Naraku Apaixonado?
24 Epílogo
Epílogo
Ele até tentou não rir tanto, pois sabia que devia respeitar os mais velhos, mas o ancião ficou tão engraçado, com aqueles tomates todos esmagados na cabeça, que não pôde se conter.
– Seu pirralho! Se eu colocar minhas mãos em você... — praguejava o velho, mas Nakuru não ficou ali para ouvir o resto da ameaça.
Saltando a altura dos telhados das casas, correu por cima deles, muito ligeiro, rindo ainda. Quando as casas naquela direção acabaram, ele surgiu ao chão e continuou fugindo, ao longo de uma plantação de arroz.
Seus cabelos soltos balançavam ao vento, enquanto corria despreocupado, contente por estar vivo e por poder fazer coisas que a maioria de seus amiguinhos não podia. Estava a toda velocidade quando uma menina, um pouco à frente, despertou sua atenção, fazendo-o diminuir o passo.
– Uma nanica daquela puxando um saco tão grande? — observou intrigado e se aproximou.
A pequena usava um kimono simplezinho, amarelo e com estampa de cerejeiras. Uma fita branca prendia os cabelos negros, que eram lisos e compridos, assim como os dele.
– Quer ajuda? — ele se ofereceu.
A menina ergueu o rosto de repente e ele notou então que os olhos dela eram da mesma cor dos de sua irmã Kanna e que a franja dos cabelos cobria-lhe a testa. Estranhando que ela não respondesse, perguntou:
– Que é?
– Você é um youkai? — devolveu ela, com uma carinha assustada.
– Claro! Não está vendo minhas orelhas de lobo? — apontou para o alto da cabeça, agitando as orelhinhas, fazendo a menina rir com isso.
– É mesmo... — disse e reparou também que os olhos dele eram da cor do céu. – Mas tirando isso, você não parece muito diferente de mim.
Disposto a mostrar a ela o quanto estava enganada, todo pomposo, Nakuru puxou o pesado saco, abarrotado de arroz, como se estivesse cheio de plumas, e o lançou nas costas.
– Puxa! Você é forte — exclamou abobada.
– Sou sim! Você estava indo nessa direção, né? — perguntou e foi andando, sendo logo seguido por ela. – Meu nome é Nakuru e o seu?
– É Kikyou!
– Kikyou? Acho que já ouvi esse nome antes — dizia ele, com um ar pensativo, mas foi interrompido por ela:
– Já deve ter ouvido sim! Era o nome de uma linda sacerdotisa que viveu nessa vila uns anos atrás! — contou cheia de entusiasmo.
O jovem youkai se deteve e a fitou da cabeça aos pés.
– Você não parece uma sacerdotisa — afirmou ele, constrangendo-a com o modo com que olhou para seu traje modesto.
– E não sou! — disse com o rosto erguido, em sinal de dignidade. – Acontece que meu pai me deu esse nome porque, quando ele era jovem, a sacerdotisa Kikyou salvou ele, com seu arco-e-flecha, de um youkai — e ela deu um tom bem zangado a palavra \"youkai\".
Nakuru se retraiu um pouco, ainda que já estivesse acostumado com o preconceito que alguns humanos lhe tratavam.
– Entendi — disfarçou ele. – Seu pai quis então prestar uma homenagem à sacerdotisa que o salvou — emendou polido.
– Como você fala engraçado — comentou ela, ingênua demais para perceber que ele era um garoto culto.
Compreensivo, ele sorriu discretamente e achou melhor voltar a andar.
– Esse saco é pesado para uma humana. Por que te mandaram carregar?
– Minha mãezinha tá doente e meu pai precisou ir para outro vilarejo porque não conseguiu trabalho aqui. Se eu não viesse buscar, a gente não ia ter o que comer.
– Mas não tinha alguém pra te ajudar? — indignou-se ele.
– Não — respondeu com simplicidade.
Nakuru sentiu o coração se apertar com a história da menina. Ele não entendia porque os humanos, às vezes, simplesmente não se ajudavam. Nunca passara necessidades de nenhum tipo, seus pais lhe davam de tudo, além de muito amor é claro. Fora isso tinha sua própria força, da qual tanto se orgulhava. Mas vendo que, apesar de todas as dificuldades, aquela menina estava ali com um sorriso tão lindo nos lábios, ficou muito admirado.
– Kikyou?
– Sim?
– Será que você não quer ser minha amiga?
– Sua amiga? — surpreendeu-se ela.
Ele confirmou com um gesto de cabeça, sorrindo simpático.
– Ah, eu acho que sim — disse, retribuindo graciosamente o gesto dele.
– Então conte comigo. Vou estar sempre do seu lado!
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Notas finais:
Agradeço muito a Hinalle Kinomoto Lee por ter me ajudado tanto com este desfecho.
Ainda que o próprio título seja uma evidência do caráter totalmente OOC dessa fanfic, convém salientar que diversos fatos aqui narrados diferem bastante da série original.
Encerrando então...
Meu sincero muito obrigado a todos que acompanharam este projeto de mais de dois anos, com o qual aprendi tanto, me emocionei e também me diverti, além é claro de ter conhecido pessoas realmente maravilhosas!
Antes de me aventurar numa outra fanfic com os personagens da grande Rumiko, estarei postando aqui \"As crônicas de Sesshoumaru\", uma nova narrativa da trajetória do amor do youkai branco e de sua protegida humana, no universo desta fanfic, e com mais alguns adendos.
Por fim, desejo a todos muita paz, Deus no coração e tudo de bom!
Amanda Catarina
Fevereiro/2008 – Janeiro/2010
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