Nas Vestes de Um Escritor
1 De Escritor Para Escritor
Notas iniciais
Esse título: "Nas Vestes de um Escritor"me remete — acredito que a você também — a fábula: "O Lobo em Pele de Cordeiro." Não que esteja comparando o escritor a uma criatura mal, mas mostrar que um escritor tem essa possibilidade de se apossar de outras facetas além do fato de ser um ser humano, a pretensão é conseguir um resultado almejado do convencimento.
Essa criatura denominada: ser humano, se adapta a qualquer situação, posto, profissão etc e assim eu costumo denominar de "vestes." Por exemplo, quando a pessoa quer se tornar um advogado, ela entrará nessas "vestes" e se tornará um advogado mesmo que tenha que passar por um longo processo de interação e aprendizagem. Ele não será mais visto como ser humano, mas como um advogado ao exercer suas funções como tal. E usará todas as ferramentas necessárias que o fará advogado. Nunca veremos um advogado usando trajes e ferramentas de um bombeiro a não ser que seja por hobby que considero um tipo de fuga da fadiga. Isso é suscetível a todas outras denominações, seja um médico, um professor, um administrador, um prefeito, um presidente de um país, etc. Cada macaco no seu galho ou no seu quadrado. E dessa maneira, o ser humano envereda por essas trilhas por necessidade de sobrevivência ou vocação, se submetendo aos mais variados cargos.
"De médico e louco todo mundo tem um pouco" A essa máxima tão conhecida, deveríamos acrescentar também o escritor, pois acho que de escritor todo mundo também tem um pouco. O cara denominado escritor, é alguém diferenciado que tem o dom, o poder de vê as coisas e os fatos diferentes das demais pessoas normais. Ele está sempre no lugar certo na hora certa. É o dono do seu tempo. Por exemplo, uma borboleta esvoaçante tem muito mais significado para o escritor, que vai muito além de ser apenas uma simples borboleta esvoaçante, de que para as pessoas comuns que a olham e a concebem como uma simples borboleta que voa em sua simples trajetória. O escritor é alguém, mas nem todo alguém é escritor, ser alguém já é um bom começo. Se assim for, estou no caminho certo para ser um escrito, pois já sou alguém! Como saber se é considerado escritor? O que faz alguém ser num escritor? Escrever algumas coisas faz de alguém escritor? Acredito que não. Todo mundo escreve. Todo mundo fala de literatura. Todos relatam isso ou aquilo. Mas mesmo assim não é o suficiente para ser considerado um escritor. Não podemos nunca perder isso de vista. Um escritor delineia melhor sua escrita. O escritor tem em sua alçada poder para escrever o que quiser, até coisas impossíveis de se conceberem. Um cineasta tem inúmeras possibilidade, no entanto, o escritor tem muito mais possibilidades. Vamos ilustrar um pouco tudo isso.
Certa vez, eu estava escrevendo uma história na qual um homem se disfarçava de gay e entrava no banheiro das mulheres para estuprar uma garota que a muito tempo ele a desejava. O famigerado colocou uma faca no pescoço da garota e a forçou pra que ela ficasse somente de calcinha e soutien, ainda dentro do banheiro com a porta fechada. Enquanto eu não encontrasse uma maneira da garota escapar do estuprador, eu os deixei lá no banheiro a me esperar por uma solução e isso duraram meses devido eu estar envolvido com outras atividades. Finalmente, encontrei uma forma de a garota escapar, mas isso demorou alguns meses. Eu fiz essa maldade com esses dois pobres personagens. Por aqui vemos o quanto é complexo ser escritor, que vive nas malhas do imaginário tentando tornar reais fatos na mente do leitor. Isso que me aconteceu, acontece frequentemente com a maioria dos escritores. Que deixam uma história por terminar e seus personagens, coitados, ficam numa situação periclitante a mercê e a espera de uma provável continuidade. Alegre-se, você que é escritor nato. Que já tem obras publicadas e já tem o reconhecimento de muitos leitores.
Dizem que um homem não tem a possibilidade de dar à luz, de parir. Porém, o escritor tem essa possibilidade. Ele tem esse poder de parir, ( no caso de ser homem ) não uma criança, mas uma obra literária, que como uma criança foi gerada em suas entranhas e que se fará existente e presente no meio social, igualmente um ser concebido. E ainda se tem o luxo de ter parto normal e parto cesariana! Num parto normal o escritor trabalha com mais afinco objetivando que o produto final, se não perfeito, mas um bom trabalho, fruto de todo seu empenho e dedicação. No parto cesariana, ao contrário, a obra foi gerada e concebida de maneira aleatória e artificialmente, somente objetivando a prática da escrita, bem como, o hábito do escrever como um pretenso escritor
Todo escritor um dia, almeja ter uma obra sua transformada em filme ou novela, como é o caso do Stephen King e muitos outros. Todo escritor gostaria de ter um Steven Spielberg batendo à sua porta pedindo "por favor" para transformar uma de suas obras em um filme que certamente seria um grande sucesso. Vindo do Spielberg se espera tudo. Quem dera ter uma obra representada na telona. Seria o máximo! Esse seria pra o escritor, o auge do reconhecimento. Até chegar ao prêmio Nobel de Literatura.
Todavia, nem sempre uma boa obra escrita, promoverá um bom filme, isso dependerá muito da produção e interpretação do diretor ou quem quer que seja que esteja no comando. Eu li o livro "Os Miseráveis" obra centenária de Victor Hugo e assisti ao filme baseado nessa obra, é realmente um bom filme, no entanto, o livro o supera em muitos aspectos. O livro é mais rico em detalhes. Isso acontece em muitas outras situações.
O valoroso em um escritor, é exatamente a sua bagagem e o seu poder de convencimento. Se ele for escrever sobre um pirata, por exemplo, ele já tem de antemão, todo o ambiente e condição de forjar esse personagem e convencer ao leitor de sua veracidade. Se ele for escrever sobre adolescentes, ele deverá ter todo conhecimento referente a vida de adolescentes e levar em conta a historia, a época e pensar como um adolescente até porque toda pessoa é ou já foi adolescente um dia e isso tem que ser considerado. Se tiver que desenvolver um personagem serial killer aí vai ser complicado, pois nem todo mundo foi ou é um serial, mas deverá pensar como tal e uma boa pesquisa o ajudará e muito na formação desse personagem. E se for sobre um ET será pior ainda, alguém já conviveu com algum ET? Que eu saiba não, somente na ficção! E isso funciona e é válido para todos os personagens. Ele tem esse poder de “ser” qualquer personagem e qualquer coisa no seu mundo literário. Acredito que ele faz uma pesquisa interna como intuito de convencer.
Eu tive o prazer de escrever uma história denominada: A VILA DO MEDO que me deu muito orgulho. Que saiu de minhas entranhas, não foi um parto nada fácil. Nela, criei um monstro que devorava as pessoas de uma vila. Esse monstro tinha semelhança a um polvo de três metros de altura e pesava quase uma tonelada e lançava uns dardos iguais a espinhos com uma droga que paralisavam suas vítimas arrastando-as e devorando-as nas profundezas de um lago, e consequentemente do mar. A ideia foi tão bem formada que muita gente que a leu se convenceu de que a criatura das águas realmente existia e na realidade era tudo ficção.
Fale com o autor