Natural Disaster
18 Capítulo 18 - Sem ar
Notas iniciais
Após terem revelado seus sentimentos um ao outro, o casal ficou passeando pelos jardins da universidade, andavam de mãos dadas, comentando tudo ao redor, a harmonia era tanta que o tempo passou rápido. Deveriam ter voltado ao laboratório, mas o clima estava bom demais para se concentrarem em algo que não fosse viver aquele momento. Lógico que se explicariam depois para o professor Andrew, apesar de saberem que ele já desconfiava, visto que ambos não se tratavam de forma profissional.
Os dois se sentaram na borda de um chafariz de pedra e ficaram observando os peixes nadarem. Eram poucas as espécies, mas muito belas. Catherine os admirava e fazia pequenos movimentos com as mãos, agitando a água. Derick sorria ao observar a garota, estava desarmada, tranqüila, sem preocupar com nada, apenas tentando capturar alguns peixes com as mãos. Por vezes conseguia, mas logo em seguida os liberava de volta para o chafariz.
– Queria te ver sempre assim. – Derick disse movendo uma mecha do cabelo de Cath para trás de sua orelha.
– Assim como? – Ela se virou para ele com um sorriso no rosto.
– Leve... – O garoto fez uma careta. – Tranquila... – O rosto de Catherine ficou vermelho, Derick a abraçou com ternura e os dois riram da situação.
– Sou má. – Ela disse soltando uma gargalhada.
– Muito. – Ele aproximou o rosto do dela. – Muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito. – Implicou.
Catherine estava ficando cada vez mais vermelha a medida em que Derick repetia aqueles “muitos”, precisava arrumar uma forma de pará-lo. Puxou o corpo do garoto para si e beijou-o ardentemente, arrancando-lhe o fôlego.
– Nossa... – Ele respondeu entorpecido. – Você é má mesmo... – Derick disse ironicamente. – Mas eu sou pior.
Devolveu o beijo de forma mais ardente ainda, e, aproveitando-se do fato de que não havia mais ninguém ali, percorreu as curvas do corpo da garota com uma das mãos enquanto a beijava. Sentiu que conseguiu arrepiar Cath, que não apresentou resistência à atitude dele, pelo contrário, parecia extasiada.
Após aqueles dois beijos intensos, Derick teve sensibilidade o suficiente para não fazer alguma outra tentativa ousada, Catherine não era como as outras, ele não queria passar uma impressão errada e estragar tudo.
Ao terminarem de se beijar o garoto ficou mais calado, sério, parecia pensar na vida. No entanto, Cath decidiu não comentar nada, afinal, poderia ser apenas sua imaginação pregando-lhe uma peça, como já acontecera tantas outras vezes.
– Ei, eu acho que já está tarde... – Disse Derick estranhamente.
– Tarde!? Ainda são duas e meia da tarde... – A garota o olhou confusa.
– Eu tenho algumas coisas para fazer e não tinha me dado conta de que o tempo havia passado tão depressa! – Ele disse se levantando e pondo as mãos dentro dos bolsos. – Eu vou te deixar em casa, ok?
Sem entender nada, a garota apenas concordou com a cabeça. Como assim tinha coisas para fazer de tarde se havia regressado para a universidade e teoricamente deveria estar no laboratório agora!? E ainda mais, que coisas eram aquelas que ele tinha pra fazer e nem sequer citou quais eram. Catherine sentiu o medo invadir seu peito, será que estava sendo enganada?
Derick ligou para seu motorista que minutos depois chegou ao encontro deles para buscá-los. Catherine nunca havia entrado em um carro como aquele, apenas visto na televisão em programas específicos sobre carros que mostram modelos caríssimos, esportivos entre outros. A angústia tomava conta dos pensamentos da garota, que, enquanto o casal se dirigia para a casa dela, ficava pensando o que a atitude de Derick estava querendo dizer. Ele não estava mais tão carinhoso, agora parecia inquieto, com a mente agitada.
Chegaram rápido ao prédio e se despediram com um beijo rápido. O garoto estranho e frio demais para quem havia acabado de fazer uma revelação como ele fizera. Cath no fundo se magoou, mas, como era de seu feitio, fingiu naturalidade. Estava disposta a observar tudo para ter certeza de que não estava sendo passada pra trás. De qualquer forma, estava feliz, aquelas palavras doces ditas após a briga não saiam de sua mente.
Assim que pôs os pés na sala do pequeno apartamento, lá estava Helena, assistindo a novela da tarde. A garota pulou no colo da mãe, fazendo com que o controle remoto caísse no chão.
– Não acha que está grandinha demais para se jogar no meu colo!?
– Mãe! – Catherine a abraçou forte e sorria de forma comovente.
– Faz tempo que não te vejo assim... – A mãe parecia desconfiada. – O que houve?
– O Derick...Ele voltou, ele tá bem!
– Graças a Deus! – A mãe parecia sinceramente aliviada. – Você estava ficando insuportável. — Cath arregalou os olhos como se estivesse ouvindo a maior injustiça do mundo.
– Nossa!!! – Ela levantou mal criada do colo da mãe e cruzou os braços. – Por que insuportável!? – A mulher riu descaradamente.
– Você estava mesmo...Senta aqui! – A filha obedeceu muito à contra gosto. – Você é louca por ele, pelo menos tenha a decência de assumir. Eu nunca vi alguém reclamar tanto da ausência de uma pessoa a qual ela jura de pés juntos que não sente nada... – A garota ficou encabulada. – Toma vergonha! – As duas riram e Catherine pareceu se conformar.
– Eu não deveria, mas eu gosto... – Cath pôs as mãos na cabeça. – Ele é lindo... E, pra falar a verdade, eu amo...
– Por que não fala pra ele? Pelo menos solta isso tudo que tá deixando seu coração apertado... – A mãe parecia feliz pelo fato da filha estar se abrindo. – A única coisa que eu quero é que fique esperta, não se deixe enganar e iludir, por mais que o ame. – A garota assentiu.
– A gente se declarou. – Confessou Catherine deixando a mãe totalmente surpresa. – Por isso que cheguei cedo em casa...
Helena quis saber de tudo, em seus mínimos detalhes e a garota a deixou a par da situação. Cath parecia finalmente estar mais solta, e ela e a mãe puderam passar uma tarde bastante agradável conversando.
A garota já estava deitada em sua cama, com livros de química, pensando há horas em Derick entre um e outro capítulo estudado, quando de repente, mais ou menos umas 19 horas seu celular tocou. Quase caiu da chama ao tentar tirar um livro de quase mil páginas de cima de sua perna para poder alcançar o aparelho, que estava do outro lado do quarto.
– Oi metida! – Era Derick no telefone, o que já a deixou radiante.
– Oi chato! – Os dois soltaram risadas.
– Eu posso te buscar às 8 horas? Quero te levar a um lugar...
– É claro, mas pra onde?
– Surpresa!
– Ah, cont... – Derick a interrompeu.
– Mas nada, não vou contar nada! Até as 8. Eu amo você. – Ele disse com firmeza na voz e Cath não pôde deixar de sorrir ao ouvir tal declaração.
– Até as 8. Eu também amo você. – Ela respondeu carinhosamente.
Catherine correu para se arrumar, apesar de só ter uma hora para fazer isso, desejava impressionar o garoto, deixá-lo fascinado e sabia que era capaz disso. Arrumou-se encantadoramente para encontrá-lo, se preocupando com todos os detalhes.
A maquiagem não foi extravagante, preferiu ressaltar os olhos azuis. Usou um vestido preto sem alças e um salto alto de cor preta também. Dividiu o cabelo, amarrou a parte superior com uma presilha prateada com detalhes azuis e a inferior manteve solta. Avisou a mãe que iria sair com Derick, e ficou esperando até que ele chegasse.
O garoto chegou pontualmente e tocou o interfone. Helena, que estava na cozinha, atendeu e pediu a ele que subisse. Cath arregalou os olhos, já havia saído com outros caras e sua mãe nua fizera questão de apresentações formais para que algum rapaz saísse com a filha.
– Por que fez isso? – A garota parecia não compreender mesmo para que Helena pedira para Derick subir. – Você nunca foi assim, e pronto, agora ele vai achar que sou uma retardada! – Bufou. – Eu sou até mais velha que ele, mãe!
– Mas você está apaixonada... E apaixonados são burros, tenho que ver qual é a dele! – Ela disse rindo implicante.
– Menos, mãe. – Cath prendeu o riso e fingiu seriedade.
Em poucos minutos a campainha tocou, e Catherine abriu a porta. Lá estava Derick, maravilhoso. O garoto tinha um charme singular e um sorriso provocador, como sempre a olhava como se estivesse diante de algo sobrenatural, completamente hipnotizado com a beleza de Cath.
– Está linda, não está? – Disse Helena direcionando o olhar para a filha, e buscando descontrair o momento.
– Ela é maravilhosa. – Derick deixou escapar e logo mexeu nos cabelos, sem graça, afinal, a mãe de Catherine estava diante dele. — E a senhora também é muito bonita! Nossa, vocês são muito parecidas! – Ele realmente se espantou com a semelhança entre as duas.
– Minha mãe é mais bonita! – Cath segurou a mãe calorosamente e a encheu de beijos na bochecha fazendo com que a mulher risse da situação.
– Deixa de ser boba menina! – A garota soltou a mãe com um sorriso no rosto. – Me deixa cumprimentar o rapaz? – Catherine deu de ombros. — Muito prazer, Helena. – Ela disse esticando a mão para cumprimentar Derick.
– O prazer é todo meu em conhecer a senhora, eu sou o Derick.
– Senhora não, Helena. Não me acha muito nova para ser chamada de senhora?
– Tem razão, Helena. – O garoto parecia mais envergonhado ainda. – Me desculpe. – Tentou conter o nervosismo. – Alguma recomendação especial para levar a Cath para sair?
– Que ela volte, sã e salva, assim inteirinha como você está vendo agora, e principalmente, que volte muito feliz. – A mãe sorriu amigavelmente.
– Pode deixar. – Ele disse radiante segurando a mão de Catherine.
Quando não estavam se estapeando, era possível ver e belo casal que os dois formavam e Helena percebeu de imediato que não se tratava de uma aventura passageira. Os dois entraram no elevador fazendo brincadeiras, tal como duas crianças implicantes. A porta do elevador se fechou e os dois finalmente pararam com as brincadeiras. Catherine esperava receber um beijo, e Derick sabia disso.
– Não, eu não vou te beijar. – O garoto disse em um tom debochado.
– Por quê? – Ela reclamou.
– Porque eu não vou conseguir me controlar. – Derick disse nervoso enquanto seu coração palpitava e ela vinha se aproximando do rosto dele. – Mas dane-se. – Ele a encostou no espelho do antigo elevador beijando-a com urgência.
De repente, a porta do elevador se abre, eles se desgrudam e dão de cara com duas senhoras de mais ou menos uns 60 anos, em total estado de choque. O casal apenas desejou boa noite às senhoras, e se dirigiu ao Porsche de Derick.
– Tá vendo o que você faz!? Que constrangimento! – Ele disse divertidamente enquanto abria a porta do carro para que ela entrasse.
– Eu que moro aqui, EU deveria estar com vergonha!
O carro era rápido e o motorista dos Becker sabia os melhores caminhos. Chegaram em um instante no local desejado. Catherine ficou sem entender nada, mas suas pernas tremiam, sua mão estava gelada e achou que fosse desmaiar. Realmente não estava entendendo o que estava fazendo naquele lugar, com tantas pessoas, nem o que aquilo significava, apenas tremia agarrada à Derick, fascinada com aquilo tudo.
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