Neighboring
28 Beach
Notas iniciais
Desci as escadas usando uma calça moletom cinza, uma regata vermelha e os cabelos totalmente bagunçados. Passava das duas da madrugada e eu não conseguia dormir. Já era sexta, ou sábado... e isso indicava que a semana já havia passado, mas não tão rápido como eu queria. Peguei um copo de leite na cozinha, olhei pela janela e suspirei. Chovia muito, não conseguia ver a rua muito bem. Terminei de beber o leite, olhei novamente pela janela e vi alguém andando na chuva com uma camisola branca indo até o meio de suas coxas, forcei um pouco mais minha vista e vi seus cabelos loiros, que agora estavam castanhos por causa da chuva. Corri até a porta, ela caminhou até a rua e lentamente começou a rodar. Peguei um guarda chuva, corri até ela e a vi parar de girar. Ela fez um gesto de desligar ou ligar o chuveiro, se virou para mim e sorriu.
– Sant! Acho que a água acabou...
– Britt, volte para a cama. – sussurrei.
– Mas acabei de levantar.
Coloquei minha mão em suas costas e a empurrei para dentro, Britt abriu a porta, mesmo com os olhos fechados, coloquei o guarda chuva no chão e a empurrei até seu quarto.
– Agora vamos tirar essa roupa, antes que você pegue um resfriado.
Puxei sua camisola, ela segurou minhas mãos e riu.
– Você está muito safada, Sant!
– Fale baixo, Britt. As meninas vão acabar acordando.
– Então pare de me tocar desse jeito.
Ela tirou sua camisola, eu sorri e peguei outra camisola verde, pois seria mais fácil de colocar nela. Na verdade foi difícil, já que Britt me tocava à todo momento, a deitei em sua cama e a cobri, lhe dando um selinho em seguida.
– Boa noite, Britt.
– Bom dia, na verdade. – ela disse rindo. – Eu te amo.
– Eu também te amo.
Voltei para sala, evitando ao máximo fazer barulho, peguei o guarda chuva e abri a porta.
– Sant? – ouvi Beth me chamar.
Me virei para ela, fechei a porta novamente, me abaixei e ela correu até mim, me abraçando em seguida.
– O que está fazendo acordada, pequena?
– Não estou com sono, e vi a tia Britt sair.
– Ela já está dormindo na cama, coisa que você também devia estar fazendo.
A peguei em meus braços, entrei no quarto da Quinn e a vi dormindo tranquilamente. Deitei Beth ao seu lado, a cobri e acariciei seus cabelos.
– Você vai estar aqui amanhã, Sant?
– Não.
– Por quê?
– Regras...
– Tia Britt disse que regras servem para ser quebradas.
– Eu sei, mas... – Quinn se mexeu, eu me abaixei mais e suspirei. – É o certo a se fazer no momento.
– Nós vamos à praia amanhã, você vai?
– Não sei, Beth.
– Eu ficaria feliz se você fosse.
– Eu também, pequena.
Beijei sua testa, acariciei novamente seus cabelos e sorri.
– Boa noite, Sant.
– Boa noite, Beth. E... faça um favor para mim?
– Sim.
– Não diga que eu estive aqui, está bem?
– É uma surpresa?
– Sim, é uma surpresa.
Ela sorriu, fechou os olhos e se afundou no cobertor. Voltei para a sala, peguei novamente o guarda chuva e voltei para casa.
***
Acordei com um sorriso em meu rosto, abri meus olhos e vi a luz entrando pela janela.
– Vamos, antes que eu desista! – ouvi Quinn gritar.
Sorri ao ouvir sua voz novamente, me sentei e vi minha mãe parar na porta.
– Santana, tem uma garota lá em baixo e... ela disse que é sua amiga.
– Quem?
– Marley.
Me levantei, prendi meus cabelos em um coque e sorri.
– Mande-a subir.
– Santana...
– Ela é minha amiga, madre. Estudamos juntas.
– Está bem.
Entrei no banheiro, lavei meu rosto e voltei para o quarto, encontrando Marley olhando pela janela.
– Bom dia, Marley.
– Oh! Bom dia, Santana.
– Está precisando de algo?
– Eu vim lhe convidar para ir à praia comigo. Como você é a única que fala comigo, achei que gostaria de ir comigo e...
– Eu vou.
– Mesmo?
– Sim.
Ao pararmos em um ponto na areia, onde eu podia ver as meninas, me virei de frente para Marley e sorri, ajeitando meus óculos de sol.
– Ok. Está vendo Quinn, Rachel e mais uma loira, segurando uma pequena nos braços? – perguntei. Ela olhou disfarcadamente para as meninas e afirmou com a cabeça, voltando a olhar para mim. – Então, estou chateada com Quinn e Rachel, porque estávamos juntas, eu com as três, e poupe-me de perguntas, porque não estou com vontade de respondê-las no momento. – novamente ela afirmou com a cabeça. – Meu plano no momento é torturá-las, e Rachel é ciumenta demais, ou seja, ela me vê com outra garota e fica com raiva. Perguntas?
– Você já não havia dito à Rachel que éramos apenas amigas?
– Mas, quem nunca se apaixonou pela amiga?
Ela sorriu, colocamos as cadeiras de praia na areia e nos sentamos ao mesmo tempo. Marley tirou sua regata, revelando um biquíni verde, muitos olharam para ela e eu sorri.
– Odeio quando isso acontece. – ela resmungou.
– Seu corpo é perfeito, o que acha que aconteceria?
– Não é perfeito.
– É sim. E sua pele branca ajuda a perceber isso.
– Você está querendo fazer ciúmes naquelas três ou dar em cima de mim?
– Quem sabe as duas coisas?
– Santana!
Eu ri, tirei meus óculos escuros e minha blusa, deixando à amostra meu biquíni vermelho. Coloquei novamente meus óculos escuros, peguei o protetor em minha bolsa e estendi para Marley.
– Passe em mim, por favor?
– Ok.
Me virei de costas para ela, vi as meninas discutindo sobre algo, Britt foi para a água com Beth e Rachel olhou para mim, mas logo desviando.
– Isso vai ser interessante. – murmurei.
– Concordo. Morrer em um dia lindo desse é o sonho de qualquer garota.
– Você não vai morrer.
– Espero.
Eu sorri, me virei de frente para o mar e Marley se levantou, tirando seu short branco.
– Cuidado para não se afogar.
– Muito engraçada, Santana. – ela resmungou.
Novamente sorri, ela correu para o mar, olhei em volta e suspirei, apoiando minha cabeça na cadeira. Minutos depois vi Beth se aproximar de mim, sentou ao meu lado e eu olhei para ela, o que a fez sorrir.
– Oi, Sant.
– Oi, pequena. Não devia estar com sua mãe?
– Quis vir falar com você.
Tirei meus óculos escuros, coloquei nela e sorri, ao ver o óculos ficar grande nela.
– Está se divertindo?
– Sim, mas queria que você brincasse comigo e com tia Britt.
– Me desculpe, Beth. Lembra-se das regras que eu disse ontem?
– Sim.
– Por falar nisso... Você contou à sua mãe que eu estive lá?
– Não. Mas a tia Britt disse que sonhou com você, e que você tinha tirado a roupa dela.
– Beth!
– Eu sou a única criança ali, não posso deixar de ouvir as coisas.
Eu sorri, lhe dei um beijo na testa e tirei os óculos dela.
– Quer um sorvete?
– Agora não. Mas...
– Depois eu compro um, então.
– Beth! – ouvimos Quinn gritar. – Volte para cá!
– Quem é aquela garota, Sant? – Beth perguntou, ignorando Quinn.
– Marley.
– Ela é sua amiga?
– Sim, uma amiga.
– Tia Rae disse que ela gosta de você.
Eu sorri, me virei totalmente de frente para ela e coloquei os óculos escuros.
– Faça um favor para mim, Beth?
– Sim.
– Quando você estiver perto da Rae e da mamãe, diga que Marley é legal, e que você gostou dela.
– Mas eu não conheço ela, Sant.
– Eu sei.
Olhei para Marley, acenei para ela e sorri. Ela se aproximou, se abaixou de frente para Beth e sorriu.
– Pois não?
– Marley, essa é Beth.
– Oi, Beth.
– Oi... tia Rae disse que você é uma... hum... vadia.
– Beth! – quase gritei.
– O que?
– Santana, essa ideia não vai dar certo. – Marley disse.
– Vai sim. Agora Beth, volte para sua mãe, e diga o que combinamos, ok?
– Sim. Depois quero que você brinque comigo.
– Nós vamos brincar.
– E May pode ir também. – ela disse, se levantando.
Beth correu para Quinn, Marley se sentou e sorriu.
– Gostei dela.
– Beth?
– Sim.
– E ela gostou de você. Já até lhe chama por apelido.
Nós sorrimos ao mesmo tempo, me levantei, tirei meu short e olhei para ela.
– O que?
– Vamos dar um mergulho?
– De novo?
– Eu tenho uma ideia que, sei que vai dar certo.
– Santana...
– Por favor, May...
– Não.
– May... – choraminguei, fazendo todos olharem para nós duas, até as meninas.
Marley revirou os olhos, se levantou e aproximou seu rosto do meu.
– Você me deve uma. – ela sussurrou.
Eu sorri, segurei sua mão e a puxei até a água. Depois de nos molharmos, corremos até a areia, eu segurei as duas mãos da Marley e ela sorriu.
– Não vou deixar você cair. – eu disse.
– O que?
Comecei a nos girar, Marley arregalou seus olhos, mas logo sorriu, mordi meu lábio inferior e tropecei, nos fazendo cair, eu ficando em cima dela.
– Me desculpe, Marley... – eu disse, olhando em seus olhos.
– Você é pesada, Santana.
– Está me chamando de gorda?
– Não, eu só... – ela olhou para o lado, voltou a olhar para mim e franziu a testa. – Saia de cima de mim.
– Sou pesada mesmo?
– Não é isso. Elas estão olhando para nós duas, e tenho certeza que Rachel vai me matar, apenas com os olhos.
– Eu já disse, nada vai acontecer.
– Tem três mulheres me matando com os olhos, Santana. – ela resmungou.
– Perfeito. Agora fale isso mais alto, me empurre e volte para onde estão nossas coisas.
– Santana... isso está deixando de ser um plano saudável e está virando um plano para me matar.
– Por favor, May...
– Ser sua amiga está me dando um trabalhão.
– Obrigada. – sorri, lhe dando um beijo na testa.
– Não adianta, Santana. – ela gritou. – Elas estão olhando para mim e tenho certeza que ainda vão me matar, principalmente a Rachel.
Ela me empurrou e se levantou, eu a segui, ela sentou na cadeira e eu parei de frente para ela, me abaixando em seguida.
– Ok. Elas estão olhando, provavelmente sorrindo. – eu disse.
– Acha que elas pensam que nós...
– Provavelmente.
Marley olhou para elas e voltou a olhar para mim, afirmando com a cabeça.
– Podemos ir? Não quero mais ficar aqui.
– Está bem. Só vou me despedir da Beth, ok?
– Uhum.
Me levantei e me aproximei das meninas, o que as assustou.
– Beth, eu vou ter que ir embora.
– Já? Achei que iríamos brincar.
– Me desculpe, pequena. Marley não está se sentindo bem.
– Está bem.
Lhe dei um beijo na testa, olhei para Britt e sorri.
– Oi Britt.
– Oi Sant.
Ela se levantou, eu me segurei ao máximo, mas não aguentei e a abracei. Britt afagou minhas costas, fechei meus olhos e os senti se encherem de lágrimas, suspirei e sorri.
– Tudo vai ficar bem. – sussurrei.
– Eu sei... Eu te amo, Sant.
– Eu também te amo, Britt.
Nos afastamos, sequei as lágrimas rapidamente e respirei fundo.
– Foi bom ver você novamente. – ela disse.
– É... igualmente.
– Santana, vamos? – ouvi Marley me chamar.
Me virei de frente para as meninas, coloquei meus óculos escuros em Beth, fazendo-a sorrir, olhei para Rachel e Quinn e sorri.
– Estou orgulhosa de vocês, por não terem matado a Marley ainda.
– Não sei do que você está falando. – Quinn resmungou.
– Sabe sim. – olhei para Marley, que já estava com as coisas arrumadas e voltei a olhar para elas. – Ainda amo vocês.
Fiquei encarando-as, mas nenhuma das duas olhavam para mim, bufei e me virei, em seguida indo para casa.
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