Natasha
3 Maya
Notas iniciais
Abriu os olhos, mas não ousou mexer um músculo sequer. A dor de cabeça a atingiu em cheio. Sentiu um braço por cima da sua cintura. As lembranças invadiram a sua mente.
Droga. Esquecera o carro no bar. Teria que dar um jeito de voltar lá. Aquele cara moreno não iria se importar se ela pegasse seu carro emprestado, certo? Levantou-se devagar e com cuidado para não acordar o homem ao seu lado. Mordeu o lábio. Droga de ressaca. Vestiu suas roupas resistindo a tentação de tomar banho ali, ele poderia acordar com o barulho do chuveiro.
Vasculhou o quarto em busca das chaves, assim que as achou saiu do quarto. Olhou para uma mexa do seu cabelo roxo a duas semanas, precisava pintar de outra cor. Rápido.
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Entrou no salão, o cheiro dos produtos de beleza invadiram suas narinas. Havia parado para tomar banho em um posto de gasolina qualquer após recuperar o “seu” carro. O moreno com quem passara a noite iria sofrer um pouquinho para achar o seu carro. E o dinheiro. Na verdade, nunca mais veria o dinheiro que estava dentro do carro.
Sentou e esperou. Quatro horas depois saiu do salão com os cabelos pintados de roxo escuro e com muita fome. Se dirigiu ao mercado da esquina. Aproveitaria e trocaria de carro. Pegou todas as suas coisas e jogou as chaves do carro no lixo.
Meia hora depois saiu do mercado devorando uma barra de chocolate, vasculhou o estacionamento com os olhos, viu quando uma mulher com uma criança saiu do carro atrapalhadamente. Sorriu. Seu dia estava sendo ótimo.
Se aproximou. A mulher estava tão distraída que acabara esquecendo de fechar o carro. Foi a sua deixa. Entrou no carro com o máximo de cuidado de possível e rezando para que ninguém percebesse. Procurou por chaves reservas. Achou no porta luvas. Acelerou o máximo possível. Pelo retrovisor viu a figura da mulher que só lembrara de fechar o carro quando já era tarde demais.
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A fuga não saíra exatamente como planejara. Quero dizer, por enquanto ainda era jovem podia se virar muito bem, mas e depois? Voltaria para a sua antiga casa? Sua antiga família? Não, isso não. Iria morar embaixo da ponte se fosse preciso, mas nunca voltaria.
“Maya” se dirigiu para a cama do quarto do hotel em que estava. Se cobriu até a cabeça, e mais uma vez se sentiu solitária, vazia e perdida. E com muito medo. Chorou com todas as suas forças. Chorou até cair no sono.
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