Neclitvill
1 Cartazes de apoio ao assassino.
Neclitvill é uma pacata cidade americana, onde muitas coisas estranhas acontecem, mas são poucos os que se importam com o que realmente acontece aqui.
Essa não é uma história qualquer sobre um lugar qualquer, é uma longa história sobre uma cidade afastada e esquecida, onde apenas alguns de nós sabe o que realmente se passa por aqui.
Eu raramente me importava com as coisas que aqui se passam, mas a agora isso mudou, algo surpreendente aconteceu na minha vida e na vida de alguns que moram aqui, mas não vamos nos alongar, vamos à história.
Todos entre 15 e 17 anos, estudam na mesma escola, a única high school na cidade.
A cidade é pequena mas a população adolescente é enorme, parece que os casais gostam de fazer filhos por aqui.
Bom, a manhã estava normal, como sempre. A única coisa estranha é que parece que estou sendo vigiada, sabe aquela sensação de filme de terror? Que você olha para todos os lados com receio de encontrar algo? Essa era a minha sensação. Levantei da cama, tomei um longo banho e desci para tomar café.
Meus pais já estavam sentados e debatendo sobre algo que não interessa nem a mim e nem a vocês.
— Bom dia. — Falou meu pai lendo o jornal.
— Bom dia. — Falei sorrindo.
Sentei na mesa.
— Algo de interessante no jornal? — Perguntei me servindo.
— O de sempre, parece que algo novamente atacou outro garoto na floresta. — Comentou.
— Só? — Perguntei.
— O filho dos Moore também está desaparecido e está sendo culpado pelos assasinatos. — Falou meu pai.
— Kyle Moore? O nosso vizinho? — Perguntei incrédula.
— Sim. — Respondeu minha mãe.
— Porquê um cara que tem tudo precisaria assasinar alguém? — Perguntei.
— Talvez ele não tenha tudo. — Disse meu pai terminando seu café.
Ouvimos uma busina no lado de fora.
— De qualquer forma não acho que ele faria isso, preciso ir.- Falei.
Peguei minha mochila e me despedi.
— Não volte pela floresta. — Disse minha mãe me alcançando o lanche.
— Pode deixar.
Saí de casa.
A escola não é tão longe da minha casa, todos praticamente vão andando, alguns alunos ainda insistem em ir com seus carros do ano, o que é inútil já que são 15 minutos andando. Meu amigo Mike tem um carro e por isso vou com ele, mas eu sempre volto andando.
Entrei no carro, Cathy ja estava la com Mike.
— Moore desapareceu. — Foi a primeira coisa que ouvi.
— Fiquei sabendo. — Comentei.
— Não acho que ele tenha feito aquilo. — Disse Mike ligando o carro.
— Porque não? Ninguém desconfiaria dele, é previsível. — Falei.
— O cara tem tudo que quer, tem um carro do ano, é capitão do time de basquete e tem todos os amigos que precisa, porque ele faria isso? — Perguntou Cathy olhando para mim.
— Ele pode ser um psicopata. — Falei.
— Você tem que parar e assistir Criminal Minds. — Disse Mike sorrindo.
— Engraçadinho. — Falei revirando os olhos.
Fomos até a escola sem falar mais nada sobre aquele assunto.
O dia estava nublado.
Por toda a escola estavam espalhados cartazes de apoio para Kyle Moore.
O estranho é que nunca ninguém fez um cartaz sequer para os alunos assasinados, mas para um suposto assasino só falta ter um altar.
— Hipócritas. — Falei descendo do carro.
— Eles sabem que Kyle não faria isso. — Falou Mike.
— Fala isso porque ele é seu capitão. — Falei.
Fomos andando em direção à escola, algumas líderes de torcida estavam destribuindo panfletos de apoio ao assasino.
— É por isso, por ele ser meu capitão, eu o conheço. — Disse Mike.
— Tanto faz. — Falei.
Eu não seria tão hipócrita a ponto de pegar um panfleto, por isso passei reto pelas líderes de torcida.
— Até mais tarde. — Gritou Mike atrás de mim, ascenei para eles.
Imaginem um lugar repleto de cartazes com a cara de um assasino, era o que a escola havia se tornado.
Arrancei um cartaz que estava grudado no meu armário.
— Jessyca, não atrapalhe nossa manifestação. — Disse Carly se aproximando. Ela é uma líder de torcida e estava por perto.
Não é o fato de colarem cartazes pela escola que me encomoda, até porquê eu não acho que Kyle faria essas coisas, mas ninguém colou cartazes para os alunos mortos, para as verdadeiras vítimas. Ser o capitão do time não o torna mais importante que ninguém.
— Por mim vocês podem colar cartazes e panfletos até nos professores, mas não me incluam nessa besteira. — Falei abrindo o meu armário.
— Ele gosta de você sabia. — Disse Carly parando do lado do meu armário.
— Voês não estão nem ai, só se importam com vocês mesmos. — Falei.
— Você está enganada. — Retrucou ela. — É com pessoas como você que realmente nos importamos. — Terminou.
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