Naquele instante...

1 Naquele instante...


Notas iniciais
Olá, caro amiguinh@ que veio dar uma olhadinha aqui. Tudo bem com você? Então, se você for um leitor de alguma fic antiga minha... saiba que não, eu não morri MENTIRA To postando isso aqui pela WI-FI do Hades, sério, funciona super bem ♥ Chega de enrolação :3 Boa leitura, caso vá fazer isso.

Pov Merida

Minha mãe, a rainha Elinor, planeja cada dia da minha vida, mas de vez em quando, há um dia em que eu não preciso seguir as regras e ser a princesa.

E nesse dia, eu fico absurdamente perdida! Sabe, eu gosto das coisas organizadas, do meu cabelo sempre escovado e preso, do modo... 'civilizado' que uma dama deve se portar.

Hoje é um desses dias, e cá estou eu, deitada na cama, pensando qual será a minha próxima tarefa a realizar.

Provavelmente, irei com Angus, acabar minha pintura do pôr-do-sol da cascata de fogo.

Pov Jack

Eu ainda não acredito que estou nesse lugar novamente. Basicamente, o clã DunBroch não me parece um exemplo de família real. Eles tem um rei obcecado por vingança contra um urso, fala sério, um urso! Três pirralhos endiabrados, mas que... Ah, eles são o que aquela família tem de melhor. Uma rainha que controla tudo; e uma princesa que nunca aparece na frente de algum dos seus futuros pretendentes ou dos familiares deles.

Meu meio irmão, Josh, aceitou concorrer pela mão da tal princesa e venceu. Por ele ter feito isso, fui obrigado a vir na frente e perambular pelo reino.

As pessoas daqui são esquisitas, mas tem uma floresta maravilhosa para ser explorada, portanto solicitei ao rei um cavalo e sai pela mata, sem rumo, apenas sentindo o vento gelado e ouvindo o som das folhas das árvores.

Acabei sendo levado ate um lugar lindo, que acontecia o pôr-do-sol. Uma cascata com uma pedra gigante logo ao lado, e que dava para ser escalada facilmente, desci do cavalo pronto para ir apreciar a vista de cima.

E ai, eu a vi.

Naquele momento, não sei por qual motivo, meu coração deu saltos, o ar abandonou meus pulmões e meus olhos só enxergavam aquela figura.

Aquela pessoa de cabelos vermelhos como o por do sol atrás dela.

E quando ela se virou e olhou nos meus olhos, eu soube que nada no mundo poderia ser mais bonito que aquela combinação de olhos azuis como o céu e cabelo em chamas.

Pov Merida

Senti que alguém me observava pintar, finalizei o último detalhe da águia voando perto da cascata e me virei.

Ali estava a pessoa mais bonita que eu já vi, cabelos tão claros que eram quase brancos, olhos azuis penetrantes como gelo e, pelos deuses, como era lindo!

Nos encaramos por alguns segundos e de repente caminhamos um na direção do outro, parando mais ou menos a um braço de distância, ainda com os olhos fixos e expressões curiosas.

— Então... Quem é você? — fui logo de cara tentando matar minha curiosidade

— Sem apresentações momentâneas. Estou ansioso para explorar logo o que vim fazer aqui. — o estranho passou reto por mim e foi na direção da cascata.

Ele estava quase perto de começar seu objetivo e, de alguma forma, o fato de deixar que subisse até um lugar que eu sempre admirei e pintei, parecia... Revoltante demais!

Por um momento pensei em ir até lá e não deixar que o estranho fizesse aquilo, cheguei até a tocar seu braço frio e olhar feio, deixando claro que não permitiria aquilo, só que ele foi mais rápido.

Pov Jack

Assim que notei que a garota iria tentar me impedir, afastei sua mão quente do meu braço, agarrei a mão dela e comecei a subir. Acabou não tendo alternativa a não ser subir lado a lado comigo; entre risadas e brincadeiras, chegamos ao topo antes de notarmos.

Lá de cima, bebemos água da cachoeira, comemoramos nossa vitória e sentamos para conversar. Foi melhor ter mantido minha identidade em segredo, já que isso geralmente faz com que criem intenções indesejáveis em relação a mim.

Bom, a ruiva contou que tem irmãos mais novos, que é uma das melhores do reino em arco e flecha e assim a conversa fluiu, contei sobre mim e descobrimos muito em comum.

Até que o sol se pôs definitivamente e descemos da cascata, a noite estava estrelada e a lua brilhava alta no céu.

— Bom...acho que nos despedimos aqui, Garoto Mistério. — ela sorriu de lado e se virou na direção do seu cavalo, Angus.

— Espera, Arqueira. — ela parou diante do novo apelido e esperou que eu falasse. Andei até ela é fiquei ao seu lado — Não pode nem esperar um pouco e ver as estrelas?

Algo estava errado, ela ficou com um olhar abalado, como se pressentisse que algo iria acontecer. Levantei minha mão na intenção de tocar as maçãs do rosto dela, mas ela desviou, correu e montou no cavalo com um sorriso.

— Amanhã, ao nascer do sol, me encontre aqui. — deu um último sorriso e correu em disparada na direção do reino.

Fiquei ali mais um pouco, pensando em como apenas algumas horas me fizeram gostar tanto da companhia de uma desconhecida, que sequer me disse seu nome.

Isso tudo é uma grande ironia, porque vim aqui para apoiar meu pai e meu irmão, que foi um dos pretendentes da princesa, mas acabei encontrando a garota que talvez eu queira que se torne a minha futura esposa. Destino, que tal colaborar e fazer o inútil do meu irmão se casar e me deixar livre para escolher quem eu bem entender?

POV Merida

Onde eu estava com a cabeça? Marcar com um desconhecido, em pleno alvorecer e no dia em que conheceria o representante dos Dingwall que veio iniciar os preparativos para a chegada do meu noivo e sua família.

Meu noivo.

Isso ainda soava estranho em algum lugar da minha mente. Decidi não deixar essa dúvida prevalecer e, antes que percebesse, estava entrando no castelo.

Jantei tranquilamente com a minha família, o que significava que os trigêmeos não queriam comer o estômago de algum animal, meu pai devorava um prato com diversos tipos de carne e minha mãe comia normalmente.

Não me recordo se dormi, ou de como cheguei aos meus aposentos. Me recordo apenas da parte em que corri pelas escadas, selei Angus e saímos na direção da Cascata.

O alvorecer estava próximo.

Um par de olhos azuis e um sorriso encantador não saiam da minha mente.

Angus parou de repente e quase fui lançada para a frente. Consegui me estabilizar rapidamente, fiquei sentada na sela e olhando ao redor. Será que ele viria?

O céu começava a clarear, decidi me sentar na grama e observar o amanhecer do dia.

Alguns dias e eu estaria casada. Selada a alguém pelo resto da minha vida...

Ouvi o barulho de algum galho se quebrando atrás de mim e fiquei imediatamente alerta. Meu arco estava preso na cela do cavalo que pastava a vários passos de distância. Restava-me apenas esperar que o ataque acontecesse.

POV Jack

Dormir? Quem precisa dormir quando se tem uma espécie de encontro com a garota mais interessante que se pode conhecer? Não me dei ao trabalho de voltar ao castelo e falar com os DunBroch. Eu não faria diferença para eles, de qualquer forma.

Aproveitei a noite para explorar mais a floresta e descobri coisas que, nossa, são de tirar o fôlego! Será que ela já havia visto? Claro, seu tolo, afinal ela é daquele reino! Mas, e se...

A minh... não! A garota estava chegando.

Me escondi atrás das árvores e fiquei observando-a. Ela não descia do cavalo, parecia estar esperando que eu chegasse.

Até que enfim, ela desceu e sentou-se na grama. O céu começava a brilhar como os olhos dela, os pássaros iniciavam sua cantoria e aqueles fios ruivos eram como um pedacinho de sol iluminando o local.

Fui sorrateiramente até as costas dela. Pisei em um galho e o barulho fez ela ficar com os ombros rígidos e endireitar a postura. Droga, Jack! Vai estragar a surpresa.

Dei mais dois passos e pus as mãos em cima dos olhos dela. Não tive a chance de perguntar se ela adivinharia quem era, pois ela bateu a cabeça em meu queixo e um segundo depois me derrubou no chão.

— Ai, minha cabeça. – falei abrindo os olhos lentamente. Havia um joelho em minha barriga, uma mão segurando meu pulso esquerdo e a outra com uma pedra afiada na minha garganta.

— Oh, meus deuses – a ruiva estava com as bochechas coradas, olhos arregalados e a respiração arfante. Que coisa linda de se admirar. – Desculpe-me, eu... eu não sabia que era você. Eu só...

Sorri de lado e ela imediatamente percebeu que ainda estava me segurando e se apressou em sair de cima de mim. Droga.

— Não se preocupe, princesa. – Se ela já estava espantada, agora então eu diria que seus olhos estavam prestes a pular para fora de seu rosto.

— Me chame assim novamente e eu te afogo no fim da Cascata. – a garota ficou séria e ameaçadora. O que eu teria que fazer para rever aquele sorriso de antes?

— Ok, ok. Não gosta de ser chamada de princesa, certo, princesa? – sorri de lado provocando e tentando entender aquela reação repentina. Má ideia. Ela ainda estava segurando a pedra e jogou com mira certeira na direção do meu rosto.

Passou raspando. Olhei espantado. Como uma dama sabia atirar com arco, se defender daquela forma e ainda ter uma mira dessas? Definitivamente o segredo dela era dos grandes.

Quando me dei conta, ela já andava na direção do cavalo. Corri para alcança-la e segurei em seu pulso antes que subisse na sela e desaparecesse novamente.

— Desculpa, moça. Eu sou Jack, caso queira saber. Qual o seu nome? Sabe, não dá para ficar te chamando de Ruiva ou Garota ou Arqueira. – tentei e ela sorriu levemente, aparentemente ponderando se me dizia seu nome ou não – Acho que Esquentadinha combina bem.

— Humpf. Me chame de M. Não posso revelar mais que isso. – Voltou a andar e observar o céu, que já estava totalmente claro nesse momento. – Eu não deveria estar aqui, sabe. Na verdade, nem sei porque estou.

— Mas... – me aproximei e fiquei na sua frente, fazendo com que ela abaixasse os olhos das nuvens e olhasse nos meus.

— Mas eu precisava te falar que não podemos mais nos encontrar. – havia tristeza ali, e certamente refletia o que havia no meu coração naquele momento. – Foi ótimo te conhecer, Jack. Eu tenho responsabilidades maiores do que as que você pode imaginar e preciso lidar com elas. Lamento, mas essa foi a última vez que nos vimos.

Eu não sabia o que falar. Não podia ser. Conheço a garota da minha vida a menos de um dia e já vou ter que deixa-la partir? Isso não é justo.

M abaixou a cabeça, virou de costas, sussurrou um adeus e começou a andar na direção do corcel negro. Eu não podia deixa aquilo acontecer. Deixei o impulso prevalecer.

No instante seguinte estávamos com os lábios colados.

POV Merida

Jack. Esse é o nome do garoto pelo qual meu coração decidiu que queria saltitar no meu peito. Precisava recuperar a razão e pensar no futuro do meu reino e no meu noivo que chegaria em breve. Eu iria me casar. Não podia me dar ao luxo de me apaixonar por outra pessoa. Precisava por um fim naquilo.

Após a despedida, ele ficou em silêncio. Melhor assim. Ele me chamou de princesa e por um segundo eu pensei que aquilo fosse um teste de alguém para provar minha lealdade ao Josh, o Dingwall a quem sou prometida.

Pensei nisso enquanto andava até Angus. Não pude pensar em mais nada quando uma mão segurou e puxou minha cintura, enquanto a outra agarrou-se a minha nuca, colando as bocas em um beijo urgente e apaixonado.

Deuses, o que eu estava fazendo? Só podia estar louca. Mas aquela sensação...

Não. Eu precisava ser forte. Resistir. Aquilo era só um beijo e eu podia por um fim.

E foi o que fiz. Tirei os braços e as mãos dos ombros e cabelos de Jack e me virei, subindo o mais rápido possível na sela e cavalgando direto para o castelo.

POV Jack

O beijo... sobre ele... M saiu tão apressada que...

— JAAAACK! Jack, apareça! – vozes de homens percorrendo a mata.

Corri para o meio das árvores procurando qual deles estava mais próximo.

— Jack, achei você. Que diabos.... – era um dos três homens que veio comigo para os preparativos.

— Deixe para lá, Ton. O que aconteceu? – minha mente ainda estava relembrando os instantes com M, e desejando reviver novamente aquele curto e intenso momento

— Está atrasado, seu idiota. A família real não iria conhecer o representante dos Dingwall hoje? Você é nosso líder. – ele virou as costas e começou a andar na direção que devíamos seguir – Passou a noite fora, agora se atrasa para encontrar a família que vai se unir a sua em breve, o que pensa que está fazendo, Jack?

— Ah, cale a boca. – passei por ele e corri para me arrumar a tempo da reunião. Peguei a primeira roupa que encontrei, tentei em vão dar um jeito no cabelo e segui para a sala do trono.

Aparentemente todos os DunBroch já estavam lá, inclusive a tal princesa que nunca vi. Bom, que seja, todas as princesas são iguais de uma forma ou de outra; a diferença é que essa vai ser a minha cunhada e só.

Passei entre as enormes portas de madeira com fechaduras de ursos e olhei diretamente para o clã a minha frente.

Quantos sustos será que um coração humano aguenta, sem que pare de funcionar?

POV Merida

Quase não houve tempo para que eu me arrumasse e fosse para a reunião. Minha mãe me daria ume bela de uma bronca por ter sumido de repente e chegado quase atrasada, mas naquele momento ela estava ocupada me arrumando inteira.

Eu não conseguia parar de pensar no Jack, e em como eu o odiava por não conseguir tira-lo da mente desde a nossa despedida.

Finalmente, eu estava pronta para a tal reunião com seja lá quem fosse.

O trono nunca foi o meu lugar preferido do reino, e ser parte do clã líder incluía que eu deveria me sentar ali por tempo indeterminado a cada vez que algo importante começava.

As portas se abriram e um par de olhos azuis me encarou. Aquilo não podia estar acontecendo! Ele era o representante dos Dingwall? Ah, meus deuses, eu estava morta!

POV Jack

— Jackson Frost Dingwall, emissário direto do clã. – Fergus começou. Os três pestinhas planejavam uma fuga daquele ambiente e por um momento eu quis que eles me incluíssem no plano para dar o fora dali!

Quando o rei me chamou, fui obrigado a desviar a atenção de M. Digo, da princesa-sem-nome-até-então. Ela estava mais linda do que nunca. Mas eu precisava manter o foco! Era a noiva do imbecil do Josh. Porcaria de destino!

— Eu, a rainha Elinor, lhe apresento a princesa Merida, primogênita do clã DunBroch; futura esposa de Josh Dingwall. – nesse momento precisei olhar novamente para a ruiva. Merida.

Ela estava tensa e me encarava como se calculasse formas de apagar a minha existência do mapa. Então quer dizer que havia um traço de rebeldia ali, bom saber.

— É uma honra conhece-la, princesa. – fiz uma breve reverência, respirei fundo e fiz o meu trabalho – Como andam os preparativos para o casamento?

— Tudo nos conformes. Os Dingwall e o clã chegam amanhã, certo ? – Elinor falava diretamente comigo, o que me deixava sem chances de desviar o olhar e tentar sair daquela enrascada – As acomodações já estão prontas e os preparativos estão quase. O vestido de Merida está quase finalizado, e é a coisa mais linda que alguém poderia imaginar.

Essa última parte ela falou olhando para a filha, que estava de olhos fechados e se concentrando em algo.

— Sim, mãe. – suspirou e finalmente ergueu a cabeça. – Realmente é lindo. Creio que meu noivo vá apreciar bastante, assim como todos do reino.

Aquilo foi como um soco no meu estômago. Eu havia beijado a noiva do meu meio-irmão. Ela iria se casar com ele, não comigo.

— Se me dão licença, creio que está tudo nos conformes e será a melhor festa que esse povo já viu. – curvei-me – Preciso ir a um compromisso. – sai apressado, em busca de ar.

Corri até chegar em um local na floresta onde haviam pinheiros altos, uma grama macia e uma vista perfeita para o céu. Durante a noite, ali devia ser um paraíso estrelado. Merida podia vir...Não. Essa ideia não pode existir. Nunca mais posso vê-la a sós.

Voltei para o castelo e precisei fazer as refeições junto com a família real, para que assim finalizássemos tudo para o dia seguinte. Estar no mesmo ambiente que a ruiva fazia com que eu quisesse chama-la para conversar sobre o que tinha acontecido entre nós.

Finalmente anoiteceu e assim que encerramos o jantar e todos saíram, decidi que iria até o local que encontrei mais cedo. Assim que pus o pé na floresta, uma luz flutuante e azul apareceu.

— É a luz mágica, caso queira saber. – quase gritei de susto quando a voz surgiu. Era um dos gêmeos, eu só não sabia qual.

— Dizem que ela leva ao seu destino. – outro deles surgiu

— Vamos todos atrás dela? Quero ver seu destino, Jack. – o terceiro surgiu sorrindo e comendo um doce – Ah, sou Hubert. O primeiro que falou foi Harry e o segundo Hamish. – deu uma piscadela para mim e começou a andar na direção da floresta

— Opa opa opa, baixinho. Espera aí. – segurei atrás de sua roupa e o botei de volta no caminho até o castelo – É o meu destino, vou sozinho. Obrigada a vocês, mas não vão comigo.

Eles ficaram emburrados, viraram e saíram.

Esperei um pouco para ver se iam mesmo até o castelo e corri atrás da tal luz mágica. Ela me levou até o meu local secreto e sumiu.

— Mas o que... – procurei em volta e realmente a luz havia evaporado, como que realmente por mágica. Talvez fosse. Ah, dane-se.

— É assim mesmo, elas aparecem e somem do nada. – uma voz feminina falou de repente. – Então, emissário dos Dingwall, não?

— Princesa Merida, quem diria... – a ruiva estava deitada na grama e fui até lá.

— Se não fossem as luzes, eu perguntaria como achou esse lugar. – a noite estava estrelada e a lua brilhava alta no céu. – Levante-se, vai começar.

Ela levantou, tirou o capuz da cabeça liberando os fios ruivos que estavam presos para trás e me estendeu a mão para me ajudar a levantar.

— O que vai começar? – perguntei meio desconfiado. Então as árvores começaram a brilhar. Na verdade não eram as árvores, mas sim borboletas.

Borboletas azuis e incandescentes. Que soltavam-se de uma árvore e iam até a outra, o que fazia com que parecesse que estávamos em um redemoinho azul.

Merida admirava aquilo intensamente e eu fiz o mesmo, ficando ao seu lado e observando a magia do lugar. Uma nuvem ocultava o brilho da lua e das estrelas e por um momento o céu era onde estávamos.

Não havia som, apenas a nossa respiração e o leve farfalhar do vento. Um instante depois, a lua voltou a surgir e olhei na direção de Merida, que por sinal estava na minha frente e me encarava profundamente.

O rosto dela estava tão próximo... a pele alva quase brilhava ao luar. Ela segurou minha nuca e acariciou meus cabelos. Como eu iria poder resistir aquilo? Não dava. Mas eu precisava

Eu não conseguia.

POV Merida

No momento em que Jack chegou, eu soube que aquele seria o meu destino. Não havia como errar.

Após mostrar para ele as borboletas azuis e aquele cenário perfeito, eu não conseguia mais ficar longe. Precisava me aproximar.

Aqueles cabelos tão finos...tão macios. Em perfeita sintonia com aquele rosto maravilhoso e aquele sorriso... Ambos estávamos com a respiração ofegante, encostamos nossas testas e fechamos os olhos. Havia desejo ali, e que se recusava a ser ignorado.

Ao mesmo tempo, jogamos as consequências para o alto e nos entregamos a um beijo intenso e urgente. Ele soltou meus cabelos enquanto eu me agarrava mais forte a ele.

Sabíamos que aquilo não devia acontecer. Não estava certo. Ele era um pebleu e eu deveria me casar com Josh. Porém aquilo não importava no momento. Eu ainda tinha mais uma noite antes do meu futuro marido chegar.

Interrompemos o beijo por precisarmos de fôlego e eu abracei Jack com toda a força que tinha. Giramos e nos abraçamos por um bom tempo; até que recordei de um lago congelado, onde podíamos ver os vagalumes.

Segurei a mão dele e o puxei na direção do lago. Ele sorriu intensamente e sem dizer nada, tirou os sapatos e correu para a superfície congelada. Estendeu-me a mão e me ajudou a andar até o centro com ele.

Nos beijamos novamente aproveitando cada minuto restante. Os vagalumes brilharam e ficaram ao nosso redor.

POV Jack

Aquela ruiva me tirou do sério. Merida me fez ver o mundo com um novo olhar. Eu precisava dela ao meu lado, não podia permitir que ela se casasse com Josh. Não era certo.

— Então, princesa... – comecei sorrindo e levei um soco leve no braço – Tenho um segredo para te contar. Mas antes preciso saber... Você quer se casar comigo?

Será que era normal alguém ficar corada daquele jeito? Porque parecia que todo o sangue da garota estava no seu rosto. Olhou-me com uma cara de assustada e melancólica, o que me deixou com uma mega vontade de coloca-la em um potinho e não deixar ninguém chegar perto.

— Você sabe que sou prometida ao Josh, ele chega amanhã e... – não deixei que terminasse a frase. Puxei sua mão para perto e colei nossos lábios novamente; logo ela cedeu e se entregou ao desejo ardente que nos consumia.

Rodopiamos em cima do lago congelado até que, por fim, fomos para a margem e andamos de volta até a parte da floresta que se aproximava do castelo.

POV Jack

— Adeus, Jack. – ela me deu um último abraço apertado, um beijo breve e andou até as portas do castelo.

— Até logo, ruiva. – de forma alguma eu deixaria aquele casamento acontecer.

Passei a noite acordado, esperando o dia clarear e corri para esperar a chegada do meu pai e do meu irmão assim que o barco deles ancorou. Solicitei uma reunião urgente com os dois, não aguentava mais aquele tormento.

— Jackson, fale logo o que aconteceu; Josh quer ver a noiva. – meu pai falou rápido e severo.

— Acontece, pai, que não posso deixar que ele se case com a princesa. – endireitei minha postura e enfrentei os dois

— E por que não? – Josh permanecia calado, atônito como sempre

— Porque o primogênito é quem deveria lutar pela mão da princesa. Eu sou o primogênito e todos nós sabemos disso. Portanto, sou eu quem deve se casar com a descendente dos DunBroch. – aguardei a reação do meu pai

— Nós sabemos, eles não! Eu lhe escondi por anos! Josh veio aqui e eu o apresentei como meu único filho.

— Pois apresente a minha existência! Eles são nossos líderes, merecem a verdade! – elevei um pouco a voz. Não podiam negar o meu parentesco.

— Concordo com o Jackson. Nós merecemos a verdade e apenas ela. – Elinor falou e entrou na sala naquele momento, seguida por Fergus, que batia uma mão na outra ameaçando meu pai.

— Senhora, eu... – comecei, mas fui interrompido. Pelo visto personalidade forte era uma característica das mulheres da família.

— Está decidido, Merida se casará com Jackson, o primogênito escondido dos Dingwall. Josh esta liberado do acordo. – dito isso, a rainha saiu e eu corri atrás dela, precisava agradecer pelo resto da minha vida.

— Obrigada, senhora, muito obrigada. – fiz uma reverência e ela sorriu de lado

— Sei reconhecer um amor quando vejo, Jack. – ela piscou e continuou andando – Cuide bem da minha filha!

— Com a minha vida, senhora! – sorri e fui para os meus aposentos.

No dia seguinte, eu me casaria.

POV Merida

Eu sabia que ficar nervosa no dia do seu casamento é a coisa mais normal do mundo, mas nervosa como eu estava não deveria se encaixar na categoria.

Eu amava um homem e me casaria com o outro. Que belo destino!

Acordei com todas as mulheres que me ajudariam a me arrumar já invadindo o meu quarto. Não prestei muita atenção na arrumação, só pensava se Jack compareceria aquele momento.

No final, eu estava realmente linda, precisava admitir. Fizeram um trabalho maravilhoso em me transformar na noiva perfeita.

Meu vestido era vermelho com desenhos bordados brancos; meu cabelo estava preso em um coque meio bagunçado e preso com jóias; luvas até os cotovelos e um colar de pérolas. Meus pés estavam acomodados em uma bota avermelhada, mas que não aparecia, encoberto pelo vestido.

Eu estava pronta.

Me casaria.

E não seria com o Jack.

POV Jack

Devo admitir, a rainha trabalhava rápido. Mandou que as criadas ajustassem a roupa e, uau, Merida teria uma surpresa e tanto.

Pelo que fui informado, os convidados não saberiam da “mudança de noivo”, assim como a princesa, até que ela chegasse e descesse as escadas para encontrar seu futuro esposo.

O tempo voou e rapidamente me posicionei ao lado da escada por onde Merida desceria até mim.

— Senhoras e senhores, houve uma mudança inevitável no casamento de hoje. – O rei apenas abaixou a cabeça e fazia cara de triste, enquanto a rainha falava com seu melhor tom de melancolia.

Eu me controlava para não rir, pois todos estavam prestando atenção no que os governantes falavam, e que atores eles eram!

A mulher que eu amava estava próxima de vir até mim.

Eu a amava. E ela seria minha pela eternidade.

POV Merida

— Senhoras e senhores, houve uma mudança inevitável no casamento de hoje. – o que? Mudança? Como assim? Minha mãe só podia estar delirando.

Meus irmãos não estavam por perto para que eu os mandasse descobrir o que era, Maugie também já havia partido. Só tinha eu ali e eu não podia sair até que anunciassem que eu estava pronta.

— Princesa Merida, primogênita do clã DunBroch, desça as escadas, minha querida, e venha para o seu casamento. – meu pai me chamou e não me restava alternativa que não fosse fazer o que ele disse.

Para a minha sorte, a “escada” não devia ter mais de 10 degraus. Concentrei-me em respirar e olhar para todas as direções, por último eu olharia para quem me aguardava lá embaixo.

Decisão errada. Eu deveria ter olhado para lá primeiro.

Surpresa invadiu minha expressão quando eu o vi. Como aquilo aconteceu? Eu precisava de respostas. Mas elas não importavam agora.

O que importava era que Jack segurava a minha mão, e que ele seria meu marido.

Naquele instante, era tudo o que eu precisava: que ele fosse para sempre, meu.

Notas finais
Então, o que me dizem? Aguardo vocês, caros fantasminhas. Tchau, tchau :v
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!