Neighbors

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Agora sim ficarei um bom tempo sem postar - e vocês vão querer me matar, mas tudo bem. Postei uma fic que estou para escrever a quase um ano kkkkk Se quiserem ler...http://fanfiction.com.br/historia/265544/Do_You_Know_Where_Your_Love_Is/ Obrigada Ray pela recomendação :') ah tinha entrado a recomendação da Juliana ( Dobrev and Somerhalder) antes do Nyah apagar, obrigada linda ♥ bom, é isso, assim que eu conseguir escrever algo que preste eu volto a postar, enquanto isso vou adiantar Fifty Shades Of Pleasure
luv u xx

Acordei da pior forma possível para um dia que começou da pior forma possível – e não parou por aí. Damon não estava falando comigo direito, e eu estava completamente sem graça de falar com ele. Entrei na faculdade com o pé esquerdo – literalmente. Não teve uma pessoa sequer que não olhou para mim de cara feia, como se eu estivesse fedendo mais que um peixe podre ao meio dia numa feira ao ar livre. Andei sozinha pelo campus como uma cachorra sem dono vendo várias pessoas formando grupinhos. Só uma menina que não fazia a mesma coisa que eu – Vickie, uma loira aguada sem graça que só estava na faculdade por que Atlanta não tinha uma pós-graduação em prostituição – veio falar comigo, e mesmo assim para perguntar “O que o cara lindo com o carro lindo era seu?”. Ah vai tomar no cu. Não queria descobrir o que Damon ia fazer/dizer quando descobrisse minha resposta: “Ele é gay.”. Ainda por cima ficou forçando uma conversinha comigo durante todo o almoço.

Minhas aulas não foram tão ruins assim, eu podia me sentar no fundo onde ninguém podia me encarar; prestar atenção em tudo sem ninguém notar minha presença. A maioria dos alunos que freqüentavam as mesmas aulas eu eram bem mais novos, provavelmente primeira faculdade – talvez fosse por isso que estava sendo “deixada de lado”. Mas de certa forma, preferia assim, havia muita imaturidade ali.

Na hora combinada Damon estava me esperando na saída do campus – sério demais, não combinava com ele. Nosso clima de brincadeira tinha ido para a puta que pariu depois a viajem – beijo, corrigindo -, e devido a isso meu dia estava sendo um tanto estressante. Vickie estava lá, senti seus olhos de falcão perfurando minhas costas. Talvez ela iria gostar de fazer amizade com a garçonete vadia e oferecida, pensei comigo mesma. Entrei no carro e o silêncio continuou, exceto por um rápido “boa noite” seguido de um sorriso amarelo. Permaneci todo trajeto olhando para o lado de fora do carro com a música animada no fundo, e quando chegamos no prédio, parecia que tínhamos medo de chegar perto um do outro. Uma coisa totalmente enervante.

E para ser sincera, os três meses seguintes se passaram do mesmo jeito: Damon me ignorando, Vickie enchendo a porra do saco, me afogar em tarefas da faculdade e chorar até dormir – uma coisa totalmente fútil, mas que de certa forma era necessária – depois ter vários sonhos diferentes com Damon. Odiava aquela situação mais do que qualquer coisa. Ele era a única pessoa que eu conhecia e estava desse jeito comigo, o que significava que eu não tinha ninguém. Nunca senti tanta falta da minha mãe como na ultima semana e aquilo estava me matando. E pior: ela não estava no Canadá, meu pai havia conseguido férias e os dois foram passar dois meses com meus tios em Sófia. Estava a ponto de uma anemia, com o ritmo das aulas e do almoço horrível eu já estava quase duas semanas sem comer direito, vivendo de barras de granola e chá, devia ter perdido pelo menos uns 2kgs. Minhas roupas estavam largas em mim outra vez e eu andava parecendo um zumbi de tantas olheiras de chorar antes de dormir e ler demais. Não era uma reação exagerada a nova postura “anti-Elena” do Damon, e sim uma reação a tudo que eu estava sentindo falta, e também o fato de eu não agüentar mais estar sozinha o tempo todo, era depressivo. Na próxima semana entraríamos no mês de dezembro e eu teria de começar a estudar para as provas teóricas – e práticas. Por ser destaque na turma, um de meus professores queria que me transferir para uma das enormes faculdades em Nova York por que achou que meu talento musical não deveria ser desperdiçando, caso ele conseguisse a bolsa, seria minha. Não consegui ficar animada com a idéia, mas não deixei de sorrir quando a recebi. Ah, e sim, o aniversário de Damon era dali a duas semanas, descobri isso quando ele deixou sua identidade cair no banco do carro a mais ou menos um mês a atrás.

-Elena? – uma voz masculina me chamou quando estava prestes a sair da sala.

-Sr. Clapp – murmurei virando-me preguiçosamente para meu professor.

-Consegui a bolsa – ele abriu um sorriso. – E é toda sua. Depois das provas e férias de fim de ano, você vai estudar em Julliard!

-Obrigada – abri um sorriso tímido.

-Tomei liberdade e procurei por alguns imóveis em Manhattan que estão para alugar, não são baratos, mas acho que dá para ser... – ele estalou a língua em desaprovação e me entregou uma longa lista impressa de imóveis em Manhattan. Eu nem sabia se realmente iria. Eu saí de Toronto para vir para cá por que as despesas não seriam tão altas, e agora eu iria para Julliard? Oh Deus. Tudo bem, o dinheiro gasto com a faculdade eu pagaria o aluguel de minha casa e se fosse o caso eu poderia muito bem começar a trabalhar e conciliar os horários.

-Obrigada de novo Sr. Clapp – sorri.

-Você merece.

Suspirei e voltei ao meu caminho até o lado de fora do campus. Uau. Eu iria morar em Nova York! Pelo amor de Deus, eu sempre quis isso! Abri um sorriso largo satisfeita comigo mesma enquanto entrava na Ferrari preta encostada no lugar de sempre, ao lado do portão principal. Sem olhar para Damon, continuei a olhar o preço de aluguel dos imóveis de Manhattan. Hm, não era tão caros – essa era a minha única preocupação no momento.

-O que é isso? – Deus, ele estava falando comigo, e não era para me dar boa noite ou bom dia!

-Ganhei uma bolsa de estudos – disse petulante.

-Onde?

-Julliard – sorri no carro escuro.

-O que?! – Damon que mal havia ligado o carro puxou o freio de mão para me encarar.

-O que foi?

-Você está indo para Nova York? – ele berrou.

-Ainda não sei – sussurrei. – Já estou matriculada lá para terminar a segunda metade do primeiro semestre.

-Você está indo para Manhattan? – Qual era o problema dele?

-Não sei Damon – revirei os olhos.

-Não vai – ele murmurou.

-Por que não? – Para que eu ia ficar? Para você continuar me ignorando e me tratando como uma estranha? O ataquei mentalmente.

Ele não respondeu de imediato.

-Você vai ficar lá sozinha, Elena, é ruim.

-Eu vim para cá sozinha – rebati – e estou sozinha.

-Eu estou aqui.

-Mas age como se não estivesse.

Damon passou a mão no cabelo parecendo nervoso e depois deu um soco com força no volante. Dei um salto no banco me assustando com seu ato.

-Por que você não me avisou?

-Eu não sabia – encolhi os ombros assustada com seu tom de voz.

-Porra Elena, como você não sabia? – ele me fitava com expressão ilegível.

-Meu professor me falou isso agora – sussurrei.

-Sem aviso prévio?

-Não, ele comentou uma vez...

-Por que não me contou? – ele me interrompeu.

-Você não estava falando comigo! – reprimi as lágrimas.

-Elena eu... – eu o interrompi.

-Não começa, por favor – funguei – Vou para casa, de metrô. – abri a porta do carro. – Vickie está louca por uma carona, leve ela para casa. – bati a porta com força.

-Não vou levar ela a lugar nenhum – ele bufou e saiu do carro atrás de mim. – E você não vai para casa sozinha.

-Quem vai me impedir? – debochei – Você? Faça-me um favor. – disse e continuei andando sem rumo pela calçada escura em direção a estação de metrô na próxima esquina.

-Elena para de chorar, por favor – seu tom seco foi substituído por um suave e doce – Entra no carro.

-Eu não estou chorando. – Minha voz me entregava.

-Está sim – ele suspirou e se aproximou de mim.

-Não estou – as lágrimas traiçoeiras banharam meu rosto. Caralho, não era para eu estar chorando. Não aqui. Não na frente dele.

-Ah, Elena – Damon ergueu a mão para tocar meu rosto e secar minhas lágrimas.

-Não – me afastei.

-Eu sou seu amigo – ele disse e me abraçou contra minha vontade.

-Não é – chorei.

-Você ta bem?

-Não – toda a solidão que eu senti durante três meses que estavam pensando em meus ombros foi totalmente tirada de mim com esse abraço. Ele não disse nada só me abraçou e deixou que eu arruinasse sua blusa de linho branca com minhas lágrimas. Suas mãos acariciavam meus cabelos numa tentativa de me acalmar.

-Vem cá – ele me pegou no colo – vamos pra casa.

-Eu sei andar Damon – reclamei com uma foz embargada. Ele não me deu ouvidos, simplesmente abriu a porta do carro e me pôs sentada no bando do carona e depois me deu um beijo na testa.

-Para de chorar, por favor – ele implorou quando entrou no carro.

-Já parei – funguei. Ele cerrou os lábios e secou minhas lágrimas de novo. – Desculpa.

-Por?

-Ter dado ataque, eu só estou... – não sabia a palavra – confusa, estressada...

-Eu que tenho que pedir desculpa, eu que me afastei de você, por... – ele balançou a cabeça – alguns motivos.

-Que motivos? – mordi o lábio.

-Não vem ao caso – ele mudou o assunto – Está com frio?

-Ótimo – disse não respondendo sua pergunta. Nós íamos continuar ignorando um ao outro.

-Vai sair amanhã?

Balancei a cabeça negativamente.

-Quer ir almoçar comigo?

-Tanto faz – alisei a ponta de meus cabelos dando de ombros.

-Por favor – ele sussurrou.

-Não tenho nada melhor para fazer – revirei os olhos. – E depois? Vai voltar a não falar comigo?

-Não.

-Que bom – suspirei.

-Não quero que fique chateada comigo.

-Tarde demais. – abri um sorriso amargo.