Namoro por Aluguel

22 O retorno da praga


Notas iniciais
Queria agradecer aos divos que mandaram review: - Dona Gigibrigidofic (sim, agora vcs são donos e donas do meu core

—Finalmente chegou, Ana. Está atrasada. — Lucas disse, levantando-se do sofá de casa.

— Eu não estabeleci nenhum horário. — Falei, dando de ombros. — E, se alguém tivesse de reclamar do horário, essa pessoa seria papai.

— Eu leio a mente dele. — Meu irmão rebateu.

— Deveria tentar ler as instruções de uso de uma compressa. Seu olho está tão roxo quanto meu vestido de formatura do ensino fundamental.

Ele mostrou-me a língua e voltou a assistir Cake Boss. Eu não aguentava mais, todos os dias meu irmão via, no mínimo, dois episódios desse programa. Seria uma vingança celestial por minhas mentiras? Ou por minha obsessão por bonecas quanto tinha oito anos de idade? Qualquer que fosse o motivo, eu peço perdão.

— Onde está mamãe? — Indaguei.

— Ela e papai estão no quintal, estão mudando uma planta de vaso ou algo assim.

Sem esperar por mais respostas, encaminhei-me para os fundos de casa. E, como meu irmão dissera, meus pais mudavam uma planta de vaso.

— Ana! — meu pai gritou, entusiasmado— Por que demorou tanto?

— Talvez porque ela estivesse em um encontro? — Minha mãe disse, sorrindo. — Venha cá, querida, precisamos de ajuda.

Obedecendo-a, fui ajuda-los, sem esquecer-me do maravilhoso piquenique que Tobias planejara.

* * *

— Se beijaram no pôr do sol? — Melissa indagou. Meneei a cabeça, embora soubesse que todos no Mocca Café estavam nos encarando.— Que clichê! Esse garoto não é nada criativo.

— Mel! — A repreendi. — É romântico.

— Ele nem é seu namorado.

— Certas coisas não precisam de rótulos...

— Outra frase clichê. Sério, cupcake, já li mil livros em que alguma dessas duas coisas acontecia.

— E em todos eles existe a amiga pessimista.

— Ou a amiga mega-inteligente, top da balada, que sabe escolher um cara que tenha alguma graça.

— Mas, no fim, a amiga sempre está errada.

— Os livros não mostram o quanto isso será tedioso após trinta anos de casamento e cinco filhos.

Tentei me conter, mas imaginar-me casada com cinco filhos me fez rir.

— Imaginação fértil, Mel.

— Não tão fértil quanto seu útero de fabricar crianças à jato...

Comecei a rir esganiçadamente, fazendo um dos clientes me lançar uma cara feia. Acalmando-me, deixei minha mente divagar para o encontro do dia anterior. Tobias estava fascinante e, como sempre, agiu como um cavalheiro. Cometeu algumas gafes, mas colocava a culpa no nervosismo que era visível em suas mãos trêmulas. Ao fim do piquenique, eu tomei a iniciativa de beijá-lo. Pelo menos, ele não me afastou.

O sininho da porta badalou e duas pessoas atravessaram-na. Eram Sra.Austen e seus dois filhos: Vicente e Henrique.

— Olá, Sra.Austen. — Disse Melissa. — Melhorou da gripe?

— Mais ou menos. — Disse, com a voz rouca, a minha patroa. — Mas não gosto de ficar em casa, fico entediada e ainda mais doente.

Enquanto isso, eu daria tudo para estar em casa dormindo...

— Henrique está crescido. — Falei, surpresa com o tamanho do garotinho,que tinha apenas seis anos de idade. — Essas crianças de hoje em dia crescem rápido demais.

— É verdade. — Austen afirmou, apontando para Vicente. — Meu filho mais velho já tem catorze anos. Ainda é uma criança, mas está tão crescido...

— Eu não sou criança! — Contestou o garoto, tirando seus fones de ouvido. — Não brinco de carrinho, não assisto à desenhos e não choro à noite. Sou um adolescente.

— Para mim, sempre será uma criança.

O garoto bufou e revirou os olhos. Em nada era parecido com Sra.Austen, já que enquanto a pele da mulher era quase transparente, a dele tinha um eterno bronzeado que fazia qualquer um achar que acabara de voltar da praia. Os cabelos do rapaz eram curtos e castanhos escuros, mas sempre estavam despenteados e bagunçados. Os olhos eram de um castanho escuro quase preto e seu porte físico magro. Já seu irmão caçula, Henrique, era uma versão masculina e gorducha de Sra.Austen.

— Você ainda sabe fazer mágica? — O pequeno Henrique indagou à Melissa.

Sempre que ele vinha ao Mocca, minha amiga ensinava a ele algum truque de mágica. Ele ficava simplesmente fascinado, sentia-se em um desenho onde era o protagonista a quem um velho sábio confiava a missão de repassar seu conhecimento ao mundo. Melissa não ficava muito feliz em saber que,aos olhos de Henrique, ela era um velho barbudo e prestes a bater as botas, mas sempre que via o sorriso que brotava nos lábios do garoto, ela ensinava algum truque.

— Claro que sei, tenho um acervo infinito de truques. Mais tarde eu te ensinarei.

— Mas eu quero agora! — Disse ele, demostrando que em sua casa ele era o mais mimado.

— Ela está trabalhando, chérrie — Sra.Austen falou. — Vá jogar alguma coisa com seu irmão.

— Não trouxemos o videogame portátil. — Vicente falou, sem tirar os olhos da tele de seu celular.

— Deixe-o jogar em seu celular,ora.

— Não!

A mulher lançou um olhar feio ao primogênito, que continuava a digitar em seu celular. Melissa e eu tratamos de fazer algo que não demostrasse que ouvíamos Sra.Austen discutindo com o filho mais velho em francês. Por sorte, um cliente adentrou no café e interrompeu a briga.

— Posso ajudar? — Indaguei, procedendo com o atendimento conforme sempre fizera.

— Um cappuccino, por favor.

* * *

Miguel Belmonte te enviou uma foto. — Mostrava a notificação do chat de uma rede social.

Desbloqueei a tela com uma mão enquanto segurava minha escova de dentes com a outra. Arrependi-me amargamente no mesmo instante.

A foto enviada por meu falso namorado mostrava-o na suíte de um hotel, deitado em uma cama de casal com lençóis brancos. Ao seu lado,uma bonequinha de palito muito mal desenhada. Assim que fechei a foto, outra mensagem chegou.

“Será que meus pais vão desconfiar que fiz isso no paint? Está igualzinha à você! Bom, eles não desconfiam que não somos namorados, então...”

Sem paciência, apenas mandei-o ir à merda e terminei de escovar meus dentes.

Você se incomoda se eu substituir sua boneca desenhada em um editor de computador por uma americana de carne e osso?” — Dizia a outra mensagem de Miguel.

“ Bom, amanhã ;e terça feira e tenho de trabalhar. Então, estou pouco me importando para suas gracinhas. Não somos namorados, Não precisa me perturbar. Curta sua viagem e, enquanto isso, torcerei para que um terrorista derrube seu avião na volta.”

“Calma, queridinha

“Como diria America Singer, eu não sou sua querida”.

“Que beleza, agora você cita frases de livros. Acho que vou te pagar a mais por isso...”.

“Vai se danar.”

E,após mandar isso, desconectei meu celular da rede de internet. Sério, a pessoa está m outro país e ainda assim arruma um modo de me encher o saco. A vida dele deve ser uma merda, de verdade.aoão

Notas finais
O que acharam? Acho que no próximo cap o Miguel já volta (odeie escrever sem ele kkk). Aquele safado fez falta :( Pergunta do dia: Se você tivesse que escolher entre ser uma sereia ou um vampiro, qual escolheria? Essa pergunta é meio doida, mas sempre quis perguntar kkk. Sou doida mesmo, não liguem. Bjus