Nation: A garota da capa vermelha

24 Renesmee- A Floresta de Quilay


Na manhã seguinte, acordei antes mesmo do sol completar seu nascimento no horizonte. A luz suave e dourada banhava a cidade de Quilay, realçando sua beleza exuberante. Era uma vista deslumbrante, mas que para mim representava apenas uma prisão dourada. Suspirei, levantando-me da cama, e caminhei até uma parede que exibia alguns botões intrigantes.

Sem pensar muito, pressionei o primeiro botão e dei um passo para trás quando uma voz robótica soou, surpreendendo-me.

— Bom dia, princesa. São 5:45 da manhã. A princesa deseja escolher suas vestes?

Arregalei os olhos, hesitando enquanto gaguejava uma resposta. — Bom... É... quero.

A voz eletrônica respondeu de imediato, sem dar espaço para minha confusão.

— O que Vossa Alteza deseja? Eu sugiro uma veste apropriada para o calor, a temperatura aumentará durante o dia.

Sorri timidamente, achando tudo aquilo ao mesmo tempo fascinante e estranho. Decidi testar o sistema.

— Tem algo apropriado para uma caminhada na floresta?

Imediatamente, a resposta veio.

— Uma veste apropriada para um passeio na floresta.

Ouvi um leve som mecânico, e uma porta lateral se abriu, revelando uma roupa pendurada em um cabide. Não consegui evitar o riso ao ver a linda vestimenta que apareceu diante de mim.

— Isso é demais — murmurei, sorrindo enquanto retirava a roupa do cabide. Vesti-me e me olhei no espelho, soltando um suspiro ao ver o reflexo.

Estava usando um traje feminino composto por calças de couro marrom-escuro, justas, mas confortáveis, uma túnica de tecido leve e fluido em tons de verde musgo que se ajustava perfeitamente ao meu corpo, destacando minha silhueta. A túnica era adornada com bordados delicados nas mangas e na barra, que terminava logo abaixo do quadril. Nos pés, botas altas e robustas, prontas para qualquer terreno, e por cima dos ombros, um manto leve que poderia me proteger do vento ou ser usado para disfarce na floresta.

Olhei para a porta, que ainda estava destravada, e soube que era minha chance. Sem perder tempo, saí apressadamente do quarto, murmurando para mim mesma.

— Estou voltando, mamãe.

Corri pelos corredores do castelo, procurando desesperadamente por uma saída, qualquer coisa que me levasse para fora dali. Porém, à medida que continuava, percebi que estava andando em círculos. Os corredores pareciam mudar, cada esquina levando-me de volta ao ponto de partida. Meu coração batia forte de frustração, e eu estava quase desistindo quando ouvi uma voz atrás de mim.

— Está perdida, minha criança?

Virei-me de imediato, deparando-me com a Rainha Sarah Black. Ela se aproximava com aquele sorriso gentil, o mesmo que havia me oferecido no dia anterior.

— Venha — ela disse calmamente. — Vou lhe mostrar o castelo.

Minha mente lutava entre desconfiar ou aceitar sua ajuda, mas percebi que não tinha outra opção. Assenti lentamente, sentindo-me impotente, mas ao mesmo tempo ciente de que precisava entender aquele lugar, o coração de Quilay, se quisesse alguma chance de escapar.

A Rainha Sarah segurou gentilmente minha mão, guiando-me pelo castelo enquanto mostrava os caminhos e segredos daquele lugar. Seus gestos eram suaves, e eu podia sentir sua intenção de me acalmar, mas minha mente estava a mil. Quando passamos por uma enorme porta que dava para a saída, meu olhar ficou preso ali. Era a liberdade, ou pelo menos o que eu pensava ser.

— É isso mesmo que seu coração deseja? — perguntou Sarah, com a voz calma, mas cheia de significado.

Fiquei parada por um momento, meu coração dividido entre a confusão e a determinação. Eu precisava ir. Não podia perder mais tempo. Com isso em mente, puxei minha mão e corri em direção à porta, saindo do castelo sem olhar para trás. Quando cheguei ao lado de fora, parei para recuperar o fôlego e admirei o jardim que se estendia à minha frente. Flores exóticas e vibrantes, com cores que eu nunca havia visto, decoravam o espaço. Era como se o jardim tivesse sido tirado de um conto de fadas, mas não podia me deixar distrair. Tinha que manter o foco. Meu objetivo era claro: voltar para Hummam antes que fosse tarde demais.

Caminhei pelas ruas de Quilay, cada passo me enchendo de surpresa. A cidade era uma mescla impressionante de elementos futuristas e tecnológicos com uma estética quase medieval. As casas, embora construídas com materiais modernos e brilhantes, tinham um design que lembrava as antigas vilas de pedra, com telhados em arco e janelas largas. Os comércios exibiam fachadas de vidro que refletiam a luz do sol, e placas holográficas flutuavam no ar, anunciando produtos e serviços. As pessoas que passavam por mim eram gentis, sorrindo e acenando como se eu fosse uma velha conhecida. Aquele lugar era realmente mágico, cheio de riquezas e inovações que nunca imaginei existirem. Mas apesar de toda a beleza, meu coração estava em Hummam.

Finalmente, avistei a floresta à frente e um sorriso de esperança se formou em meu rosto. Aquelas árvores deviam me levar de volta à floresta de Hummam. Sem hesitar, corri em direção à vegetação densa, deixando para trás as maravilhas de Quilay. As árvores se erguiam ao meu redor enquanto eu adentrava a floresta, minha respiração pesada com a corrida e a excitação de estar mais perto de casa.

— Estou quase lá... — murmurei para mim mesma, determinada a encontrar o caminho de volta, mesmo que a floresta de Quilay fosse diferente e desconhecida. A esperança crescia em meu peito com cada passo, como se eu pudesse sentir Hummam mais próxima, como se eu pudesse quase ver minha mãe, esperando por mim.

Segui pela floresta de Quilay, encantada com a riqueza natural ao meu redor. Aquele lugar era diferente de tudo que eu já tinha visto. As árvores eram altas e majestosas, com troncos grossos cobertos de musgo cintilante, como se pequenos cristais estivessem incrustados na casca. Flores gigantes e luminosas se abriam ao meu redor, liberando fragrâncias doces que preenchiam o ar. À medida que eu avançava, avistei criaturas mágicas que só existiam em contos de fadas—unicórnios de pelagem branca e dourada pastavam em clareiras, seus chifres brilhando sob a luz do sol poente. Vi pássaros com penas coloridas que trocavam de tom como um arco-íris em movimento, e pequenos animais que flutuavam no ar como se fossem feitos de pura luz.

Mesmo com toda essa beleza ao meu redor, eu sentia o peso do tempo se esvaindo. O sol começou a se pôr, tingindo o céu de laranja e rosa, e foi então que percebi o pior. Eu estava perdida. Pior ainda, havia retornado ao ponto de partida. A clareira onde eu me encontrava agora era a mesma de onde eu começara. A frustração tomou conta de mim, e minhas pernas, que até então pareciam inquebráveis, fraquejaram. Sentei no chão, sentindo-me desolada. O cansaço e a fome finalmente me dominaram, e percebi que minha tentativa de fuga havia falhado. Não havia outra escolha a não ser retornar ao castelo.

Ao chegar, fui recebida pela Rainha Sarah e seu filho, o Rei Jacob. Seus rostos eram uma mistura de alívio e preocupação. Sarah foi a primeira a se aproximar, sua voz cheia de ternura, mas também de uma reprimenda velada.

— Onde você estava, minha criança? — A preocupação em seu tom era palpável. — Quase matou a todos de preocupação.

Minha garganta se apertou, e eu engoli em seco, tentando ignorar o jeito como meu coração disparou ao olhar para Jacob. Ele estava ao lado da mãe, sua expressão intensa, observando cada movimento meu. Desviei o olhar rapidamente, incapaz de suportar a força daquele olhar, e me voltei para Sarah.

— Me perdoe, Vossa Majestade. — Minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria, cheia de cansaço e vergonha. — Eu não queria preocupá-la.

Jacob se aproximou, seu olhar me atravessando.

— Você está bem? — Sua voz era firme, mas carregava uma preocupação genuína que quase me fez fraquejar.

Mas eu não queria ceder. Ignorei sua pergunta, o medo de ceder àquele sentimento desconhecido pulsando dentro de mim. Em vez de responder, virei-me bruscamente e corri de volta para o meu quarto, meu coração batendo forte no peito, como se estivesse tentando escapar junto comigo. Fechei a porta atrás de mim, encostando-me contra ela, tentando acalmar a tempestade de emoções que se formava dentro de mim. Estava segura por enquanto, mas sabia que não poderia evitar Jacob para sempre. E isso me apavorava.