

Um nervosismo súbito ataca meu estômago.

— O que aconteceu? Ele está machucado?

— Não sei, alguns amigos que tenho na polícia me disseram que a mansão de Erick foi invadida por alguns homens, houve troca de tiro, mas nada me tira da cabeça que seu amigo esteja envolvido.

— Não pode ser... Aquele cabeça dura!

— Todos os hospitais de Nova Iorque não tiveram nenhum caso de homem baleado. Você tem ideia de algum lugar que ele poderia ir?

— Oliver é dono de uma clínica veterinária... Também tem o seu apartamento que é praticamente ao lado do meu! Fora isso não sei como poderia ajudar.

— Pega suas coisas, nós vamos encontra-lo.

Que coisas?

Minha dignidade? Porque é a única coisa que Erick não conseguiu tirar.

E sobre Oliver? Se ele não tiver em coma, bem capaz que eu faça esse trabalho. No que ele estava pensando quando decidiu embarcar em uma maluquice dessas? É o fim dos tempos.

~~~

Oliver Queen

A água fria volta a me atingir.

Por um momento as lembranças do dia que fui raptado por Erick voltam com força, conseguindo que eu abra os olhos de imediato, afogando com a água que cai do chuveiro. O chão está avermelhado, concluo que seja sangue, porque aos poucos vou lembrando do projétil que acertou em cheio o meu traseiro.

— Parceiro, você é um homem de sorte. Quer primeiro a boa ou a má notícia?

— Qualquer uma, babaca. — Ainda não estou sob os meus reais juízos mentais, então pouco me importo com a pergunta idiota de Tommy. Minhas pernas estão moles, meu raciocínio mais lendo do que de uma tartaruga.

— A má notícia é que não é nada legal te ver peladão. — o idiota desliga o chuveiro com a água fria. Só tenho certeza de uma única coisa, estou no apartamento de Felicity, porque essa água que congela até os fios dos meus cabelos é típica de um chuveiro que continua com a resistência queimada.

— E a boa notícia? — ele enrola uma toalha molhada ao redor do meu corpo, enfia dois comprimidos na minha boca que concluo ser para a uma dorzinha chata que pulsa no meu traseiro. Me ajudando a andar até o quarto de Felicity onde Sara já nos espera batendo os pés. Isso não é um bom sinal.

— É que esse lugar cheira aos biscoitos que sua mãe fazia. Não se compara ao cheiro de queijo que seu apartamento tem! — Tommy me arremessa na cama e eu caio de cara nos cheirosos travesseiros de Felicity. É um cheiro gostoso demais para dividir com Sara e Tommy.

— Você fala muita besteira Tommy! — Sara revira os olhos. — A boa notícia é que a bala atingiu o rádio que estava guardado no seu bolso traseiro, resumindo, ela não chegou a ir muito longe. Nada que um bisturi e alguns pequenos pontos de sutura resolvam.

— O que vocês me deram? Eu estou me sentindo um pouco doidão. — resmungo com a cara presa nas almofadas.

— Maconha.

— Tommy! — Sara o repreende.

— Tirem a porcaria da... — não consigo terminar a frase porque dou um grunhido assim que a lâmina do bisturi rasga a minha pele. Isso arde muito, nenhum calmante é capaz de evitar essa dor. Esses imbecis tinham que me sedar. — Isso foi proposital!

— Sara me proibiu de usar anestesia em você.

— É, eu proibi. — ela ri.

— Prontinho, conseguimos tirar o projétil. Nem sangrou tanto... Graças aos meus anos de formação em Grey’s Anatomy. — Tommy se gaba.

— Estão despedidos! — murmuro. Na verdade, quando eu conseguir correr, vou caçar esses dois nem que eu tenha que correr até o inferno. E vou cravar na bunda de cada um uma bala de festim para ver que não é brincadeira estar aqui de bruços na frente dos seus dois melhores amigos.

— Para de show. — Sara me ajuda a levantar, jogando no meu rosto uma cueca Box estampada. — Nunca mais me faça entrar no seu apartamento e mexer na sua gaveta de cuecas, é broxante demais. Quem usa uma cueca de dinossauros?

— Vocês podem fechar os olhos enquanto me visto?

— Vou fazer melhor... Dar o fora daqui, porque daqui a algumas horas vai amanhecer e eu não quero perder o resto da minha noite com vocês dois! — Sara reúne as gazes com sangue, agulhas e bisturi.

— Nada disso, você não vai sair de fininho enquanto a gente ficar como foragidos da polícia! — Tommy rebate.

— Fica tranquilo, consegui as imagens das câmeras da mansão e nenhuma delas conseguiu pegar vocês! Para a polícia foi apenas uma invasão.

— Você é perigosa. — murmuro. Eu levanto deixando a toalha cair propositalmente, foda-se, estou com frio e vou me vestir agora. Não se xinga uma cueca de estampas, isso foi a melhor coisa que decidiram inventar. Não são dinossauros, são Tirano Rex’s.

— Ei, cobre essas coisas cara! — Tommy fecha os olhos.

— Depois dessa você realmente conseguiu estragar o restante da minha noite! — Sara com a cara enojada se prepara para ir embora, mas volta com um sorriso estampado no rosto. Ela mostra o celular de longe. — Oliver? Quando essa foto estiver em todas as redes sociais, não queira me matar! — a foto sou eu parecendo um dopado de merda com a bunda de fora enquanto Tommy faz um sinal positivo com um dos polegares. Eu vou acabar com Sara, e vai ser agora.

— Apaga isso! — levanto com dificuldade, mancando, essa merda de levar um tiro no traseiro não é uma coisa que tem que ser espalhada para Deus e o mundo. O que vou fazer com uma reputação que demorou anos para ser construída? Enfiar na minha bunda que não vou. Eu agarro a cintura de Sara que começa a rir divertidamente mantendo as mãos com o celular bem distantes. — Me dá isso aqui!

A porta de entrada se abre.

Primeiro vejo Diggle que para instantaneamente ao ver a cena.

Em seguida é Felicity. Ela está parada como uma estátua.

— Me solta, Oliver! — Sara consegue se livrar de mim. Estou com uma cueca Box cinza estampada com Tirano Rex’s. Não é algo que estou acostumado a lidar.

— Se eu fosse vocês, apagaria essa imagem da cabeça. É de dar pesadelos. — Tommy passa por nós dando de ombros.

— Felicity, eu posso explicar! — minhas mãos correm rapidamente para baixo em uma tentativa falha de esconder justamente a única parte vestida.

Mas ela é rápida.

Está me dando tapas, murros, bofetadas em todos os lugares.

— Como você faz isso comigo? — ela continua com a mão aberta. E que mãozinha pesada. Mas ao mesmo tempo percebo lágrimas querendo sair pelos olhos, a voz também está embargada. Eu gostaria de rir, mas a dor das suas mãos impossibilitam de deixar o momento fofo.

— Isso dói! Não se bate em um moribundo que esteve entre a vida e a morte! — tento segurar os pulsos que me atingem. Mas o joelho nervoso decide entrar na brincadeira, ele procura com vontade o espaço entre minhas pernas, e agora, minha atenção redobra.

— Você esteve entre a vida e a morte? — as tentativas de me acertar cessam, agora só vejo dois olhinhos azuis segurando um misto de lágrimas que fazem força para não escorrerem pelas maçãs ruborizadas na superfície das bochechas.

Essa é a mulher mais linda que eu poderia conhecer.

Um tiro no traseiro não chega perto das emoções que atingem meu peito.

— Entre a vida e a morte? — Sara dá gargalhadas. — Que nada. Só foi um tiro no traseiro.

— O que? Um tiro? — Diggle pergunta assustado.

— Já está tudo sob controle. — Tommy o acalma.

— Tem certeza que não precisa de um médico? — Diggle torna a perguntar.

— Só se for pelas bofetadas de Felicity! — Sara murmura baixinho com uma risada divertida.

— É... — Tommy segura Sara pela cintura. — Acho que devemos deixar os dois se resolverem sozinhos! Não é?

— É, também acho que já está tarde demais... Eu dou uma carona para vocês dois, preciso entender o que realmente aconteceu! — Diggle abre a porta para Tommy e Sara.

Os dois assentem.

Dão um ‘até logo’ e acompanham John em direção à saída.

— Eu deveria acabar com a sua raça. — novamente a voz embargada e um pouco dengosa de Felicity volta a me arrancar suspiros. As mãos macias tocam minha barba rala a acariciando até que consiga roubar um sorriso dos meus lábios.

— Não aconteceu nada.

— Como não aconteceu? Você poderia ter morrido!

— Só levei um tiro no traseiro... Talvez Tommy tenha me dado maconha, porque eu fiquei um pouco dopado. Ah, Sara tem uma foto importante no celular que pode acabar com a minha carreira, mas fora isso...

Os lábios macios de Felicity acertam o meu com delicadeza, eu sorrio ao entreabrir meus lábios para correspondê-la, meus braços a trazem para mais perto dando fim ao pequeno espaço que existia entre nós. As pontas dos nossos narizes brincam entre si à medida que sinto as bochechas de Felicity molharem as minhas quando se encontram. Ela está chorando, não há momento mais importante na minha vida quanto esse, porque ela está me dizendo através de um choro pesado que se importa comigo, que se importa com o que nós dois temos.

— Não faz mais isso. — ainda estamos tão perto, o gosto da boca de Felicity é marcante, estamos com os nossos olhos fechados deixando com que sintamos o nosso cheiro.

Baby, está tudo bem...

Ela abraça forte meu quadril, unindo nossas cinturas. Sua estatura permite apenas que deite seu rosto no meu peitoral tensionado. Meus lábios descansam sobre sua testa, depositando um beijo demorado. Antigamente eu costumava fazer isso apenas com Thea quando a colocava para dormir, na minha concepção não há cuidado maior do que um beijo na testa. Nenhuma mulher conseguiu chegar onde Felicity está, ela pode ser a minha vizinha insuportável com uma lista sem fim de boa convivência ou de como se comportar na casa das outras pessoas. Que seja, eu não ligo, eu só quero que ela esteja aqui comigo o tempo que for.

O tempo que for preciso.

Até o fim.

— Você está sentindo dor?

— Não se preocupe com isso, antes de sair do banho gelado do seu chuveiro, Tommy me deu uns analgésicos que estavam na sua gaveta.

Ela ri baixo.

— Analgésicos? No meu banheiro?

— Sim...

— Como eram esses analgésicos?

— Sei lá, acho que rosados.

— Oliver, você tomou os meus anticoncepcionais!

Agora ela está gargalhando feito uma hiena na minha frente.

Eu vou matar Tommy Merlyn. Não, melhor, eu vou dar ele de comida para os cães de Erick.

Anticoncepcionais?

Que fudido.

— Aquele maldito me paga!

Ela volta a ficar nas pontas dos pés, os lábios úmidos correm a pele fina do meu pescoço. Não tem como me concentrar, eu juro que estou enviando mensagens para que meu pau se mantenha educado dentro da única peça de roupa que visto. Mas Felicity não quer me ajudar muito, porque ela continua com a provocação, e como se não fosse o bastante, o corpo firme inicia uma fricção lenta de cima para baixo que, nesse momento, me faz ficar duro como uma rocha.

— Pensa bem... Agora estamos os dois protegidos de bebês! — seu sussurro é mortal. Merda, essa voz não está ajudando.

É sexy e sedutora.

— Antes que você queira me matar... O banheiro encharcado não é culpa minha, a cerveja na bancada sem protetor de copos foi ideia de Sara e a toalha molhada na cama também não é totalmente minha culpa.

Felicity volta a rir.

Seus olhos estão fechados.

— Posso pensar em te perdoar desde que você me beije agora!

Não é uma regra, mas existem alguns tipos de beijo.

Há aquele quando já estamos acostumados com a pessoa, ele é rápido como um aperto de mãos. Modéstia parte não é um dos meus preferidos, ele indica que o relacionamento já entrou na merda de uma rotina e que o próximo passo é o abismo. Mas também existe aquele tipo de beijo que só a aproximação dos lábios é o suficiente para instaurar a loucura dentro da cabeça, não há mistérios, só a brincadeira que os lábios fazem.

O meu preferido é este, o que mostra sem rodeio onde queremos chegar. Um beijo forte que é comandado pela língua molhada de Felicity. O ritmo é dela, é lento e torturante, o hortelã da sua boca me faz querer engoli-la, no entanto, ela impede que eu interrompa o poder que está exercendo. As mãos espalmam meu peito para trás até trombarmos em uma cadeira acolchoada onde sento com força, soltando um maldito grunhido. O meu traseiro ainda é dolorido, mas agora isso não é um problema, porque eu pouco me importo quando sinto a bunda de Felicity sentar com voracidade encima do meu membro duro. O jeans roça meu quadril, porque ela está friccionando o corpo com vontade sobre o meu, eu não sei se aguentarei se ela continuar nessa posição por muito tempo. Não que eu tenha, digamos, ejaculação precoce, mas nenhum ser humano saudável conseguiria aguentar essa bunda perfeitamente moldada torturando o seu pau, exatamente o que está acontecendo agora.

Eu estou com meus braços entrelaçados na cintura pequena de Felicity enquanto ela me beija, confesso que já me falta ar, meu coração está acelerado como um raio, mas ela ri quando se afasta do beijo que quase ia tirando a minha vida aos poucos. Estamos respirando intensamente, ela continua rindo baixinho após o beijo avassalador que escondia de mim. É um beijo de liberdade, ela está me mostrando o quanto consegue ser ousada, o quanto me faria gozar só de se esfregar. E ela continua, lentamente, subindo e descendo, friccionando sua entrada coberta por tantas peças de roupas, mas que aposto estar inundada.

— O que é isso?

Jesus cristo, minhas pernas estão formigando, estou perdido nos olhos marejados de prazer de Felicity que está incrivelmente linda. Os cabelos dourados soltos, cobrindo um pouco o rosto, escondendo parte dos olhos cheios de desejo que se fecham à medida que volta a sorrir quando escuta minha pergunta cansada, cansada de tanto segurar o que ela quer que aconteça.

— Você não está gostando? — a pergunta vem como um sopro no pé do ouvido, fazendo-me arrepiar. As unhas passeiam do meu abdômen contraído como uma rocha, aliás, tudo aqui embaixo é duro como uma pedra. Eu não sou de confessar as coisas, mas ser usado como um brinquedo sexual por Felicity nunca me deixou tão excitado quanto agora. Essa mulher poderia comandar o mundo, e ela está mostrando que sabe que pode fazer, como sabe assumir o comando. Não estou me referindo só pela fricção que seu quadril faz lentamente sobre meu pau, mas também em relação à vida como um todo.

— Eu vou explodir...

— Você é fraco!

Ela ri.

A maldita brincadeira continua, estou suando frio.

— Já conseguiu provar. Já conseguiu! — volto a sussurrar com pressa.

— Provar o que?

Ela morde com fúria a pele fina do meu pescoço, eu solto um leve gemido.

É certo, vou explodir como uma bomba.

— Você é quem manda, baby!

— Repete!

A voz é erótica.

Mas não consigo parar de observar o movimento que suas mãos fazem ao arremessar a blusa de frio para longe. O sutiã pode ter rendas simples de uma pessoa eu não esperaria que fosse transar, só que isso é o que menos chama minha atenção quando os seios pequenos de Felicity aparecem. E antes que eu possa ter qualquer contato com eles, ela levanta do meu colo para arremessar para longe a calça jeans apertada, agora é a combinação perfeita, a calcinha tem a mesma renda simples combinando com o sutiã. Não é uma lingerie escolhida a dedo para uma noite clichê, o que a deixa ainda mais interessante.

— O que você quer que eu repita? — estou me sentindo retardado, porque quando Felicity volta a sentar com propriedade no meu colo, já esqueci de tudo o que disse antes. Minha atenção está voltada aos seios perfeitos que cabem nas minhas mãos. Mas ao tentar segurá-los, tenho meus pulsos impedidos com força. Eu a olho confuso, mas volto a me perder quando ela faz ‘não’ com a cabeça de vagar.

— Quem está no controle?

Engulo a seco.

Apenas uma das mãos prendem meus pulsos, eu a permito continuar. O tronco levanta para que com a outra ela abaixe minha única peça de roupa, e o seu toque na minha pele quente que pulsa é cruel, ela só está me segurando com força, não há se quer um movimento, ela só está pegando, sentindo o quanto estou grande literalmente nas suas mãos. Felicity se conforma em chegar para o lado o tecido macio da sua calcinha, e em pequenos segundos, a abertura quente me sucumbi até o fim. É rápido, até o seu limite, os meus olhos se fecham de imediato involuntariamente, porque existem poucas sensações que cheguem aos pés dessa, que consigam transmitir algo tão bom.

— Você. — gaguejo. A voz é falha, porque nesse exato momento o castelo de areia está desabando lentamente a cada movimento lento, mas profundo que ela faz encima do meu pau.

Ela volta a rir baixinho.

— Não ouse mexer as mãos...

A mão dela solta o meu pulso, e agora as duas seguram firme nos meus ombros para pegar impulso. Cada vez que seu tronco sobe, o abdômen quente de Felicity roça o meu, e eu abaixo a cabeça para abocanhar o mamilo rosado túrgido. O lambo, o mordo, o puxo para mim a fazendo gemer alto, dou a mesma atenção para o outro seio o deixando avermelhado, quente e dolorido. Faço uma brincadeira com a língua para amezinhar a ardência que meus dentes fazem quando riscam a pele fina, e o nosso tesão aumenta o ritmo das cavalgadas. Agora estamos mais rápidos e superficiais, em contrapartida, quando ela brinca que vai sair completamente, volta com tudo me arrancando um arfar profundo da garganta.

— Deus...

Minha cabeça cai para trás apoiando-se no encosto de madeira da simples cadeira, a mão molhada pelo suor cala a minha boca enquanto que as unhas bem feitas da outra mão puxam meu cabelo curto. O meu quadril tenta fazer movimentos, mas Felicity puxa meu cabelo com mais força, sussurrando com sua voz diabolicamente rouca:

— Paradinho.

Agora não tenho dúvida nenhuma de que estou me aproximando de explodir.

Felicity permite que eu volte levantar a cabeça, para vê-la, assistir enquanto me domina com propriedade. As mãos, desta vez, livres, passeiam pelos meus braços contraídos e arrepiados, os segurando para trás da cadeira na medida em que se abaixa sem cessar o movimento lento que seu quadril faz. A ponta da língua molhada risca a borda do meu maxilar, descendo em direção ao lugar que deixou a marca dos seus dentes, eu a ouço rir enquanto continua me torturando até alcançar um dos meus mamilos, ela o morde com vontade.

— Merda...

Solto outro gemido.

Ela é perfeita.

A língua úmida de Felicity associada a uma rebolada gostosa é capaz de levar qualquer pessoa à loucura. Sem contar as paredes quentes que me engolem com precisão, ela está se preparando para entregar a mim todo o seu prazer, porque eu a conheço. Conheço quando suas coxas lisas tremem ao redor do meu torço, as estocadas estão mais pesadas e rápidas, e agora, sua cabeça se levanta caindo para trás, eu tento segurá-la, controlar um pouco do ritmo, mas ela não deixa. Sua boca faz um grunhido dizendo ‘não’ quando toca meus lábios com fome. É um beijo que me suga completamente, sua respiração é tão pesada quanto as investidas, as mãos seguram meu rosto para que eu não faça nada que não tenha mandado. Porque é isso que ela está mostrando, que ela manda em mim e que a partir de agora ela é quem vai estar por cima.

É ela quem vai estar no comando.

De tudo.

Porque ela acredita que pode ser dona de si.

— Você vai chegar lá primeiro!

Gargalho divertidamente.

— Não antes que você.

Estou sendo um grande mentiroso.

Mas ela sabe que nós homens gostamos de fazê-las gozarem primeiro, não sei, é algo gratificante para nós. Um pouco machista, mas nos tira um peso das costas quando isso acontece.

— Está me testando? — que merda de voz é essa? É um sussurro que alcança a alma.

— Você disse que eu era fraco... Não vou te dar esse gostinho.

Felicity volta a fazer um sinal negativo com a cabeça.

A pressão que seu quadril faz aumenta, seu corpo atlético começa a subir e a descer tão rápido que eu não consigo mensurar. Minha respiração está a acompanhando, rapidamente, meus olhos nesse momento já estão comprimidos, mas eu seguro a vontade gritante de despejar dentro dela tudo o que tenho. Estamos fazendo barulho pelo simples impacto que as coxas suadas de Felicity fazem quando batem contra minhas pernas, deixando com que eu a invista tudo dentro da sua entrada apertada. Quando ela se levanta quase que completamente, é o meu fim, eu solto um grunhido alto para que ela volte com a cavalgada célere. Mas não, ela está brincando comigo, seus olhos são a própria fogueira, há faísca por cada pequeno centímetro das bilhas azuis. Ela está brincando com a minha superfície, isso é mágico, porque é como se ela estivesse pronta para me deixar, porém continuando com toda a loucura infernal.

— Tem certeza que não vai me dar esse gostinho?

Ela rebola somente na superfície.

Estou sentindo o clitóris entumecido bem de vagar agora.

Cristo...

De forma avassaladora deixo escapar todo o líquido, alcançando o meu ápice, é esclarecedor. Agora eu estou com a minha cabeça caída para trás absorvendo tudo que gira dentro da minha cabeça. E agora, é a sua vez, ela volta com a mesma potência, estamos molhados, apropriando-nos do que cada um de nós temos para proporcionar. Suas mãos passeiam, elas estão em todos os lugares possíveis, me engolindo assim como suas pernas fazem ao redor do meu torso, e quando sinto seu corpo paralisar, ela agarra seus dentes no meu ombro. Contrai cada extensão do seu corpo me dizendo que chegou lá.

Nossos olhos não deixaram de se cruzar um só segundo.

Ela permite que eu a abrace.

Seu rosto junto da respiração cansada encosta no acesso do meu pescoço onde ficamos quietinhos até que nossos corpos consigam reestabelecer os sentidos.

~~~

Tomamos um banho em silêncio, não um silêncio constrangedor, porque não existe isso entre nós dois. Felicity está com o típico roupão de algodão secando o cabelo com o secador, eu a observo encostado na coluna da porta, apenas observando o movimento que faz com as mãos.

Ela é linda.

— Que foi?

— Quer falar sobre o que aconteceu?

— Quero.

Respiro fundo, por incrível que pareça, meu traseiro não está tão doloroso quanto pensei. Lá fora o sol está se preparando para nascer, sei que é perigoso estar aqui, afinal de contas, Erick tem as chaves do apartamento de Felicity, mas como Sara disse, a secretária do miserável disse que ele iria passar a noite inteira no gabinete.

— Estou preparado. — minhas mãos arrastam a cintura dela para que descanse suas costas no meu peito. Felicity se acomoda, entrelaçando nossos dedos, brincando com eles à medida que um novo silêncio surge. Mas, dessa vez, é um silêncio que perturba um pouco.

— Descobri tudo sobre Erick...

— Tudo?

Será que Felicity sabe sobre o passado de Erick?

— Ele sempre esteve por trás de todas as mentiras, me usando para desviar dinheiro da cidade. Eu caí nas armadilhas de Erick, assinei os papéis que ele usou para me incriminar... Foi horrível, cada palavra que ele usou foi escolhida para me ferir de um jeito diferente!

— O que ele disse?

Tento camuflar a raiva que nasce só em pensar no quanto Felicity deve ter sofrido naquele lugar, sozinha.

— Não quero falar sobre isso!

Baby...

— Ele quer manter o casamento. — sua voz é mais baixa, quase inaudível. Porque ela sabe o quanto isso acaba de me deixar muito puto, eu ensaio levantar da cama, mas as mãos firmes de Felicity me impedem. Ela não precisa olhar nos meus olhos para saber o que está acontecendo comigo, porque as emoções que gritam pelo meu corpo a faz sentir mesmo estando de costas. O coração está com as batidas rápidas, a respiração é superficial, meus dentes rangem ao mesmo tempo em que uma lágrima tímida começa a querer surgir. Todo o pesadelo está voltando, o medo de perdê-la para Erick volta com força na minha face como uma bofetada.

— Eu não vou deixar.

— Erick me chantageou, disse que iria matar minha mãe... E me faria assistir! Ele não parou por aí, também incluiu minhas amigas, Polly e Thea.

Sua voz fraqueja ao chegar no nome de Thea.

— No dia que você me encontrou caído desacordado no meu apartamento, não foi um assalto.

— Eu sabia. — seu corpo gira dentro dos meus braços, ela funga, secando as lágrimas que estavam caindo, que não queria que as visse. Tarde demais, porque àquelas lágrimas tímidas que eu deixei que surgisse já derramou pelo meu rosto, mas eu não as seco porque não quero mais me enganar. Não preciso esconder o quanto Felicity me tem, ela me tem do dedinho dos pés até o último fio de cabelo.

Eu a amo.

Pra caramba.

— Nesse mesmo dia eu iria atrás de Erick dizer que você não iria se casar mais com ele, porque eu não iria deixar. O miserável teria que passar por cima de mim se quisesse te levar até o altar! Mas chegando no gabinete dele eu o vi com Helena.

Os olhos confusos de Felicity aparecem.

Sua cabeça pende para um lado.

— Helena?

— Eles estavam juntos.

Felicity começa a unir forças para se levantar, eu a deixo se afastar até o armário onde ela começa a pegar peças de roupas aleatórias. Mas eu a impeço segurando firme nos seus pulsos, Felicity volta a me evitar.

— Me solta!

— O que você vai fazer?

— Acabar com Helena! Eu vou atrás dela e arrastar a cara dela no asfalto até que perca todas as plásticas que fez. — as mãos dela me empurram com força, existe ódio nas palavras de Felicity, a calmaria que nos aliviava logo depois de termos nos amado foi embora.

— Você acaba de sair da prisão, está sendo acusada de roubar a cidade, acha mesmo que fazer algo contra Helena vai ser positivo?

— Àquela mulher sempre me fez de gato e sapato, me humilhando na frente de todos quando eu quem fazia todo o trabalho! Ela e Erick estavam o tempo todo tramando contra mim e você quer que eu engula isso a seco? Não vou mais ser feita de idiota, eu vou atrás dessa mulher e vou acabar com cada unha falsa, fazer com que ela engula o preenchimento que fez nos lábios!

Felicity volta a me empurrar, conseguindo se soltar.

Ela está colocando as roupas com tanta velocidade que me assusta.

Mas eu me coloco na frente da passagem, a fazendo ficar parada com seus olhos estreitos na minha direção. Bufando.

— Não vai passar!

— Você já tem um tiro no traseiro, não me faça ter que acertar meu joelho entre suas pernas!

Eu não me mexo. Não vou sair da frente dessa máquina mortífera.

— Eu vou repetir. Não vai passar.

— Erick sempre me enganou, sempre... — seus ombros caem em frustração e surpreendentemente Felicity começa a chorar desesperadamente.

Eu não sei o que fazer quando uma mulher chora, nunca soube, nos filmes e novela é diferente, você apenas muda de canal até se certificar de que quando voltar a cena já vai ter acabado. Mas aqui, na minha frente, a mulher que amo chorar com tanto desespero me faz ficar sem ação, paralisado como uma estátua.

— Você quer ir? Quer realmente ir atrás de Helena?

— Não. — ela dá passos, arrastando-se até meu corpo onde me abraça com força. Eu a correspondo na mesma intensidade deixando que chore, que molhe minha camisa de mangas branca.

— Quer que eu continue a contando? — ela assente para que eu retorne. — Quando descobri que Erick a traía, disse que iria contar tudo a você. E que ninguém iria me impedir! Mas Erick e os seguranças covardes me raptaram, me bateram e me chantagearam.

— Por isso aquelas marcas...

— Ele disse que iria mandar desligarem os equipamentos de Thea. Eu tive que ganhar tempo, conseguir homens da minha confiança para protegerem a minha pequena.

— Erick é o pior monstro que existe.

Suspiro.

— Agora você entende o porquê de ter te dito que não poderíamos continuar? Eu tinha medo de perder a minha irmã.

Um gosto amargo surge na minha boca.

— É por isso que devo me casar com Erick! Para proteger vocês. — sua voz embarga.

— Não vou deixar você se casar com esse patife nem que eu precise quebra-lo em três!

— Você não vai fazer nada, já não basta ter invadido a casa de Erick e ter levado um tiro? Não banque o louco mais uma vez.

Não adianta.

Eu não a deixarei se casar com esse cara.

— Eu consegui provas contra Erick, podemos virar o jogo!

Felicity torna a ficar confusa.

— O que você conseguiu?

Deixo um silêncio nascer de novo.

Eu não sei qual é o tamanho do problema que tenho nas minhas mãos, não sei se seria bom abrir esse trunfo para Felicity agora, não antes de saber o quanto isso pode ser perigoso para todos nós.

A única certeza que tenho é que dessa vez eu o peguei e farei questão de ir atrás de cada podre desse miserável.

— Não posso te contar, pelo menos, não por enquanto.

Suas mãos espalmam meu peito para longe. — Por que você não confia em mim? Porque acha que tem que me proteger quando eu sou forte o suficiente para isso? Eu não posso contar com você!

— E você se considera forte para ir contra Erick aceitando continuar com essa ideia de casamento?

Grito, assustando-a.

Que merda.

— Diggle. — ela deixa escapar, frustrada.

— O que tem ele?

— Está me ajudando, na verdade, você não iria perceber... Mas está dentro de um programa de proteção à testemunha.

Seus olhos se perdem rapidamente dos meus.

— Que merda é essa, Felicity?

— Você, meus amigos, sua irmã... Todos estão em um programa de proteção à testemunha.

Rio sarcasticamente.

Então seria assim? Se casaria com Erick se submetendo as loucuras que esse homem é capaz de fazer para nos proteger sem ao menos me contar?

— É assim que as coisas funcionam com você?

— Não está sendo fácil, eu não tinha que ter te contado, mas abri minha maldita boca!

— Você realmente não iria me contar? Que inferno, Felicity!

— Eu quero te proteger. — ela grita tão alto que seu corpo fica na ponta dos pés.

— É você quem precisa ser protegia, será que não entende?

— Erick me enganou todo esse tempo... — ela dá passos curtos na minha direção, respirando fundo. — Disse que eu era fraca. — ela ri ironicamente. — Ele tinha razão, eu não procurei mostrar a ele o contrário. Mas agora, com vocês sob proteção, eu vou enganar Erick... Fazer com que ele acredite que estou o ajudando, e quando ele menos perceber, quem vai acabar com ele sou eu. Ele vai comer o pão que o diabo amassou.

— Você não é assim.

A raiva e o rancor nas palavras de Felicity me deixam com certo medo.

Medo de ter perdido a sua ingenuidade para a escuridão de Erick.

— Chega Oliver, você precisa ir embora. Está amanhecendo, Erick pode aparecer aqui a qualquer momento. — ela caminha até a porta. Novamente está impedindo qualquer troca de olhar, ignorando-me.

— Ei, para com isso. — a puxo por um dos braços a trazendo para perto feito um ioiô. — Quando vai deixar de ser tão cabeça dura?

O impacto dos nossos corpos deixa Felicity um pouco “tonta”.

— Não quero você aqui! — ela se debate dentro do meu abraço. Mas, agora, estamos nos olhando e o seu olhar um pouco nublado por toda a merda que está acontecendo diz que não quer que eu vá, e isso já é o bastante.

— Você já disse a Erick que o amava?

A pergunta faz com que Felicity pare de lutar, seus olhos arregalam feito o de uma coruja. Estou segurando a cintura do seu pequeno corpo com propriedade, não há maneiras de fugir de mim, a não ser que ela tente algum golpe baixo. Literalmente baixo.

— Por que está perguntando isso?

A voz é baixa.

Eu quero que tudo se exploda, que se possível, vá para os ares.

Porque vai ser agora que vou enfiar meu rabo entre as pernas e dizer que estou de quatro por uma mulher. Não qualquer mulher, mas sim a minha vizinha insuportável, mesmo que eu queira sumir depois de ter a dito, mesmo que eu queira enfiar a minha cabeça em um buraco assim como os avestruzes fazem. Ou mesmo que eu precise enfiá-la na minha bunda.

— Você já disse?

— Já.

Minha cara de frustração deve ter sido visível o suficiente.

Amar Erick Dallas? Sério?

Eu pensei que seria o primeiro amor da sua vida.

— Mas era mentira. — ela continua. — Eu mentia sobre o que sentia, porque era uma fuga, uma forma de me convencer.

Meu peito volta a ter uma pontinha de esperança.

Baby, eu...

A mão de Felicity cobre minha boca de imediato.

— Você não é louco de continuar com o que vai dizer! Estou te proibindo!

Mordo a mão de Felicity o suficiente para que ela pare de tampar minha boca.

Nutro ar nos pulmões.

— Eu te amo.

Notas finais
AGORA QUE O NEGÓCIO VAI FICAR BOM!!! Espero vocês nos comentários. ♥.♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.