Na manhã seguinte, finalmente pude ver Jacob. Ele estava deitado na cama, cercado por aparelhos que monitoravam cada batida do seu coração. Embora parecesse melhor do que eu esperava, os fios e tubos ligados ao seu corpo eram um lembrete constante de que ele ainda não estava totalmente recuperado. Ver Jacob assim me causou um aperto no peito, um sentimento de culpa e preocupação que eu não conseguia afastar. Jacob disse que me enviaria de volta à Hummam me surpreendendo mas por alguma razão aquilo não havia me deixado feliz. Ver Jacob naquele estado, sabendo que ele havia se ferido por minha causa, era difícil de suportar.

Passei o resto do dia em meu quarto, as palavras do rei ecoando na minha mente. O que aconteceria quando eu voltasse para casa? Bella era a mais vulnerável de todos, e com Irina como inimiga, a situação só se complicava ainda mais. Sentia um peso enorme sobre meus ombros, a responsabilidade de proteger aqueles que amava e a incerteza sobre como fazer isso.

Quando a noite caiu, saí para a varanda do meu quarto, tentando encontrar alguma clareza. O céu estrelado de Quilay estava incrivelmente brilhante, tão lindo que parecia quase surreal. As estrelas brilhavam tanto que pareciam ao alcance das minhas mãos.

— As estrelas parecem mais próximas aqui, não é? — A voz suave da rainha Sarah me fez virar a cabeça. Ela havia se aproximado silenciosamente e agora estava ao meu lado, olhando para o céu.

Sorri timidamente. — É lindo, realmente.

Sarah me observou por um momento antes de perguntar, — Está feliz agora que voltará para casa?

Olhei para ela, incerta. — Eu... não sei. Uma parte de mim quer ir, mas outra...

— A outra parte quer que você fique — completou Sarah, com um sorriso compreensivo.

Assenti, sentindo um nó na garganta. — Não quero colocar quem amo em perigo.

A rainha se aproximou, sua presença reconfortante. — Talvez devesse ficar mais alguns dias. Deixe que Jacob encontre uma forma de você retornar em segurança, sem riscos.

Fiquei em silêncio, considerando suas palavras. Sarah tinha razão; eu precisava ser inteligente, não só corajosa.

— Preciso pensar — respondi, sentindo-me dividida.

Ela sorriu e inclinou-se para beijar minha testa, seu gesto gentil aquecendo meu coração. — Pense bem, minha querida. Estarei esperando você para o desjejum pela manhã.

Enquanto ela saía do quarto, me vi novamente sozinha com meus pensamentos, dividida entre o dever de uma princesa e os sentimentos crescentes que tinha pelo rei. Mas uma coisa era certa: por mais que eu quisesse voltar, não podia ignorar a verdade de que, ao fazê-lo, colocaria todos que amava em perigo.

Eu precisava tomar a decisão certa, não só por mim, mas por todos aqueles que dependiam de mim.

Aceitei o convite de Sarah para o desjejum da manhã. Depois de me vestir, saí do meu quarto e caminhei pelos corredores do castelo até a sala de jantar. As paredes altas e os adornos luxuosos ainda me impressionavam, mas havia algo de acolhedor naquele lugar que começava a se sentir familiar. Ao entrar na sala de jantar, vi que a rainha já havia iniciado seu café da manhã junto com Seth e Leah.

— Bom dia — cumprimentei, tentando não demonstrar o nervosismo que sentia.

— Bom dia, minha criança. Como é bom tê-la conosco — disse Sarah, sorrindo de maneira calorosa.

Seth, sempre cavalheiro, se levantou e puxou uma cadeira para que eu me sentasse. Agradeci com um aceno de cabeça e me juntei a eles na mesa. Havia uma variedade impressionante de alimentos à disposição, mas a minha mente estava em outro lugar.

— Como está o rei? — perguntei a Leah, tentando não parecer muito ansiosa.

Ela me deu um sorriso tranquilizador. — Já está recuperado. Não se preocupe, Renesmee, meu irmão é forte.

O alívio que senti foi imediato e profundo. Jacob estava bem, e isso era tudo o que importava no momento. Comecei a relaxar um pouco, permitindo-me desfrutar do café da manhã em companhia da rainha e dos outros. A conversa fluía naturalmente, com Sarah compartilhando histórias de quando Seth e Jacob eram crianças, enquanto Leah ocasionalmente soltava uma risada contida.

Então, a porta da sala de jantar se abriu, e Jacob entrou. Meu coração deu um salto involuntário. Ele parecia bem, talvez um pouco cansado, mas ainda assim forte e imponente. Ao me ver, não escondeu a surpresa, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, pedi:

— Podemos conversar depois?

Ele assentiu, parecendo entender que não era o momento. Jacob se dirigiu à cabeceira da mesa e, com um aceno educado, se sentou. Eu estava à sua direita, e sua mãe, à esquerda. Enquanto todos voltavam a se concentrar no café da manhã, senti a presença de Jacob ao meu lado como uma constante, uma força que me acalmava e ao mesmo tempo me deixava inquieta.

Por um momento, deixei meus pensamentos vaguearem. Apesar de todo o caos que havia se instalado na minha vida recentemente, havia algo naquele ambiente que me fazia sentir... segura. Estar ali, com eles, compartilhando uma refeição simples, tinha um ar de normalidade que me confortava de um jeito inesperado.

Mas eu sabia que aquela paz era apenas temporária. Ainda havia decisões a serem tomadas, escolhas que poderiam mudar o curso de tudo. O olhar de Jacob pousou em mim por um breve momento, e eu me perguntei se ele estava pensando a mesma coisa.

O café da manhã continuou, com conversas leves e risos ocasionais. Mas em algum lugar dentro de mim, eu sabia que, quando aquela refeição terminasse, a realidade voltaria a se impor. Eu teria que enfrentar os desafios que me aguardavam, tanto em Quilay quanto em Hummam. E, mais do que nunca, eu precisava decidir de que lado do meu coração eu estava.

Eu havia tomado a decisão de ficar em Quilay e agora precisava descobrir o que seguir. Minha mente e minhas responsabilidades ou o meu coração.