Natasha

1 Olivia


Notas iniciais
Boa leitura.

O sinal tocou. Levantou-se cuidadosamente evitando o menor dos ruídos. Estava saindo do seu refúgio, estava voltando para o hospício que chamavam de sala de aula. Preferia ficar na segurança da biblioteca.

Foi em direção a sua mesa afastada, onde ninguém a notaria. Seus cabelos castanhos cobriram seu rosto o escondendo. Silêncio de todos. O professor de história havia chegado.

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O sinal bateu de novo os liberando da escola. Guardou seus materiais em completo silêncio e aguardou a maioria dos outros saírem. Saiu da escola, o vento bateu em seu rosto. Virou-se para a escola e contemplou a sua estrutura. Se tudo desse certo seria a última vez que veria aquele lugar que aprendera a odiar.

Estremeceu com o pensamento, não iria voltar atrás, não dessa vez.

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Chegou em casa. Sua mãe como sempre não estava. Naquele dia não se importou: seria melhor assim.

Comeu devagar, seria a última vez que comeria naquele lugar. Foi para o seu quarto, escovou os dentes e vestiu a roupa. Ajeitou mais um pouco o quarto. Aquele quarto em que se trancara e chorara por muitas vezes.

Pegou a carta em que escrevera tudo o que nunca conseguira dizer, colocou em sua cama, num lugar bem visível. Chegou a hora. A partir daquele dia seria livre. Pegou sua mochila, que já estava pronta à semanas, só esperando a sua coragem.

Saiu de casa, não se preocupando em tranca – lá. Pisou na calçada para em seguida sair correndo. Estava finalmente livre, nunca mais voltaria.

Talvez pintasse o cabelo, ou fizesse uma tatuagem, ou roubasse um carro. Sorriu. Não importava como sobreviveria dali para frente. Estava livre e era isso que importava. Livre.