Natsu no Hana
4 Ato IV: Aqueça meu coração
Notas iniciais
A conversa entre Reo e Melody foi bem tranquila e divertida, ele ficou impressionado com a história de vida de Meldoy e seu objetivo em não depender dos pais, mesmo eles sendo muito ricos. Mas Reo acha particularmente interessante um ponto do relato da menina, que foi sobre sua mãe, uma alemã. Aparentemente ela se tornou uma pessoa mais fria com a morte de sua melhor amiga, uma japonesa.
– Então sua relação com sua mãe se tornou difícil?
– Sim, ela quer que eu me torne a dama ideal para me casar com o meu prometido. – Ela ri das próprias palavras. – E eu lá vou casar com um desconhecido?
– Interessante, prossiga. – Reo apoia a cabeça nas duas mãos enquanto prestava atenção em Melody.
– Acho que ela não fez objeção de eu vir para o Japão por isto, aparentemente o filho dessa amiga dela mora aqui. – Melody dizia entre uma garfada de outra de torta de morango.
– E você nunca pensou em perguntar para sua mãe o nome dela? Ou o sobrenome?
– Então, ela se chamava...
Um grito assustado chama a atenção de todos os clientes da loja, era a avó de Tsukihime que se desesperou em ver a neta chegar toda coberta de curativos e hematomas. Ela vestia-se com roupas masculinas e ao lado dela tinha um rapaz alto e loiro.
– Vovó...menos alarde, vai assustar os clientes... – Pede Tsukihime falando em voz baixa com a senhora de idade.
– Venham, vamos subir! – A senhora dá passagem para Tsukihime e Kise, Melody acompanha tudo preocupada e se levanta da mesa, indo em direção à amiga.
– Tsu! O que aconteceu?
– Você não é o ala do colégio Kaijou? – Reo chega logo em seguida, ficando ao lado de Melody.
– Você é de Rakuzan, certo? – Kise devolve a pergunta ao camisa seis.
– Vamos todos subir, por favor? Você precisa tratar melhor essas feridas. – A avó de Tsukihime insiste para que todos subam e assim todos o fazem.
Mesmo com protestos por parte de Kise, sua avó e Melody, Tsukihime fez questão de fazer um chá e servir à eles. Assim que todos foram servidos, Kise e Tsukihime relataram tudo o que aconteceu em Kaijou e em um determinado momento Reo teve que segurar Melody que queria avançar em cima de Kise. Com os ânimos de todos mais calmos, a avó de Tsukihime e a menina pedem licença para ela ir se banhar e trocar de roupa.
– Pelo menos ela ficará mais segura com vocês. – Comenta Reo.
– Aí que raiva! – Bufa Melody. – Eu vou pegar todas essas piranhas na saída da escola e vou quebrar a cara delas!
– Isso não é certo de uma dama fazer, sua mãe desaprovaria. – Implica Reo e a menina ignora.
– Não se preocupe Melody, o clube de basquete de Kaijou vai cuidar da Tsucchi a partir de agora. – Kise tinha determinação na voz. – Eu não quero deixa-la sozinha também...
– Hmm, você vai ter que enfrentar muita coisa, acha que consegue? – Reo pergunta diretamente para o ala de Kaijou. – Sua imagem vai ficar um pouco comprometida, você sabe como são essas coisas entre fãs...
– Eu faço esse sacrifício. – Responde o loiro e Melody encara a conversa dos dois sem entender nada.
Algum tempo depois, Tsukihime volta vestida em um macacão jeans curto, com uma camisa amarela básica por baixo e os cabelos estavam soltos com um arco da cor branca no topo da cabeça, ela estava linda e Kise não consegue desviar seu olhar, exceto quando os olhos dos dois se encontram e ambos viram o rosto de lado, envergonhados. A morena convida Reo e Kise para ficarem para o jantar que acabam por aceitar, Melody se prontifica a ajudar, mas foi expulsa da cozinha depois de deixar queimar o arroz. O avô se juntou ao grupo e foi uma noite agradável, antes dos convidados irem embora, cada um ganhou uma fatia de torta da loja.
– Eu te vejo amanhã. – Kise se despede de Tsukihime.
– Até amanhã, abelhinha e obrigado pela hospitalidade, Tsukihime-san.
– Até amanhã Reo! E é bom você cuidar da minha amiga, viu loirinho? – Melody mostra um sorriso para Reo e depois uma cara fechada para o loiro.
– Hai Hai... – Kise suspira. – Não tenha dúvidas quanto a isso.
Os próximos dias das duas garotas, Melody e Tsukihime foram tranquilos. A primeira dedicava-se em ajudar nos treinos de Rakuzan e vez ou outra entrava em atrito com Akashi, mas Reo sempre estava lá para dar uma amenizada em ambos. A segunda desde que começou a participar do clube de basquete de Kaijou, não foi importunada pelas outras meninas da sala, até pelo fato de Tsukihime nunca estar sozinha era difícil aprontar algum coisa para ela.
Kise a cada dia ficava incomodado em ver Tsukihime se tornando próxima dos membros do clube, mas tentava não deixar isso à vista, exceto para Kasamatsu que já entendeu todo aquele comportamento estranho do ala do time.
– Tsucchi! – Kise intercepta a saída da garota.
– Kise, posso ajudar em algo? – Ela sorri como sempre.
– Então...hoje eu tenho uma sessão de fotos e queria saber se você não gostaria de assistir. – Kise coça discretamente o queixo, um pouco envergonhado. Seus olhos também evitam fitar os dela.
– Eu adoraria Kise, mas hoje eu vou dobrar lá na confeitaria, parece que um dos nossos shitsuji está doente...
– Ah! – Kise então pega as mãos de Tsukihime, deixando-a envergonhada. – Eu ajudou você, em troca você irá à minha sessão?
– Bem, eu acho que dá na mesma, mas... – Tsukihime percebe que antes mesmo de terminar sua frase, Kise estava com os olhos como as de um cãozinho pidão. – Ah bem, eu concordo, Kise...mas não me olhe assim...
– Sabia que você aceitaria! – Kise abraça a jovem que fica estática, o coração dela começa a disparar e ela sente as maçãs do rosto arderem.
Melody e Akashi eram os responsáveis por arrumar a classe, depois das aulas. Como a moça não estava acostumada com as normas de uma escola japonesa, sobrou para o capitão de Rakuzan explicar-lhe tudo, ele percebeu que apesar dela ter ótimas qualidades físicas, ela era um pouco desastrada.
– Já disse que a disposição das carteiras está errada! – Akashi a repreende e Melody resmunga. — Se não terminarmos isso logo, chegaremos atrasados no clube e isso é imperdoável para o capitão.
– Aí Akashi, você é sistemático demais...relaxa! – Melody dá um tapa no ombro do ruivo que a repreende novamente. – Vamos relaxar a aproveitar o pôr-do-sol, olha que bonito!
Realmente, a visão que eles tinha da sala de aula era incrível, aquele pôr-do-sol cálido e acolhedor trás memórias ao ruivo que fica compenetrado naquela paisagem, roubando um gentil sorriso de Melody que sussurra ao pé do ouvido dele.
– Seus olhos e seus cabelos ficam ainda mais vívidos com essa luz sobre você.
A voz calma – por incrível que pareça – de Melody dá um pequeno arrepio em Akashi que acorda de seu devaneio e volta seu olhar para a moça, menos carregado.
– Obrigado, Melody. – Aquilo deixa a menina um pouco surpresa. – O pôr-do-sol era o fenômeno que mais minha mãe admirava...ela se chamava Yoko, que significa criança ensolarada...
– Que nome bonito... uma amiga da minha mãe também se chamava Yoko. – Ela sorri. – Minha mãe mudou muito desde que a Yoko morreu, elas estudaram juntas quando a Yoko foi transferida para a Alemanha...
As palavras de Melody fazem Akashi se assustar, aquilo era coincidência demais, sua mãe foi estudar na Alemanha quando jovem, devido ao trabalho do pai dela...Será que eram a mesma pessoa? Não, não pode ser...Na memória de Akashi sua mãe tinha uma grande amiga que morava na Alemanha, elas nunca deixaram de se falar.
– Chega de conversa, vamos terminar isto aqui e ir para o clube. – Akashi fica incomodado com aquelas revelações a pouco ditas por Melody, de maneira inocente, talvez fosse apenas um acaso, não podiam ser Yoko a mesma pessoa...
No final da aula, como combinado, Tsukihime estava esperando Kise e enquanto o loiro se arrumava no vestiário, a morena passava alguns cuidados médicos para Moriyama que não conseguia tirar os olhos dela, até que Kise se aproxima sorrateiramente e dá um soco no ombro do senpai.
– Vamos, Tsucchi? – Kise estende a mão para Tsukihime que relutante aceita.
– Isso é um encontro, é? – Provoca Moriyama rindo.
– Digamos que sim, certo? – Kise olha para Tsukihime e pisca para ela que ri.
– Por favor, qualquer coisa me ligue senpai. – Foram as últimas palavras da morena antes de sair com Kise do ginásio.
– Sortudo filho da mãe... – Resmunga Moriyama, mas depois ele ri e fica observando Tsukihime ser arrastada por Kise, que conversava animadamente com ela e a menina ficava cada vez mais envergonhada.
Kise era muito popular, assim que chegaram na agência, eles foram cercados por fãs e funcionários do local, mas parece que nem notaram a presença de Tsukihime, mesmo ela estando do lado dele. Achou prudente não ficar andando com ele de mãos dadas afinal, “a gente não é nada disso..” pensava a morena enquanto via o loiro dar autógrafos e posar para fotos com os fãs que para a surpresa de Tsukihime, alguns eram homens.
– Tsucchi, eu conversei com o pessoal da produção e você pode assistir à sessão de fotos. Eu disse que você era minha enfermeira particular. – Ele ri da cara de espanto da menina com aquelas palavras.
– Você gosta de fazer brincadeiras, Kise... – Tsukihime suspira. – Nunca sei quando você está falando sério...
Antes de Kise responde-la, a maquiadora o chamou para ele se trocar e por fim fazer a maquiagem e o cabelo. Tsukihime observava tudo atentamente e Kise estava ainda mais bonito do que o normal, quando ela pensava aquilo, sentiu o coração disparar e o rosto arder em vergonha, precisava reprimir aquele sentimento que estava brotando mais rápido que flores de vinca no verão... “Somos de mundo diferentes...” ela pensava e não percebe que fazia uma expressão de profunda tristeza e que alguém se aproximou dela, tocando-lhe levemente o rosto.
– Não gostou da sessão? – A voz de Kise e o toque da mão dele em seu rosto fazem a morena despertar de seus pensamentos, por quanto tempo ela ficou divagando naqueles sentimentos?
– R-Ryouta... – Ela deixa escapar e rapidamente se levanta de onde estava sentada. – Desculpe-me...
– Você me chamou pelo meu primeiro nome, eu gostei. – Ele sorri para ela. – Bom, só vou me trocar e podemos ir para a confeitaria, ok?
Ela só faz um sinal de positivo com a cabeça, ainda estava envergonhada pelo que tinha feito, já Kise tinha vontade de dar um grito tamanha sua alegria ao ouvir aquela doce voz chamar pelo nome dele. Não dava para negar mais aquele sentimento quente como o verão daquele ano, nunca havia visto mulher como aquela.
Em Rakuzan os treinos tinham acabado e Akashi passava algumas orientações, por sorte de Melody eles não haviam se atrasado para o treino e a menina conseguiu progredir um pouco jogando ao lado de Reo que lhe deu suporte para suas jogadas, mas mesmo assim ela ainda não tinha o nível dos membros daquele poderoso clube ou de seu capitão. Por vezes Reo teve que chamar a atenção de Melody que às vezes se perdia admirando Akashi. “Ele é majestoso como uma zinia ao sol...” pensava a menina.
O verão daquele ano estava especialmente quente e Reo comenta com Melody que seria uma boa ideia chamar Akashi para tomar algo refrescante na confeitaria Nagakura. Quando questionado por Melody por ele ter dito algo dão aleatório ele desconversa e argumenta que tinha planos com uma menina e que Akashi aparentemente gostava de tomar chás aromáticos.
– Akashi... – Melody chega de repente. – Vamos tomar um chá na confeitaria Nagakura?
– Por qual motivo me faz um convite tão aleatório? – Questiona o ruivo.
– Bom, é uma forma de agradecer por ter me ensinado sobre as regras das escolas japonesas. – Ela sorri um pouco sem graça. – Mas se não quiser ir, tudo bem...
– Tudo bem. – Suspira Akashi. – Meu motorista me busca sempre pontualmente então...
– Não! Vamos de outro meio de transporte, será mais divertido! – Ela pega Akashi pelo braço e saí arrastando ele que protesta pelo jeito estranho de agir da menina.
– O que você planeja garota misteriosa?
– Vamos de patins, Akashi!
– Eh!?
Reo assistia tudo de longe e dava boas risadas, Akashi caiu perfeitamente na área de energia daquela mulher, totalmente impactante e sedutora, era tanta energia que emanava daquele corpo pequeno que contagiava até mesmo o mais duro dos gênios. Até onde chegariam aquelas duas pessoas tão opostas?
Fale com o autor