Namoro por Aluguel

6 Almoço- Parte dois


Notas iniciais
Dedico esse cap à todos os que comentaram cap passado *-* Bjus da Zia

– A senhorita me parece ser uma excelente pessoa. — Diz Elias, pai de Miguel.

– Faço o possível para ser, senhor. — Falo, com elegância forçada.

– Sinto-me no dever de lhe avisar de que essa família não é perfeita, porém deve apresentar ser. Entende o que digo?

– Entendo perfeitamente. — Falo, revirando o anel em meu dedo.

Ele me encara, ajeitando os fios loiros em seu cabelo.

– Sabia que entenderia.

Seu telefone toca e ele sai. Olho para o relógio da sala: 14:00 horas, em breve minha mãe ligará,preocupada. Até agora, tudo correu bem: A família de Miguel se deu bem comigo, consegui mentir bem, eles acham que somos um casal e que o filho tomou juízo. Agora, a Sra.Carmem está descansando em seu "sono de beleza" enquanto Diane procura por mais sorvete (os hormônios da gravidez estão à todo o vapor, segundo ela).

Miguel simplesmente desapareceu após alguém ligar em seu celular, então estou na sala de estar, observando uma das empregadas limpar as maçanetas da porta de entrada.

Finalmente, o rapaz desce as escadas e vai até a mim.

– Parece que tudo deu certo, não é, amore?

– É.– Falo.

A mulher termina de limpar e sai do cômodo.

– Meus pais te adoraram. — Ele fala, baixinho — Como imaginava.

– Quando poderei ir embora?

– Não sei, talvez devesse passar a noite em meu quarto.

Lanço uma cara feia para ele.

– Foi brincadeira, acho que umas seis da tarde já dá para ir. — Ele fala, mas ao perceber o pai entrando para dentro de casa, finge estar falando de outra coisa — Ai, para de ser boba,eu te amo mais do que você me ama.

– Claro que não — Digo, entrando na farsa -Eu te amo mil vezes mais.

– Casais novos são tão bonitos juntos... — Comenta o homem.

Miguel sorri, falsamente.

– Eu queria pode me casar agora mesmo. — Fala ele

– Vão com calma, depois que você se casa, a magia acaba.

Em minha opinião, ele estava totalmente errado. Era só pensar em meus pais, que se amam magicamente mesmo casados. Mas, para não contraria-lo, dou uma risadinha.

– Vou me juntar à minha esposa em um sono da tarde, mas quero que se sinta em casa. — Diz,olhando para mim — Hoje foi um ótimo dia.

Ele se retira, indo para o andar de cima. Passados alguns minutos, Miguel fala:

– Quer subir e jogar videogame?

– Você ainda joga? — Falo — Deveria estudar

– Estudo jogando, vendo as construções onde ocorrem as batalhas sangrentas.

– Isso não é estudar.

– É sim.

Bufo.

– Bom, eu vou jogar, e seria um pouco estranho se minha namorada não subisse comigo até o quarto.

– Não seria.

Ele se levanta do sofá,calça o chinelo e sobe, relutando, eu vou atrás. Subimos as escadas de mármore branco, atravessamos o longo corredor, rodeado com obras de arte, até chegar em seu quarto.

A primeira coisa que noto é o marrom acolhedor nas paredes, seguido pelo piso quase escondido por um enorme carpete. A cama é estilo japonesa, um colchão suspenso sobre um pedaço de madeira também marrom ,ambos acima de uma elevação, é sofisticada. Ao lado da cama, uma poltrona creme está servindo de cabide para uma jaqueta de couro. Há nichos espalhados pelo quarto,guardando livros e jogos de videogame. Um abajur creme fica do outro lado da cama, perto de duas portas (devem ser o closet e o banheiro). Uma enorme Tv está disposta em frente à cama. Miguel pula na cama, pegando um controle de videogame.

– Senta aqui. — Diz, apontando para o lugar vago ao seu lado.

– Vou ficar na poltrona mesmo.

Sento-me na poltrona. O cômodo cheira à limpeza misturada com perfume de homem.

– Uau! A primeira garota à rejeitar a cama. Vou anotar isso no meu livro de "primeiras vezes".

– Sou um exemplo de pessoa, esqueceu? Espera,você tem um livro?

– É como um diário, lá escrevo todas as minhas primeiras vezes em algo.

– Meio doentio, mas legal. — Falo

Ele sorri. Liga a Tv e percebo que o jogo já está pausado.

– Quer jogar também?- Pergunta ele, estendendo um controle

– Por que não? — Indago , pegando o objeto.

* * *

Ana, cadê você?– Minha mãe diz, a voz alta quase me surdando.

– Estou na casa de uma amiga, lembra-se? — Falo, trocando o telefone de mão.

– Vai passar o feriado todo aí?

– Ela precisa de mim, mãe.

– Sua família também precisa.

Abaixo a cabeça, embora ela não consiga ver.

– Não vou voltar tarde.

– Filha, é sério, volte logo.

– Tá.

– Se não voltar até as sete, irei te buscar aí.

– Tá.

– Pare de falar "tá"

– Ok, desculpe.

Ela solta um suspiro, depois continua:

– Se cuide.

– Pode deixar.

Desligo o telefone.

– Miguel, preciso ir.

Ele perde a concentração no jogo, e em um segundo um Game over brilha na tela.

– Já?

– É, eu tenho uma família, e ela precisa de mim.

– Caramba! Isso seria um ótimo bordão para super- herói.

– Cale a boca.

– Vem calar! — Ele caçoa, como um garoto de onze anos.

Reviro os olhos

– Passei pelos portões do ensino fundamental. — Debocho

Ele dá uma gargalhada, como uma foca engasgada com algo. Sério, é horrível.

– Não tem uma risadinha um pouco melhor?

– Posso dar uma aula sobre risadas, essa é a tipo dois, eu a uso quando quero zoar alguém.

– Não se zoa um desconhecido.

– Você é minha namorada.

– De aluguel.

Tá, mas ainda assim tem intimidade.

– Até semana passada eu era só a "tia da faculdade". Então creio que intimidade não caiba aqui.

– Agora é "a tia da faculdade/ namorada alugada"

– Tanto faz. Vou me despedir dos seus pais e ir embora.

– Bom, eu não vou interromper o meu jogo para te levar.

– Eu vou de ônibus.

– Meus pais não podem te ver em um ônibus, esqueceu de que é rica?

– Vou de táxi.

– Ok.

– Só preciso que me dê uma a sacola com as minhas roupas, não posso chegar em casa com roupas de grife.

– Vou no carro pegar. Me acompanha?

Saímos do quarto e vamos até a garagem,onde ele me dá a sacola. Ele liga para um táxi, me dá o dinheiro para pagá-lo e eu parto, sem nem me despedir dos pais dele (o sono da tarde é algo muito priorizado lá).

No meio do caminho eu paro em um posto de gasolina, onde troco de roupa e guardo as de grife em minha mochila. Descarto a sacola em uma lixeira.

Desço do táxi na esquina de casa.

– Mãe! — Berro no portão. Eu esqueci a chave, e a campainha está quebrada (meu pai disse que arrumaria hoje, mas não quero arriscar).

Segundos depois, uma figura loira aparece na porta, apertando o controle do portão eletrônico.

– Chegou a visita. — Caçoa ela.

– Desculpa, de verdade.

Ela me dá um abraço.

– Ajudou sua amiga?

– Ajudei.

– Que bom.

Ela afaga meus cabelos e, por um momento, me sinto culpada de mentir. Seus olhos azuis esbanjam preocupação. Sempre disseram que éramos muito parecidas, e conforme eu cresço, vou percebendo casa dia mais.

– Seu pai está arrumando a campainha, olha que milagre.

– Eu disse que ia arrumar, mas vocês acreditam em mim? — Ele fala.

Vou até meu quarto, cumprimentando meu pai no corredor. Ele já é o oposto do resto da família: Cabelos castanhos e ralos,olhos negros como a noite, pele cor de café com leite. Costumava ter um comportamento explosivo, descontar toda a raiva que sentia no trabalho com gritos, quebraria de pratos, mas felizmente é uma pessoa pacífica hoje em dia.

Entro em meu quarto, guardando todas as roupas de grife em um armário antigo de brinquedos, pois sei que lá minha mãe não vai mexer.

Deitando-me na cama, começo a refletir sobre o dia de hoje.

Quem diria que tanta coisa iria acontecer?

Notas finais
Esse cap me deu uma dor de cabeça danada, achei q tinha passado das duas mil, mas tinha repetido duas vezes :( Gostaram? Bjus da Zia