Necromante
1 Prólogo: Fim e Começo
(Ponto de Vista[PDV] Galius)
As correntes enroladas nos meus pulsos são mais do que o suficiente para me prender. Como um planeswalker, eu posso caminhar por entre as dimensões, fazendo com que fugir seja bem fácil.
Porém, essas correntes são especiais, elas estão prendendo meu corpo, alma e centelha, a fonte do meu poder, nessa dimensão. É, eu não vou poder fugir dessa vez.
Eu estou em uma praça agora, acorrentando a dois pilares, um a minha esquerda e outro na minha direita. Parece que eles planejaram isso muito bem, eu e meus executores estamos em ciam de um palanque em cima da maior das praças dessa cidade.
Uma enorme multidão nos cerca, gritando palavras de ódio para mim. porém, a opinião deles pouco me importa enquanto eu olho em volta. Uma coisa que eles, tanto os meu executores quanto a multidão não sabem, é que foi nesta cidade que eu nasci.
Aqui, nas favelas de Misfrat, onde eu, um pequeno menino pobre nasceu. Quando eu tinha cinco anos, eu me tornei um órfão quando meu pai e mãe foram mortos por monstros que invadiram a cidade. Foi nesse dia que minha centelha despertou.
Com ela, eu despertei meu alento para magia negra e magia branca. Mas humanos são humanos, e, quando eles descobriram sobre meus poderes, pelo fato de eu ter talento para magia negra, eles ignoraram meu talento para magia branca e me perseguiram, querendo minha cabeça.
Claro, com minha centelha, eu viajei para outra dimensão. Mas, não importava aonde eu ia, todos tinham medo de magia negra, fossem eles humanos ou não.
Eventualmente, minha tristeza se transformou em raiva, e eu passe a me recusar a fugir. Eu matei, matei muitos. Com minha magia negra, eu os transformei um zumbis, esqueletos e todas as criaturas malignas que você puder imaginar.
Eu os forcei a caçar suas próprias famílias, filhos, filhas, pais e mães. Nenhum deles teve piedade de mim, então eu também não teria piedade deles.
Quando eu me dei conta, eu já havia vivido por dois séculos, incapaz de envelhecer dos meus 25 por causa da natureza de meus poderes. Eu me tornei poderoso, poderoso demais.
Magos, guerreiros famosos, heróis e outros planeswalkers vieram atrás de mim, mas todos caíram, fosse pela minha magia ou pela minha espada.
Bem, eventualmente, dez magos surgiram. Planeswalkers, como eu. Os dez mais poderosos que nasceram na mesma geração. Eles ficaram conhecidos como os Dez Santos, planeswalkers poderosos destinados a me derrotar.
Bem, eles conseguiram, mas não antes de eu matar seis deles em nosso combate. Agora, os quatro restantes estão em pé a minha frente.
— Gaius, Necromante do Castelo Negro, hoje você será punido pelos seus crime-
— Calado, pirralho. — eu interrompi as palavras de um deles. — Se não fosse por estas correntes você já estaria morto. Eu não aceito suas palavras pois não o considero meu rival. Os fracos devem permanecer calados.
Eu digo friamente, minha grossa e fria voz ecoa, mesmo que eu não tenha falado tão alto, pela praça, calando até mesmo a multidão. Meu olhar se dirige para a garota a minha frente, que estava calada até agora.
Seu nome é Miranda Inortis, uma criança nobre da capital do reino Sorfretis. Francamente, eu não ligaria para ela se não fosse pela força que ela carrega. Os dez e eu lutamos muitas, muitas vezes, porém os ataques dela sempre foram aqueles que me causaram mais dano.
Mesmo que ela não seja a líder devido á falta de habilidades comunicativas, ela é de longe a mais forte dos dez, a única que eu reconheço como "rival".
— Fale, menina. Você tem o meu respeito, eu lhe dou o direto de me nomear.
Ela assente, e, sem nenhuma expressão no rosto, ela diz.
— Eu, Miranda Inortis recebo a honra de nomear o planeswalker Gaius. Eu vos concedo o nome Centelha de Luz Negra. Por favor, conceda-me a mesma honra.
Ela diz. Mesmo que ela não demonstre em seu rosto, eu posso sentir a sinceridade e respeito em sua voz.
— Eu, Gaius da Centelha Luz Negra, vos nomeio Imperatriz da Chama Branca.
Ela se curvou levemente. Nomes são coisas importante para nós, Planeswalkers. nenhum de nós realmente entende o porque. Nós geralmente somos nomeados por outros Planeswalkers, mas existem exceções.
Enfim, eu somente vou aceitar um nome dado por um rival, como ela.
— Últimas palavras? — pergunta ela, com um leve tom de tristeza.
Eu fecho meus olhos, pensando por um momento.
— Hoje, minha centelha se apagará, porem, um dia, um nove centelha negra irá se acender e mais uma vez se tornará fruto do ódio, como eu me tornei. — eu disse, minhas palavras ressoaram pelo silêncio da praça.
Eu abri meus olhos e olhei para Miranda. Ela cria uma lança de chamas tão quentes que se tornaram brancas em suas mãos.
Eu olho em volta pela última vez, para a cidade que um dia eu chamei de lar. Ao longe, na entrada de um beco, por um segundo, eu vejo uma criança.
Um pequeno garoto, cabelos negros, pele clara, olhos brancos com um leve tom de cinza. Ele tem cerca de nove a dez anos. Em seu rosto, um sorriso.
Atrás dele, dois adultos, um homem e uma mulher. Meus pais, e a criança, idêntica a mim nessa idade. Eles parecem felizes.
Meus olhos se enchem de lágrimas, e, pela primeira vez desde a minha infância, lágrimas escorrem pela minha face. Eu não sinto dor quando a lança perfura meu peito e as chamas consumem meu corpo.
Eu fecho meus olhos, e dos meus lábios algo escapa.
— Obrigado... finalmente, descanso...
Lentamente, minha consciência se esvai, e todo fica escuro.
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