Capítulo 4

Uma semana se passou durante a qual Kagome Higurashi buscou organizar sua rotina de estudante colegial. Como sempre, ela arrumou um tempinho para sair com suas amigas de classe e contar as novidades sobre Inuyasha, mesmo que isso só aumentasse seu desejo de voltar para junto de seu amado meio-youkai.

Nesse meio tempo na era feudal, Inuyasha, seus amigos e Yeda viveram uma breve aventura na caça a um youkai monstro que vinha tumultuando o vilarejo. Ainda que o monstro tivesse uma força até considerável, a empreitada foi mais divertida do que perigosa.

Já era quase noite e eles caminhavam em direção a casa de Kaede...

Yeda estava contente como há anos não se sentia. Os humanos amigos de Inuyasha e o filhote de raposa youkai, Shippou, eram amáveis, sinceros e dignos de confiança. Estavam convivendo a bem pouco tempo, mas fora o suficiente para que ela se sentisse afortunada por seus caminhos terem se cruzado. Era bom, depois de tantos anos de solidão, fazer parte de um grupo.

– Yeda, quando chegarmos em casa vou te dar umas balas. — falou Shippou, que caminhava bem ao lado da youkai lobo.

– É doce não é? — ela perguntou.

– É sim... e tem recheio de chocolate. A Kagome que trouxe pra mim.

– Pra nós. — implicou Inuyasha.

– Só pra mim! — disse e mostrou a língua para o meio-youkai. – Mas eu vou dar algumas pra Yeda.

Despreocupados, eles seguiam seu caminho, quando repentinamente, se detiveram devido a uma energia sinistra bem conhecida de todos: a esmagadora energia de Naraku.

Ele apareceu de repente, gigantesco em sua forma youkai e seu aspecto humanóide diminuto mesclado à massa acinzentada. Num instante, o grupo estava em alerta, e no outro, sob ataque. Naraku atacou com rajadas de youki e dardos envenenados.

– Protejam-se! — gritou Yeda erguendo uma barreira à frente deles, mas não foi rápida o bastante.

Sango, pega de surpresa, acabou atingida no ombro por um dardo, tombando quase no mesmo instante.

– Sango! — gritou Miroku e a amparou a moça antes que essa tombasse no chão. – Sango, agüente firme!

– Naraku!! — berrou Inuyasha com a Tessaiga em punho. – Você vai pagar por isso! – bradou e avançou contra o inimigo, mas em poucos instantes, foi bruscamente atingido por um imenso tentáculo.

Ao ver Inuyasha tombar, Yeda encarou Naraku com um olhar furioso.

– Seu miserável... — ela balbuciou.

– A situação é simples, caríssima Yeda. Entregue-se e eu pouparei a vida de seus “amiguinhos”. — propôs em seu tom sarcástico e irônico.

A youkai ficou estática por alguns instantes.

– Mas você é petulante! Prepare-se porque dessa vez vai sentir o peso do meu punho! — revidou ela e num salto alcançou o monstro, pronta a socá-lo.

– Não... vai ser tão fácil dessa vez, minha cara... — disse com um sorriso nos lábios e o punho da youkai lobo foi envolvido por seu corpo amórfico.

Yeda se surpreendeu num primeiro instante, mas concentrando seu youki, libertou-se sem maiores problemas, no entanto, percebeu um certo formigamento na mão. Com isso, ela deu um salto para trás.

– Droga... — Inuyasha praguejou, reunindo suas forças para se erguer.

– Tudo bem? — Yeda perguntou a ele.

– Isso não foi nada... — disse, mas seu tom denunciava o esforço que fazia para se manter em pé. Naraku nunca lhe atacara daquele jeito, tinha sido um golpe físico apenas, mas de força extrema.

Yeda voltou o olhar à forma monstruosa de Naraku.

– Começo a entender porque todo mundo quer te matar, seu asqueroso... — ela falou cerrando os punhos.

– Yeda... se você realmente se importa com essas pessoas, venha comigo e ninguém se machuca.

– Ah é? Se você realmente se importa com sua vida, desapareça enquanto pode... — rebateu, então abriu os braços e seus olhos ganharam uma luz azulada.

– Não adianta assumir sua forma youkai. Essa é minha forma plena. Com este corpo posso me tornar dez vezes maior que você.

– Hunf, podia ser até cem vezes, não faz diferença! — bradou e num ataque feroz, se chocou contra Naraku.

Eles lutaram tenazmente, trocando golpes fortíssimos. A emanação de suas energias chegava a rachar o chão, mas naquele ritmo, Yeda não demoraria a levar vantagem, pois era muito ágil e rápida, além é claro de experiente. Ainda que Naraku tivesse incorporado as técnicas de inúmeros youkais, seus reflexos eram mais lentos que os dela, justamente pelo fato daquelas habilidades terem sido incorporadas, e não adquiridas por meio de contínuo treinamento. No entanto, Naraku conhecia suas próprias limitações, e jamais entraria numa disputa daquela sem um trunfo.

– Ah, minha cara, esqueci de dizer que o dardo que acertou a exterminadora estava envenenado.

Yeda estancou no lugar e Naraku gargalhou diante da expressão dela.

– Como pode um ser tão poderoso se preocupar com humanos insignificantes? — zombou e endurecendo um de seus tentáculos, transpassou o ombro de Yeda.

De olhos vidrados a youkai sentiu o tentáculo mover-se em si, e apesar da dor lacerante a sensação de incompetência era que lhe oprimia. “Estou colocando a vida de todos em risco. Preciso me concentrar!” ela pensou. Então, um grito gutural saiu de sua garganta e, em seguida, rajadas cortantes se desprenderam de seus dedos em direção a Naraku.

Apesar de potentes, nenhum dos disparos o atingiu. Ele se esquivou de todos e continuou rindo alto, deixando Yeda ainda mais furiosa.

– Sango, acorde! Sango! — chamava Miroku.

Inuyasha intentou se aproximar dos dois, mas percebeu então que também tinha sido afetado pelo veneno, assim, acabou tombando quase desmaiado.

– Não! — gritou Yeda e correu até Naraku. – Desfaça isso!

– Não existe antídoto... ao menos não ainda... mas se me obedecer, posso fabricá-lo agora mesmo.

Yeda balançou a cabeça em negação.

– É verdade, e decida-se logo porque a humana tem pouco tempo de vida.

– Verme maldito! Como ousa me chantagear!? — vociferou, espremendo os tentáculos de Naraku.

– Você ainda não viu nada...

Yeda o empurrou contra um rochedo.

– Cale-se! — berrou.

– É... parece que não se convenceu ainda de que falo sério... ou então, deve estar querendo ser a responsável pela morte deles... — dizendo isso, ele expandiu ainda mais seu corpo e num movimento veloz envolveu Sango, Miroku, Inuyasha e Shippou, erguendo-os há mais de dois metros do chão.

Yeda, até então de costas para os amigos, apertando os braços da minúscula forma humanóide de Naraku, em meio à gigantesca massa amórfica, se voltou para trás deparando-se com os quatro suspensos no ar. Alarmada, ela esmagou os braços de Naraku num ímpeto.

– Maldito!! Ninguém além de você morrerá!

Mas Naraku se recompôs em instantes.

– Entregue-se ou os matarei. — disse com frieza encarando a youkai nos olhos.

Yeda não sabia o que fazer. Sango inconsciente, Miroku gritando o nome dela, Shippou chorando de medo e Inuyasha não voltava a si. Nunca estivera em tal situação e jamais enfrentara um inimigo tão covarde.

– Deixe-os! — gritou desesperada.

– Isso só depende de você...

– Tudo bem! Mas solte-os... — ela se rendeu.

Naraku então a envolveu quase por completo com seus tentáculos.

– Isso, boa menina... é assim que eu gosto.

– Não imagina o tamanho da encrenca na qual está se metendo, seu verme. — ela murmurou entre os dentes.

Sem dizer nada Naraku apenas a encarou, divertindo-se com a expressão de raiva dela.

– Sabe que isso não pode me conter, mantenha sua palavra, livre-os do veneno.

– Muito bem, mas me entregue toda sua energia antes.

– Cure-os primeiro! Diferente de você, eu tenho honra.

Naraku riu com gosto.

– Muito bem, como quiser...

Yeda viu Naraku lançar dois dardos, um em Inuyasha e outro em Sango e, instantes depois, ambos se mexeram. Aliviada, ela relaxou o corpo, em sinal de rendição. Então, sentiu uma pontada no estômago e depois tudo ficou negro.

Naraku voltou a sua forma humanóide e pegou a desfalecida Yeda nos braços. A cabeça dela pendendo para baixo, os cabelos escuros quase tocando o chão. Inerte, pálida, totalmente a sua mercê. Uma bela visão, que fez a pulsação do perverso youkai acelerar.

– Agora, você é minha... — ele sussurrou e em seguida riu alto.

Em meio à gargalhada macabra, Inuyasha, recém desperto, viu Naraku desaparecer.

ooo ooo ooo ooo

Bem próximo, por entre altos arbustos, Sesshoumaru observou quase todo o embate.

– E agora, senhor Sesshoumaru? O senhor pretende fazer alguma coisa? — perguntou Jaken.

– E eu deveria?

Awk... claro que não! Perdoe a minha insolência, senhor...

– Aquela youkai nos ajudou e só por isso deveríamos retribuir?

– Perdoe-me se parecer impertinente, mas não é assim que o senhor normalmente age? — retrucou o servo com perspicácia e muita coragem, é claro.

– Talvez... — respondeu sereno, sem demonstrar zanga – ...mas só vejo essa uma boa oportunidade de acertar as contas com esses três miseráveis... Inuyasha, Naraku e Yeda.

Jaken encarou seu altivo mestre, definitivamente, não o compreendia.

– Vamos.

– Sim, senhor Sesshoumaru.

CONTINUA...

Notas finais
O que estão achando?
Por favor, comentem! ^_^