Neighboring
42 One More Party
Notas iniciais
Bufei olhando para o relógio. Já era a última aula e eu estava entediada, Marley já não prestava atenção, assim como os outros.
– Você vai à festa hoje? – Marley perguntou.
– Sim. – respondi, ainda olhando para o relógio. – Três...
– As meninas também vão?
– Não. É uma festa com os alunos da escola, por que elas iriam?
O sinal tocou, todos se levantaram ao mesmo tempo e saíram. Me aproximei do meu armário, Sophia olhou para nós duas e sorriu.
– Vocês vão à festa?
– Sim. – Marley e eu respondemos ao mesmo tempo.
– Ótimo! Vejo vocês à noite.
Guardei os livros, fui até a saída e não consegui achar o carro da Quinn. Olhei em volta, mas não a vi.
– Vai ir de ônibus hoje? – Marley perguntou, parando ao meu lado.
– Não sei... parece que sim.
Novamente olhei em volta, vi o carro chegando de longe, sorri e olhei para Marley.
– Nos vemos à noite.
– Até lá, Marley.
O carro parou, eu entrei e olhei para Quinn, que parecia estar distraída. Ao parar em um sinal, ela olhou para mim e sorriu.
– Como foram as aulas hoje?
– Chatas. Como foi na faculdade?
– Entediante, mas tudo bem.
– Você se atrasou hoje. – comentei.
– Sim, me desculpe.
Nós ficamos em silêncio, eu olhei pela janela e suspirei.
– Mamãe comprou um presente para você. – Beth disse.
– O que é? – perguntei, voltando a olhar para Quinn.
– Beth! O que eu disse sobre guardar segredos?
– Que não se deve contá-los.
– E?
– Você não pediu para guardar segredo.
– O que é? – novamente perguntei, fazendo Quinn olhar para mim.
Ela parou o carro, pegou sua bolsa e de dentro, tirou uma pequena caixa.
– Rachel e Britt me ajudaram a comprar, e seria entregue quando estivéssemos todas juntas, mas Beth é uma fofoqueira e não soube deixar a boca fechada.
Eu sorri, peguei a caixa de sua mão e a abri, encontrando uma pequena filmadora preta.
– Obrigada, Quinn!
– Já que você não tem câmera fotográfica, Rachel achou melhor comprarmos essa filmadora.
Quinn tirou Beth do carro, eu liguei a filmadora e percebi Quinn sentar ao meu lado, então comecei a filmá-la.
– Diga algo Quinn.
– Pare de me filmar.
– Vamos, Quinn! Entre na brincadeira.
– Se você não parar de me filmar, eu vou te jogar para fora desse carro.
Eu sorri, coloquei a filmadora no carro e comecei a me filmar.
– Quinn parece não gostar de câmeras... – ela resmungou algo e eu sorri. – Oi, Santana do futuro.
– Santana do futuro?
– Sim. Sabe? Um dia eu vou ver isso, e estarei no futuro. – ela riu e voltou sua atenção para a estrada. – Bem, continuando... Aqui quem fala é a Santana do passado.
– Jura? – ela perguntou rindo.
– Não começa, Quinn. Se você não quer ser filmada, deixe-me fazer do meu jeito. – ela revirou os olhos. – Quinn e eu, estamos indo para a lanchonete, ficaremos lá até seu turno terminar, e depois eu vou à uma festa.
– Você precisa mesmo dizer isso para a “Santana do futuro”? – ela perguntou, parando o carro.
– Sim. Imagine se eu sofrer um acidente e perder a memória, ou se eu tiver Alzheimer. Preciso de informações do passado para me lembrar.
– Mesmo? – ela pegou a filmadora e mirou nela. – Aqui vai uma coisa. NUNCA, em hipótese alguma, diga que sou linda quando eu estiver em TPM.
– Eu não vou precisar, sei uma cura para isso. – respondi, fazendo-a revirar os olhos.
Nós entramos na lanchonete, filmei Rachel, que conversava com Katie, me sentei próximo ao balcão e voltei a filmar Quinn.
– Santana, pare com isso.
Rachel parou ao meu lado, deu um beijo em minha bochecha e olhou para a filmadora.
– Quinn, dissemos que iríamos lhe entregar depois.
– Beth contou, não pude esconder mais dela.
– Essa é Rachel Berry, futura estrela da Broadway! – eu disse, fazendo Rachel sorrir. – Nos dê seu depoimento, Rachel.
– Oi, sou Rachel.
– Jura? – ouvimos Quinn ironizar.
– Não ligue para ela. Quinn está bem irônica hoje.
Eu sorri, Rachel pegou a filmadora da minha mão e se aproximou da Katie, eu a olhei incrédula, em seguida olhei para Quinn.
– Você viu isso? – perguntei, apontando para Rachel.
– Não adianta. Rachel gosta de câmeras, e só lhe devolverá no final do dia.
Revirei meus olhos, bufei e me apoiei no balcão.
***
Desci as escadas rapidamente, ajeitei meus cabelos e abri a porta. Quinn estava parada perto do seu carro, me aproximei dela e sorri, ao ver a filmadora em sua mão.
– Oi, Quinn.
– E está é Santana Lopez, com uma calça de couro bem apertada, tênis de uma garota de 17 anos e uma camiseta vermelha. – ela disse. – Como se sente ao ser filmada, Santana?
– Bem. – respondi, dando de ombros. – O que está fazendo?
– Vim lhe oferecer uma carona até a festa.
– Quinn...
– Nem tente negar. Eu vou te levar mesmo assim.
– Ok...
Ela sorriu, abriu a porta para mim e eu entrei, em seguida ela entrou. Peguei a filmadora, coloquei no carro e sorri.
– Eu estava dizendo que, você vai à uma festa pela primeira vez e...
– Não é a primeira vez. Eu já fui em várias festas.
– Me desculpe. É a primeira vez que vai à uma festa sendo convidada por um garoto e, como você tem três namoradas, espero que você não faça besteira.
– Está dizendo sobre eu beber?
– Exatamente.
– Eu não vou ficar bêbada. – olhei para a filmadora e suspirei. – Na festa da Rachel eu fiquei bêbada, e disse coisas que não devia.
– Além de ter perguntado se Marley queria lhe beijar.
– Está bem, vamos mudar de assunto. – desliguei a filmadora e olhei para Quinn. – Eu não vou ficar bêbada.
– Mas se você ficar...
– Eu não vou.
– SE você ficar bêbada, me liga, está bem? Eu venho lhe buscar.
– Está bem.
Quinn parou o carro, lhe dei um selinho e sorri.
– Eu te amo.
– Eu também te amo, Quinn.
Saí do carro, Quinn se afastou com o carro e eu vi Marley se aproximando.
– Bela roupa, Santana.
– Obrigada. A sua também está bonita.
Ela sorriu, nós entramos na casa e vimos algumas pessoas conhecidas.
– Vou pegar algo para beber, você quer?
– Sim.
Marley se afastou, olhei em volta e vi Matt conversando com alguns garotos, me sentei no sofá mais próximo e vi Katie dançando com Sophia e Kimberly. Marley sentou ao meu lado e me entregou uma bebida, bebi um pouco e percebi ela me encarar.
– Manera na bebida, ok?
– Até você? Quinn também pediu para eu não ficar bêbada. Até parece que eu vou ficar bêbada.
Ela sorriu, bebeu um pouco e se levantou, logo se afastando. Matt sentou ao meu lado, brindou nossas garrafas e sorriu, me fazendo rir.
– Está se divertindo?
– Eu acabei de chegar. – respondi, dando de ombros.
– Quer dançar?
– Ainda não.
Ele sorriu, bebeu um pouco e foi até alguns de seus amigos que o chamavam. Me levantei e fui até a parte onde ficava a piscina, me sentei perto da borda e bebi mais um pouco, já sentindo o álcool afetar meu organismo.
– Posso me sentar aqui? – ouvi alguém perguntar.
Eu dei de ombros, bebi um pouco e coloquei a garrafa no chão, logo percebi que Katie sentava ao meu lado.
– O que você quer? – perguntei, secamente.
– Bandeira branca, amiga! – ela disse rindo.
– Não somos amigas.
– Mas temos a mesma amiga, não conta?
– Rachel é minha namorada.
– E amiga, creio eu.
Revirei meus olhos, peguei minha bebida e bebi um pouco, mas estranhando um pouco, por ela estar um pouco mais cheia.
– Por que você quer tanto minha namorada? – perguntei, voltando a beber.
– A questão não é eu querer sua namoradinha, Santana. Mas sim eu querer me vingar de você.
– Do que você está falando?
– Não se lembra? Nove anos atrás, depois da escola. Você disse para as suas amiguinhas que eu fazia xixi na cama, na frente de toda a escola.
– Éramos crianças, Katie.
– Eu fiz terapia por cinco anos, Santana.
Bebi mais um pouco, ela se levantou e chutou a outra bebida para dentro da piscina. Revirei meus olhos, um garoto tirou a roupa, ficando apenas de cueca e se jogou na piscina, fazendo todos gritarem. Alguns garotos e algumas garotas pularam de roupa. Eu sorri, me levantei e tirei minha camiseta, depois de muita luta, tirei meus tênis e levantei meus braços.
– Festa! – gritei, fazendo alguns rirem.
Tirei minha calça, depois de cambalear um pouco, pulei na água e ouvi alguns gritos. Algumas garotas tiraram as roupas, ficando de roupa íntima, eu sorri e tirei meu sutiã, o que fez alguns garotos gritarem.
– Santana, coloque sua roupa! – Sophia gritou.
Eu lhe amostrei a língua, mais pessoas pularam na piscina, comecei a dançar dentro da água.
– Saia daí, Santana! – Marley gritou.
Lhe amostrei o dedo do meio, ela arregalou os olhos e se virou, voltando para dentro da casa, um garoto se aproximou de mim e me empurrou até a borda da piscina, eu sorri, mergulhei e me afastei dele. Senti uma mão segurar meu braço, olhei para a pessoa, era Quinn.
– Saia dessa piscina, ou eu vou lhe tirar à força. – ela rosnou.
Revirei meus olhos, pulei para fora da piscina e alguns garotos começaram a vaiar a Quinn, o que me fez rir. A mesma me abraçou, na tentativa de esconder meus seios, me puxou até seu carro e me jogou para dentro do mesmo. Sophia apareceu com minhas roupas, Quinn as pegou, agradecendo com um sorriso, jogou em mim e entrou no carro.
– Você estragou a festa. – murmurei, olhando pela janela.
– Você estava bêbada e nua, dentro da piscina! – ela gritou, me assustando. – Vista sua roupa!
Bufei, olhei para a filmadora em cima do carro e a liguei.
– Oi, merda de Santana do futuro! – gritei.
– O que está fazendo? Desligue isso, Santana!
– Cale a boca, eu estou falando comigo mesma! Sabe? Às vezes eu odeio a Quinn. Ela não sabe se divertir, e ainda acaba com a diversão dos outros.
– Coloque sua roupa, Santana.
Peguei meu sutiã e o coloquei, olhei para a filmadora e bufei.
– Ela acha que é minha mãe, por isso fica mandando em mim. Mas ela NÃO é minha mãe!
– Já terminou de colocar a roupa?
Coloquei minha camiseta, joguei minha calça para o banco de trás e me encolhi, desligando a filmadora.
– Quinn, eu estou com frio...
– Ninguém mandou se jogar na água sem roupa. – suspirei, olhei pela janela e fechei meus olhos. – Venha aqui.
Olhei para ela, Quinn esticou o braço, me aproximei dela e a senti me abraçar com apenas um braço.
– Você está brava comigo? – perguntei, fazendo bico.
– Não, porque você está bêbada. Eu pedi para você não fazer isso, Santana.
– Foi culpa da Katie.
– De novo essa história?
– Ela não gosta de mim, Quinn.
– E você não gosta dela.
Quinn parou o carro, me abraçou por completo e beijou minha testa.
– Eu fui uma criança má, Quinn...
Ela olhou confusa para mim, abriu a porta do carro e nós saímos. Entramos em seu quarto, me deitei entre Beth e Quinn, me aconcheguei em seu corpo e suspirei.
– Vá dormir, Sant.
Fechei meus olhos, senti seus braços me abraçarem e ela começou a acariciar meus cabelos.
– Eu acho que a Rae está chateada comigo.
– Não, ela não está.
– Mas ela me evitou a semana inteira, principalmente por saber que eu vou ao baile com o Matt.
– Ela só não quer pensar que você possa ter algo com este garoto.
– Eu amo ela, Quinn.
– Eu sei, fale baixo, ou vai acordar a Beth.
Me virei de frente para Beth, acariciei seu rosto e sorri.
– A Beth é legal... Eu preciso dizer isso à ela.
– O que?
Me sentei e comecei a chacoalhar Beth, Quinn tentou me impedir, mas já era tarde.
– Beth, acorde! – gritei.
– Santana, pare com isso!
Beth olhou para mim confusa, eu a abracei rapidamente e sorri.
– Você é legal, Beth! Você é muito legal!
– Hum... Sant, você está me esmagando...
– Você é legal demais! Eu queria ter uma filha como você!
– Santana, largue a Beth!
Ouvimos a risada da Rachel na porta, olhei para ela e a vi segurando a filmadora. Soltei Beth, pulei da cama e peguei a filmadora da mão da Rachel.
– Santana do futuro, se você deixar essas mulheres lindas se afastarem de você, eu juro que vou entrar em uma máquina do tempo e vou dar um chute no seu traseiro!
– Santana, pare de gritar e vem dormir. – Quinn disse.
Rachel pegou a filmadora da minha mão, me deu um selinho e saiu do quarto, me joguei na cama, abracei Beth, que ficou rindo de mim, beijei sua bochecha e fechei meus olhos.
– Boa noite, Sant. – Beth disse, ainda rindo.
– Boa noite, pequena.
Quinn me abraçou, beijou minha testa e se aconchegou em meu corpo.
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