Natural Born Killer
54 Bônus
Notas iniciais
Enfim, beijossss e até o ano que vem. FELIZ ANO NOVOOOOO ♥ ♥ ♥
O homem alto soltou lentamente a fumaça cinza por entre os lábios e franziu o cenho, como se estivesse pensando se realmente seria necessário iniciar um diálogo com o jovem que estava sentado ao seu lado. O silêncio pairava pela sala, mas nenhum dos dois estava nervoso; pelo contrário, a tensão e o medo já não existiam ali a muito tempo. A aliança formada entre os dois homens era uma espécie de tesouro bordado pela confiança.
O homem soltou novamente a fumaça do cigarro e sorriu, se deliciando com a ingenuidade dos seres humanos e rindo da própria sorte.
- Você vai atrás dela? — o mais velho finalmente rompeu o silêncio.
- Sim. — o homem de olhos verdes não demorou muito para responder.
- Bom... — o outro assentiu com a cabeça — Você sabe que ela ainda o ama, não sabe?
O mais novo franziu o cenho, demonstrando o desagrado.
- Sei. — respondeu rapidamente.
- E você vai mesmo assim? — ergueu uma sobrancelha.
- Já disse que vou! — o jovem irritou-se e levantou da poltrona macia.
- Você a ama? — o homem perguntou rispidamente.
Silêncio.
- Responda! — ele exibiu um tom nervoso.
- Eu tenho vontade de matá-la. — o mais jovem finalmente respondeu, franzindo o cenho; como se não acreditasse em sua própria resposta.
- Isso não me pareceu muito verdadeiro. — o mais velho notou a insegurança.
- Ela me traiu. — ele apertou levemente os olhos verdes — Eu ofereci tudo o que eu tinha e ela simplesmente virou as costas. Eu a amei um dia. Agora... Eu não sei.
O homem apagou o cigarro e observou o amigo andar nervosamente pela sala, enquanto parecia estar criando algum plano maléfico em sua mente.
- Não coloque tudo a perder. — ele levantou-se, ficando em pé na frente do jovem como se pudesse ler seus pensamentos e ir contra todos os planos que ali estavam sendo feitos — Eu não quero que você vá atrás dela e se jogue em seus braços. Você evoluiu tanto...
- Eu não vou colocar tudo a perder. Não agora. — o jovem interrompeu — Ela vai me pagar. — ele finalmente expressou o ódio que estava consumindo seu coração.
- Bom. Muito bom. — o mais velho sorriu — Nós conseguimos.
- Sim, nós conseguimos.
- O filho dela nasceu.
- Eu sei. — os olhos verdes arderam em fúria — O filho dela... Com ele.
- Você falhou nisso. Você não deveria ter...
- Você acha que eu não tentei? — ele interrompeu novamente — Acha que eu não tentei segurá-la? Acha que eu não tentei afastá-lo dela? Mas parecia que quanto mais eu tentava, mais eles ficavam fortes.
- Não, você que ficou fraco demais. — ele cuspiu as palavras.
O jovem engoliu seco.
- Espero que você não me decepcione dessa vez. — continuou — Eu tive que fazer tudo sozinho.
- Não, você não teve. Eu fui até a delegacia. Eu precisei enganar os médicos para que eles acreditassem que algum tipo de doença estava destruindo o meu cérebro. Você ficou assistindo sentado enquanto eu tive que correr contra o tempo. — a face do jovem tornou-se vermelha e ele fechou os punhos.
O silêncio subjulgou o cômodo escuro.
- Eu fiz tudo isso há muito tempo atrás. — a voz do homem rasgou o silêncio — Você não tem noção de como as coisas foram muito mais difíceis naquela época... — ele balançou a cabeça negativamente.
O silêncio voltou a reinar novamente.
Um sorriso vitorioso nasceu nos lábios finos do homem alto e não demorou muito para que o jovem exibisse o mesmo sorriso. Eles haviam conseguido e aquele encontro mostrava que muitas coisas ainda estavam por vir.
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