Manhã de 1974. Estou preso nessa fragata viajando para algum lugar ao sul dos EUA. Faz dois dias que minha água acabou e o calor dentro dessa caixa está começando a ficar insuportável. Ah, ok. Descrevi o lugar onde estou mas esqueci de dizer quem eu sou. Meu nome é Frank Hank, no momento sou um marinheiro clandestino tentando voltar para casa. E, sinceramente, acho que deveria ter pago a taxa da viagem mesmo...

(barulho do lado de fora)

- Ora, ora, ora... Parece que nosso amiguinho tentou nos enganar. E devo dizer, Sr. Frank, você quase conseguiu.

Me pegaram! Droga, cheguei tão perto... Creio que eu tenha que explicar minha situação para vocês agora. Eu tenho 23 anos. Desde os 19, após a morte de meu pai, tenho navegado os 7 mares em busca de seu assassino. 25 de março de 1968. Numa humilde casa, perto do cais de San Francisco na Califórnia, morávamos eu e meu pai, o Capitão Jack Hank, um homem de temperamento forte que trabalhava na marinha mercante. Sobre minha mãe, meu pai sempre me falou que ela foi uma mulher adoravelmente bela e que, por crueldade do destino, morreu justamente por isso. Nunca perguntei o que isso significava. Na verdade, nunca me importei muito já que ela morreu quando eu tinha apenas 4 meses. O fato é que, na noite de 26 de março de 1970 chegou em minhas mãos uma carta oficial da marinha mercante com a notícia do falecimento de meu pai. Desde esse dia tenho trabalhado como marinheiro na mesma divisão naval que ele trabalhava para descobrir mais de sua morte. Porém, o máximo que consegui foi saber que seu navio foi atacado e afundado por um navio pirata com uma bandeira negra com o símbolo de um polvo gigante.

-E então, clandestino? Não dirá nada em sua defesa?

Quase me esqueci que tinha acabado de ser pego em flagrante.

- Sim, senhor. Um pedido de desculpas já basta?

- Hahahaha. — Riu o velho marujo, com desdém. — Acha mesmo que você vai sair dessa apenas com um pedido de “desculpas”?

- Então, andar na prancha? — Eu disse, tentando não transparecer meu medo.

- Não estamos em um desenho animado. Você, Sr. Hank, irá pagar pela sua “estadia” em meu navio. Estamos realmente precisando de uma lavagem no convés, e não vejo ninguém mais capacitado que você para o serviço. Como sou uma boa pessoa, ainda te darei água para que não morra de sede.

- Agradeço a preocupação, mas odeio o cheiro de peixe. Principalmente se ele está atrelado ao chão do convés há dias. Posso ficar com outra tarefa?

O velho fechou a cara e virou-se em direção à seus aposentos. Não sou muito esperto, mas reconheço que perdi uma ótima oportunidade de ficar calado. Limitei-me a pegar o esfregão e começar a pagar o preço de minha viagem.