Natural Born Killer
41 Encurralada
Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo, beijoossssss ♥
12 DE JUNHO DE 2008
Ela abriu os olhos com dificuldade e observou o cômodo escuro e cheirando a mofo. Os móveis velhos e sujos formavam a decoração macabra e mórbida do lugar. Os espaços entre as madeiras mal colocadas na parede deixavam os finos raios de sol entrarem na sala. Um espetáculo um tanto quanto bonito, se Nora não reconhecesse a casa em que estava. Tentou mexer as mãos e pôde senti-las presas pelas algemas geladas. Os passos abafados no lado de fora fez seu pulmão expulsar o oxigênio com força e ela sentiu uma leve vertigem ao ouvir o barulho alto da porta abrindo.
- Brian? – ela perguntou confusa ao ver o moreno entrando na casa.
- Oi, linda, que bom que acordou. Trouxe algumas coisas para comermos. – ele respondeu sorrindo enquanto colocava algumas sacolas em cima da mesa da cozinha.
- O que significa isso? – Nora perguntou ao sentir novamente as algemas machucarem seus pulsos atrás das suas costas.
- Eu só queria que você não fugisse de mim de novo. – ele falou calmo enquanto puxava uma cadeira velha de madeira e se sentava na frente dela.
- Foi você, não foi? Você matou todo mundo. – ela disse enquanto seus olhos marejavam – Eu confiei em você! – ela gritou.
- Shhh. – ele cobriu os lábios dela com o dedo indicador– Não gaste sua voz tão linda, ninguém vai te ouvir aqui.
- Eu confiei em você... – ela repetiu enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto sujo.
- Você não entende, Nora. Nós estamos por toda parte, mas vocês são cegos demais para enxergar. Nós somos seus maridos, seus filhos, somos os vizinhos bondosos e sorridentes... Todos se lembrarão de nós quando os filhos matarem seus próprios pais. – ele falou com olhos sonhadores.
- Vocês... – ela sussurrou.
- Serial Killers, ou qualquer outra merda desse tipo. – ele completou com um sussurro.
Nora sentiu seus ossos tremerem e um calafrio percorrer seu corpo. Ela estava errada o tempo todo. Ele era o culpado, ele havia matado cruelmente todas aquelas pessoas, e ela havia acreditado na sua inocência. Olhou seus olhos castanhos e, pela primeira vez, entendeu o mistério que sempre os tomara. Um passado negro, uma vida destruída e um sorriso irônico no rosto, eram as únicas coisas que ela sabia sobre Brian. Lembrou-se de todas as palavras, de todas as juras, de todo os sentimentos. E rezou para que pelo menos isso fosse de verdade.
- Eu te amei. – ela falou enquanto sentia mais lágrimas correrem por seu rosto.
Brian pegou seu queixo e levantou seu rosto, fazendo Nora olhar em seus olhos.
- Eu te amo, Nora. É por isso que eu não quero te deixar ir. Não quero que você viva nesse mundo frio e cruel que não está preparado para pessoas como nós. Nós nascemos com um dom, Nora, nós somos superiores. Temos que nos preservar, somos poucos. – ele falou sério.
- Dom? Você matou pessoas. Você mentiu pra todo mundo, inclusive pra mim. Eu acreditei na sua inocência! Eu coloquei todo o meu trabalho em risco por causa de você! – ela gritava e chorava.
- Eu sou inocente, Nora! – Brian gritou levantando-se – Eu apenas tirei desse mundo as pessoas que não mereciam ficar aqui. Eu estou acima do bem e do mal, eu tenho o poder de Deus. Eu sou o anjo da morte. Eu fui escolhido pra isso, Nora. Eu tenho o dom de não me importar com ninguém, é por isso que eu fiz o que fiz. Eu não senti misericórdia por ninguém, e também não sinto nenhum remorso. As pessoas morrem todos os dias, eu só fiz o favor de mandar algumas pro inferno mais cedo. Poupei o trabalho de muita gente. – ele falou convencido.
- Você... Realmente... Matou aquelas pessoas? – ela perguntou com medo.
- Essa é a pergunta certa.
- Responde. – ela ordenou entre os dentes.
- Sabe, eu me sinto satisfeito agora. Sinto que meu trabalho foi cumprido. Mas, quer saber? Eu rezo pra que algum dia eu possa voltar a matar de novo. Eu acho que eu não vou sobreviver muito tempo sem cortar a garganta de algumas pessoas. Vou ser sincero com você, Nora. Eu só queria matar aqueles que infernizaram a minha vida... Mas depois, eu percebi que eu não conseguiria parar mesmo depois que eu matasse todos. Eu tive que continuar, eu matei os outros por mim. Puramente egoísta. Adorei a arte de matar repetidamente. Simples assim.
Nora piscou os olhos, não acreditando no que estava ouvindo. Brian era realmente um serial killer, alguém capaz de enganar e persuadir qualquer pessoa. Ele realmente tinha um dom; o dom de convencer todo mundo. O dom de fazer todos sentirem pena. Nora se sentiu levemente atraída por aquela mente tão obscura e instigante.
- E... Como é? – Nora perguntou, deixando sua curiosidade ultrapassar sua razão.
Brian riu.
- Nora, Nora... Você tem que experimentar. Eu não sei descrever, é uma espécie de fome, uma angústia. Você começa a ver pessoas te perseguindo, pessoas rindo de você, e você sente que você precisa acabar com aquilo. Você acha a sociedade hipócrita e idiota. Eles não fazem nada, simplesmente viram as costas e deixam essas pessoas continuarem aqui. Eu já estou morto, Nora. Eu não tenho medo de nada. Eu não tinha medo daqueles guardas que encostavam seus aparelhos de choque em mim. Na verdade, eu não sei o que é medo. Medo pra mim é igual alguma palavra em outro idioma que eu não sei a tradução. Eu não quero uma vítima, eu não quero ficar famoso. Existe mais sujeira nas pessoas do que nas calçadas, e eu só quero acabar com isso. Eu acho que eu fui justo, acho que minhas mãos e as minhas decisões foram justas. A sociedade impôs que isso é errado, mas isso não significa que realmente seja.– ele terminou erguendo uma sobrancelha.
- Você é louco. – Nora sussurrou depois de um tempo.
- Por você. – ele respondeu rindo.
- Você não me ama, Brian. Você não é capaz de sentir compaixão por ninguém, muito menos amor. – Nora falou séria.
Brian avançou até ela e deu um tapa ardido em seu rosto. Nora virou o pescoço enquanto sentia o rosto arder. Apertou os olhos enquanto mais lágrimas teimavam em cair. Todas as suas esperanças se esvaíram por seus dedos. Nora queria acreditar que Brian realmente a amava e não iria fazer mal a ela, mas depois de tantos dias com a cara enfiada nos livros sobre mentes criminosas, ela sabia que Brian esmagaria seu pescoço como um graveto e não se sentiria mal por isso.
- Não duvide do que eu sinto. As coisas que ficam aqui – ele apontou para a cabeça – são diferentes das coisas daqui. – ele apontou para o peito.
Brian apoiou os braços no encosto da cadeira, encurralando Nora. A respiração quente dele estava perto demais, o que fazia ela se arrepiar. Ele sorriu irônico enquanto passava os lábios pelo pescoço dela.
- Eu sei que você gosta disso. – ele sussurrou em seu ouvido – Eu sei que você fica excitada com todo esse perigo. – ele sorriu.
Nora apertou os olhos. Sabia que ele estava falando a verdade. Brian sempre foi como um veneno para Nora, algo que ela sabia que fazia mal, mas estava viciada demais a ponto de bolar um plano para tirar ele de uma prisão de segurança máxima, se fosse preciso. Ele sabia o efeito que causava nela, sabia que mesmo com todo o perigo que oferecia, ela estava entregue a ele. Brian não era louco ou insano, como todos pensavam. Ele sabia exatamente o que falar e o que fazer para conseguir o que queria. Ele sabia exatamente que o que havia feito era errado, era por isso que ele fingia tão bem ser alguém sociável e simpático. Ele sabia que a sociedade o condenaria se mostrasse o que realmente estava escondido nos seus pensamentos mais sórdidos e impuros. Ainda estava com o pescoço virado e os olhos fechados quando sentiu os dedos quentes de Brian passearem pelo seu pescoço e descerem até sua clavícula, apertando com um pouco de força. Nora suspirou e virou o rosto para frente, finalmente encarando os olhos quentes de Brian.
- Você é tão linda... – Brian sussurrou enquanto passava os dedos pela bochecha de Nora.
Brian gostava de deixar as mulheres submissas e amarradas para que ele pudesse fazer o que quisesse com elas. Mas com Nora era diferente; ele gostava de ver seus movimentos. Ele gostava de sentir seus dedos finos e tímidos passeando por seu corpo. Com Nora ele não era mais um serial killer sádico, seu lado masoquista despertava. Ele gostava de se sentir no lugar de suas vítimas, como se ela pudesse acabar com a sua vida a qualquer instante. Ele gostava desse perigo, era mais excitante do que vários crimes que ele havia cometido.
Nora sentiu espasmos percorrerem seu corpo quando ele abaixou a alça de sua regata e distribuiu beijos molhados por ali. As mãos grandes e fortes de Brian tocaram os ombros dela, e foram descendo por toda a extensão dos braços até chegarem às algemas. Brian a soltou rapidamente, deixando os pulsos de Nora livres. Ela pensou em sair correndo e pedindo ajuda, mas os olhos castanhos que insistiam em olha-la a fizeram mudar de ideia rapidamente. Ela sabia que era errado, sabia que era perigoso. Mas Brian já havia tido várias chances de mata-la e não o fez. Isso poderia significar alguma coisa. Nora podia usar o efeito que causava em Brian para conseguir descobrir mais sobre aquela mente insana e estupidamente sexy.
Notas finais
SE PREPAREM PROS PRÓXIMOS CAPÍTULOS, SÃO MEUS FAVORITOS ♥ AUHEU
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