Nation: A garota da capa vermelha

20 Renesmee- A proposta do Rei


Acordei no dia seguinte sentindo como se um peso enorme estivesse sobre o meu peito. Meus pensamentos eram um turbilhão de emoções conflitantes, misturando tristeza, raiva, confusão... e uma sensação de vazio que parecia impossível de preencher. Algo estava diferente naquela manhã. Bella não havia me acordado como de costume. Estranhei, mas não tive muito tempo para refletir.

A porta do meu quarto se abriu, e uma voz desconhecida e suave ressoou pelo ambiente.

— Bom dia, princesa.

Levantei a cabeça e vi uma jovem de cabelos loiros, com um sorriso que eu não consegui devolver.

— Me chamo Charlotte e fui designada pelo Rei como sua nova acompanhante.

Meu coração acelerou instantaneamente. Um sentimento de pânico começou a tomar conta de mim.

— Onde está Bella? — perguntei, tentando manter a calma, mas a urgência em minha voz era inegável.

Charlotte me olhou com uma expressão de desconforto.

— Não sei, princesa — ela respondeu, quase em um sussurro.

Sem pensar duas vezes, saí correndo do quarto, ignorando completamente a presença dela. Meu coração estava disparado, e meus pensamentos giravam em torno de uma única pergunta: Onde está Bella?

Corri pelos corredores do castelo, meu desespero aumentando a cada passo. Sabia exatamente onde encontrá-los. Quando cheguei ao salão, onde o Rei costumava tomar o café da manhã com a Rainha e meus... meus pais, respirei fundo antes de entrar.

Assim que me viram, todos levantaram os olhos para mim. O Rei, com seu tom habitual, me cumprimentou:

— Bom dia, Renesmee.

Ignorei completamente sua tentativa de ser cordial.

— Onde está Bella? — perguntei, minha voz quebrando.

Edward, que estava sentado ao lado do Rei, olhou para mim com uma expressão que misturava tristeza e resignação.

— Renesmee, sente-se — ele pediu.

Mas eu não queria sentar. Eu precisava de respostas.

— Onde está Bella? — repeti, mais firme desta vez, olhando diretamente para Carlisle.

O Rei colocou sua xícara de café na mesa e me encarou com frieza.

— Sua babá não cumpriu com uma promessa que fez a mim, e por isso não poderá mais ficar no castelo.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas instantaneamente. Olhei para Edward, buscando alguma resposta, algum apoio.

— E você não vai fazer nada? — perguntei, minha voz embargada.

Ele baixou os olhos, incapaz de me encarar.

— Lamento, Renesmee.

Um tremor de fúria percorreu meu corpo. Como eles podiam simplesmente afastar Bella? Ela era minha mãe! Eu não ia deixar isso acontecer.

— É bom que minha mãe apareça em uma hora, ou... — comecei a dizer, mas minha voz foi interrompida pelo som estridente do Rei batendo na mesa.

— Ou o quê? — ele perguntou, seu tom ameaçador.

Eu o encarei, o medo substituído por uma raiva incontrolável. O que eu tinha a perder? Já tinham me tirado tudo.

— Ou todos os reinos saberão que o Príncipe de Humman teve uma filha de maneira natural com uma plebeia — desafiei, a voz firme, mesmo que meu coração estivesse disparado.

O Rei franziu o cenho, claramente aborrecido.

— Você não seria capaz — ele disse, quase rosnando.

Me aproximei dele, meus olhos fixos nos dele, e me inclinei sobre a mesa, deixando claro que eu não estava blefando.

— Quer pagar para ver, vovô? — provoquei, sentindo a tensão no ar crescer.

O silêncio caiu sobre a sala como uma cortina pesada, e por um momento, ninguém se moveu. Eu sabia que estava arriscando tudo, mas não me importava. Bella era minha mãe, e eu faria qualquer coisa para tê-la de volta.

Carlisle ficou em silêncio por alguns segundos, mas então sua expressão endureceu. Ele se virou para os guardas na entrada do salão e fez um sinal com a mão.

— Levem-na — ordenou, a voz fria como gelo.

O pânico me dominou novamente, mas antes que os guardas pudessem dar um passo em minha direção, Esme se levantou rapidamente, sua expressão suavizando-se enquanto ela se dirigia ao Rei.

— Carlisle, por favor, pense antes de agir. Não faça algo de que vai se arrepender — pediu, sua voz cheia de preocupação.

Edward, ainda sentado, parecia dividido entre obedecer a seu pai e proteger a mim. Ele finalmente encontrou sua voz, que soou desesperada.

— Pai, não faça isso. Ela é apenas uma menina.

Eu sabia que não podia recuar agora. Se o fizesse, estaria entregando Bella nas mãos deles sem qualquer resistência.

— Outras pessoas já sabem do seu segredo, vovô — disse, tentando soar confiante, mesmo que por dentro eu estivesse tremendo. — Se você me prender, todos saberão.

Carlisle hesitou, sua raiva ainda evidente, mas suas mãos pararam de tremer. Ele sabia que eu estava falando a verdade. Depois de alguns segundos de silêncio tenso, ele recuou, sua voz soando pesada.

— Você deveria se envergonhar, Renesmee. Se todos souberem... — começou, mas eu o interrompi, minha voz firme.

— Eu continuo sendo a princesa de Hummam, e não me envergonho de nada.

Pude ver Alice e Emmett trocando olhares ao fundo, a tensão entre eles era palpável. Eles também estavam preocupados com o que poderia acontecer.

Carlisle balançou a cabeça lentamente, como se estivesse desapontado.

— É assim que você agradece todo o amor que eu sempre lhe dei? — ele perguntou, sua voz carregada de tristeza e mágoa.

Senti as lágrimas queimarem meus olhos, mas eu não podia desmoronar agora. Eu o amava, e essa era a verdade mais dolorosa de todas. Mas não podia deixar que ele machucasse Bella.

— Eu te amo, vovô, de verdade... mas eu não posso deixar que você faça mal à minha mãe.

Carlisle respirou fundo e fez um sinal para os guardas novamente.

— Levem a princesa até sua babá — ordenou, sua voz agora resignada.

Os guardas se aproximaram, e eu os segui, meu coração martelando no peito. Eles me levaram até um dos quartos nos andares inferiores do castelo, onde dois outros guardas estavam de pé na porta. Eles abriram a porta para mim e me deixaram entrar.

Assim que entrei, vi Bella de costas para mim, olhando pela janela. Ela parecia perdida em pensamentos. Eu mal consegui conter as lágrimas enquanto me aproximava dela.

— Mamãe... — chamei, minha voz falhando.

Bella se virou, os olhos cheios de lágrimas. Em um instante, ela correu até mim e me envolveu em um abraço apertado.

— Minha filha, você não deveria estar aqui — ela disse, a voz trêmula de emoção. — Isso é perigoso demais.

— Eu vou tirar você daqui, mamãe. Ninguém vai machucar você, eu prometo.

Bella acariciou meu rosto, seus olhos cheios de amor e preocupação.

— É arriscado demais, Renesmee. Eles... eles não vão permitir que saíamos daqui.

— Eu não me importo! — respondi, a determinação em minha voz crescendo. — Eu farei o que for preciso para te proteger.

Bella sorriu, com lágrimas escorrendo pelo rosto, e beijou minha testa com ternura.

— Minha filha corajosa... — sussurrou, o orgulho em sua voz era inegável.

A porta do quarto se abriu novamente, e nós duas nos viramos para ver o Rei entrar. Carlisle fechou a porta atrás de si, sua expressão séria, mas menos ameaçadora do que antes.

— Renesmee — ele começou, com a voz controlada. — Tenho uma proposta para você.

Meu coração se apertou, mas ouvi em silêncio.

— Bella poderá ficar... desde que você continue me tratando como seu pai, e que ninguém jamais saiba sobre sua verdadeira origem.

A proposta era dura, mas eu não tinha escolha. Não queria perder Bella, e sabia que, para o bem de todos, deveria aceitar.

Respirei fundo e, após um momento de hesitação, assenti.

— Eu aceito o acordo, vovô. Bella fica. E o segredo fica entre nós.

Carlisle assentiu lentamente, parecendo aliviado, mas ainda com a sombra da preocupação em seu olhar.

— Muito bem, Renesmee. Você fez a escolha certa.

Ele se virou e saiu do quarto sem dizer mais nada, deixando Bella e eu sozinhas, tentando processar tudo o que havia acontecido. Eu sabia que as coisas nunca mais seriam as mesmas, mas ao menos, por agora, tinha Bella ao meu lado.