Necrofilia II: A Ilha
3 Depois do Sótão, O Porão
Notas iniciais
Saí do quarto devagar e silenciosamente, apressando-me para chegar ao sótão, mas a porta estava trancada. Voltei pela escada e tomei o corredor até os outros degraus, que ligavam o primeiro andar e o térreo. Dali eu podia ter uma boa visão da sala. Comecei a descer os degraus com paciência e cautela, tomando o cuidado de não chamar a atenção do meu anfitrião – que passara de sedutor à assustador nos últimos minutos. Cheguei ao fim da escada, então espiei pelo lado direito para ver a cozinha. Jason não estava lá, mas suas chaves estavam sobre o balcão e eu as peguei, subindo novamente as escadas até a porta do sótão.
Abri a porta com um misto de medo, desespero e nervosismo nas mãos, que insistiam em tremer. Quando eu entrei no cômodo procurei entre os montes de coisas velhas e empoeiradas, mas quando verdadeiramente vi, não suportei.
Cayo estava completamente despido, de bruços sobre o seu próprio sangue. Os olhos tinham sido arrancados da face e os dentes da boca, faltava o dedo mindinho da mão esquerda, e um cabo de vassoura tinha sido empurrado para dentro do seu ânus. Eu não podia imaginar como fora horrível para ele, me reservei somente a abraçá-lo e a chorar, agarrando-me com mais força ao corpo moribundo do meu marido e rezando para que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo. Todavia, indubitavelmente não era um pesadelo e eu podia senti-lo de verdade entre os meus braços.
Repentinamente Jason entrou no sótão, encarando-me com uma expressão que não exprimia nenhum sentimento, ou emoção, nem norteava sequer o que ele poderia estar pensando. Se aproximou com passos curtos e lentos, sem tirar os olhos de mim, e eu frágil e abalada fui me arrastando para trás, acuada e com medo, até que minhas costas tocassem a parede e eu não tivesse mais para onde recuar, ou fugir.
O homem me agarrou pelos braços e me arrastou para fora do lugar, enquanto eu não tinha animo para revidar, me entregando de bandeja ao destino como se não houvesse alguma salvação. Quando os sentidos começaram a retornar ao meu corpo, eu estava num outro cômodo – um porão. O lugar era limpo e pouco iluminado, havia manequins nuas por todos os cantos, armários com porta de vidro e gavetas, onde se viam remédios e ferramentas cirúrgicas, e uma estranha cadeira cheia de fivelas no centro do cômodo me chamou atenção. Encostado às paredes foram dispostos freezers e estantes com partes do corpo empalhadas enfeitando-as. Era tudo muito bizarro.
Jason tentou me amarrar a cadeira, mas eu me debati e consegui me soltar, correndo de volta à escada que levava para fora do porão. O homem era ágil como uma chita e muito mais forte que eu. Tão rápido quanto eu fugi ele me recapturou, agarrando-me pela cintura e me suspendendo no ar, enquanto eu me contorcia inutilmente. Depois de um tremendo esforço ele conseguiu me prender a cadeira e começou a arrancar a minha roupa, rasgando-a com a ajuda de um bisturi.
— O que você vai fazer comigo? – eu perguntei, com as lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto.
— Talvez pior do que fiz com o seu marido, mas apenas se você for malcriada – ele afirmou com um sorriso matreiro na cara. – O leite te fez dormir bastante, nem chegou à ouvir as suplicas de seu marido enquanto eu o estrangulava e ele estava bem ao seu lado.
Ele colocou sonífero na bebida.
— Por que você está fazendo isso?!
Ele pôs o dedo em minha boca como se me pedisse silêncio, depois abriu o zíper da sua calça, colocando seu pênis para fora e montando sobre mim. Enquanto ele me violava e lambia os meus seios, eu chorava... era a única coisa que eu sabia fazer, chorar e chorar, perplexa com sua insanidade e acima de tudo sofrendo por Cayo e temendo pelo que poderia vir a seguir – o meu fim.
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