Nebula's Sorcery
4 Chapter Three - Beware The Shadows
Notas iniciais
Ethan e Michael ficaram observando o local enquanto os dois engenheiros consertavam a sonda espacial. A névoa estava ficando cada vez mais densa e a temperatura mais baixa.
Ambrosi que ficara na nave monitorava cada membro da equipe pelo computador. Ele tinha que ficar atento a cada detalhe de seu campo de visão através dos radares da nave e pelas câmeras acopladas nos capacetes dos exploradores ao mesmo tempo em que reportava a situação à Base. A névoa lá fora estava se intensificando e o sinal nos rastreadores oscilava e até mesmo desaparecia por alguns segundos.
— Pessoal, estou perdendo vocês. Como andam as coisas por ai? — Perguntou apertando o controle de comunicação. A voz do outro lado soou cansada e ansiosa.
— Estamos quase terminando. — Respondeu Grahan sentindo seu fôlego ficando cada vez mais fraco por conta do grande esforço para a manutenção ser feita de maneira acelerada.
— Se a névoa se intensificar mais por aqui pode haver danos ao motor. — Explicou Ambrosi preocupado com a mudança no clima do planeta.
Michael cutucou Ethan para chamar-lhe a atenção mas sem falar nada para não atrapalhar a concentração do engenheiros. Mostrou ao agente o campo ao seu lado esquerdo. Inicialmente Ethan não vira nada, mas ao focar sua atenção mais ao campo onde Michael apontava do que na paisagem monocromática percebeu um par de sombras se formar lentamente a poucos metros de distância. Os dois se olharam e a mensagem que receberam no visor da nave veio às suas mentes de maneira que fizesse com que ambos sentissem desconforto por estar ali.
— Equipe, estou captando alguns movimentos no radar mas ainda estou sem visualização. — A voz de Ambrosi estava distante e com estática.
— Ainda estamos... — Grahan começou a falar mas sua voz desapareceu completamente. Ambrosi chamou-os pelo rádio sem sucesso, todo o sistema funcionava perfeitamente mas o sinal da equipe continuava fora de alcance.
— Base, perdi completamente o sinal com os exploradores. — Reportou Ambrosi para a equipe responsável pelo monitoramento e auxílio da missão na Terra.
— Ative o drone de localização no compartimento 7M. — Respondeu um dos intermediários.
Ambrosi levantou da cadeira de comando deixando o auto falante no máximo enquanto seguia para a sala de equipamentos de exploração por controle remoto. Digitou um código no console lateral e uma pequena comporta se abriu do lado exterior da nave liberando um drone de localização. O piloto voltou rapidamente para a sala de comando e tentou novamente entrar em contato com a equipe mas não obteve resposta. Ativou o controle manual do drone interligando sua câmera à tela central do seu computador de comando, começando a busca pela localização dos exploradores.
— Ambrosi? Está nos ouvindo? — Ethan tentou chamar pelo piloto depois de todos os outros tentarem, mas a falta resposta era a mesma. — Estamos sem contato com a nave. Precisamos terminar o mais rápido possível.
— Não se preocupe, já terminamos a manutenção. — Respondeu Jason levantando-se e pegando o controle da sonda na mochila enquanto Grahan guardava as ferramentas. Jason ativou a sonda pelo controle remoto e começou a movimentá-la.
— Ethan. — Michael sussurrou o nome do agente na esperança de que os dois engenheiros não percebessem o desespero em sua voz. Mas todos olharam na mesma direção que ele.
— O que é aquilo? — Perguntou Grahan em voz baixa.
Onde antes havia apenas duas sombras em forma de esfera agora tinham dez fazendo movimentos suaves e ensaiados através da névoa densa. Ethan olhou para cima em busca de algum objeto que fosse a origem daquelas sombras mas não havia nada além de uma estrela brilhante que ele supôs ser o sol daquele planeta. Jason começou a movimentar Morgana-7 na direção da nave, mas o robô não era rápido o suficiente e foi envolvido por uma sombra que simplesmente deslizou até ele fazendo-o estagnar novamente. O jovem engenheiro correu até sua sonda na esperança de tentar salvá-la mas também foi encurralado por outras três sombras.
— O que está acontecendo? — Ouviu-se a distante voz de Ambrosi em seus capacetes.
— Estamos sendo atacados por sombras alienígenas. — Explicou Michael enquanto Ethan e Grahan corriam para tentar ajudar Jason.
Ambrosi conseguiu localizar a equipe através do drone e viu a bizarra situação dos exploradores sendo cercados por sombras enquanto tentavam chegar perto de Jason que estava parado como uma estátua. O piloto acionou a função de ataque do drone e atirou em uma das sombras fazendo-a desaparecer por alguns segundos e reaparecer bem em cima do drone derrubando-o.
— Merda! — Xingou Ambrosi perdendo novamente a comunicação com a equipe. Como já era experiente nesses tipos de missão, mesmo que sua função fosse de apenas pilotar a nave na maioria delas houve momentos em que ele precisou pegar as armas para ajudar sua equipe — Base, permissão para sair da nave. — Ambrosi ouviu os intermediários discutindo antes lhe responderem.
Após ter o pedido concedido o piloto deixou a nave em ponto de ignição e foi até o compartimento de armas ao lado do armário onde ficavam os uniformes. Vestiu o macacão rapidamente seguido do capacete, olhou aquela quantidade de armas à disposição e fez a dedução de que se eram sombras que eles estavam enfrentando então teriam que derrotá-las usando uma arma que emitisse luz. Pegou a arma a laser mais potente que tinha e guardou algumas bombas de eletricidade nos compartimentos do uniforme. Assim que saiu da nave ativou seu localizador que funcionou perfeitamente restabelecendo contato com a equipe.
— Estou indo até vocês. — Disse correndo o mais rápido que conseguia.
— Estamos cercados. — A voz de Michael surgiu falhada.
— Jason ainda está envolto nas sombras. — Respondeu Ethan com mais clareza — Não conseguimos nos aproximar dele. Nossas armas não funcionam.
— Estou vendo vocês. — Disse Ambrosi diminuindo sua velocidade esperando não ser notado pelas sombras. — Fechem os olhos.
— O que?
— Fechem os olhos, agora! — Gritou Ambrosi jogando uma bomba elétrica entre os exploradores e as sombras que seguravam Jason. Uma forte eletricidade os atingiu jogando-os metros para trás. As sombras lentamente se dispersaram e desapareceram deixando Jason caído no chão. Ambrosi que estava mais perto aproximou-se do jovem engenheiro.
— Precisamos levá-lo imediatamente para a nave. — Disse Ethan ajudando o piloto a levantar Jason do chão.
— Deixe-me ajudá-lo e prepare a nave para decolar assim que entrarmos. — Disse Michael tomando o lugar de Ambrosi.
— Ela já está preparada. — Respondeu o piloto pegando mais duas bombas nas mão enquanto Grahan carregava a sonda nos braços.
Eles conseguiram chegar na nave mais rápido do que esperavam. Ambrosi foi direto para a cadeira de comando abrindo o compartimento externo para que Grahan pudesse guardar a sonda, enquanto isso Ethan Vigiava ao redor da nave e Michael levava Jason para a sala de emergência que continha uma maca onde colocaram seu corpo desfalecido retirando o capacete de sua cabeça.
Grahan fechou a comporta e entrou na nave com Ethan em sua retaguarda. Assim a porta da nave fechou, ambos trocaram olhares cansados sem dizer nada enquanto tiravam seus uniformes de exploração e voltavam para a sala de comando se sentando em suas respectivas cadeiras. Nesse momento a nave já deixava a atmosfera do planeta sombrio para trás.
— Como está o jovem Burke? — Perguntou Ambrosi no comunicador para Michael.
— Está com hipotermia aguda. Estou tentando regular sua temperatura corporal. — Disse Michael com um pouco de pressa.
— Faça tudo que estiver ao seu alcance para ele sobreviver. — Respondeu Grahan sentindo remorso e ódio.
— Eu farei, senhor. — Respondeu Michael com tristeza e cansaço na voz desligando o comunicador.
A movimentação da nave oscilou e suas luzes piscaram indicando que estavam atravessando a nebulosa. Mas dessa vez o tremor na base frontal onde os tripulantes se encontravam estava sendo mais violento.
— O que está havendo? — Perguntou Ethan acionando o botão do cinto de segurança em sua cadeira.
— Queda de temperatura no motor. — Respondeu Ambrosi calmo como se já esperasse por isso, pressionando uma série de comutadores para ativar os propulsores auxiliares fazendo a velocidade da nave aumentar estabilizando a temperatura do motor.
Na Base de comunicação espacial, o grupo de intermediadores e assistentes de exploração interespacial monitoravam e coletavam os dados transmitidos pela Nave KS 478x. O presidente Peterson que acompanhava a missão ansioso para descobrir o que a sonda espacial do jovem engenheiro tinha coletado, acabava de retornar à sala após sair por alguns minutos para atender um chamado urgente. Rebecca Armstrong que acabava de responder a um chamado da nave voltou-se para o presidente percebendo a mudança em seu humor.
— Alguma notícia inesperada, senhor Presidente?
— Sim. — Respondeu ele pensativo retornando sua atenção à tela com as coordenadas da nave — Como eles estão?
— Sem mudanças no estado de saúde do engenheiro Burke. — Respondeu Rebecca.
— A nave está com problemas nos motores. — Avisou George Lee, um jovem asiático no outro canto da sala. — Ambrosi ativou os propulsores auxiliares mas a estabilidade mecânica da nave não vai durar por muito tempo. — Disse ele mandando um relatório para a nave enquanto o presidente se aproximava para ver os dados no monitor.
— E quanto ao motor reserva que implantamos na nave?
— Devido a alta densidade da névoa no local de pouso, não vai ser possível ativá-lo antes de ocorrer qualquer pane no sistema.
— Eles deveriam te-lo ativado antes da decolagem mas a nave não indicava nenhum sinal de pane nos motores antes de atravessarem a nebulosa. — Conclui Rebecca antes de serem interrompidos por alguém batendo na porta. O presidente a abriu um pouco mau-humorado pois queria acompanhar a missão espacial sem ser interrompido, mas naquele dia específico muitas coisas estavam aparecendo de maneira inesperada.
Na sala de controle do Departamento de Segurança das Nações uma mensagem de urgência aparecia nos monitores de acesso aos satélites ao redor da terra. Em todo o prédio o alarme de segurança tocava sem para ensurdecendo todos os funcionários que trabalhavam ali no momento incluindo o Comandante Maxwell e o Tenente Norton que se encontravam numa renião importante com soldados.
— Cynthia o que está acontecendo? — Perguntou o Maxwell gritando no microfone em sua mesa para que sua secretária pudesse ouví-lo. — Porque esse alarme está ativado até agora? Ninguém vai desligá-lo?
A garota elegante não esperou ser convidada para entrar na sala, apenas abriu a porta e disse desperada:
— Comandante precisam do senhor urgente na sala de comando.
O Comandante e o tenente saíram rapidamente da sala de reuniões e foram correndo em direção aos elevadores, mas estes se encontravam parados em algum andarjá que apresentavam falhas mecânicas. Decidiram descer as escadas o mais rápido que puderam. Seis andares até chegarem ao subsolo onde a sala de comando enorme cheia de monitores e controles se encontravam piscando em tom de alerta máximo, vermelho.
— O que foi que aconteceu? — Perguntou o Comandante indo até um monitor tentando coletar seus dados, mas apenas a mensagem de alerta aprecia nele. — Porque não funciona?
— Estamos em alerta de ataque, senhor. — Respondeu Barbara, a subtenente e responsável por aquele setor.
— Como assim, ataque? Nós destruimos todas as armas nucleares depois do acordo. — Respondeu Norton indignado.
— Ataque aéreo, Tenente. — Disse Barbara tranquilamente mostrando um holograma aos dois onde captavam as imagens de satélites e vários pontos luminosos vindo na direção da Terra — Do espaço.
— Parecem estrelas cadentes. — Disse o Comandante.
— Examinamos as imagens, não é nenhum corpo celeste conhecido. — Respondeu uma especialista em física espacial, chamada Phoebe.
— E porque não estamos conseguindo ter acesso a nenhum dos monitores?
— O computador ativou sozinho um projeto chamado Quarentena. Essas são as coordenadas que conseguimos obter. — Disse Phoebe entregando a localização de onde o projeto Quarentena estava sendo ativado.
— Você sabe algo a respeito disso, Norton? — perguntou Maxwell percenbendo que o Tenente estava ficando desconfortável com toda aquela situação.
— Ouvi alguns políticos falando sobre o projeto secreto Quarentena quando entramos em guerra, mas nenhum deles sabia como ativá-lo na época.
— Parece que foi programado para ser ativado automaticamente em casos de ameaça de ataques aéreos. — Explicou George — Não há mais nada que podemos fazer, Comandante.
Fale com o autor