Notas iniciais
Feliz Ano Novo, gostosas e gostoso!!! Primeiro capítulo do ano... que emoção.

Desci as escadas usando uma calça moletom cinza, uma regata vermelha e os cabelos totalmente bagunçados. Passava das duas da madrugada e eu não conseguia dormir. Já era sexta, ou sábado... e isso indicava que a semana já havia passado, mas não tão rápido como eu queria. Peguei um copo de leite na cozinha, olhei pela janela e suspirei. Chovia muito, não conseguia ver a rua muito bem. Terminei de beber o leite, olhei novamente pela janela e vi alguém andando na chuva com uma camisola branca indo até o meio de suas coxas, forcei um pouco mais minha vista e vi seus cabelos loiros, que agora estavam castanhos por causa da chuva. Corri até a porta, ela caminhou até a rua e lentamente começou a rodar. Peguei um guarda chuva, corri até ela e a vi parar de girar. Ela fez um gesto de desligar ou ligar o chuveiro, se virou para mim e sorriu.

– Sant! Acho que a água acabou...

– Britt, volte para a cama. – sussurrei.

– Mas acabei de levantar.

Coloquei minha mão em suas costas e a empurrei para dentro, Britt abriu a porta, mesmo com os olhos fechados, coloquei o guarda chuva no chão e a empurrei até seu quarto.

– Agora vamos tirar essa roupa, antes que você pegue um resfriado.

Puxei sua camisola, ela segurou minhas mãos e riu.

– Você está muito safada, Sant!

– Fale baixo, Britt. As meninas vão acabar acordando.

– Então pare de me tocar desse jeito.

Ela tirou sua camisola, eu sorri e peguei outra camisola verde, pois seria mais fácil de colocar nela. Na verdade foi difícil, já que Britt me tocava à todo momento, a deitei em sua cama e a cobri, lhe dando um selinho em seguida.

– Boa noite, Britt.

– Bom dia, na verdade. – ela disse rindo. – Eu te amo.

– Eu também te amo.

Voltei para sala, evitando ao máximo fazer barulho, peguei o guarda chuva e abri a porta.

– Sant? – ouvi Beth me chamar.

Me virei para ela, fechei a porta novamente, me abaixei e ela correu até mim, me abraçando em seguida.

– O que está fazendo acordada, pequena?

– Não estou com sono, e vi a tia Britt sair.

– Ela já está dormindo na cama, coisa que você também devia estar fazendo.

A peguei em meus braços, entrei no quarto da Quinn e a vi dormindo tranquilamente. Deitei Beth ao seu lado, a cobri e acariciei seus cabelos.

– Você vai estar aqui amanhã, Sant?

– Não.

– Por quê?

– Regras...

– Tia Britt disse que regras servem para ser quebradas.

– Eu sei, mas... – Quinn se mexeu, eu me abaixei mais e suspirei. – É o certo a se fazer no momento.

– Nós vamos à praia amanhã, você vai?

– Não sei, Beth.

– Eu ficaria feliz se você fosse.

– Eu também, pequena.

Beijei sua testa, acariciei novamente seus cabelos e sorri.

– Boa noite, Sant.

– Boa noite, Beth. E... faça um favor para mim?

– Sim.

– Não diga que eu estive aqui, está bem?

– É uma surpresa?

– Sim, é uma surpresa.

Ela sorriu, fechou os olhos e se afundou no cobertor. Voltei para a sala, peguei novamente o guarda chuva e voltei para casa.

***

Acordei com um sorriso em meu rosto, abri meus olhos e vi a luz entrando pela janela.

– Vamos, antes que eu desista! – ouvi Quinn gritar.

Sorri ao ouvir sua voz novamente, me sentei e vi minha mãe parar na porta.

– Santana, tem uma garota lá em baixo e... ela disse que é sua amiga.

– Quem?

– Marley.

Me levantei, prendi meus cabelos em um coque e sorri.

– Mande-a subir.

– Santana...

– Ela é minha amiga, madre. Estudamos juntas.

– Está bem.

Entrei no banheiro, lavei meu rosto e voltei para o quarto, encontrando Marley olhando pela janela.

– Bom dia, Marley.

– Oh! Bom dia, Santana.

– Está precisando de algo?

– Eu vim lhe convidar para ir à praia comigo. Como você é a única que fala comigo, achei que gostaria de ir comigo e...

– Eu vou.

– Mesmo?

– Sim.

Ao pararmos em um ponto na areia, onde eu podia ver as meninas, me virei de frente para Marley e sorri, ajeitando meus óculos de sol.

– Ok. Está vendo Quinn, Rachel e mais uma loira, segurando uma pequena nos braços? – perguntei. Ela olhou disfarcadamente para as meninas e afirmou com a cabeça, voltando a olhar para mim. – Então, estou chateada com Quinn e Rachel, porque estávamos juntas, eu com as três, e poupe-me de perguntas, porque não estou com vontade de respondê-las no momento. – novamente ela afirmou com a cabeça. – Meu plano no momento é torturá-las, e Rachel é ciumenta demais, ou seja, ela me vê com outra garota e fica com raiva. Perguntas?

– Você já não havia dito à Rachel que éramos apenas amigas?

– Mas, quem nunca se apaixonou pela amiga?

Ela sorriu, colocamos as cadeiras de praia na areia e nos sentamos ao mesmo tempo. Marley tirou sua regata, revelando um biquíni verde, muitos olharam para ela e eu sorri.

– Odeio quando isso acontece. – ela resmungou.

– Seu corpo é perfeito, o que acha que aconteceria?

– Não é perfeito.

– É sim. E sua pele branca ajuda a perceber isso.

– Você está querendo fazer ciúmes naquelas três ou dar em cima de mim?

– Quem sabe as duas coisas?

– Santana!

Eu ri, tirei meus óculos escuros e minha blusa, deixando à amostra meu biquíni vermelho. Coloquei novamente meus óculos escuros, peguei o protetor em minha bolsa e estendi para Marley.

– Passe em mim, por favor?

– Ok.

Me virei de costas para ela, vi as meninas discutindo sobre algo, Britt foi para a água com Beth e Rachel olhou para mim, mas logo desviando.

– Isso vai ser interessante. – murmurei.

– Concordo. Morrer em um dia lindo desse é o sonho de qualquer garota.

– Você não vai morrer.

– Espero.

Eu sorri, me virei de frente para o mar e Marley se levantou, tirando seu short branco.

– Cuidado para não se afogar.

– Muito engraçada, Santana. – ela resmungou.

Novamente sorri, ela correu para o mar, olhei em volta e suspirei, apoiando minha cabeça na cadeira. Minutos depois vi Beth se aproximar de mim, sentou ao meu lado e eu olhei para ela, o que a fez sorrir.

– Oi, Sant.

– Oi, pequena. Não devia estar com sua mãe?

– Quis vir falar com você.

Tirei meus óculos escuros, coloquei nela e sorri, ao ver o óculos ficar grande nela.

– Está se divertindo?

– Sim, mas queria que você brincasse comigo e com tia Britt.

– Me desculpe, Beth. Lembra-se das regras que eu disse ontem?

– Sim.

– Por falar nisso... Você contou à sua mãe que eu estive lá?

– Não. Mas a tia Britt disse que sonhou com você, e que você tinha tirado a roupa dela.

– Beth!

– Eu sou a única criança ali, não posso deixar de ouvir as coisas.

Eu sorri, lhe dei um beijo na testa e tirei os óculos dela.

– Quer um sorvete?

– Agora não. Mas...

– Depois eu compro um, então.

– Beth! – ouvimos Quinn gritar. – Volte para cá!

– Quem é aquela garota, Sant? – Beth perguntou, ignorando Quinn.

– Marley.

– Ela é sua amiga?

– Sim, uma amiga.

– Tia Rae disse que ela gosta de você.

Eu sorri, me virei totalmente de frente para ela e coloquei os óculos escuros.

– Faça um favor para mim, Beth?

– Sim.

– Quando você estiver perto da Rae e da mamãe, diga que Marley é legal, e que você gostou dela.

– Mas eu não conheço ela, Sant.

– Eu sei.

Olhei para Marley, acenei para ela e sorri. Ela se aproximou, se abaixou de frente para Beth e sorriu.

– Pois não?

– Marley, essa é Beth.

– Oi, Beth.

– Oi... tia Rae disse que você é uma... hum... vadia.

– Beth! – quase gritei.

– O que?

– Santana, essa ideia não vai dar certo. – Marley disse.

– Vai sim. Agora Beth, volte para sua mãe, e diga o que combinamos, ok?

– Sim. Depois quero que você brinque comigo.

– Nós vamos brincar.

– E May pode ir também. – ela disse, se levantando.

Beth correu para Quinn, Marley se sentou e sorriu.

– Gostei dela.

– Beth?

– Sim.

– E ela gostou de você. Já até lhe chama por apelido.

Nós sorrimos ao mesmo tempo, me levantei, tirei meu short e olhei para ela.

– O que?

– Vamos dar um mergulho?

– De novo?

– Eu tenho uma ideia que, sei que vai dar certo.

– Santana...

– Por favor, May...

– Não.

– May... – choraminguei, fazendo todos olharem para nós duas, até as meninas.

Marley revirou os olhos, se levantou e aproximou seu rosto do meu.

– Você me deve uma. – ela sussurrou.

Eu sorri, segurei sua mão e a puxei até a água. Depois de nos molharmos, corremos até a areia, eu segurei as duas mãos da Marley e ela sorriu.

– Não vou deixar você cair. – eu disse.

– O que?

Comecei a nos girar, Marley arregalou seus olhos, mas logo sorriu, mordi meu lábio inferior e tropecei, nos fazendo cair, eu ficando em cima dela.

– Me desculpe, Marley... – eu disse, olhando em seus olhos.

– Você é pesada, Santana.

– Está me chamando de gorda?

– Não, eu só... – ela olhou para o lado, voltou a olhar para mim e franziu a testa. – Saia de cima de mim.

– Sou pesada mesmo?

– Não é isso. Elas estão olhando para nós duas, e tenho certeza que Rachel vai me matar, apenas com os olhos.

– Eu já disse, nada vai acontecer.

– Tem três mulheres me matando com os olhos, Santana. – ela resmungou.

– Perfeito. Agora fale isso mais alto, me empurre e volte para onde estão nossas coisas.

– Santana... isso está deixando de ser um plano saudável e está virando um plano para me matar.

– Por favor, May...

– Ser sua amiga está me dando um trabalhão.

– Obrigada. – sorri, lhe dando um beijo na testa.

– Não adianta, Santana. – ela gritou. – Elas estão olhando para mim e tenho certeza que ainda vão me matar, principalmente a Rachel.

Ela me empurrou e se levantou, eu a segui, ela sentou na cadeira e eu parei de frente para ela, me abaixando em seguida.

– Ok. Elas estão olhando, provavelmente sorrindo. – eu disse.

– Acha que elas pensam que nós...

– Provavelmente.

Marley olhou para elas e voltou a olhar para mim, afirmando com a cabeça.

– Podemos ir? Não quero mais ficar aqui.

– Está bem. Só vou me despedir da Beth, ok?

– Uhum.

Me levantei e me aproximei das meninas, o que as assustou.

– Beth, eu vou ter que ir embora.

– Já? Achei que iríamos brincar.

– Me desculpe, pequena. Marley não está se sentindo bem.

– Está bem.

Lhe dei um beijo na testa, olhei para Britt e sorri.

– Oi Britt.

– Oi Sant.

Ela se levantou, eu me segurei ao máximo, mas não aguentei e a abracei. Britt afagou minhas costas, fechei meus olhos e os senti se encherem de lágrimas, suspirei e sorri.

– Tudo vai ficar bem. – sussurrei.

– Eu sei... Eu te amo, Sant.

– Eu também te amo, Britt.

Nos afastamos, sequei as lágrimas rapidamente e respirei fundo.

– Foi bom ver você novamente. – ela disse.

– É... igualmente.

– Santana, vamos? – ouvi Marley me chamar.

Me virei de frente para as meninas, coloquei meus óculos escuros em Beth, fazendo-a sorrir, olhei para Rachel e Quinn e sorri.

– Estou orgulhosa de vocês, por não terem matado a Marley ainda.

– Não sei do que você está falando. – Quinn resmungou.

– Sabe sim. – olhei para Marley, que já estava com as coisas arrumadas e voltei a olhar para elas. – Ainda amo vocês.

Fiquei encarando-as, mas nenhuma das duas olhavam para mim, bufei e me virei, em seguida indo para casa.

Notas finais
Beijos, lindas e lindo!