Neighboring
3 First Night
Notas iniciais
Eu fui em casa rapidamente para trocar de roupa, mas logo voltei, e ficamos sentadas na sala assistindo televisão. Britt estava ao meu lado, Rachel ao lado da Britt e Quinn na poltrona. Eu já estava ficando entediada, não queria ficar assistindo televisão. Quinn se levantou, eu olhei para ela, assim ela me chamou com o dedo indicador. Eu me levantei e a segui até a cozinha.
– Então, Sant... Posso te chamar de Sant?
– Pode sim. – respondi me apoiando no balcão.
– Então, ainda tem medo de mim? – ela perguntou, abrindo a geladeira.
– E-eu não tenho medo de você.
– Então por que gaguejou?
Abaixei minha cabeça, Quinn pegou uma garrafinha com água, se aproximou e se apoiou no balcão, me imitando.
– Não precisa ter medo de mim, Sant. Eu sou insuportável sim, mas apenas quando estou de mal humor, sabe?
– E quando você está de bom humor? – perguntei rindo.
– Não brinque com a sorte, Santana. Eu sou legal, mas apenas com quem merece.
Me afastei do balcão, Quinn se aproximou mais de mim, nossos olhos estavam igualados.
– E-eu devo ir para casa.
– Mais uma vez eu digo, não sinta medo de mim, está bem?
– Uhum.
– Agora vamos voltar para a sala.
Ela se afastou de mim e segurou minha mão, me puxando. Sua mão era quente, era aquela mão que você pode querer segurar para sempre. Entramos na sala, Quinn novamente se sentou na poltrona, eu me sentei onde estava e Britt olhou para mim.
– Quinn não te matou?
– O que? – perguntei assustada.
– Britt, eu não mato ninguém. – Quinn resmungou.
– Mas e aquela barata de outro dia, na casa da sua mãe?
– Era uma barata, Britt.
Quinn revirou os olhos, as duas olharam para a televisão, eu olhei para Quinn e senti meu coração acelerar, eu estava com medo, muito medo da Quinn. De repente me levantei, chamando a atenção das três.
– Eu... eu preciso ir para casa.
– Já? – Rachel perguntou.
– Está escurecendo e... eu tenho que ir jantar e...
– Sant, fique. – Quinn pediu.
– Sant? – Britt perguntou, se levantando. – Desde quando vocês têm essa intimidade?
– É apenas um apelido, B. – Quinn respondeu.
– Então posso lhe chamar assim também?
– Pode. – respondi.
– Eu também quero! – Rachel disse se levantando.
– Ok! Agora vamos parar com essa palhaçada de apelidos. – Quinn gritou. – Sant, você fica.
– Mas...
– Passe a noite aqui? – Rachel pediu.
Olhei para Rachel, em seguida para Quinn, que parecia ter gostado da ideia.
– Eu...
– Assim podemos nos conhecer mais.
Novamente olhei para Rachel. Tínhamos nos conhecido em apenas dois dias, e elas já me queriam dentro daquela casa.
– Por favor... – Britt cantarolou.
– Está bem. Mas eu preciso avisar aos meus pais, tenho que pegar meu pijama e...
– Não se preocupe, eu aviso à eles. – Rachel disse, saindo da sala.
– Mas...
– E você pode usar um dos meus pijamas. – Quinn disse.
Britt me puxou para que eu me sentasse, assim eu fiz, Rachel apareceu sorrindo e se jogou ao lado da Britt.
– Eles disseram que está tudo bem, mas que não é para você dormir tarde.
Eu revirei meus olhos, Quinn se levantou e desligou a televisão. Nós olhamos para ela, a fazendo rir.
– Vocês ouviram os pais da Santana, nada de dormir tarde.
– Quinn! – Rachel reclamou.
– Sem “Quinn!”. Fomos instruídas a dormir cedo, e é isso que faremos.
– Mas ainda são seis horas.
– Não importa.
– Ainda nem jantamos. – Britt reclamou.
– Então pedimos algo, depois vamos nos deitar.
Quinn pegou o telefone e saiu da sala, Britt me deu um soco no braço e rosnou, logo saindo da sala.
– O...
– Obrigada, Santana! – Rachel murmurou.
– Mas...
– Agora temos que virar menininhas de 17 anos e ir para cama.
Ela se levantou e saiu. Eu olhei em volta confusa, Quinn apareceu e também ficou confusa.
– Bem, eu pedi comida chinesa e...
– É melhor eu ir para casa.
Me levantei e rapidamente fui até a porta, mas fui parada por Quinn.
– Hey... O que houve?
– Eu não quero passar a noite aqui, prefiro a minha cama, na minha casa.
– O que elas disseram?
– Nada.
Soltei meu braço da sua mão, saí pela porta e corri para casa. Aquele soco que Britt me deu, realmente estava doendo. Massageei meu braço, me joguei em minha cama e fechei meus olhos.
– Santana! – ouvi minha mãe chamar.
– Sí, madre?
– Quinn está aqui.
– Estou ocupada! – menti.
Me virei de frente para a janela, suspirei e ouvi passos na porta.
– O que quer? – perguntei.
– O que aconteceu? – Quinn perguntou.
– Nada.
– Todos dizem isso. – ela sussurrou.
Olhei para ela, me virei totalmente, Quinn se aproximou e sentou na cama.
– Como assim? – perguntei.
– Somos três garotas irritantes, que não conseguem ficar um minuto sem brigar. Com certeza Rachel disse que sou protetora demais, por isso acabo assustando as pessoas, fazendo-as se afastarem, Britt é meiga, mas às vezes irrita com sua infantilidade, Rachel é legal, mas fala demais, e...
– Eu gostei de vocês, mesmo.
– Mas não quer ser nossa amiga. Eu entendo, eu também não iria querer.
– Não é isso. – me sentei, nossos olhos se encontraram com facilidade. – Isso é diferente para mim. Nunca tive amigos, sabe? Todos sempre se afastaram, pelo meu temperamento difícil.
– Então três mulheres mais velhas viram suas vizinhas e...
– Vocês são tão calorosas, não se afastaram de mim, mesmo que nos conhecêssemos em apenas dois dias.
Ficamos em silêncio, Quinn segurou minha mão e sorriu.
– Venha passar essa noite conosco, assim você verá que não somos tão chatas assim.
– Quinn...
– Sant...
Olhei para o meu braço, Quinn o acariciou, o que me fez a encarar.
– Eu não deixarei te baterem novamente.
– Como...
– Britt fica um pouco nervosa quando é frustrada.
– Como sabe que foi a Britt?
– Rachel não bate tão forte.
Nós rimos, ficamos novamente em silêncio, Quinn se levantou e esticou a mão.
– Você vem?
– Está bem.
***
Ao sair do banheiro, depois de colocar meu pijama, que eu insisti em levar, vi Britt encostada na parede, olhando para mim.
– Me desculpe.
– Britt...
– Eu não queria ter te batido.
– Está tudo bem...
– Tem certeza?
– Sim.
Rapidamente ela me abraçou, eu sorri e nos afastamos. Rachel apareceu usando um short braço e uma camiseta azul.
– Quinn está lhe esperando no quarto dela.
– Hum... quarto dela?
– Sim. Ela disse que quer mostrar que não é perigosa, e não lhe matará durante a noite.
As duas riram, eu sorri e fui até o quarto da Quinn, achando-a com um short curto e uma regata, ambos brancos. Parei na porta, Quinn terminou de ajeitar a cama grande e olhou para mim.
– Eu prometo que não farei nada à noite.
– Isso foi engraçado. – respondi cinicamente.
– Vamos, Sant! Entre na brincadeira.
Entrei no quarto, Quinn passou por mim e fechou a porta, em seguida pulou na cama.
– Deite-se.
Me deitei lentamente, Quinn riu e apagou a luz do abajur, em seguida eu também apaguei. Tudo se tornou um silêncio, não se ouvia nada além do som do despertador, e de nossas respirações.
– Sant. – Quinn sussurrou.
– Hum?
– Posso te fazer uma pergunta?
– Pode.
Ela se virou de frente para mim, eu encarava o teto, Quinn suspirou e eu a encarei.
– Você já beijou alguma garota?
– O que? – fiquei assustada.
– É apenas uma pergunta.
– N-não.
– Já pensou em fazer isso?
– Quinn...
– Me desculpe.
Ficamos em silêncio, me virei de frente para Quinn, ela estava com os olhos fechados. Toquei levemente seus lábios com as pontas dos meus dedos, fazendo-a abrir os olhos.
– V-você me beijaria? – perguntei.
– Apenas se você quiser.
Seus olhos verdes me encaravam, toquei meu polegar em seu lábio inferior, Quinn se aproximou mais, minha respiração começou a ficar pesada, ela olhou para a minha boca, em seguida para os meus olhos.
– Você quer?
– E-eu não sei...
Nossos lábios se aproximaram mais, lentamente fechei meus olhos, Quinn tocou seus dedos em meu queixo e senti a ponta do seu nariz tocar no meu.
– Quinn! – ouvimos Rachel chamar, fazendo Quinn se afastar rapidamente.
– Que merda. – ela resmungou. – O que foi?
– Venha aqui!
– O que você quer?
– Tem uma barata em baixo da minha cama!
Quinn resmungou, olhou para mim e sorriu.
– Eu já volto.
Ela saiu rapidamente, eu mordi meu lábio inferior e apertei o travesseiro. Assim que ouvi passos da Quinn voltando, fechei meus olhos e tentei normalizar minha respiração. A cama mexeu um pouco, avisando que ela estava se deitando.
– Sant? Santana... – a ouvi bufar. – Eu te mato, Rachel Berry.
Fiquei alguns minutos em silêncio, depois abri meus olhos e vi Quinn dormindo, me virei de costas para ela, respirei fundo e dormi.
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