Neighbors
7 Capítulo 7
–Boa tarde – a garçonete abriu um sorriso sugestivo assim que nos acomodamos em uma das mesas mais reservadas. – Servirei vocês essa tarde – ela estava ignorando totalmente minha presença. Fechei a cara. – Hm, já decidiram o que vão pedir? – a ruiva se inclinou para cima de Damon bloqueando parcialmente minha visão. Filha duma puta. Revirei os olhos.
–Hmm, Elena? – ele gesticulou para mim. A piranha continuou bloqueando minha visão.
–Você é quem sabe – disse com certa ironia.
–Lasanha?
–De novo?! – arqueei uma sobrancelha.
–Ravióli de frango?
Cerrei meus lábios.
–Ah! – Damon encolheu os ombros – Hm... Gosta de macarrão com molho branco?
–Gosto.
Gosto?
–Então, pode ser isso – a garçonete anotou nosso pedido e suavizei minha expressão aos poucos, ela continuava a não olhar para mim.
–O que posso trazer para vocês beberem?
–Uma coca – minha voz soou seca.
–Duas cocas – corrigiu Damon. A ruiva terminou suas anotações e deu outro sorrisinho malicioso para ele antes de sair.
Um longo minuto de silêncio se procedeu.
–O que foi? – Damon perguntou e percebi que ainda estava de cara fechada olhando para qualquer lugar menos para ele.
–Nada.
–Quer ir embora? – disse ele enquanto passa a mão em seus cabelos. Ah puta merda como eu queria fazer aquilo.
–Não. – balançava os pés impaciente.
–O que houve? Você está irritada – comentou. – Não. Você está puta. E não quer me falar por quê. – pausa – Te ofendi? – eu ri.
–Você não disse nada, pelo amor de Deus. – respirei.
–Vai me falar?
–Melhor não.
–Por que não?
–Realmente acho melhor não – ergui uma sobrancelha imaginando sua cara quando desconfiasse que eu estava com ciúmes.
Eu estava com ciúmes? Puta que pariu. Nós mal éramos amigos, que direito eu tinha?
–E quanto melhor for eu não saber mais eu vou querer saber – ele balançou a cabeça positivamente.
–Aquela piranha só faltou me jogar para fora da cadeira para dar em cima de você – soltei as palavras sem pensar. Puta merda.
–Hm? – ele pareceu chocado.
–Você não viu?!
–Deveria?
–Certeza? – agora eu estava com pena dela. Damon se virou para trás, debruçando-se totalmente na cadeira tentando olhar a garçonete. E ela continuava lá, jogando olhares e dando sorrisinhos enquanto anotava pedido de outras mesas.
–Ruiva – sua voz era de desaprovação.
–Algum problema? – meu tom era de brincadeira.
–Não confio nas ruivas – Damon fez uma careta. Arqueei uma sobrancelha, avaliando a mulher. Sim, ela era muito bonita,... E sexy... E mais velha. – Prefiro as morenas – seu sorriso era autentico.
Puta merda. Meu rosto estava em chamas.
–Alguém está com ciúmes, ou – eu o interrompi.
–Não! – dei-lhe uma tapa no ombro com vontade e passei a mão por meus cabelos. Não sei se era possível, mas estava mais vermelha.
–Você está muito vermelha – ele riu – Está com vergonha, é?
–Não – minha voz soou muito aguda; continuei mexendo em meus cabelos. A garçonete voltou com as duas cocas, e eu não poderia estar mais agradecida. Ela mais uma vez ignorou minha presença, por um minuto pude recompor minha expressão; depois virei a cara e contraí o cenho esperando que a mesma se afastasse.
–Muito obrigada – Damon disse com a voz extremamente calorosa.
Senti meu queixo cair. Achei que ele não podia ficar mais irresistível. Ah meu Deus. Vi a ruiva corando e voltando atordoada para a cozinha. Reprimi uma vontade sobrenatural de rir.
–Do que você ta rindo?
–Nada – eu ri alto.
Ele me encarou sério.
–Coitada – suspirei tentando controlar minha vontade de rir. Damon franziu o cenho, ainda sem entender. – Deve estar desmaiando na cozinha agora – sacudi a cabeça em desaprovação.
–Não entendi.
–Francamente – revirei os olhos – você realmente não sabe o efeito que tem sobre as mulheres – cerrei os lábios. Ele pareceu pensar por um longo minuto e depois disse:
–Eu afeto você? – ele pôs um sorriso de tirar o fôlego nos lábios assim que terminou de falar.
Ah Caralho.
–Hm, não – “Mentirosa!” meu inconsciente berrava, sacudi a cabeça tentando me livrar da voz – quer dizer, só quando você quer.
–Estou afetando você agora, Elena? – ele se inclinou sobre a mesa e me olhou diretamente nos olhos. Meu corpo de enrijeceu e se arrepiou por completo. Abaixei a cabeça quebrando o contado visual, ruborizada. Ah que pergunta mais idiota.
–Não – menti e tornei a mexer em meu cabelo, dessa vez pondo uma de suas mexas soltas atrás de minha orelha esquerda.
–Mentira – ele riu.
–Como é que é?! – quase gritei.
–Sempre que você mente você mexe no seu cabelo – ele ergueu uma sobrancelha. Bufei. – Não faz dez minutos que eu te perguntei sobre você estar ou não com ciúmes e você corou e ficou vermelha igual ao um tomate, como agora.
Ah porra...
–Estou mentindo?
Não, não está. Só não imaginei que prestasse tanta atenção nos meus atos assim.
–De certa forma sim – fiz uma careta.
–Mesmo?
–Aham.
–Você pode, por favor, parar de mexer no seu cabelo então? – Damon cruzou os braços se divertindo. Mordi o lábio. Ele abriu um largo sorriso e estendeu a mão para passar em meu rosto. Sua mão acariciava minha bochecha levemente fazendo movimentos abstratos; senti minha se aquecer embaixo de seus dedos longos e gélidos. Ele se inclinou e me beijou no rosto, bem próximo a minha boca. – Vamos fazer ciúmes na garçonete, hm?
–Ah.
Por um segundo achei que havia alguma coisa real na aproximação dele; foi como tomar um banho de água gelada. Grr, como você é idiota Elena!
–Ein?
–Por que não? – dei um sorriso amarelo.
–Ótimo – ele riu em minha orelha. Puta que pariu aquilo era excitante. Suas mãos estavam alisando meus cabelos, sua cabeça estava praticamente deitada na base de meu pescoço.
Vamos fazer a garçonete ficar mal então – enquanto isso eu desfruto meu momento.
Passei a mão por seus cabelos. Ah que sensação boa! Macios e sedosos seus fios faziam leves cócegas na palma de minha mão; inalei seu delicioso perfume e depositei um leve selinho em sua testa. Damon sorriu ainda de olhos fechados. Ele era tão, tão, tão, tão, mas tão lindo. Porra, lindo não era o suficiente. Ele era perfeito de todos os modos que se era possível imaginar – e nos que não era também. Seu rosto era angelical e milimetricamente proporcional em todos os ângulos, e seus olhos, ah aqueles olhos... Deixei meus dedos passarem levemente por sua face, meus pelos se eriçaram. Lembrei-me de onde estávamos. Que inconveniente, pensei comigo mesma. Mesmo sendo só um fingimento eu queria um pouquinho de paz para descobrir meus sentimentos por esse homem que veio dos seus e parou direto na minha porta, sendo gentil e querendo ser escravizado por mim. Era demais para mim, eu sabia disso, porém me negava a aceitar.
–Hm, aqui está o pedido de vocês – a ruiva nos interrompeu. Vadia.
–Obrigada – abri um sorriso seco para ela.
–Err, mas alguma coisa?
–Não, estamos bem – Damon disse se afastando para comer. Oh shit.
Encarei minha comida sem a menor vontade de comer. Gr, eu estava faminta. Com fome e sem vontade de comer. Sim, isso era possível. Apoiei meus cotovelos na mesa e sustentei minha cabeça com minhas mãos. Suspirei.
–Não vai comer?
–Vou.
–Vai esfriar – ele limpou a boca. Ui que sexy – está uma delícia.
Você também está uma delícia.
Não. Ele é uma delícia. Corrigi.
–Ok – disse e dei a primeira garfada. Hmmm... Realmente estava uma delícia. Mastiguei vagarosamente cada garfada, bebericando a coca de vez em quando. Comemos em silêncio e rapidamente terminamos, ele antes de mim.
–O que vai querer de sobremesa?
–Hm, nada – fiz uma careta. A qualquer momento o olhar da vadia mal fodida acabaria por perfurar minhas costas ou até mesmo meu crânio.
–Mesmo? A torta de chocolate daqui é ótima.
–Mesmo – suspirei. Ah porra eu adoro chocolate.
–Então, hm, vamos?
–Aham.
–Vou pedir a conta.
–Eu pago – respondi antes que ele se manifestasse.
–Não mesmo – ele riu.
–Por favor? – usei meu tom infantil. Ele revirou os olhos.
–Definitivamente é impossível negar alguma coisa a você quando pede desse jeito – Damon me disse e abri um largo sorriso pegando minha carteira dentro de minha bolsa. Chamamos a ruiva e a mesma trouxe a conta.
–Pronta para ir?
Balancei a cabeça positivamente.
–Então vamos – ele riu e passou um braço por minha cintura assim que me levantei da cadeira acabando com todo o espaço entre nós. Respira Elena, disse a mim mesma. Abri um fraco sorriso para ele e caminhei lentamente ao seu lado até a porta de saída.
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