Nation: A garota da capa vermelha
30 Renesmee- Planos
O retorno a Hummam foi tranquilo, apesar de eu sentir o tempo todo o olhar vigilante de Jacob, preocupado com minha segurança. Agora, em meu quarto, eu estava diante de Esme, aquela que todos acreditavam ser minha mãe. O silêncio entre nós era pesado, como se cada palavra não dita estivesse pesando no ar. Eu sabia que estar em Quilay por tantos dias sem um compromisso oficial era uma desonra. Meu pai, Carlisle, estava trancado na sala do trono com Jacob, Edward e os outros membros da corte desde que chegamos. A tensão estava por toda parte.
— Nada aconteceu, Esme — eu disse, tentando soa firme. — Jacob não me tocou em momento algum.
Esme, com a expressão séria, olhou para mim, e vi a confiança em seus olhos. Mas mesmo assim, o peso da situação não diminuía.
— Eu confio em você, Renesmee — respondeu Esme, sua voz suave. — Mas isso não diminui a gravidade do que aconteceu. O simples fato de você ter estado lá, sem um compromisso, já é o suficiente para causar rumores.
Antes que eu pudesse responder, ouvi batidas na porta. Esme deu sua permissão, e a porta se abriu, revelando Edward. Ele tinha o semblante fechado, e algo me dizia que nossa conversa não seria fácil.
— Preciso falar com minha irmã, a sós — disse Edward, dirigindo-se a Esme.
Ela assentiu, lançando-me um olhar preocupado.
— Tenha cautela, Edward — ela pediu suavemente antes de sair, deixando-nos sozinhos.
Assim que a porta se fechou, Edward deu um passo à frente, seu olhar furioso cravado em mim.
— Você tem sorte que o rei de Quilay não a entregou a Carlisle — disse ele, sua voz carregada de frustração e raiva. — Você descumpriu minha proibição sobre aquele grupo de caçadores.
Eu me endireitei, sentindo minha própria raiva crescer.
— Você é apenas meu irmão, Edward — retruquei, sem desviar o olhar. — Não pode me dar ordens.
— Você sabe muito bem que posso — sua voz era cortante, mas não desviei o olhar. Ele estava tentando me intimidar, mas eu não cederia.
— Não está em condições de fazer exigências — respondi com firmeza.
Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, Charlotte entrou na sala, parecendo um pouco nervosa.
— O rei deseja ver sua filha caçula — anunciou, com uma reverência leve.
Edward lançou-me um olhar frio antes de responder
— Eu a levarei até ele.
Charlotte assentiu, e eu me levantei, caminhando ao lado de Edward em silêncio. A tensão entre nós era palpável, mas eu não deixaria que ele me visse vacilar.
Ao chegar à sala do trono, o coração disparou no peito. Carlisle já estava me aguardando. Eu caminhei até ele, e sem hesitar, me ajoelhei em reverência.
— Perdoe-me, pai, por causar preocupações — murmurei, com a cabeça baixa.
Carlisle olhou para mim por um momento, então assentiu e estendeu a mão para me ajudar a levantar-se. Seu sorriso era largo, quase paternal, algo que eu não esperava.
— Está perdoada, Renesmee — disse ele, sua voz gentil, mas firme. — Você está sendo o meu maior motivo de orgulho. Minha querida filha caçula uniu Hummam a Quilay.
Minhas mãos tremiam levemente enquanto ele falava, mas me forcei a manter a compostura.
— Entreguei você como esposa ao rei de Quilay, e isso é motivo de grande comemoração — continuou ele, lançando um olhar significativo para Esme. — Minha querida Rainha, prepare nossa filha para que sua entrega ao jovem Rei seja gloriosa. Quero Renesmee vestida como uma princesa jamais foi vista.
Esme assentiu, seu rosto sereno, mas seus olhos mostravam a intensidade do momento.
— Assim será, meu Rei — respondeu ela, estendendo a mão para mim.
Segurei a mão de Esme, sentindo o calor e o conforto que ela sempre me oferecia, mas também o peso do que estava acontecendo. Enquanto caminhávamos de volta ao meu quarto, o nervosismo crescia dentro de mim, se tornando quase insuportável. Eu sabia que o que estava feito, não poderia ser desfeito. Agora, eu pertencia a Jacob. Não havia mais como voltar atrás.
Ao entrarmos no quarto, minha mente estava uma confusão de sentimentos. Eu sabia que aquele era o meu destino agora, mas a verdade era que eu ainda não sabia o que isso significava para mim. As palavras de meu pai, de Edward, a segurança que Jacob havia prometido... tudo isso girava em minha mente enquanto Esme me preparava para o que estava por vir. O futuro era incerto, e eu não tinha escolha a não ser enfrentá-lo.
Esme disse que Jacob estava cumprindo as tradições. Ele havia prometido encontrar-me apenas na noite anterior à nossa noite de núpcias. Meu corpo estremeceu só de pensar nisso. Eu sabia o que aconteceria entre nós, mas uma onda de incerteza me dominava. Será que eu estava pronta para me entregar a Jacob como mulher? E se ele não gostasse de mim? Sacudi a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Não havia sentido em sofrer por antecipação.
Minha mente, então, foi invadida por outra preocupação: Bella. Minha verdadeira mãe. Desde que cheguei a Hummam, não tive notícias dela. Havia uma pessoa que poderia me levar até ela, alguém em quem eu confiava plenamente: Emmett. Ansiosa, decidi procurá-lo. Sabia onde encontrá-lo.
Saí do meu quarto e segui pelo jardim do castelo. O jardim era um verdadeiro refúgio de paz e beleza. As plantas exóticas de Hummam cresciam em harmonia com as flores nativas, criando uma mistura de cores vibrantes e aromas agradáveis. Pequenos caminhos de pedra serpenteavam entre canteiros de flores e arbustos esculpidos. As árvores altas lançavam sombras delicadas sobre os bancos de mármore, onde era possível descansar e apreciar o som suave das fontes de água cristalina. Era um lugar onde eu costumava vir para encontrar um pouco de tranquilidade, mas hoje meu destino era outro.
Caminhei rapidamente em direção à sala de armas, que ficava na ala oeste do castelo. O edifício de pedra escura tinha grandes portas de madeira reforçadas com metal, que pareciam guardar segredos de antigas batalhas. O interior era iluminado por tochas que lançavam sombras dançantes nas paredes, onde estavam penduradas diversas armas: espadas, lanças, escudos, e machados. O chão de pedra fria estava marcado pelos intensos treinos dos guerreiros de Hummam, e o ar cheirava a suor e metal.
Quando me aproximei da entrada, ouvi o som do metal chocando-se. Espiei para dentro e sorri ao ver Emmett e Seth em um pequeno duelo. Suas espadas colidiam com força, mas seus sorrisos mostravam que estavam se divertindo. Emmett era forte e preciso, mas Seth era ágil, quase dançando ao redor dele.
— Posso me juntar a vocês? — perguntei, chamando sua atenção.
Emmett, sempre brincalhão, interrompeu o duelo e fez uma reverência exagerada.
— Majestade, rainha de Quilay — disse ele com um sorriso travesso. — Será uma honra.
Seth riu e abaixou a espada.
— Claro, Nessie. Podemos usar um pouco do seu estilo na luta — disse ele, com um brilho de desafio nos olhos.
Aproximei-me, pegando uma espada de treino que estava no suporte próximo. O peso era familiar, reconfortante. Se havia algo que me fazia esquecer dos problemas, era lutar. Pelo menos por alguns momentos, eu poderia deixar de lado minhas preocupações com Jacob, Bella, e o futuro incerto.
— Vamos ver se vocês conseguem acompanhar — respondi, erguendo a espada e preparando-me para o próximo movimento.
E, assim, eu me joguei no treino, tentando esquecer tudo o que me aguardava fora daquela sala.
Depois de uma breve batalha de espadas, onde o som do metal ecoava pelas paredes da sala de armas, Seth sorriu, abaixando a espada e limpando o suor da testa.
— Preciso ir. Meu irmão quer que eu o acompanhe nas negociações do casamento — disse ele, guardando a espada e dando um leve aceno para mim e Emmett antes de sair.
Fiquei observando a porta se fechar atrás dele, e então me virei para Emmett, que começava a guardar as armas.
— Emmett, onde está Bella? — perguntei, tentando manter minha voz firme, apesar da ansiedade que se agitava dentro de mim.
Ele pausou por um momento, guardando a última espada antes de me responder.
— Ela está bem. Está na casa de Jessica.
O alívio foi imediato, mas não total. Eu precisava vê-la, precisava falar com ela.
— Preciso vê-la, Emmett. Traga-a ao castelo amanhã à noite. Deixe-a no jardim — pedi, meu tom mais determinado agora. — Eu estarei com Jacob. Assim, ela estará segura.
Emmett franziu a testa, ponderando sobre o pedido.
— Nessie, você acha isso seguro? Irina convenceu Carlisle de que Bella era culpada pelo seu sumiço. Se ela descobrir...
— Eu cuidarei de Irina depois — respondi, interrompendo-o. — Bella precisa saber que estou bem. E eu preciso dela.
Ele suspirou, balançando a cabeça.
— Tudo bem, farei isso — concordou, com um suspiro resignado.
— Obrigada, Emmett — agradeci, sentindo o peso da tensão aliviar-se um pouco.
Ele, então, mudou de assunto, com aquele jeito descontraído de sempre.
— Então, como é Quilay? — perguntou, curioso.
Sorri, recordando-me das paisagens e da magia que permeava cada canto daquele reino.
— Quilay é... mágica. Um lugar onde a natureza e o poder parecem estar em perfeita harmonia.
— Mágica, hein? — Emmett riu. — Preciso de mais detalhes do que isso.
Nós saímos juntos da sala de armas, e eu comecei a contar a ele sobre os povoados, as pessoas, e a sensação de caminhar por aquelas terras misteriosas e cheias de história. Falamos sobre a vegetação exuberante, os rios de águas cristalinas, e as montanhas que pareciam tocar o céu. Emmett ouvia com atenção, ocasionalmente soltando algum comentário brincalhão, mas eu sabia que ele estava realmente interessado.
Depois de alguns minutos de conversa, nos despedimos e segui sozinha pelos corredores do castelo. A movimentação era intensa; Esme havia iniciado os preparativos para a cerimônia de entrega. Empregados iam de um lado para o outro carregando flores, bandejas com alimentos, e tecidos finos. As cores vibrantes e os aromas encheram o ar, mas, em vez de me acalmarem, apenas aumentaram a inquietação que eu sentia.
Suspirei profundamente, perdida em meus pensamentos, mas fui interrompida ao me deparar com Irina no caminho para o meu quarto. Ela me olhou com aquele ar superior que sempre me irritou, e eu já sabia que algo venenoso viria.
— Ora, se não é a princesa que envergonhou todo o reino — provocou, cruzando os braços e me observando com desdém.
Eu não estava com paciência para suas provocações, mas me forcei a sorrir. Dois podiam jogar esse jogo.
— Irina, querida, acho que você deveria se preocupar mais com a sua intimidade com Edward do que com a minha — respondi, mantendo o sorriso enquanto ela estreitava os olhos. — Ouvi dizer que o príncipe não se deita com você. Que coisa triste.
Irina empalideceu, a raiva crescendo em seus olhos.
— Você pode ser rainha, mas isso não muda o fato de que é uma bastarda — disse ela, a voz cortante.
Minha resposta foi rápida, uma mistura de provocação e frustração que eu mal consegui conter.
— E é uma pena que a bastarda agora seja a esposa do rei de Quilay, enquanto você... — pausei, vendo o veneno nas palavras afetá-la. — ...nunca chegará a ser rainha, já que é infértil. Isso dá a Edward o direito de escolher uma nova esposa, não é?
Ela recuou um passo, claramente afetada.
— Ele não fará isso! — rebateu, mas havia dúvida em sua voz.
— Infelizmente, não — concordei com um toque de falsa compaixão.
Irina estreitou os olhos, recuperando o controle.
— Assim que você partir, a primeira coisa que farei será me livrar da sua querida Bella.
Eu ri, um riso forçado que escondia minha raiva crescente.
— É o que você pensa — repliquei, sentindo o calor da raiva subir pelo meu corpo. — Agora, se me dá licença, tenho outras coisas a fazer.
Passei por ela, controlando-me para não dar a ela a satisfação de ver o quanto suas palavras me afetaram. Mas a verdade era que, por dentro, eu queria arrancar os cabelos dela. Ao chegar ao meu quarto, respirei fundo, tentando acalmar o turbilhão de emoções dentro de mim. Sabia que Irina era perigosa, mas agora que estava ligada a Jacob e ao poder de Quilay, estava disposta a enfrentá-la até o fim.
Nada nem ninguém ficaria entre mim e aqueles que eu amava.
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