Natural Disaster
29 Capítulo 29 - Ponte entre o futuro e o passado.
Notas iniciais
Após receber a ligação, o semblante de Derick que já estava mais sereno, voltou a ficar rígido. O garoto estava preocupado, visto que devia ser algo muito serio, caso não fosse o pai teria lhe dito pelo telefone. Conversou com Catherine sobre a necessidade de ir para casa com urgência, a deixando preocupada:
– Tudo bem meu amor, corre lá pra ver o que aconteceu. Promete que assim que souber você me liga? Agora fiquei preocupada. – Eles ainda estavam abraçados e Cath estava mais carinhosa do que de costume.
– Não, Cath...Vai comigo, por favor. – Derick pediu manhoso. – Eu to com medo, e também não quero que volte sozinha pra casa a essa hora.
– Eu não quero parecer uma intrusa, Derick... Seu pai quer falar contigo e eu lá no meio? E não tem problema, eu sei andar pela rua sozinha, vai ficar tudo bem. – Ela disse compreensiva.
– Eu insisto... Eu preciso do seu apoio, e você nunca será uma intrusa, você é minha noiva, todos adoram você. – Ele sabia exatamente como amolecer o coração de Catherine e usou dessa habilidade. – E teremos uma família linda...Você é parte essencial da minha vida, vem comigo, vem? – O garoto disse sorrindo de canto.
– Ai meu deus, o que é que você me pede chorando que eu não faço sorrindo? – Ela desistiu de argumentar e o beijou suavemente nos lábios. – Vamos lá...
O casal então se despediu de todos que estavam naquele laboratório e explicaram toda a situação ao professor Andrew, que compreendeu perfeitamente. Foram então imediatamente pegar para a mansão Becker. Chegaram lá em alguns minutos e Ralf estava na grande sala de estar, andando de um lado para o outro nervosamente.
– Pai, o que está acontecendo? Por que me chamou aqui com urgência? – Indagou Derick.
– Não tem mais como adiar tudo isso, já tentamos de tudo, realmente a lei não permite que entremos com qualquer outro recuso. – O pai disse para Lilian, que estava sentada no sofá com as duas mãos na testa, desolada.
– Sim, mas eu não queria que ele tivesse que passar por isso. – A mulher respondeu.
– Lembre-se de que até foi pouco. Pela gravidade daquela situação e pela quantidade era pra ele estar já há muito tempo internado.
– Do que vocês dois estão falando? – Derick não entendia nada, e cada vez mais ficava preocupado.
– Você se lembra daquela festinha na casa do seu amigo, na qual você foi preso como traficante de drogas!? – Ralf disse extremamente estressado. – Você se lembra!? — O garoto nada disse, apenas concordou com a cabeça. – Nós tentamos de tudo, mas infelizmente recebemos a notícia de que você vai ter apenas duas opções.
– E não tem mais como adiar, meu filho, você vai ter que pagar pelo que fez. – Completou Lilian aflita com toda aquela situação.
– Eu já tinha me esquecido disso... – Derick olhou para Catherine envergonhado. – Que opções?
– Você terá que se submeter às medidas socioeducativas que foram determinadas para você e algumas vão mudar a sua vida completamente. – Disse Ralf num tom de fracasso. – Ou vai cumprir as mais brandas e ter que ir pra uma clínica de reabilitação. Você é quem sabe... É o máximo que conseguimos.
Derick parecia que ia perder os sentidos, se segurou em sua noiva enquanto seu rosto ficava cada vez mais pálido. Naquele momento passava um filme em sua cabeça, um filme cuja trilha sonora era a voz de Giovanni repetindo o quanto ele não era homem o suficiente para ter uma relação estável com Catherine, seus atos impensados deixaram conseqüências, e ele teria de arcar com elas.
O garoto não sabia o que queria dizer exatamente “medida socioeducativa”, mas sabia que teria de abdicar de parte da sua liberdade e conviver com outros jovens infratores, por outro lado a clínica de reabilitação significaria atrasar sua faculdade, ficar longe de Catherine, de sua família e da banda. Após o susto, Derick resolveu assumir uma postura mais madura, e pensar racionalmente sobre qual seria a melhor decisão a se tomar.
– O que significa a tal medida socioeducativa, pai? – Ele, apesar de nervoso, dessa vez falou dessa vez falou sem gaguejar. – O que eu teria que fazer exatamente?
– Prestação de alguns serviços à comunidade, ficará livre, mas terá de ser acompanhado por algum assistente social, vai ter que andar na linha e participar de programas educativos, consulta com psicólogos, psiquiatras e coisas desse tipo.
– Tudo bem... – O garoto pareceu se conformar.
– Mas semana que vem você começará. E vai ter que se envolver com menores infratores de verdade, vai ter que abrir mão de muita coisa pra cumprir as atividades que forem propostas.
– Derick, você precisa fazer tudo certinho dessa vez, pagar pelo que fez e sanar essa dívida que tem com a justiça. – Cath o abraçou, consolando-o.
– Mas e o nosso casamento? Eu queria poder ajeitar tudo pra que a gente fique junto o mais rápido possível. Eu queria me dedicar à banda também pra que assim eu tivesse dinheiro... e pudesse te oferecer tudo que você merece.
– Eu te espero, e eu vou te ajudar nessa, mas agora você precisa se focar no trabalho que vai desenvolver, tudo bem?
– Tudo bem Cath... – Ele disse conformado.
Depois daquele momento, Derick levou Catherine para casa, visto que a mãe da garota, apesar de saber que já haviam dormido juntos, preferia que assim fosse, que não tivessem tanta liberdade até o dia em que de fato se casassem. O medo da mulher era o de que a filha se apegasse demais ao garoto e que ele a iludisse com sonhos de uma felicidade que ainda não era concreta.
Conhecia o jeito prático e a garra que a garota tinha para resolver problemas, mais havia percebido que desde que conhecera Derick, ela havia se tornado muito sensível e complacente. O sentimento entre eles gerou uma mudança drástica nos dois. A Catherine de antes jamais cogitaria a ideia de se casar aos dezenove anos. No entanto, sua filha não hesitou ao aceitar o pedido, portanto a mãe sabia que deveria ter cautela. Quanto mais se sonha, de mais alto se pode despencar. Cath já havia despencado vezes demais, Helena não sabia se a filha suportaria despencar de novo, então não poderia correr esse risco.
Assim que o casal chegou ao simples apartamento, a mulher os recebeu atenciosamente e notou que os dois estavam exaustos. Preparou um jantar para que comessem e fez questão de que Derick ficasse mais um pouco para se conhecerem melhor. Ela havia simpatizado com o rapaz, porém sabia que isso não queria dizer nada. Ernesto, seu ex-marido, no início havia sido um homem encantador, do tipo que ninguém suspeitaria que fosse capaz de um dia cometer as atrocidades que cometera.
Após o jantar, os três permaneceram conversando sentados no sofá da pequena sala. Após alguns minutos, Catherine pegou no sono nos braços do garoto.
– Ela dormiu... – Disse Derick para sua sogra em tom baixo para não acordar a garota. – Eu acho que já é hora de eu ir, tá muito tarde. – Ele disse após observar no relógio que já eram quase 23 horas.
– Tudo bem, está realmente tarde. – Respondeu a mulher.
Derick então pegou Catherine no colo cuidadosamente para que ela não despertasse e a levou para o quarto dela. Chegando no cômodo, tirou os tênis da garota, a deitou na cama e a cobriu. A observou por um tempo e a beijou na testa antes de partir. Enquanto erguia seu corpo para levantar, sentiu as mãos suaves de Cath o segurarem pela perna.
– Dorme aqui comigo. – Ela pediu ainda sonolenta.
– Eu não posso... Eu queria, mas sua mãe nunca vai permitir uma coisa dessas. E a gente tem que fazer tudo certinho pra não dar problema.
– Poderíamos fugir. – A garota disse sorrindo.
– Poderíamos mesmo... – Derick respondeu brincalhão. – Quer dizer que a senhora certinha tá querendo me levar para o mau caminho? – Ironizou.
– Como se você precisasse de alguém pra te levar... Essa é sua especialidade, eu sou uma santa... – Os dois riram e se abraçaram, parecia difícil se despedir. Ficaram por algum tempo ali.
– Agora eu realmente preciso ir... – Ele disse triste. – Já está muito tarde e sua mãe vai estranhar eu ter demorado tanto só para te colocar pra dormir...
– Ok, eu te levo até a porta então. – A garota se levantou para acompanhá-lo, deixando o sono de lado.
Estava tudo bem e Catherine foi levando o garoto até a porta e tentando consolá-lo sobre o que iria acontecer com ele durante as medidas socioeducativas.
– Vai dar tudo certo, você tem que entender que não é mais criança, Derick... Não pode fazer besteira e simplesmente pular fora. – Ela o advertiu.
– Eu sei Cath, mas é impressionante como nossas vidas podem ser mudadas por um simples momento, algumas coisas mudam totalmente nosso rumo, nossos planos... – A garota sorriu ao notar que ele não havia percebido que alguns momentos por mais drásticos que sejam, podem trazer coisas boas.
Quando enfim chegaram em frente a porta, beijaram-se para se despedir. Catherine acariciou o rosto de Derick, o deixando bobo. Antes que pudesse abrir a porta, o telefone tocou e, como estava mais próxima do aparelho do que Helena, a garota o atendeu.
“- Boa noite. Aqui é do Hospital Psiquiátrico Jean Baptiste Pussin, por favor a Sra. Helena está? – Cath achou estranho demais, não conhecia ninguém com transtornos mentais.
– Ela está sim, só um minuto.”
– Mãe, é pra você. – Mesmo estranhando a ligação, e achando que era um engano, resolveu passar o aparelho para a mãe.
– E de onde é a essa hora? – A mulher perguntou também estranhando.
– De um hospital psiquiátrico. – Respondeu Catherine.
A expressão do rosto de Helena havia mudado, mesmo que tentasse disfarçar. Pela reação da mãe, a garota sabia que havia alguma coisa a qual a mãe estava tentando esconder. Sua vida inteira havia sido baseada em fatos misteriosos dos quais ela era vítima mesmo sem saber de quase nada.
Derick também pareceu estranhar a situação, mas como o assunto não lhe dizia respeito, despediu-se normalmente de Cath.
– Depois você me conta as fofocas! – Disse o garoto se despedindo e Catherine apenas deu um sorriso tímido observando do corredor o garoto descer as escadas do prédio.
Ao voltar para o apartamento, notou que sua mãe já não estava mais na sala, havia se trancado no quarto. A garota ficou tensa ao pensar se ainda teria de descobrir a respeito de sua mãe. A história de sua vida por si só já era pesada demais, será que ainda havia algo ainda pior e que ela ainda precisasse descobrir? Apesar do medo, não era momento para covardia, ela colou então um dos ouvidos na porta do quarto de sua mãe, não sairia de lá, daria um jeito de saber de tudo.
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